Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Bruno Vasconcelos é vereador na Câmara do Seixal. O presidente da Câmara do Seixal começou por desmentir a saída da presidência durante uma reunião de Câmara, depois veio confirmar essa mesma saída, já posteriormente, através de um vídeo nas redes sociais. Primeiro importa perceber o que é que aconteceu naquela reunião.

Primeiro de tudo, dadas as notícias que saíram no jornal Público na quarta-feira de manhã, confrontei o presidente para saber qual a veracidade daquela notícia. Ao que me foi correspondido dizer que iria continuar à frente dos destinos da Câmara Municipal. Ao longo da reunião de Câmara, acabou por sair uma notícia de última hora na Sic Notícias, onde foi afirmado que o PCP confirmava a saída do então presidente. Eu creio que o próprio presidente da Câmara foi apanhado um pouco de surpresa. Confrontei-o, ele não me respondeu, acabou por se manter calado e só dizia que iria continuar. À pergunta: até quando? Aí sim, não me respondeu, limitou-se a empurrar com a barriga o tema. E eu até o questionei, porque um deles estaria a mentir, ou o senhor presidente da Câmara ou o Partido Comunista Português. Ao que ele disse que não iria responder, e não me respondeu. Quando acabou a reunião, perto das 19h, depois fez um vídeo para as redes sociais, então sim, a anunciar que iria sair. E eu acho isto um completo desrespeito pela oposição, pelos vereadores, pelo próprio órgão da Câmara Municipal e quem, para nós, para o Partido Social-Democrata, não respeita um órgão autárquico, não respeita, evidentemente, a democracia.

E como olham para este volte face? O PSD do Seixal fez um comunicado em que questiona os reais motivos desta substituição. Acham que o autarca foi apanhado de surpresa durante a reunião e depois foi comunicada a decisão? Como olha para esta situação?

Eu creio que esta saída já está a ser programada há algum tempo, tanto que em entrevistas, em aparições públicas, tem sido já o senhor vice-presidente a aparecer, portanto, há já aqui uma transição. O que eu acho é que não estava coordenado o dia em que iria ser confirmada a sua substituição. E dado a saída depois destas notícias, a saída depois da própria reunião de Câmara, sentiu-se na necessidade de um dizer uma coisa, o outro dizia outra, então eu creio que ele foi quase pressionado a ter que fazer aquele comunicado no final da reunião. E isso é efetivamente lamentável.

O PSD falava aqui também no comunicado de outros casos, de que antes das eleições já se falava de ludibriar os eleitores, essa intenção do PCP. Portanto, consideram que o PCP apresentou um candidato já com vista em substituí-lo.

Sim, não temos qualquer dúvida disso. Aliás, é prática comum o Partido Comunista fazer isso, ou seja, no último mandato, não se podendo candidatar mais, a meio acaba por sair o presidente, neste caso, e vem um vice-presidente, o número dois da lista, o número três, que é para as pessoas começarem a assimilar e não ser uma cara nova quando a apresentação é em eleições. No caso, isto tem acontecido majoritariamente nas freguesias. É a primeira vez que acontece na Câmara Municipal, porque o anterior presidente acabou por cumprir até o final do seu mandato. Mas o que acontece é que o José Quincas era vice-presidente e já estava na Câmara desde 2001, portanto, há muitos anos que ele estava e a cara não era totalmente desconhecida. O vice-presidente agora esteve sempre na Assembleia Municipal, é uma cara desconhecida, convém agora essa atração na comunidade e, portanto, é esta a estratégia do Partido Comunista. Já se falava há algum tempo que isto iria acontecer, só estávamos à espera quando é que era o anúncio oficial, e eu creio que a notícia do Público acabou por despoletar estas decisões em cima dos boys, não sabendo bem como encarar e como reagir. E já para não falar que ainda nem se cumpriu um ano de mandato, isto também é um desrespeito total, não cumpriu um ano de mandato e já foi substituído o presidente da União de Freguesias. O presidente da União de Freguesias até já saiu há mais tempo, saiu no final de abril, que é outra coisa que para nós não se sente substituída pelo número dois da lista, que para nós não faz qualquer tipo de sentido.

E tendo em conta esta situação e o caso que está a descrever e também as questões que levantam sobre os reais motivos desta substituição, o que é que o PSD pensa em fazer? Está em cima da mesa algum tipo de Um acordo com a restante oposição, uma demissão para precipitar eleições antecipadas na Câmara do Seixal. O que é que o partido pensa fazer agora tendo em conta esta substituição no cargo?

Eu creio que está tudo em cima da mesa. Estamos a avaliar todas as situações que podem ser feitas, nomeadamente essa questão de obrigarmos aqui a umas eleições intercalares para o órgão da Câmara Municipal. Para o Partido Social-Democrata, estamos completamente disponíveis para isso. Acredito que o próprio Partido Socialista também alinharia. Creio que é uma coisa que precisa de ser decidida.

Já houve contactos nesse sentido com o PS?

Da parte do PS, não. Nós também, como disse, estamos a avaliar e para nós não haveria qualquer problema. A outra questão é que acaba por haver aqui um impasse e ficaria tudo decidido no vereador independente, que foi eleito pelo Chega, que é um trabalhador da autarquia e possivelmente não nos iria acompanhar. E seria um tiro no escuro, porque não iria dar em nada a decisão da demissão em bloco. Mas está tudo em cima da mesa, nunca sabemos o que é que poderá vir, mas nós estamos abertos para isso mesmo, e haver aqui eleições, irmos com as caras reais a candidatos à Câmara Municipal e deixar essa decisão do lado da população.

Portanto, admite vir a falar com o PS sobre esse assunto, vai esperar um contacto ou eventualmente até unirem esforços para falarem com esse vereador independente?

Sim, eu irei falar com o presidente do partido no Seixal. Iremos articular aqui uma decisão e falaremos com o Partido Socialista e depois com o vereador independente. Sim.