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José Viterbo, é uma descida inédita, nunca tinha acontecido na história da Académica. O que pode explicar? O que não resultou e de que forma é que o clube se pode agora reerguer?

Sobre o que não correu bem, está à vista. Primeiro que tudo, resultados. Depois, como não estou neste momento por dentro da estrutura, não sei o que não correu bem para poder fazer uma análise mais detalhada. Conheço bem a estrutura, conheço bem a Académica, são quase 30 anos ligado à instituição, mas acho que é melhor neste momento pensarmos é no futuro. E o futuro vai ser complicado, difícil. Financeiramente temos muitas dificuldades, como é sabido. E neste momento, o mais importante é unir esforços, arranjar capacidade financeira para cumprir os pressupostos para a terceira liga e, de alguma forma também, fazer uma equipa competitiva para a terceira liga. Porque a terceira liga é um campeonato muito competitivo, muito difícil, e a Académica naturalmente vai ter que lutar muito para regressar à segunda liga. E fazer um projeto que seja credível, para no espaço de quatro, cinco anos podermos voltar a ver a Académica na primeira liga.

Como o José dizia há pouco, de facto, são 30 anos ligados a esta instituição, que atinge agora o ponto mais baixo na história do clube. Como alguém que tem essa ligação, como o José, de que forma é que reage a este ponto?

É uma tristeza enorme. São horas, são momentos marcantes, são dias dificílimos. Já vivi muitas alegrias na Académica, também já vivi algumas tristezas. Este momento e a cisão em 74 da Académica para o Clube Académico de Coimbra, são claramente os piores momentos da história da Associação Académica. A Associação Académica em 74, como vocês sabem, por questões políticas, desapareceu do mapa, deu origem ao Clube Académico de Coimbra, que passado 10 anos voltou a dar origem à Associação Académica de Coimbra, num organismo autónomo de futebol. Em 74 foi o momento mais difícil da história, hoje talvez seja o segundo momento mais difícil também. Enfim, já chorei pela Académica, hoje é um dia em que naturalmente chorarei interiormente, porque de facto, há momentos na vida que eu espero que só se vivam uma vez e que nunca mais se voltem a viver. Agora é apontar baterias para um regresso rápido à segunda liga, com um projeto credível, com dirigentes também credíveis. O que não quer dizer que estes que acabaram ou que vão acabar o seu mandato não sejam pessoas credíveis. Sê-lo-ão, sem dúvida que o são, mas eles receberam muitas dificuldades nesta instituição, que culminou com o dia de hoje. Agora, é preciso saber como caminhar, com quem caminhar e de facto, o que fazer durante este caminho dos próximos três anos, porque logo o clube vai a votos, vai haver eleições e nos próximos três anos tem que aparecer gente com coragem, gente com capacidade financeira também para nos reerguermos. Mas são precisos todos os académicos, todos neste momento. Não são apenas aqueles que vão entrar no clube, na instituição, não são apenas os funcionários, os treinadores que estarão na instituição, os dirigentes, os próximos dirigentes. São todos, adeptos, sócios, dirigentes, treinadores, enfim, toda esta massa humana da Associação Académica de Coimbra, que não representa só uma cidade. Representa muito mais do que isso. Representa uma universidade, representa, para além da cidade, representa muito mais. Representa um país, representa uma instituição fora de Portugal e uma diáspora existente por esse mundo fora.