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Naturalmente lamentamos. O setor da saúde precisa de estabilidade. Estamos no meio de uma reforma importante da forma como estamos organizados, como o Serviço Nacional de Saúde se articula, como as diferentes unidades se integram entre si. Precisaríamos agora de estabilidade pra conseguirmos implementar esta reforma, que é uma reforma profunda, muito trabalhosa, que está sendo levada a cabo há alguns meses. Esta demissão vem em uma altura difícil, sensível, e por isso, naturalmente, que a lamentamos.
Certo. E falando nesse mau timing, gostava de perguntar o que acha que vem agora pela frente. De que forma esta decisão pode afetar ainda mais o setor da saúde?
É difícil eu fazer esse prognóstico. Repare, numa situação destas e tendo esta demissão sido consumada, importa restabelecer a normalidade no setor. Importa, em primeira linha, nomear uma nova direção executiva. Se de fato essa for a intenção do governo, tudo indica que sim, que o governo quer manter a direção executiva, foi isso que nos foi sendo dito durante a campanha eleitoral, eventualmente reformulando as suas funções, mas mantendo ainda assim. Importaria redefinir aquilo que houver a redefinir, eventualmente algumas funções, nomear uma nova direção executiva, em concreto, um novo diretor executivo, que possa ser o rosto dessa equipa e que possa, desde logo, agarrar esta reforma que está em curso. Não podemos cair neste vazio, isso não faria qualquer sentido. Tanto quanto percebemos, esta equipa manter-se-á neste lugar durante mais algumas semanas, até entregar à senhora ministra da Saúde o relatório que foi pedido, que no fundo fará um ponto de situação sobre toda esta reforma. Mas logo que possível, importaria que fosse empossada uma nova equipa com uma legitimidade reforçada para, no fundo, levar a cabo esta reforma. Não tem necessariamente que haver uma grande penalização para o Serviço Nacional de Saúde como um todo, não tem que haver um retrocesso do processo. Nós esperamos que esse retrocesso não aconteça, esperamos que esta reforma possa ser levada a cabo, mas obviamente que depende sempre de existir uma liderança forte. É preciso restabelecer essa liderança.
E dessa liderança forte, o que espera agora para os tempos que se avizinham, quando essa liderança se formar?
Eu espero, acima de tudo, que seja possível estabelecer um conjunto de prioridades, que seja possível compaginar prioridade de longo prazo, mais relacionadas com o percurso dos nossos doentes, com integração de cuidados, entre cuidados primários, hospitalares e um conjunto de outras entidades. Prioridades mais de longo prazo e de sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, com a resolução de prioridades de curto prazo, de problemas que estão neste momento acontecendo. À cabeça de todos, claramente o acesso a serviços de urgência, eu diria que é o principal problema, o fato de termos serviços de urgência que continuam a trabalhar com dificuldade a dar alguma resposta deficiente aos nossos doentes, aquém daquilo que nós gostaríamos ter, mas também responder a cuidados programados que estão a ser realizados fora do tempo adequado, nomeadamente consultas e cirurgias que são realizadas para além do tempo máximo de resposta garantido. É muito importante que a nova direção executiva tenha esta visão, deixe-me dizer que é uma visão que a anterior direção executiva, aquela que agora está demissionária, tinha. Estas eram as prioridades. Era o acesso, claramente, levar a cabo esta reforma, integrar cuidados de uma outra forma entre os cuidados primários e cuidados hospitalares. O que esperamos, de alguma forma, é que a próxima direção executiva possa agarrar estas prioridades e possa levá-las a cabo. Há problemas pra resolver? Naturalmente que sim. Uma reforma dessas não se faz sem problema, sem dificuldades a ultrapassar. O ultrapassar dessas dificuldades obriga a termos uma liderança forte. Importa, muito rapidamente, que o Ministério da Saúde a encontre, a nomeie e que possamos ter uma equipa legitimada de novo para esta reforma que é preciso implementar.