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Vamos tentar mais uma vez com Patrícia Costa Reis. Bom dia!

Olá, muito bom dia.

Agora sim. Bom dia, obrigada por estar conosco. O que pretende exatamente saber sobre esta doença com o projeto e com a bolsa que acaba de receber?

Nós estamos a estudar a relação entre a dieta, a microbiota, que é o conjunto de micro-organismos que existem no nosso intestino e a permeabilidade intestinal, a forma como a nossa barreira intestinal funciona e a perceber como é que isso influencia a atividade do lúpus. A nossa ideia é que aquilo que nós comemos, a nossa atividade física, a nossa composição corporal, vai influenciar muito aquilo que são os organismos que estão no nosso intestino e vai facilitar, quando existe desequilíbrio, quando existe disbiose, uma maior permeabilidade intestinal, uma maior passagem de bactérias e dos componentes das bactérias para a circulação. Isso vai ativar o sistema imunitário de uma forma crônica e vai levar ao perpetuar da doença e, pensamos nós, vai levar à cronicidade do lúpus. E é exatamente este tipo de mecanismos que nós estamos a estudar com este projeto.

E quanto tempo mais até finalizarem este projeto?

Este é um projeto que nós já começamos há um ano e que estamos a continuar a desenvolver. Já temos bastantes resultados preliminares e, dentro de mais um ano, vamos conseguir ter os resultados finais.

Estamos aqui a falar de uma doença cujos tratamentos ainda são muito agressivos. Será que com esta investigação vamos conseguir encontrar formas mais benignas de conseguir viver com lúpus?

Nós, neste momento, temos vários imunossupressores, vários fármacos que conseguimos usar para travar a doença, mas como disse e muito bem, eles têm múltiplos efeitos que não são adequados, porque aumentam o risco de infeções. Os corticoides que nós usamos, a prednisona, para controlar a doença, têm múltiplos efeitos diferentes, que são maus para o nosso organismo e para a nossa saúde e aquilo que nós podemos fazer é utilizar adjuvantes, utilizar fármacos que vão melhorar a integridade da parede intestinal e fazendo isso podem facilitar o melhor controle da doença com menos imunossupressores. A ideia é justamente essa, conseguir ter outras formas de tratamento que nos ajudem a controlar a doença com fármacos que não têm tantos efeitos adversos.