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Estou a acompanhar com muita atenção e preocupação a situação actual, porque antes de tudo, estou preocupada com o lado do povo iraniano. O povo iraniano que se encontra numa situação extremamente complexa e preocupante. Eu simplesmente posso resumir e dizer que o povo iraniano está perante quatro enormes desafios. Por um lado, o maior desafio é a situação financeira e económica que tem para a sua vida quotidiana. Significa que cada dia que passa, não vamos esquecer, o nível de inflação chega a 40%, 45%. Já não falamos anualmente, já não falamos mensalmente. Semanalmente, temos esta inflação e alteração de preços dos bens essenciais diários de todos os cidadãos e meus compatriotas iranianos. Então é a situação económica e financeira de cada iraniano. E depois, a determinação e a revolta que têm contra a situação actual. Incapacidade, fraqueza, malformação e talvez falta de vontade dos responsáveis, autoridades iranianas incapazes, não só incapazes de fazer reformas económicas no sistema próprio, mas aparentemente não fazem e não têm capacidade para fazer reformas e corrigir a situação actual, mas pior ainda, é como se estivessem a agravar a situação. Significa que tomem decisões que qualquer simples economista diz que é grave, tem consequências catastróficas para a vida de cidadãos. Eles fazem, por exemplo, subir o preço do gasóleo. Eu não compreendo o que se está a passar. Terceiro desafio que têm: é a infiltração de membros do Mossad, dos Estados Unidos, manipulação. Já o próprio presidente Trump diz que está a acompanhar e está a saber quer fazer uma intervenção no Irão. Nós já vivemos uma intervenção americana e israelita ano passado, e tenho esta preocupação, junto com o povo iraniano, que o inimigo externo está na porta para entrar, aproveitar de qualquer situação. Especialmente vimos o que aconteceu semana passada com Venezuela. E Irão não é Venezuela, mas Irão tem perigos, porque nós ano passado assistimos. Por outro lado, israelitas, no dia a seguir do primeiro dia de protesto dos iranianos por justa causa e revolta que o povo iraniano tem perante a situação que está a viver. A própria rádio e televisão israelita, tropa israelita diz: "Nós estamos no Irão, estamos a acompanhar os protestos". Isso é a pior coisa que podia acontecer para o povo iraniano, que está revoltado, que está a contestar o que não está bem no próprio sistema e exige reformas, exige mudanças. E quarta, é a questão da situação internacional que nós estamos a viver e dentro da própria região, significa, Medio Oriente, desde há dois anos, todas as tumultas que estamos a assistir, eu estou preocupada com o meu povo e os meus compatriotas.

Professora, referiu há pouco as ameaças recentes de Donald Trump de intervir no Irão. Ontem o presidente dos Estados Unidos disse à noite na Fox News que o Aiatolá está a planear fugir do Irão. Considera que é um cenário plausível, este da fuga do líder supremo?

Não acredito, de modo nenhum. Não, porque hoje de manhã, ao contrário, pela rádio e televisão iraniana, foi divulgado o último discurso, mesmo hoje de manhã, sexta-feira. Discurso do líder iraniano dizendo que dá toda a razão a estes protestos dos iranianos, mas os protestos é uma coisa, vandalismo é outra. Não, eu não acredito, de modo nenhum. Irão não é Venezuela, Irão não é Síria. O povo iraniano tem uma história de luta e combate para a democracia. Isso desde há mais que um século, desde a revolução constitucional. O iraniano é um combatente. O povo iraniano tem grandes valores. Não podemos minimizar e desvalorizar esta luta do iraniano, que é um povo muito culto, muito querido. Basta perguntar quem viajou já ao Irão, vai descrever o povo iraniano.

Só uma última questão ainda em relação ao Donald Trump, uma vez que ele se recusou reunir com Reza Pahlavi. Como é que vê esta postura e que peso é que ainda tem o príncipe herdeiro hoje em dia na questão do Irão?

Eu acho que o presidente Donald Trump estúpido não é, certeza absoluta. Ele sabe muito bem, porque ninguém esqueceu no Irão. Ninguém esqueceu que em junho do ano passado, quando Israel atacou o Irão, Reza Pahlavi juntou-se com Benjamin Netanyahu, apoiou ataque israelita. Para o iraniano, é imperdoável. Juntar-se ao inimigo que está a atacar o país e apoiar ataque ao país. Agora, ele recentemente, aparentemente, mudou de opinião, mas que o povo iraniano não tem memória curta e não se esquece. Eu acho que o presidente Trump percebeu muito bem que este jovem, não é jovem, mas este príncipe não tem raízes no Irão. Não vamos esquecer que há 47, 48 anos, o povo iraniano, todos juntos, eu na altura era adolescente, lutamos para mudar o regime do pai deste Reza. O príncipe Reza nem um pequeno dedo de sabedoria do pai tem. O pai tinha muitos defeitos, mas este agora é sem limites mesmo