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Connosco temos em directo José Augusto Matos, astrónomo. José, boa tarde. Neste momento temos uma reparação que está em pausa, mas é mais um caso em que tudo tem de ser feito com muito cuidado devido ao ambiente hostil em que estão, neste caso, o espaço.
Sim. Olá Miguel, boa tarde. De facto, a NASA tomou aqui uma série de precauções porque esta reparação foi feita no módulo de serviço russo. Esse módulo tem uma porta traseira de acesso onde as naves que vêm da Terra encostam e ficam acopladas. E já há uma série de anos, desde 2019, que têm sido detectadas fissuras nessa estrutura. Já para os nossos ouvintes ter em mente, estamos também a falar de fissuras que são inferiores ou do tamanho de um cabelo humano. São coisas muito ínfimas, mas que levam à perda de ar e à perda de pressurização. E o que acontece? Foram tomadas essas medidas porquê? Porque os dois cosmonautas russos que foram tratar dessas fissuras e aplicar vedantes e selantes nessas fissuras depois de detetadas, como estão a mexer na estrutura dessa porta de acoplamento, se houvesse uma rotura catastrófica desse lado, obviamente que seria uma situação grave na estação e, nesse caso, os outros cinco que estão dentro da Crew Dragon estariam preparados para voltar de emergência à Terra. Portanto, foi uma questão de precaução, porque a operação é um bocadinho complicada e pode haver, embora a probabilidade seja baixa, uma rotura repentina nessa parte que iria pôr em risco a estação espacial e, portanto, a atmosfera, o ambiente pressurizado dentro da estação. Embora os módulos possam ser trancados, ou seja, os módulos têm portas de acesso que podem ser trancadas. Se há uma fuga no módulo, há uma porta que é trancada e os outros ficam seguros. Mas foi uma questão de precaução e foi, de facto, como se diz no ditado: "Mais vale prevenir do que remediar."
Neste caso, a estação espacial tem sete astronautas, dois ficaram a fazer a reparação, dois russos, e os restantes ficaram preparados para uma possível fuga ou evacuação. Isto é uma reparação rápida, uma reparação que pode demorar muito tempo? Estamos a falar aqui de que tipo de situações?
Neste caso, é uma reparação longa, porque esta situação, embora tenha sido detetada já desde 2019, a verdade é que esta porta de acoplamento tem tido, ao longo do tempo, fugas frequentes de ar. Embora sejam fugas, eu diria, que não são muito acentuadas, mas que vão existindo. No entanto, esta porta de acoplamento tem também uma escotilha que habitualmente está fechada e que faz com que o módulo de serviço russo, o Zvezda, não está em contacto direto com esta porta. Ou seja, pode haver fugas, mas estão controladas porque aquela secção está isolada. Mas de facto, de vez em quando essa secção tem que ser aberta, porque as naves vão atracar lá e eles têm que abrir e controlar esta questão. Eu diria que são reparações complexas, porquê? Primeira questão: é preciso perceber onde é que está a fuga. Como eu há bocadinho referia, são fugas em fissuras na estrutura de alumínio que são inferiores a um cabelo humano, portanto, não é fácil tratar isso. Há várias maneiras de tratar isso. E depois de detetado, de saber-se onde é que está a fuga, é preciso aplicar os tais vedantes, os tais selantes, que vão ser aplicados nessa zona para selar isso. Só que repara, se às vezes há uma fissura num lado, depois pode aparecer do outro, porque isto são estruturas já antigas, e que vão ganhando fissuras ali, fissuras acolá, e portanto, isto é sempre uma dor de cabeça, reparar estas fissuras.