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Temos conosco em linha Duarte Pacheco. Duarte Pacheco, muito obrigado por estar conosco. O que nos pode descrever de Nuno Morais Sarmento neste dia, nesta manhã em que sabemos da morte do antigo ministro?

Muito bom dia, Miguel. É sempre difícil falar quando uma pessoa que nos é próxima nos deixa. Nuno Morais Sarmento era um dos melhores da minha geração na área política e no PSD. Uma pessoa superinteligente, que tinha uma perspicácia política acima da média e que se dedicava a todas as causas que abraçava com muita força. E, ao mesmo tempo, uma pessoa transparente. Eu recordo os problemas que teve de toxicodependência na sua juventude e como ele os assumiu mais tarde, porque nenhuma família está livre que isso lhe aconteça. Ou agora, na sua luta contra o câncer, também não fez bandeira, mas também não escondeu, porque são aquelas coisas que nos acontecem na vida e que temos que conseguir superar com os meios que temos ao alcance. É uma pena que tenha ido ainda tão novo, mas certamente que vai deixar uma marca na política portuguesa.

Lutou vários anos contra essa doença prolongada, foi dando entrevistas, foi falando também dessa fase e apontando também sempre para esse passado de toxicodependência na juventude. O trabalho de Nuno Morais Sarmento mostra que é possível dar essa volta de um período mais complicado, mesmo durante a juventude, e é também possível depois lidar da melhor forma com todas essas consequências?

Precisamente, ele era de facto brilhante, quer do ponto de vista académico, quer do ponto de vista profissional, quer do ponto de vista político. Todos nós podemos ter, ao longo da nossa vida, momentos mais difíceis, menos felizes. Agora, uma coisa é querer esconder e fingir que isso não aconteceu. Não, aconteceu, e temos que assumir o que fizemos de bem e às vezes o que não fizemos bem, mas simultaneamente, isso até nos pode dar mais força para superar essa fase, querer mostrar e até servir de exemplo a outros, que podemos um dia cair numa valeta, mas temos que nos levantar, ir em frente e ter forças para o fazer. E ele fê-lo. Ele fê-lo e por isso chegou às posições a que chegou no governo, no Parlamento, na vida académica, na vida profissional, sendo um advogado de sucesso e nos últimos anos já presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, algo que ele estava a dinamizar e que foi agora substituído, já nesta fase terminal, por Durão Barroso. Portanto, eu acho que é um exemplo de vida. É um exemplo de vida que há obstáculos, aparecem-nos, superamos e vamos mostrar até ao mundo que conseguimos vencer e que ele conseguiu vencer até esta última batalha.