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Contamos agora, em direto, com o presidente do IAVE, Luís Santos. Obrigada por estar conosco. Que ponto de situação pode fazer-nos, agora na véspera deste arranque das provas de aferição digitais, sendo que há escolas que têm se queixado que só há poucos dias é que souberam que houve alterações em relação ao que estava planeado?

Sim, muito boa tarde, muito obrigado pelo convite. Eu penso que o projeto está numa fase em que temos condições para podermos avançar com as provas digitais. Um projeto desta envergadura, tão transformador, é sempre um projeto que tem que ter a colaboração de todo o sistema educativo. Não é um projeto do IAVE, nem do Júri Nacional de Exames, como eu costumo dizer, é um projeto de todo o sistema educativo. E portanto, as escolas, certamente, pelo menos é o que me têm dito, vão fazer todos os possíveis para que os alunos tenham condições para fazer as suas provas de avaliação da aferição.

Mas mudou alguma coisa em duas semanas, quando há duas semanas dizia que as condições não eram ideais?

Nunca são ideais. Nestes projetos nunca há condições ideais, mas há as condições possíveis. E por isso, eu quando disse que as condições não eram as ideais, o que é verdade, era no sentido de o IAVE saber disso, as escolas saberem disso, e termos criado várias modalidades que os alunos podem aceder para realizar as suas provas, sabendo que muitas das escolas não têm internet com grande velocidade. Criamos soluções técnicas para que as escolas pudessem fazer online as provas. Portanto, tudo isto são, no fundo, respostas, sabendo que nem todas as escolas podem fazer estas provas online por causa da largura de banda e por causa do número de alunos que realizam as provas ao mesmo tempo.

Mas o Ministério da Educação teria tido tempo para enviar mais cedo a informação e estas mudanças de última hora às escolas? Porque é de facto a queixa que tem sido ouvida por parte dos diretores.

Certo, eu compreendo. Claro que gostaríamos sempre de enviar informações o mais cedo possível, mas se pensarmos bem, com serenidade, podemos ver que, como circulavam notícias que as escolas tinham de instalar a aplicação, que eu já posso falar dela depois se quiser, a tal aplicação em 250 mil computadores em dois dias, isto não faz absolutamente sentido nenhum. Esta prova que vai começar agora, que é a prova de TIC, vai começar amanhã, é uma prova que pode ser realizada durante um período de 15 dias, de duas semanas, pelo que as escolas têm tempo para instalar esta aplicação de uma forma gradual, de uma forma serena. Não é uma aplicação que necessite da intervenção de professores especializados. Podem ser os próprios alunos a fazer essa instalação com alguma orientação dos próprios professores. Portanto, é uma coisa muito automatizada, muito rápida, muito simples.

Mas essa aplicação ajuda em quê, em concreto?

Essa aplicação é uma aplicação que nos vai assegurar a equidade entre os alunos, ou seja, vai nos assegurar segurança na realização da prova. Ou seja, é uma aplicação que vai permitir termos a certeza que os alunos não abandonam a prova a meio, por exemplo, ou saem da janela do computador e depois, eventualmente, pudessem aceder a outras aplicações ou à internet, ou seja o que for. Portanto, é uma aplicação que assegura essa segurança e claramente depois vai assegurar a equidade entre todos os alunos. Todos os alunos estão em situação de igualdade.

E haver verbas disponíveis para acelerar a transição pro digital poderia ser a partida um processo positivo, estas verbas do PRR que estão à disposição, mas como até diz o ditado, depressa é bem, não há quem, o ministério opôs-se aqui um pouco fora de pé. Não era preferível ter adiado estas provas digitais para o ano que vem, por exemplo?

Este plano, este projeto, foi apresentado já às escolas há cerca de dois anos e, portanto, já foi feito um piloto o ano passado, que correu bem neste sentido de piloto, ou seja, detetamos algumas dificuldades que este ano já não vão ocorrer. E, portanto, é um projeto que está planeado já há dois anos e não vimos razão nenhuma substantiva para o adiar. Queremos cumprir o cronograma. É raro em Portugal isto acontecer e muitas pessoas não acreditavam que nós, ou não acreditam ainda, porque ainda vai começar agora amanhã, não acreditam que o Ministério da Educação, o IAVE, o Júri Nacional de Exames, as escolas e os professores, que vão cumprir este cronograma. Não é normal em Portugal termos um plano que cumpre o que está previsto no seu cronograma. E não é, digamos assim, uma situação em que nós não estejamos preparados. Nós estamos preparados, mas temos que perceber que um projeto desta dimensão pode ter situações que eventualmente não corram tão bem e que nós estamos preparados para atuar em conjunto com as escolas. Temos as nossas equipas regionais do Júri Nacional de Exames que vão Poder dar um apoio às escolas. Estaremos sempre disponíveis para dar esse apoio de proximidade e resolver os problemas. Agora, não pensemos que este projeto vai ser aplicado com uma ausência total de constrangimentos, mas também nos esquecemos muitas vezes que no processo em suporte de papel, que este ano ainda vamos ter nas provas do nono ano e nos exames nacionais, nos trazia imensos constrangimentos e muito mais burocracia. Se perguntar a um professor que pertence, por exemplo, a um secretariado de exames, pode lhe contar toda a burocracia que era inerente às provas em papel. Só que isso já é na nossa zona de conforto, já nem nos lembramos das dificuldades que temos com o processo em papel. Portanto, o que este projeto de desmaterialização das provas vai trazer, quanto a nós, é também alguma contribuição para uma desburocratização do processo da avaliação externa. Isso nós temos esse convencimento e penso que é o que vai acontecer. Mas para isso, claro, precisamos de toda a colaboração das escolas e dos professores e, claro, dos alunos e também dos encarregados de educação.

Mas tem sentido essa colaboração por parte das escolas?

Completa. Nós fizemos muitas reuniões com escolas, com diretores de escolas, fizemos várias sessões de apresentação do projeto para professores. Os centros de formação de professores convidaram-nos várias vezes em todo o país para podermos falar deste processo. Tivemos sempre um feedback muito positivo. Fiquei com esta percepção muito clara de que os professores veem esta transição como muito positiva e, portanto, pensamos que temos todas as condições para que o processo avance. Este ano temos as provas de aferição e vamos fazer um piloto com as provas finais do nono ano. Portanto, é um processo muito gradual. Nós estamos a testar os sistemas, estamos a fazer as coisas passo a passo.

E a ver vamos como é que correm estas primeiras provas de aferição amanhã.

Exatamente. É isso mesmo.

As provas digitais são as primeiras que arrancam no país. Agradeço-lhe, Luís Pereira dos Santos.

Maria, eu é que agradeço.