Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Para nos ajudar a esclarecer esta e outras questões, temos connosco neste jornal da Uma, da Rádio Observador, Nuno Alves, é imunologista e investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto. Boa tarde, professor. Bem-vindo.

Boa tarde, Miguel. Obrigado pelo convite.

Professor, começava por esta pergunta mais genérica: é este o tempo para levantar as principais restrições que têm estado em vigor, como o uso de máscara?

Eu penso que temos que começar a encarar como uma inevitabilidade essas circunstâncias, estes alívios. Estamos numa fase de transição, em que temos uma população com uma excelente cobertura vacinal. Temos também um grande número de indivíduos infetados já na população. Estamos aproximando-nos dos três milhões de infetados e, portanto, existe uma certa imunidade já estabelecida na nossa população que protege dessas formas de doença grave e de hospitalização. Acho que devemos começar a equacionar esses cenários, ainda com alguma cautela e prudência. Há peritos de saúde pública a avaliar quais dessas medidas podem começar a ser aligeiradas.

Aqui esta questão do isolamento, e há pouco discutimos aqui na redação, como estava a fazer aqui alguma confusão. É admitida a possibilidade de quem está infetado, mas não tem sintomas, deixar de cumprir o isolamento. Isto não é estender uma passadeira vermelha a que as infeções possam ocorrer de forma livre entre a sociedade?

Eu penso que aqui é uma situação que, mais uma vez, está a ser avaliada e que, provavelmente, e estou convicto, vai ser comunicada de uma forma prudente. Dito isto, nós temos uma população com uma boa cobertura vacinal e nós achamos que estamos já capazes de estar imunes, de certa forma. E estou a falar de um aspecto geral, pois há aspectos particulares que temos que ter algum cuidado. Um indivíduo que está infetado, potencialmente voltando mais cedo à sociedade e à sua atividade normal, poderá ter o risco, tendo nós perante uma variante tão infecciosa, de transmitir. Agora, nós sabemos é que os indivíduos que poderão ser recetores dessa transmissão estão mais preparados para estar protegidos de doença grave, mortes e hospitalizações. Portanto, é nesse quadro que essa medida poderá ser avançada. Tendo em conta que esses indivíduos poderão ser recomendado, por exemplo, o contínuo uso de máscara durante um certo período de tempo, apesar do regresso a uma atividade normal. E penso que é nesse quadro que está a ser perspetivada essa eventualidade.

E deverá ser dada uma atenção especial quando se pensa no levantamento destas medidas, uma atenção especial aos grupos mais vulneráveis, aqueles que são mais suscetíveis de desenvolverem estas formas graves da doença?

Esse é um ponto importantíssimo, Miguel, e agradeço a questão, porque nós estamos a falar de medidas gerais e um alívio gradual destas medidas, mas quando nós falamos de grupos de risco e a nossa interação com grupos de risco, e estou a falar, por exemplo, de casos com os idosos ou indivíduos com comorbidades nos lares, poderá ainda, e muito provavelmente, será ainda sensato manter algumas restrições na nossa interação com os grupos de risco, com o uso de máscara, uma testagem talvez ainda regular, para evitar surtos nestes grupos em particular e casos mais perigosos. Nós vemos que, apesar deste cenário positivo, grosso modo, continua, infelizmente, a existir um número significativo de mortes nestes grupos de risco e nós sabemos que as vacinas funcionam, mas não são 100% eficazes. E nos grupos de risco, essa imunidade pode estar comprometida. Isso não invalida que as vacinas não funcionam. Naturalmente, os indivíduos podem ter a resposta imune comprometida e nós temos que ter ainda alguma cautela na forma como estas medidas vão ser aligeiradas. E também os cidadãos estão mais bem informados, terão que ter uma autovalência nessa sua interação com os indivíduos de risco, nas suas próprias famílias, nas suas habitações.