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José Sousa, houve ontem um referendo para a divisão das freguesias. O sim acabou por vencer, sendo que o resultado não é vinculativo, tendo em conta o nível da abstenção. A nossa questão é: o que estão a pensar fazer tendo em conta estes resultados?
Muito bom dia. Sim, naturalmente nós gostaríamos que a abstenção fosse muito mais reduzida e que a votação fosse muito mais expressiva. E seria importante para nós que o referendo fosse vinculativo, mas para isso teriam que votar mais de 50% dos eleitores. Não acontecendo isso, agora temos que olhar para esses resultados, provavelmente de uma forma que esses resultados sejam o barómetro da situação para a Assembleia de Freguesia tomar uma posição relativamente ao futuro desta união de freguesias. Agora, perante os resultados, a Assembleia de Freguesia, que já tinha autonomia, mas nós quisemos fazer isto de forma diferente, tem autonomia para decidir a continuidade na agregação ou a desagregação. Teremos que agora, nos próximos dias, reunir, olhar e estudar estes resultados para tomar essa posição. Levaremos, entretanto, depois à Assembleia de Freguesia todo o processo. Naturalmente, tem que passar também por outras tramitações, que é da Assembleia Municipal, depois a Assembleia da República. Olharmos para isto de uma forma, visto que o sim acabou por vencer de forma significativa relativamente ao não. Temos que agora olhar para isto e tomar uma posição. A parte da Assembleia de Freguesia terá que decidir, tomar uma posição e é nesse caminho que iremos prosseguir.
Ou seja, o referendo foi uma situação que vocês quiseram avançar, mas, na realidade, a Assembleia de Freguesia tem autonomia para decidir a divisão das freguesias e isso pode ainda vir a acontecer, mesmo com esse referendo não tendo sido vinculativo, é isso?
Sim, nós não necessitávamos de um referendo. A Assembleia de Freguesia tem autonomia para os deputados poderem decidir a continuidade em união ou não, mas nós, democraticamente, entendemos que queríamos que fosse a comunidade, os cidadãos e cidadãs desta união de freguesias de Barcelos e Cavoeiros, a tomarem a decisão. Para isto teriam que ir muito mais pessoas às urnas, teriam que votar. Para o referendo passar a ser vinculativo, se votasse mais de 50% dos eleitores. Isso não aconteceu.
E qual acha que foi a razão para não haver tanta adesão ao referendo como esperavam?
A razão, independentemente de muitas pessoas quererem criar aqui um certo alarido do dia, que o dia não foi o melhor, porque muitas pessoas estão de férias, porque uma série de situações. As pessoas, pura e simplesmente, muitas não quiseram ir votar. Se calhar, porque se encontram bem, se calhar por desinteresse neste tipo de situações, muitas delas não percebendo que estas situações são importantes, que é o futuro da nossa terra que está em causa. É porque eu ontem, por exemplo, vi várias pessoas que não as vi no local de voto, mas vi elas na terra. E votar no referendo são cinco minutos e já está. Lá darem excesso de tempo. Por isso as pessoas, pura e simplesmente, provavelmente se desinteressaram. Nós fizemos o nosso trabalho, temos estado em daquilo que é a nossa consciência, fizemos o nosso trabalho, um referendo desta dimensão é uma situação sempre bastante burocrática e complexa. Fizemos o nosso trabalho, aquilo que nós prometemos, nós cumprimos. Agora temos que olhar para estes resultados e certamente tomar aqui uma posição e a Assembleia de Freguesia tomar essa posição. E pronto, o nosso percurso relativamente a isto não está acabado, naturalmente, mas foi um percurso trilhado com dignidade e com empenho. Se a população se desinteressou, não há nada a fazer. Nós temos é que estar bem com nós próprios e com a nossa consciência e com o trabalho desenvolvido.
E para terminar, consegue prever aquilo que vai ser a decisão da Assembleia de Freguesia? Tem alguma indicação do que é que pode sair daí?
Não, o que eu lhe posso dizer é que a Assembleia de Freguesia, naturalmente, quer os elementos da minha bancada, quer os elementos da oposição, sempre notei, até estes dias, que havia uma divisão grande. E havendo uma divisão, provavelmente, e por isso mesmo também fez com que o referendo fosse importante, pena as pessoas não terem aderido, porque se as pessoas aderem em massa ao referendo, o referendo seria vinculativo e a Assembleia de Freguesia não teria que tomar nenhuma posição. E agora a posição tem que ser tomada pelos elementos da assembleia e os próprios elementos da assembleia teremos que nos juntar todos, perceber os meandros desta situação, estudar estes resultados, percebê-los, que nem sempre é fácil perceber. Nós podemos indicar que, efetivamente, 18% das pessoas votaram na separação e cerca de três pessoas votaram na continuidade. E agora perceber por que 78% das pessoas não foram às urnas. Será porque estão bem? Será porque entendem que assim está bem, então não se importaram com o assunto? É um resultado difícil de perceber, de nós percebermos, mas naturalmente que também as pessoas que foram às urnas merecem a nossa consideração e teremos que olhar isto de forma bastante séria e estudar este resultado para assim a assembleia poder tomar uma posição, dizendo-lhe já de antemão que a assembleia também tem, naturalmente, a sua divisão, uns entendem que deveríamos continuar unidos, outros entendem que não deveríamos continuar unidos. Por isso, agora há um trabalho, de certa forma, de estudo para percebermos e tentarmos trilhar o caminho todos unidos.