Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Junta-se agora a este jornal o antigo ministro das Finanças, António Bagão Félix, precisamente o coordenador deste livro. Muito bom dia, António Bagão Félix.

Muito bom dia.

Qual é o objetivo deste livro?

Eu não sou o coordenador, sou um dos quatro coordenadores.

Um dos coordenadores. Verdade, sim.

Exatamente. Qual é o objeto? Em primeiro lugar, mostrar através de testemunhos diferentes a importância da família. Eu não gosto da expressão família tradicional, mas da família enquanto instituição natural, não criada administrativamente, não criada por lei, intemporal, universal e que é fundamental para uma sociedade de bem-estar. Não há sociedade de bem-estar se houver mal-estar nas famílias. Evidentemente que a família é uma instituição que sofre, durante a história da humanidade, as vicissitudes da história, num ou noutro sentido. E o nosso subtítulo do livro é "Entre a consistência da tradição e as exigências da modernidade". Portanto, tentamos perceber e dar respostas e também fazer perguntas, de modo a ver, num tempo em que se fala tanto de causas fraturantes, muitas das quais mutilam a ideia da família, nós preferimos falar da família como cimento aglutinador.

Mas que ameaças concretas é que essa família, chamemos tradicional ou não, está a ser alvo?

Em primeiro lugar, há uma ameaça mais ou menos velada, mais ou menos expressa, que é a de a família ser marginalizada nas políticas públicas. A família em si é um bem público. E o que nós achamos é que a família é para o Estado, sobretudo, uma entidade para cobrar impostos, que é um sujeito pagador de impostos. Numa sociedade de marketing, que hoje é visível, a família é cada vez mais vista apenas como uma unidade de consumo. No imperialismo da midiatização, do espetáculo midiático, o que é notícia não é o sucesso da família, mas o seu fracasso. Numa sociedade individualista, este é um ponto muito importante, a família tende a fragmentar-se. Há um dos textos muito sugestivo, cujo título é: "A família como uma escola de nós em tempo de eus". Ou seja, a individualização e também o hedonismo levam a que a família perca referências estabilizadoras. E depois, evidentemente, a questão da ideologia do gênero, que está a espalhar-se e que está a dar uma ideia da família que não é aquela que é mais estabilizadora e a mais adequada aos tempos, aos desafios do futuro. São alguns dos pontos. No fundo, deixe-me só concluir. A família está entre três polos, que podemos quase chamar reivindicações da pós-modernidade. O individualismo, de que já falei, o Estado. A família não é para o Estado, o Estado é que tem que ser para a família, nas suas políticas públicas, e o mercado. Ou seja, está sujeita ao poder burocrático, ao consumismo, à ideologia do gênero. E é nesse sentido que nós procuramos também dar o nosso testemunho.

E com questões, como diz, e também colocando muitas questões. O programa de governo vai ser apresentado e discutido esta semana. Espera, de alguma forma, poder influenciar o atual executivo?

O nosso objetivo com o movimento é procurar influenciar, designadamente, as políticas públicas.

E como é que se pode introduzir? Na prática, como é que estes valores podem ser aplicados?

Em primeiro lugar, há um ponto na carta de princípios do Movimento de Ação Ética, do qual não abdicamos, nós, como movimento, e temos esse direito e esse dever até, é o valor inviolável e inegociável da vida humana e o respeito integral pelos princípios da dignidade e da centralidade da pessoa. Esses são dois pontos dos quais nós não abdicamos.

António Bagão Félix, e isso passa por leis que ainda estão por regulamentar, como a da eutanásia e das gravidezes de aluguer, ou também pela lei do aborto, que também deve ser repensada?

Nós tomamos uma posição sobre a eutanásia. Somos contra a eutanásia. Evidentemente que também somos contra a ideia do aborto como direito. Uma coisa é a despenalização em determinadas circunstâncias, que nós, aliás, já temos consagrado na lei da interrupção voluntária da gravidez, o aborto. Outra coisa é transformá-la num direito.

Mas a lei da interrupção voluntária da gravidez, tal como está neste momento, está correta ou deveria ser repensada?

Do nosso ponto de vista, ou melhor, agora falo por mim, do meu ponto de vista, não é a lei que eu desejaria que existisse em Portugal Mas existindo, não me parece que seja um problema que neste momento deva ser levantado e, sobretudo, devemos, pela via dos valores e pela via da conscientização, lutar contra a utilização desse instrumento legal.

Há outros pontos que calculo que também mereçam reflexão, como por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção.

Não, isso só alguns autores que falam sobre isso.

Não há aqui nenhuma proposta concreta de alteração do quadro legislativo.

Não, os nossos princípios olham mais para o futuro. Aliás, a questão do quadro legislativo pode ser, e é muitas vezes, uma questão importante, não é a mais decisiva do nosso ponto de vista, quanto à estabilidade e quanto à importância intemporal da ideia de família.

E nessa ideia, já falou aqui muito da escola, as aulas de Cidadania têm sido polêmicas, deviam terminar ou deviam deixar de ser obrigatórias?

Não, deveriam ser não monopolizadas pela ideologia de gênero e por valores claramente de esquerda, que alguns deles, de fato, vão contra a ideia estável da família. Portanto, parece que há um excesso. A ideia da cidadania é uma ideia importante para os alunos. Aliás, em relação a isso, há uma ideia perversa que é a de delegar completamente no Estado a educação das crianças e dos jovens. Essa função não pode ser completamente usurpada pelo Estado. O Estado é uma parte importante na aprendizagem dos jovens, das crianças, mas não é a parte mais decisiva. A parte mais decisiva continua a ser a família. É na família que se forjam os valores principais do ponto de vista ético, do ponto de vista axiológico, e nesse sentido, valeria a pena perceber que esta é a ideia justa, correta e equilibrada de educação.

António Bagão Félix, é importante que Pedro Passos Coelho esteja na apresentação deste livro? O que espera ouvir dele?

Nós convidamos o doutor Pedro Passos Coelho, ele aceitou e nós ficamos, naturalmente, bastante satisfeitos. É um antigo primeiro-ministro com valores seguros quanto aos aspectos relacionados com esta problemática da família, e, portanto, só podemos dizer o nosso muito obrigado comovimento e antecipar com muita expectativa as palavras que certamente nos irá dar.

António Bagão Félix, muito obrigada por ter estado conosco em direto, de alguma forma, antecipando o conteúdo deste livro "Identidade e Família". António Bagão Félix é um dos quatro coordenadores desta obra que é hoje lançada. A apresentação está marcada para as 18h em Lisboa, com a presença do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.