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Muito boa tarde, Carlos Carreiras.
Boa tarde.
Começo por lhe perguntar se faz sentido adiar essa marcação das diretas do partido, até perante esse cenário de uma crise política que levaria a eleições legislativas antecipadas. Foi pelo menos esse também o cenário traçado pelo Presidente da República.
Não parece que seja o assunto principal. O PSD tem os seus estatutos, os seus estatutos permitem, de qualquer dos modos, à direção marcar essas eleições para o próximo mês de janeiro ou de fevereiro. Agora, o que me parece importante é, de facto, haver uma clarificação dentro do partido no mais curto espaço de tempo, até porque o partido, como é sabido, está um pouco adormecido e Portugal precisa de ter constituída uma oposição credível, forte, que aponte outros rumos, porque o próprio país também, no meu entender, não vai pelo melhor caminho.
Deixe-me perguntar-lhe como é que seria essa clarificação, qual seria a sua ideia para que houvesse uma clarificação também dentro do PSD?
Essa clarificação só posso fazer através de eleições.
No dia 4 de dezembro, seria essa a data ideal?
Tendo a direção do partido decidido pelo dia 4 de dezembro, parece-me que é um mau sinal. Nós voltamos outra vez a ter aqui alguns ziguezagues e algum sistema de prudência excessiva de não realizar no dia 4. Não se pode anunciar que se vai fazer eleições diretas no dia 4 para meia hora depois, que foi o que aconteceu, dizer que afinal já não se sabe. Isso claramente demonstra um grande desnorte por parte do presidente do partido e, portanto, aqui, se já tinha sido anunciado o dia 4 de dezembro, há que marcar o dia 4 de dezembro e não estar agora aqui com uma política de ziguezagues e de cautelismos que não consigo compreender.
Deixe-me perguntar-lhe uma outra coisa. Ainda há pouco ouvíamos essas declarações de Luís Filipe Menezes, antigo presidente do partido, que dava conta desse apoio a Paulo Rangel, caso haja essa confirmação, essa oficialização que se vai aguardando de uma candidatura à liderança do PSD por parte do eurodeputado. Na sua opinião, Paulo Rangel tem essas condições ideais para ser candidato à liderança do partido e para ser o próximo líder do PSD?
Eu já anunciei que não pretendo envolver-me na próxima disputa interna do PSD.
Mas isso não quer dizer que não tenha aqui uma preferência por Paulo Rangel ou por outro nome que possa vir a surgir.
Não é uma questão de preferência. Se eu reconheço qualidades no doutor Paulo Rangel, no sentido de poder vir a liderar o PSD, com certeza que sim, como também reconheço em muitos outros companheiros de partido que têm essas mesmas qualidades e essas mesmas capacidades. Agora, aqui o importante é, de facto, cada um dos eventuais candidatos apresentar ao que vem e muito importante também apresentar com que equipa é que vem, porque de facto isso não pode ser também o trabalho de um homem só e que senão cria o risco de se isolar dentro do próprio partido.
Deixe-me só fazer-lhe a pergunta de outra forma e à boleia daquilo que era a declaração também de Luís Filipe Menezes, que se baseava não apenas na preferência do próprio, mas também naquilo que ia percebendo do que era o universo do PSD, quer no que diz respeito ao grupo parlamentar, quer também a autarquias, dirigentes das mais variadas ordens. Tem essa perceção também de que há aqui uma vaga que quer esta candidatura de Paulo Rangel?
A minha perceção daquilo que vou falando com alguns companheiros de partido são duas. A primeira é de que o próprio líder do partido está cansado do PSD, mas também que o PSD está cansado do líder do partido atual. E por isso mesmo há, de facto, uma quantidade muito razoável, espero que maioritária, de militantes do PSD que pretendem que o partido entre num novo rumo e esse novo rumo com uma nova liderança.
E teme que depois de umas eleições autárquicas que muitos disseram que acabaram por correr bem ao PSD, tendo em conta aquilo que eram as expectativas, teme que isso acabe por se esfumar também com este Conselho Nacional a acabar por dividir um pouco mais o partido e com alguma gestão que poderá ser de alguma forma ziguezagueante, como dizia Carlos Carreiras por parte de Rui Rio. Teme que esse valor que se criou durante as autárquicas se possa perder a breve prazo?
Acima de tudo, eu acho que se deve ajudar o atual presidente do partido a concluir o seu mandato com dignidade e não perder o que resta dessa mesma dignidade. Isso acho que é um valor que deve ser salvaguardado. As outras questões, o PSD já teve muitas eleições internas, já teve momentos muito críticos, e isso não foi fator que tenha prejudicado o partido a médio e longo prazo. É esse médio e longo prazo que se tem que salvaguardar, porque teremos eleições legislativas dentro de dois anos. Eu não acredito que haja qualquer crise política. Este jogo entre o Partido Socialista e as esquerdas que o apoiam já é um jogo que já vimos pelo menos seis vezes. E, portanto, eu penso que isso é estarmos a entrar dentro do jogo do próprio Partido Socialista, que não é positivo também para o país, até porque sabemos que tudo isto é anunciado como grandes ruturas, que depois acaba pelo Partido Comunista, pelo Bloco de Esquerda, pelo próprio PEV, agora também se junta ao PAN, no final das contas acabam por viabilizar sempre o próprio orçamento e, portanto, isso não acredito. Por isso temos que salvaguardar o partido para estar em condições de poder disputar as próximas eleições legislativas em 2023 e ganhá-las, porque este mandato que o atual presidente do partido teve, ele de algum modo já foi presidente do partido, embora tenha sido na altura tenha pedido para que fosse outra a líder do partido, e ele era o número dois do partido, mas está-se a repetir a mesma história. Da outra vez também não se acreditou e levou José Sócrates a renovar o mandato que tinha a nível do governo, com as consequências desastrosas que todos os portugueses hoje conhecem. Portanto, é isso é que nós neste momento temos que salvaguardar a bem do próprio país.
Carlos Carreiras, muito rapidamente e para terminarmos, não temos mais tempo. Que mensagem gostava de ver proferida por Rui Rio mais logo perante os conselheiros no Conselho Nacional do PSD?
Gostava que ele anunciasse, de facto, quando é a data das eleições diretas. Nesse caso, já foi anunciado o dia 4 de dezembro, que o afirme e que se defina, e eu espero que ele concorra a presidente do partido. Mas não é essa a minha convicção que ele o vá fazer. E por isso tenho pena que as coisas assim não fiquem suficientemente clarificadas. Mas gostaria que as eleições fossem a 4 de dezembro e que Rui Rio apresentasse a sua recandidatura.