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O tribunal declarou a insolvência da Groundforce, é uma decisão do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, isto na sequência de um pedido feito pela TAP. Como é que reagem os trabalhadores a este anúncio?

Boa tarde, antes de mais. Eu vou falar em nome da comissão. Nós não tivemos tempo ainda de confrontar os trabalhadores. A notícia é bastante recente. Não nos foi dada, para já, a oportunidade. Falamos com alguns dos principais intervenientes neste processo. Aquilo que nos parece, da informação que nos foi dada, é que não irão haver alterações ao nível dos vínculos laborais. Estes mantêm-se como até aqui e as obrigações da Groundforce relativamente à prestação de serviço a terceiros na área de assistência ao anden também se irão manter como até aqui. Para já, eu acho que mais novidades e saber com maior rigor aquilo que poderão vir a ser as alterações ou as pretensões ao nível de administração para o futuro próximo da Groundforce, serão questões que teremos que esclarecer com os recém-nomeados gestores de insolvência. Logo que a nomeação dos mesmos seja oficializada iremos tentar entrar em contacto, mostrar as nossas preocupações, levantar algumas questões e obter respostas para dúvidas. Isto também é uma situação completamente nova e para a qual não estamos preparados, mas para já vamos tentar manter alguma serenidade até que se consiga perceber realmente quais as implicações.

E a comissão de trabalhadores já foi contactada de alguma forma, ou os trabalhadores foram contactados de alguma forma para esclarecer o que isto implica?

Nós, enquanto comissão de trabalhadores, participamos há pouco numa reunião com a tutela, com o Ministério das Infraestruturas, onde esteve presente o senhor secretário de Estado e alguns representantes máximos da administração da TAP também, onde a questão foi debatida, mas eles próprios também foram de certa forma surpreendidos com a questão. Ainda está tudo muito quente e também não têm ainda a totalidade das respostas, não têm respostas para além daquilo que eu lhe disse inicialmente, de que para já se mantém ou se irá manter, apesar de a situação ser complexa, algum grau de normalidade no relacionamento entre as partes. A TAP pretende manter o seu relacionamento enquanto acionista e cliente dentro das regras e dos princípios como tem feito até há poucas horas, antes de ser decretada a insolvência. Até agora também já tivemos contacto com as reações via comunicações interna e acho que também possivelmente já terão visto na comunicação social dos representantes da empresa, do Conselho de Administração, da PASOGAL, que se mostram desagradados com a decisão judicial e que a contestam, mas realmente, para já, como lhe digo, é prematuro. A única coisa que nós receamos é que nós agora estamos num período de grande atividade operacional, é o nosso grande período de retoma, de maior procura e maior atividade. Para já, temos uma situação de alguma retoma e de alguma sustentabilidade e temos medo que após o fim do verão, caso também ocorra algum volte face relativamente à crise pandémica, que leve à diminuição da procura e que nos leve outra vez aos níveis de faturação e de atividade pré-verão, que isso venha a ter alguma influência muito significativa para aquilo que são os planos que se estão a desenhar pelos gestores de insolvência. Mas como lhe digo, para já, sem falar com os senhores gestores, os senhores administradores de insolvência recém-nomeados, é um pouco prematuro também fazermos afirmações peremptórias, mas esperemos que os senhores administradores de insolvência compreendam que esta é uma empresa que era viável, que é uma empresa que está de certa forma condicionada por uma crise, que é a crise pandémica, e que perante os dados presentes daquilo que tem sido o sucesso da vacinação, os resultados em termos imunológicos, em termos não só nacionais, mas globais, e o que isso representa em termos do regresso a uma certa normalidade. É uma empresa com toda a capacidade e que dá todos os sinais de poder voltar a ser sustentável e a regressar a uma normalidade em termos da sua atividade, por isso devendo ser considerada sempre sob uma perspetiva de viabilidade e salvaguarda dos postos de trabalho, com direitos, salvaguardo. E como tal, o caminho não deverá ser a sua extinção ou liquidação. Como tal, também não faria sentido, ainda por cima uma empresa que cumpre uma função, como se viu, se dúvidas ainda existissem, para alguns, com as duas greves, se viu a função essencial que esta empresa cumpre a nível nacional. E as implicações que a sua extinção ou condicionalismos que se apresentem a essa atividade podem ter, não só para a empresa em si, mas também para o país. Por isso que acho que é uma empresa estratégica e está ali importante demais para que lhe seja decretado qualquer tipo de fim, extinção ou liquidação.

Deixe-me só voltar a esta questão. De acordo com a informação que vocês têm, a TAP esclareceu que esta insolvência não significa a cessação automática dos contratos de trabalho, é isso?

Não. Essa foi uma das grandes informações tranquilizadoras que nós retiramos da nossa participação neste encontro. É que relativamente àquilo que são os contratos de trabalho e às obrigações inerentes aos mesmos, por parte da entidade empregadora, tudo se mantém e deve ser assegurado como sempre, de acordo com a normalidade possível. Relativamente a essa questão, nada nos foi transmitido que nos levasse a ficar com algum nível de receio. Claro, temos que ser realistas, vivemos uma crise, a empresa está com problemas deficitários em termos de tesouraria, tudo isso é bem presente, mas sobre a sustentabilidade dos postos de trabalho, relativamente a isso, nada foi dito. Bem pelo contrário.

E para além dos postos de trabalho se manterem, a prestação de serviços por parte da Groundforce à TAP mantém-se também.

Mantém-se também. E ficou bem expresso que há a vontade da TAP de continuar o relacionamento que tem tido até aqui, neste caso, em termos de cliente, continuar a receber a prestação do serviço de assistência prestado pela Groundforce. Serviço esse que até foi reconhecido como de qualidade e um serviço relevante que é prestado para aquilo que é o sucesso da própria atividade desenvolvida pela TAP. E agora, se me permite acrescentar, esta atividade é para manter não só com a TAP, mas com as restantes companhias também a quem nós prestamos atualmente o serviço e a quem pretendemos continuar a prestar um serviço de excelência e com elevados padrões de qualidade como até agora os habituamos.