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Erasmo Vasconcelos, membro da comissão de trabalhadores da Groundforce. Esta quarta-feira ficou aprovada a decisão dos credores da Groundforce pela manutenção da atividade da empresa. Qual é a leitura, qual é a reação da comissão de trabalhadores a esta decisão?

Para já, estávamos presentes alguns membros da comissão, ainda não tivemos a hipótese de reunir todos, mas em princípio, tendo em conta que a decisão final foi aquela que era defendida pela maioria dos seus membros, ficamos satisfeitos com a aprovação do relatório que prevê a viabilização da empresa. Para nós é satisfatório.

Acaba por ser um cenário ideal para os trabalhadores?

Sim, para nós é o cenário, para já, ideal, porque nós sempre defendemos que a empresa é viável e reúne todas as condições para continuar a sua atividade e para salvaguardar os postos de trabalho. Por isso, a maioria dos membros não víamos outra opção e outro cenário que não fosse a votação da viabilização. Até porque para os restantes credores, nós os trabalhadores somos os principais credores, mas para os restantes credores económicos não trabalhadores, a única forma também viável ou exequível de verem gerada receita capaz de fazer honrar as dívidas que temos para com eles, é a continuidade da empresa.

E entretanto, esta decisão agora vai implicar um plano de recuperação. Já se sabe quais serão as linhas gerais deste plano?

Não, para já não. Para já hoje, era o ponto único. Eram as duas hipóteses em cima da mesa, a viabilização ou a liquidação. E relativamente ao plano, os senhores da insolvência, que foi agora decretado legalmente um prazo de 60 dias para ser apresentado um plano, plano esse que poderá também ser depois posteriormente será votado, mas que poderá ser também outro, dos credores terão também direito à apresentação de planos paralelos ou de planos convergentes. Para já, não temos conhecimento quais é que serão as linhas mestras nas quais irá assentar esse plano, mas defendemos acima de tudo que seja ele o plano que for, que não vá incidir essencialmente em cortes significativos, principalmente naquilo que são as remunerações dos trabalhadores, porque os trabalhadores ao longo dos anos têm sido os principais atores dentro do universo laboral da SP DH a fazer todos os esforços significativos que lhes têm sido exigidos e impostos no sentido da viabilização sempre que se impôs.

Portanto, não mexer nos salários acaba por ser o único critério ou a única exigência dos trabalhadores para este plano de recuperação.

Esse será um dos principais, mas outros existirão que também temos como linhas que não desejaríamos ver ultrapassadas, porque nós queremos a viabilização, claro. Estamos dispostos a contribuir e é aquilo que temos feito ao longo dos tempos e demonstrativo disso é que trabalhamos ainda largos meses com uma situação bastante instável ao nível daquilo que foram as remunerações, até que chegamos a um ponto limite no qual não recebíamos, continuávamos a trabalhar e fomos obrigados a ter de arriscar por uma greve, porque chegamos a um limite incomportável de termos as nossas obrigações para com terceiros em atraso, termos as nossas obrigações pessoais com as nossas próprias famílias também completamente condicionadas, quando continuávamos nós a cumprir com todas as imposições e as obrigações que temos fruto dos nossos vínculos laborais e não queremos ver isso repetido. Mas outras condições poderão estar em cima da mesa que poderão vir a ser rejeitadas ou a necessitar de uma negociação profunda por parte da comissão de trabalhadores.

E fazendo aqui a pergunta ao contrário, sem ser então esta questão dos salários, já percebemos que é um murro na mesa, como se costuma dizer, não querem que se mexa muito nos salários, sem ser esta parte, que outras opções é que os trabalhadores não vão aceitar à partida?

Olhe, por exemplo, uma questão que nos afeta bastante é a questão dos horários. Nós maioritariamente, apesar de termos trabalhadores com horário regular, é uma minoria no universo da nossa empresa, a grande maioria somos trabalhadores em setores operacionais, trabalhamos de acordo com aquilo que são os horários da aviação comercial, civil, e isso obriga-nos aos turnos. E estes turnos têm implicações bastante negativas naquilo que é a necessidade de conciliação da vida profissional e familiar. Ao longo destes anos já nos foram impostos, ou têm vindo a ser impostos, horários bastante penalizadores, não só ao nível dos descansos, mas também mesmo ao nível de conciliações básicas a que todos temos direito. E essa era uma questão à qual não gostaríamos de ver aprofundar o aspecto negativo em torno dela, bem pelo contrário, gostávamos era de vê-la revertida e de ver em torno da questão dos horários uma discussão no sentido do seu melhoramento, para que fosse possível dar resposta às necessidades da empresa e ao mesmo tempo conciliarmos as nossas obrigações pessoais e familiares. A questão dos horários é uma questão bastante relevante hoje em dia na nossa empresa.

E Erasmo Vasconcelos, uma última questão. Nesta reunião dos credores da Groundforce estiveram cerca de 2000 credores representados, mas a lista de credores conta com perto de 2800 entidades. Portanto, ficou aqui a faltar alguma representação, sente isso?

Não me pareceu, porque foi dada a hipótese até aos dias legalmente previstos para que todos que se considerassem como credores e interessados no reforçamento em termos das dívidas que as vissem reconhecidas. E a mim pareceu hoje, sem poder identificar todos os credores que estiveram presentes, que a representação foi ampla e até foi extensa e que muitos dos representantes legais de alguns dos credores representavam mais do que um, mais do que largas centenas até de credores. Parece-me que até em termos de representação foi bastante ampla e foi bastante participativa a sessão de hoje.