Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Em direto, junta-se a nós Pedro Fernandes, assistente convidado no ISEG, em análise de investimentos imobiliários na pós-graduação em Gestão e Avaliação Imobiliária. Muito boa tarde, Pedro Fernandes. Começo por lhe perguntar sobre as moratórias, que foi outro dos temas abordados por Mário Centeno. Pode criar uma crise? Este é um cenário que pode ser cada vez mais realista?
Boa tarde. Eu acredito que sim, porque muitas moratórias foram concedidas às famílias porque, devido à situação atual, viram os seus rendimentos disponíveis diminuírem e isso gerava dificuldades em poderem suportar os encargos com os seus créditos à habitação. Eu acredito que, com o fim das moratórias, possa existir uma maior pressão nos orçamentos familiares das famílias para fazerem face a estes créditos, e isso possa gerar complicações para o sistema financeiro. Portanto, podemos ter famílias que podem vir a entrar em situações de incumprimento ou, também defendido por alguns especialistas e investidores com quem trabalho, podem existir situações em que as famílias tentarão colocar os imóveis no mercado a preços inferiores àqueles que seriam comercializados, por exemplo, ao dia de hoje, e sem qualquer pressão pelo fim das moratórias, porque compraram estes imóveis num clima em que os preços estavam a subir e, portanto, conseguem vendê-los com algum desconto e, ainda assim, não entrarem diretamente em incumprimento. Mas é uma situação que preocupa bastante o fim das moratórias.
Ainda hoje o governador do Banco de Portugal defendeu que não se pode eternizar as moratórias de crédito concedidas para fazer face a estes efeitos da pandemia na economia. De que forma é que se pode fazer aqui um equilíbrio, já que há essa necessidade de prolongar as moratórias, porque há, nomeadamente, famílias, mas também empresas com muitas dificuldades nesta altura, mas, ao mesmo tempo, há estes avisos por parte do governador do Banco de Portugal de que as moratórias de crédito não podem ser para sempre.
Exatamente, as moratórias não se podem eternizar, porque em algum momento, tanto as famílias como as empresas terão que fazer as amortizações dos capitais em dívida.
Qual será o ponto de viragem, na sua opinião? Olhando agora para os próximos meses que se avizinham, quando é que podemos ter um ponto de viragem que nos permita, no fundo, também fazer uma avaliação mais consistente daquilo que será o cenário daqui, por exemplo, a um, dois, três anos? Quando é que podemos perceber que há um momento de rutura, por assim dizer?
Eu acho que o momento de rutura será mais para o fim do ano. Nós já começámos a ter o levantamento de algumas moratórias e agora é que vamos começar a sentir os efeitos na economia do levantamento, mas sempre com algum atraso face ao momento em que isso ocorre. E é por isso que têm saído até várias notícias que vários bancos já estão a tentar encontrar soluções para adaptar as moratórias e não existir agora um fim brusco destas mesmas moratórias, mas talvez uma transição que permita, tanto às famílias como às empresas, poderem retomar o pagamento das suas obrigações.
Pedro Fernandes, enquanto especialista também nesta questão do imobiliário, pergunto se é esperada uma descida no preço das casas, das habitações. Já se falava disso no início da pandemia, mas até ao momento não chegou a verificar-se. O antigo ministro das Finanças, o governador do Banco de Portugal, já hoje disse que é preciso ter atenção à questão da sobrevalorização dos preços das casas, mas fala até de uma desaceleração, ainda que ténue.
Sim, têm saído várias notícias de que o preço das casas continua a aumentar e também o número de fogos transacionados também tem vindo a aumentar nos últimos meses. Tem sido um aumento inferior àquele que seria expectável antes do cenário de pandemia, no entanto, continua a se verificar. Há uma procura que continua forte, tanto internacional como nacional, e temos depois também do lado da banca, condições de crédito às famílias, claro, com mais restrições, fruto de tudo aquilo que tem sido divulgado e implementado pelo Banco de Portugal, mas continua a existir um mercado com muita atividade, sobretudo no segmento residencial. E temos construção nova, temos projetos novos que estão a arrancar e os preços, de facto, continuam a subir.
Mas, portanto, não há uma previsão, neste momento, certa. Estou aqui a tentar, com o Pedro Fernandes, fazermos uma espécie de calendário para os próximos tempos, essa calendarização que é útil também a quem nos ouve. Conseguimos perceber quando é que pode haver uma redução significativa do preço das casas, por exemplo?
Como lhe disse, poderá existir uma redução com o fim das moratórias, portanto, talvez para fim do ano, se nós tivermos muitas famílias que vão entrar em incumprimento e que se tente, quer as próprias famílias, encontrar soluções para os imóveis, quer as próprias instituições financeiras, que não querem, do todo, que as suas famílias ou as empresas entrem em soluções de incumprimento e poderão pressionar no sentido de venderem os seus imóveis. Talvez aí possa existir, do lado da oferta, uma maior pressão no mercado e uma descida dos preços. Mas, como lhe disse, não era expectável, no início desta pandemia, que os preços continuassem a subir. E a verdade é que têm continuado a subir, porque o mercado continua com bastante dinamismo.