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Temos agora em direto neste jornal o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes. Bom dia e obrigada por se juntar neste jornal.

Bom dia.

Que avaliação é que faz a estas medidas pra saúde? Podem, de facto, ajudar a resolver alguns dos problemas do setor?

O programa do governo pra área da saúde é um programa que, de alguma forma, aborda todos os problemas e apresenta todas as soluções. Algumas até de concretização mais difícil, como por exemplo, a revisão da lei de bases da saúde. E uma série de outros aspectos. Há aqui uma crítica muito implícita às ULS, com uma perspectiva aqui de outros modelos, nomeadamente, das ULS universitárias, enfim, outros modelos além das ULS e um conjunto de propostas para ajudar a captar médicos e outros profissionais para o Serviço Nacional de Saúde, sendo que este é efetivamente o maior problema, do meu ponto de vista, do SNS neste momento, é a fuga, por um lado, dos profissionais para o setor privado ou pra imigração e a dificuldade de captação de novos médicos para o SNS. Aquilo que eu receio é que no meio de todas estas propostas, que abrangem praticamente todas as áreas da saúde, desde a prevenção, a captação de profissionais, enfim, seja difícil de concretizar, mas é difícil fazer uma crítica neste momento. Aquilo que nós temos que agora esperar é pela concretização precisamente destas medidas. Uma delas é a revisão da carreira dos profissionais de saúde, nomeadamente a revisão da carreira médica, que é um aspecto também muito importante pra captação dos médicos necessários ao Serviço Nacional de Saúde.

E, portanto, Carlos Cortes, o que nos está a dizer é que o diagnóstico está feito e está correto. Agora, a forma de chegar à resolução dos problemas é demasiado ambicioso? É essa a questão, é esse o problema?

Eu estou efetivamente expectante, porque é nos prometido um pouco o paraíso, que resolverá todos os problemas do Serviço Nacional de Saúde. Nós já vimos também que há um ano atrás as expectativas foram colocadas muito altas e as coisas efetivamente não correram bem. Vamos agora aguardar, e isso é que é importante, pela concretização destas medidas e, sobretudo, pela avaliação, pelo impacto que elas vão ter, não só na captação dos profissionais que o Serviço Nacional de Saúde necessita, mas também na mais-valia em saúde, na repercussão que isso vai ter, efetivamente, sobre os doentes. Será que os doentes, as pessoas, os utentes, vão ter os médicos de família que são necessários? Será que vão ter as suas cirurgias, as suas consultas marcadas mais rapidamente? Será que o problema da capacidade de resposta do SNS nos serviços de urgência vai ser resolvido? É isso que nós vamos tentar perceber. E temos aqui à porta uma prova de fogo, que é o verão, tradicionalmente sempre muito complicado em termos de resposta dos serviços de urgência. Vamos ver o que o programa do governo e a sua aplicação vai ter de impacto positivo nessa resposta agora nestes próximos dois, três meses.

Sendo que o plano de verão já estará a ser preparado, independentemente deste governo ou não. Há uma direção executiva do SNS que estará a preparar o plano de verão.

Há uma direção executiva, há uma Direção-Geral de Saúde também, há conselhos de administração das ULS que também têm esta obrigação de definir e de adequar o seu plano de verão. Mas há aqui um papel, obviamente, muito importante do próprio governo, dos vários ministérios, sendo que o Ministério da Saúde é, obviamente, o mais importante. E vamos ver se essa capacidade de resposta, e tendo em conta também este programa do governo, vai ser positiva e vai diminuir aquilo que nós conhecemos sistematicamente, a falta de capacidade de resposta das urgências, nomeadamente, e não só.