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Junta-se agora a nós, em direto neste jornal, Joaquim Judas, antigo presidente da Câmara Municipal de Almada e atual vereador pela CDU. Muito boa tarde, Joaquim Judas. Já vamos às palavras de Inês de Medeiros. Antes, queria perguntar: este é um bairro que vive muitas dificuldades. Joaquim Judas foi autarca de Almada. O que é preciso fazer ainda neste bairro? E pergunto também: o que é que não foi feito, inclusive durante o seu mandato, e que gostava ter feito neste bairro?
O Bairro Amarelo, aliás, todo esse conjunto de bairros nessa zona, tem alguns edifícios que são da responsabilidade e propriedade do município e outros são propriedade do IHRU, o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, portanto, que são da responsabilidade da administração central. Nós sabemos que na sequência da situação de crise do princípio da década de 10, a chamada crise das troicas, praticamente o IHRU deixou de fazer investimentos nas áreas da sua responsabilidade e nas autarquias. A própria autarquia de Almada também se confrontava com algumas dificuldades financeiras, mas foram feitas obras e realojamentos no bairro. E aquilo que se passa nos últimos anos é que, a pretexto de que estávamos na definição de uma estratégia municipal de habitação, respondendo ao desafio que este governo fez nessa área, praticamente tudo aquilo que vinha a ser feito parou. O que se verifica é que não houve qualquer melhoria, pelo contrário, a situação continuou a se agravar. Inclusive um projeto com financiamento internacional-
Mas o Joaquim Judas, enquanto presidente da Câmara de Almada, não considera que também nesse sentido poderia ter feito algo mais para que as condições deste bairro fossem melhores?
E foram feitas. Foi feita a criação de importantes infraestruturas na área do bairro para melhorar as condições do bairro. É evidente que são insuficientes, mas o Parque Verde do Frois, a instalação da Biblioteca Maria Lamas, a recuperação das instalações da Associação do Raposense, as piscinas municipais instaladas no bairro, de grande qualidade. Foram obras que foram ali realizadas.
Joaquim Judas, deixe-me também perguntar e já sublinhou essa obra que foi feita também durante esse mandato que liderou pela CDU. Queria perguntar como é que ouviu as declarações de Inês de Medeiros em relação a este bairro. Ficou incomodado com as declarações da autarca de Almada?
A senhora presidente é caracterizada por afirmações de caráter leviano e esta vem na linha daquela em que ela, vivendo em Lisboa, dizia que viria sempre para Almada de castanheiro. Ora, ela nunca veio de castanheiro para Almada, como é sabido. E agora também esta afirmação de que iria viver para o Bairro Amarelo corresponde a uma afirmação de caráter populista, leviano, que muito caracteriza intervenções do mesmo gênero e de outras naturezas e que noutros momentos tem feito sobre matérias como estas. Que sujeita-se naturalmente ao ridículo, por um lado, e por outro lado, à consternação e indignação das pessoas que procurando melhorar as suas condições de habitação, se confrontam, de facto, com enormes dificuldades e que não compreendem a declaração de uma responsável política como é a presidente da Câmara numa matéria desta natureza.