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Passaram dois meses desde que os incêndios assolaram o Conselho de Odemira. Mónica Maquil é presidente de uma rede de alojamentos locais que tem propriedade na área. Mónica, como tem estado o turismo em Odemira desde os incêndios?
Sim, só pra dizer que são turismos rurais. A rede chama-se Casas Brancas. O turismo, depois dos incêndios, ficou abalado, especialmente nas zonas mais fustigadas. Entretanto, tudo o resto, com a dinâmica de movimentações turísticas que se tem visto e com o bom tempo, tem estado a correr bem. Obviamente que para as pessoas e os empresários dos turismos nas zonas afetadas, e alguns perderam tudo, não se pode dizer o mesmo.
E no seu caso, estamos a falar de uma dimensão de que estragos? Houve, de facto, zonas afetadas, de que dimensão é que estamos a falar?
Tivemos colegas que não foi uma perda total de todo o negócio, mas de algumas unidades de alojamento que ficaram reduzidas a cinzas, porque o turismo aqui é caracterizado por alojamentos compostos por várias casinhas e quartos, vários edifícios da mesma propriedade, e alguns deles perderam edifícios na totalidade.
E vocês chegaram a fechar portas. Já conseguiram abrir todos os estabelecimentos?
Não. Há um estabelecimento que foi a perda maior, que ainda não está. Está em processo de início de recuperação. Talvez, com sorte, pro ano, pro verão, se tudo correr bem.
E este processo de recuperação está a contar já com os apoios que o governo prometeu?
Não, ainda não. Temos tido várias reuniões, várias promessas, várias ideias, mas ainda não está nada materializado. O que as pessoas têm estado a fazer é com os seguros que tinham e com as suas próprias mãos e os seus meios.
E têm algum tipo de perspectiva de quando é que poderão então receber? Falaram-vos de datas?
Não, não temos data nenhuma. Supostamente, já há dois meses que se devia ter tido um apoio, que era a isenção da Taxa de Segurança Social, a TSU, ainda não aconteceu. Também da parte do Turismo de Portugal, foi falado nos reembolsos da linha de apoio ao Covid, que estavam a ser feitos agora, portanto, seria importante parar esses reembolsos também, porque as pessoas não tiveram meios pra faturar e neste mês pra fazer face a todas as despesas, também ainda não sabemos nada. Temos tado em reuniões constantes. O Turismo do Alentejo também tem estado muito envolvido e a ajudar, fez-se o levantamento. Estamos a ter reuniões e fazer pressão sobre as entidades competentes, mas o que é um facto é que até agora ainda ninguém recebeu nada.
Pelo que me tem dito, as obras agora estão a recorrer a apoios dos próprios seguros. Ou seja, não é apoio, é mesmo dinheiro de próprios seguros.
Sim, é seguro, são algumas campanhas de crowdfunding que os amigos também começaram, e a ajuda dos vizinhos, mão de obra, e as pessoas têm ido tentando recuperar assim.
E tem sido suficiente?
Obviamente que não é suficiente. Não estamos a falar de perdas pequenas, estamos a falar de edifícios que ficaram reduzidos a cinzas. Fora todo o período de faturação alta que se perdeu, porque isto foi no início de agosto. Muitos dos que estão também em zonas muito afetadas, que está tudo queimado em redor, os turistas não têm tanta vontade de se instalar no alojamento em que a paisagem é peça fundamental e muito importante, não diria fundamental, mas muito importante na decisão de escolha pra onde ir. Dificilmente alguém prefere ir para um sítio onde está tudo queimado em redor.
E Mónica, tem noção de valores de prejuízo de que poderemos estar aqui a falar?
Temos prejuízo a dar centenas de milhares de euros. Estamos a falar de 400, 500, 600 milhões de euros em edifícios. A pensar aqui em dois ou três, foi mais, mas no cômputo geral, já estamos a falar aqui de prejuízos, no Conselho de Odemira, na ordem dos 15 milhões de euros.
E só no caso da Casas Brancas, tem noção de valores?
Não tenho exatamente o valor presente, mas é grande, tanto a nível dos edifícios como do que não se faturou. São valores muito grandes. Estávamos em agosto, época alta.