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Junta-se agora a nós, em direto, João Duarte, é sismólogo, professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigador do Instituto D. Luís. João Duarte, bom dia, obrigada por estar conosco. Pela dimensão do abalo e pela sequência de ondas gigantes que entretanto se formaram, é de esperar, de facto, ainda muitos danos?

Muito bom dia. Parece que as piores previsões não se estão a realizar, mas ainda temos que esperar mais duas, três horas. Houve um sismo de 8.8, muito forte, que gerou o tsunami. O tsunami tem estado a propagar pelo Pacífico e há alertas para toda a costa dos Estados Unidos, do Japão e até a Nova Zelândia. Eu diria que ainda nas próximas duas, três horas pode haver alguns estragos. No entanto, as ondas que têm estado a chegar ao Havaí e no Japão, fala-se em cerca de 1 m, no Japão 2, 3 m, até um pouco abaixo do que seria necessário para causar uma destruição muito grande. No entanto, pode sempre haver alguns efeitos locais, amplificação de ondas e, portanto, pode sempre nalgum local haver ondas com maior dimensão e daí a prevenção neste momento ser o melhor a fazer.

O melhor a fazer. E é interessante como o sistema de alerta de tsunamis pode, de facto, ajudar a evitar danos pessoais muito maiores.

Sim, ao contrário dos sismos, em que as ondas sísmicas propagam-se muito rapidamente, portanto, há muito pouco tempo para reagir, as ondas de tsunami a propagar-se no oceano demoram horas. Podem demorar cerca de 10 horas a atravessar um oceano. Por um lado, o tsunami tem este efeito ao nível de todo o oceano, mas é lento.

Há tempo para reação.

Exatamente. E o Pacífico tem um bom sistema de alerta de tsunami, todas as zonas costeiras estão preparadas. Há boias no oceano que vão monitorizando o tsunami a avançar e, portanto, eu diria que desde 2011. O problema de 2011, aquele sismo grande do Japão, foi um bocadinho subestimar a possibilidade de haver um sismo e um tsunami daquela dimensão. Mas a partir do momento disso ter acontecido, hoje em dia, grande parte daqueles países costeiros estão preparados.

Estão. E João Duarte, diria que as próximas horas, ainda duas, três horas, vão ser mais críticas, a partir daí, a situação há de começar a ficar mais estabilizada?

Sim, o pior provavelmente já passou, porque o tsunami vai perdendo energia, portanto, ali logo aquelas margens mais próximas seriam as que poderiam ter mais problemas. No Havaí, na Nova Zelândia, pode haver nas próximas duas, três horas. E depois há sempre a possibilidade de haver réplicas grandes e outros sismos no mesmo sítio. Portanto, é preciso estar mesmo alerta.