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Temos agora ao telefone o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, a quem agradeço a disponibilidade para estar conosco. Sérgio Costa, bom dia. Ainda este verão o senhor chamava a atenção para os atrasos no plano de recuperação da Serra da Estrela. Agora há novo risco. O que espera que seja diferente desta vez?

Bom dia. Em primeiro lugar, devo prestar a minha solidariedade para com as populações, para com os meus colegas autarcas de todos os conselhos que estão a ser fustigados pelas chamas e, naturalmente, prestar as minhas condolências às famílias das pessoas, dos bombeiros e outras pessoas que padeceram perante este flagelo dos incêndios. Bom, passado estes dois anos, aquilo que me apraz dizer, naturalmente que, em primeiro lugar, e parafraseando aquilo que já algumas pessoas foram dizendo, tem que haver mão pesada, de uma vez por todas, para com aquelas pessoas que ano após ano teimam em querer semear este pânico, este flagelo, este inferno nos nossos conselhos. Estas pessoas têm que ser verdadeiramente perseguidas e as nossas autoridades têm que, efetivamente, ter uma mão muito pesada para com estas pessoas.

O que significa mão pesada? É agravar a pena?

Claro, muito que sim.

Mudar a legislação agravando a pena.

Se morrem pessoas sistematicamente por esta situação, e para além de todos os prejuízos materiais que existem, é agravar as penas de uma vez por todas, mas haver ainda outras ações mais musculadas, se necessário for, para que estas pessoas, de uma vez por todas, sejam efetivamente bem penalizadas perante aquele caos, perante este inferno, que ano após ano teimam em semear. Mas há outra questão onde nós temos que trabalhar. Temos que trabalhar cada vez mais na prevenção. A prevenção é absolutamente fundamental. É preferível nós gastarmos mil milhões de euros, eu estou a falar números em abstrato, em prevenção, do que qualquer cêntimo no combate. Eu estou a falar muito em tese, em abstrato, mas é aí que nós devemos caminhar. Eu falo o exemplo da Câmara da Guarda e mesmo assim aconteceu o que aconteceu há dois anos e nós reforçámos, naturalmente, muitas verbas. Nós anualmente, Câmara da Guarda, só em prevenção contra incêndios, seja na limpeza das faixas de gestão combustível, das estradas municipais, que são centenas e centenas de quilómetros, seja na manutenção das equipes de intervenção permanente, que nós temos 40 bombeiros nas equipes de intervenção permanente neste momento, 40 bombeiros profissionais no nosso conselho, seja no apoio às equipes de sapadores florestais, seja noutros apoios que nós damos às populações. Enfim, bem acima de um milhão de euros anual que nós investimos todos os anos na prevenção contra incêndios. E mesmo assim, por vezes acontece o que acontece. Já tivemos alguns focos de incêndio também. A prevenção é absolutamente fundamental. E este investimento que a Câmara da Guarda faz não recebe um cêntimo do Estado central. Aliás, devo dizer que os municípios não recebem um cêntimo na área da proteção civil do Estado central, sai tudo da sua tesouraria. E todo este sistema pode e deve ser repensado no seu todo no país. A prevenção é fundamental. É a limpeza das faixas de gestão, seja nas estradas, seja na envolvente às populações, seja na envolvente às habitações, porque as leis existem e têm que ser cumpridas. E naturalmente, uma palavra de apreço às autoridades que muito fazem para se sinalizar tudo isto. Ainda ontem ouvia, no caso concreto, a GNR, a sua preocupação perante tudo isto, a preocupação dos bombeiros, a preocupação do governo e de fato, nós temos que ter aqui medidas musculadas para o futuro. Temos que fazer um ponto de ordem à mesa, permita-me a expressão, para que nós possamos modificar o modus operandi, seja na penalização efetiva daqueles que prevaricam toda esta situação e que fazem sofrer as populações, e que as autarquias, os meus colegas autarcas, com os quais me solidarizo, e reafirmo uma vez mais, que fazem das tripas coração, falando assim desta forma, para poder salvaguardar as suas populações, mas também temos que atuar muito na prevenção dos incêndios, porque é antes que nós devemos atuar muito, porque nós, perante essas alterações climáticas que todos nós estamos a vivenciar, dia após dia, temos que adaptar o nosso modus operandi para que nós possamos fazer face a esta realidade no futuro próximo