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José Galamba de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Seguradores. Hoje foram conhecidos novos números, tem um comunicado a dizer que já foram pagas indemnizações em 41% dos sinistros que foram participados, isto na sequência do comboio de tempestades que passou por Portugal no início deste ano. Começo por lhe perguntar quando é que começou este processo de pagamento?
As primeiras indemnizações foram pagas no final da primeira semana, normalmente relacionados com o fecho de sinistros de habitações, naquele processo simplificado em que se efetuaram pagamentos com base em fotografias e sem peritagem. Portanto, o setor desde o final da primeira semana, logo a seguir ao Christine, começou a efetuar pagamentos. E de facto, hoje em dia, estamos a falar em 75 mil sinistros já regularizados ou com adiantamentos efetuados. A verdade é que ainda esta semana continuam a entrar sinistros, ou sinistros novos ainda relacionados com as tempestades, ou a reabertura de sinistros, porque entretanto há danos adicionais que ocorreram, porque houve entretanto tempestades seguintes e chuvas que para edifícios des telhados, obviamente, provocaram danos adicionais e, portanto, houve reabertura de processos. Mas na prática, estamos a falar que 41% deste total de quase 180 mil participações que entraram até à data estão de facto ou já fechados ou num processo já de muito perto fechado, com adiantamentos efetuados.
No comunicado é dito também que a resolução destes processos estava a acontecer a um ritmo de 5 mil por dia, mais ou menos.
1500 por dia.
1500 por dia, exatamente. Peço desculpa. Pergunto então se este ritmo, e tendo em conta que à data de hoje já se somam então estes 41% de casos resolvidos e de indemnizações pagas, considera que esta percentagem é um bom número, um bom resultado para apresentar nesta altura?
Não, eu acho que o esforço tem sido gigantesco de todas as equipas, quer as que estão no terreno, quer as que estão em back office, para se resolver todos estes sinistros o mais rapidamente possível. O interesse aqui é que se consigam fechar as situações que podem ser fechadas e que obviamente as pessoas e as empresas possam com isso também voltar à normalidade das suas vidas o mais rapidamente possível. Mas há, de facto, um conjunto de sinistros onde a complexidade é bem maior. Isto é mais evidente do lado das empresas, onde a complexidade é grande, porque muitas vezes estão envolvidas estruturas especiais, maquinaria também muito específica ou muito especial, que necessita de técnicos peritos para que possam efetuar avaliações sobre a necessidade de reparação ou substituição. Às vezes, essa maquinaria vem do exterior e, portanto, há, de facto, um conjunto de sinistros que vai levar mais tempo a ser regularizado, mas há de facto depois um conjunto de outros que muitas vezes não estão ainda fechados ou porque falta algum documento, ou porque falta ainda, às vezes, um relatório final dos peritos, ou porque falta o NIB da pessoa que vai receber a indemnização. Enfim, há um conjunto de requisitos e de procedimentos que são obrigatórios no processo de pagamento. E a verdade é que nós pensamos que isto tem acelerado agora nos últimos dias e vai acelerar seguramente nas últimas semanas e vai haver alguns onde vai demorar mais umas semanas porque são bastante mais complexos, relacionados precisamente com empresas.
E pego precisamente por aí para perguntar quais foram a maioria destes sinistros registados e se tem havido algum filtro, algum sentido de prioridade para resolver estes casos.
Não, aqui a prioridade tem sido à medida que obviamente começaram-se a resolver aqueles que entraram primeiro. Portanto, aqueles que entraram esta semana, poderão alguns ter peritos de peritagem, outros se calhar nem isso ainda. Portanto, aqui a ordem de entrada acaba por definir bastante a prioridade de resolução destas situações. E como digo, aqueles que é mais simples, porque são danos mais ligeiros, ou nas habitações onde é mais fácil efetuar-se orçamentos, tendem a ficar resolvidos mais depressa. Os outros que são mais específicos e relacionados com o mundo empresarial, com indústrias em especial, acabam por ser um bocadinho mais complexos, mas obviamente o esforço está a ser feito por todos para que isto se resolva o mais rapidamente possível.
E há previsões para isso?
Não, não há nenhuma previsão. Obviamente que o que nós notamos é que o número de entrada de novas participações tem reduzido bastante e isto obviamente significa que vamos começando também a ver o fim a isto. Enfim, se esta média se mantiver 2500 por dia, em 10 dias resolvem-se 15 mil, em 20 dias resolvem-se 30 mil. E portanto, a expectativa é que nas próximas semanas o grosso disto vai estar resolvido, mas enfim, dizer que vão estar todos resolvidos e apontar uma data, neste momento é muito prematuro, como digo, porque há aqui um conjunto de sinistros bem complexos e o que se está a tentar fazer é que as seguradoras têm estado disponíveis para efetuar adiantamentos. E aliás, esse é um alerta que eu também faço. Aqueles que acham que com o adiantamento podem agilizar, depois contactem a seguradora e solicitem esse adiantamento, porque se houver uma justificação, o dinheiro vai aparecer para acelerar a recuperação. Portanto, nessas situações, especialmente no mundo empresarial, isto pode ser importante. Total disponibilidade para reforçar adiantamentos. Pode até já ter sido feito algum adiantamento, mas pode ser reforçado se isso significar um acelerar na recuperação da normalidade desses lesados.