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José Sousa é secretário-geral do SITAVA, do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos. Anunciaram que desconvocaram a greve prevista, retiraram esse pré-aviso de greve. Ontem mantinham esse pré-aviso. O que mudou de ontem para hoje?
Ora bem, é um facto que ontem publicámos uma pequena nota onde não fizemos referência aos pré-avisos porque tínhamos a informação que hoje a TAP se iria pronunciar sobre o assunto. E isso aconteceu hoje à tarde. A TAP comprometeu-se, de uma forma firme, a cumprir de imediato aquilo que tinha sido anunciado pelo ministério, ou seja, a pagar diretamente aos trabalhadores, sem passar pelo acionista maioritário, os subsídios de férias e anuidades. Bastou isso para que o SITAVA assumisse que o compromisso era firme, sério e que não era necessário manter os pré-avisos. Foi só por isso que ontem não falámos deles e hoje, perante este compromisso da TAP, obviamente para nós chegou, porque entendemos que a TAP é pessoa de bem e que não iria ter a interferência do acionista para dificultar o pagamento aos trabalhadores.
Portanto, para além do compromisso da parte do governo, do Ministério das Infraestruturas, há também agora esse compromisso da parte da TAP que vos tranquiliza e que faz com que retirem este pré-aviso de greve.
Exatamente. Isso aconteceu hoje ao fim da tarde e o SITAVA de imediato fez uma nota de imprensa a anunciar que estavam retiradas as greves que estavam anunciadas.
Da parte do governo, também já tiveram algum tipo de contacto em relação a quando é que este pagamento vai ser feito? Sabemos que obviamente é a TAP que vai fazer o pagamento de uma forma direta, como ainda agora dizia, mas já teve algum contacto da parte do governo?
Em relação ao governo, o contacto que tivemos foi na passada terça-feira e foi anunciada, também em comunicado, a intenção do governo fazer estes pagamentos. Hoje, por parte da TAP, tivemos o compromisso que o vão fazer e vão fazer de imediato. Segunda ou terça-feira, os trabalhadores terão nas suas contas as verbas de que são credores. Portanto, estão reunidas todas as condições para se retirar os pré-avisos de greve e estabilizar a empresa que tanto precisa.
No comunicado falam também de claros compromissos em relação à alteração do quadro acionista da empresa, que julgam serem indispensáveis para a estabilização da Groundforce. Quando fala aqui nesses claros compromissos em relação à alteração do quadro acionista, que compromissos é que têm recebido, que indicações é que têm recebido, tanto da parte da TAP como da parte do governo, em relação a este aspecto?
Ora bem, da parte da TAP não é tida nem achada nesta questão. Da parte do governo, sim, obtivemos a informação de que estava na última fase o leilão de ações que o Montepio estava a fazer para vender o lote de ações de que tinha tomado posse por via da execução da penhora. Portanto, isso diz-nos que a breve trecho, ou muito brevemente, as ações mudarão de mãos e esperamos que seja para um acionista que traga estabilidade à empresa, que traga financiamento e que volte a colocar a SBGH num local de destaque como uma importante empresa que é indispensável para a operação da TAP, para o turismo e para a economia nacional.
Isso é uma questão que também vos tranquiliza, essa mudança de acionista estar tão iminente?
Claro, tranquiliza-nos e pensamos que é indispensável. Não queremos viver mais nenhuma época como aquela que temos vivido, com um capitalista sem capital, como ele próprio se intitula, a desestabilizar, a servir-se dos trabalhadores, a manipular trabalhadores, como foi o caso do fim de semana da greve. Foi uma greve apenas motivada pelo acionista, pelo patrão, pelo presidente do Conselho de Administração, que acicatou os trabalhadores até que eles não conseguissem mais estabilidade para continuar a trabalhar.