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O Prémio Nobel foi distribuído igualmente por três pessoas. Eu não conheço da mesma maneira os três. Para mim o nome mais sonante é o do Omar Yaghi. Inclusive eu estava agora mesmo a ouvir a entrevista que ele deu mesmo a seguir ao Prémio Nobel. Acho que além daquilo que o Prémio Nobel representa, também era talvez uma boa oportunidade para dizer que a ciência tem uma capacidade de pôr pessoas todas no mesmo pé. O Omar Yaghi era filho de refugiados e nasceu numa cabana onde praticamente não havia nada, eles criavam gado e agora chegou aqui ao Prémio Nobel, que é uma coisa brilhante. O Prémio Nobel em si é dado a uma coisa que se eu disser o nome é capaz de ser um bocado complicado para os leitores ou para os ouvintes do Observador. Nós estamos a falar de estruturas organometálicas. E o que é que são estruturas organometálicas? Como o nome indica, são arquiteturas, construções, que são suportadas por átomos de carbono, hidrogénio e por átomos de metais. O que é que isso tem de extraordinário? O que tem de extraordinário é que elas funcionam essencialmente como uma enorme estrutura de arrumação, que permite utilizar o espaço que é criado pela estrutura em si. A ideia que eles dão no site do Nobel é como se fosse um hotel com várias casas e nós em cada uma dessas casas podemos ter vários tipos de reações. Posso dizer que o projeto mais impressionante associado a estas estruturas é a obtenção de humidade a partir do ar em zonas extremamente secas, como por exemplo no deserto. O Omar Yaghi tem uma patente ou vários projetos de patente associados precisamente a essa produção. Poder captar a humidade do ar e transformá-la em água que possa ser utilizada. Isto é uma aplicação muito prática, mas as estruturas vão muito para além disto. Acho que foi muito bem entregue, não só pela ciência que está envolvida, mas também pela pessoa em si. O Omar Yaghi é uma pessoa absolutamente espantosa e é a demonstração que o trabalho em ciência é o grande equalizador. Ele veio de uma família extremamente humilde e hoje é Prémio Nobel