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Luís Neves está no centro de uma nova polêmica. O ministro da Administração Interna conduz um carro que foi apreendido pela PJ. O governante dispensa motoristas e seguranças e utiliza a viatura de serviço que conduzia quando liderava a Direção Nacional da Polícia Judiciária. De acordo com a reportagem da SIC, CNN e Nascer do Sol, a condução do próprio carro de serviço constitui uma violação da norma associada à avaliação de segurança que lhe foi atribuída quando entrou pro governo. Para nos ajudar a perceber o que está aqui em causa, está conosco o presidente do Observatório de Segurança Interna, Luís Fernandes, a quem agradeço o convite da Rádio Observador. Pode estar aqui, de fato, como sugere a reportagem, uma violação dos protocolos de segurança do governo?

Eu diria que não há uma violação direta dos protocolos do governo. Vou começar por esquematizar aqui alguns pontos. Essencialmente, qualquer dirigente do topo tem acesso a um motorista. Esse motorista pode ter uma função só de motorista ou pode ter uma função também de motorista e basicamente de guarda-costas, por assim dizer. São essencialmente funções realizadas por membros do corpo de segurança pessoal da PSP, que é uma subunidade que pertence à Unidade Especial de Polícia e que tem competências acrescidas quer no âmbito de condução, ou seja, condução defensiva, evasiva, ofensiva. Têm ainda formação em abordagem a veículos, em sair em fuga e evasão relativamente a situações com veículos e portanto, para além de luta corpo a corpo, utilização de armas e por aí em diante. E portanto, o que acabará por acontecer é que há um conjunto de formações que esse elemento tem, que constituem mais valia para a segurança das pessoas que servem. Mas não podemos esquecer que Luís Neves também tem um percurso próprio e que teve também acesso a essas formações. Para além disso, tem um histórico em que já foi, de facto, alguém considerado a abater e, portanto, obviamente, já passou também por situações de alto risco, o que, entendo eu, deverá fazer com que o próprio, não vou dizer que subestime qualquer ameaça, mas que tenha sempre uma forma de ver as questões muito mais própria, muito mais avisada do que aquilo que é comum para os restantes membros de um governo ou um alto cargo de direção.

Por isso, apesar de não ser uma violação concreta dos protocolos de segurança deste grau três que lhe foi atribuído pelo SIS, Luís Neves às vezes pode pôr-se em perigo, é isso que está aqui em causa?

Eu vou colocar sempre desta forma: qualquer questão tem que ser sempre avaliada do ponto de vista do risco. Obviamente, eu não acredito que, porventura, o atual ministro não tenha uma escolta ou não tenha alguém que possa fazer segurança. Não significa que tenha que ter um motorista. Aliás, eu já tive a oportunidade de assistir a deslocações dele em que de facto haveria um motorista. Deslocações que são mais longas, ou seja, para partes do país em que há muito mais quilómetros a realizar e onde, de facto, é necessário que a pessoa esteja mais fresca depois para poder falar, para poder abordar outras questões ou até ter alguém no veículo com quem possa dialogar e, portanto, não estar atento à deslocação. Isso já aconteceu com anteriores ministros, não nos podemos esquecer, que ficou muito conhecido, infelizmente, não pelas melhores razões, uma situação de um outro ministro da Administração Interna.

Eduardo Cabrita.

Exatamente, que teve um acidente rodoviário porque havia um motorista que estava a conduzir enquanto o ministro estaria a fazer aquilo que lhe competia dentro do veículo. Agora, olhando para esta situação em concreto, tendo também uma perspetiva um pouco daquilo que são as formas de pensar destas entidades, não significa que tenhamos que ter todos os bens à vista. O que significa que sim, nós mostramos, ou a pessoa mostra que está numa posição e pode eventualmente ter uma equipa de segurança na retaguarda ou a apoiar