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Nós, de fato, ficamos surpresos pelo primeiro-ministro anunciar esta medida no Parlamento. Desconhecíamos por completo este projeto e continuamos a desconhecer. Mas a realidade é esta: nós temos, neste momento, uma das cargas fiscais mais altas da Europa, que já taxa de uma forma muito clara os lucros das empresas em Portugal. Eu julgo que estamos todos de acordo que é importante que as empresas tenham bons resultados, que sejam sólidas, que criem emprego e invistam em inovação e criatividade. Julgo que estamos todos de acordo que é importante que as empresas tenham bons resultados. Quanto o senhor primeiro-ministro se refere a resultados extraordinários, isso é que nós questionamos, porque em toda a Europa temos assistido a uma recomendação da Comissão Europeia para utilizar a chamada windfall tax para um setor específico e decorrente do período que estamos a viver. Ora, os resultados de algumas empresas em Portugal, no setor de distribuição, não decorrem de um fator extraordinário. Ninguém está a beneficiar de uma guerra na Ucrânia, nem de um aumento do custo dos fatores de produção, nem da inflação. Pelo contrário, nós temos vindo, e isto tem vindo a ser demonstrado, a acomodar o aumento dos custos dos fatores de produção, que tem sido em toda a cadeia de valor, e temos vindo a acomodar de modo a não castigar, digamos assim, o consumidor com preços mais altos. Não estamos a passar para o consumidor o aumento dos custos dos fatores de produção na mesma proporção.
Mas é certo que as empresas têm estado a apresentar mais lucros.
As empresas apresentam resultados operacionais bastante sólidos, que decorrem de toda a situação que estamos a viver, da inflação, do aumento dos preços, mas estamos a vender menos volume, evidentemente, com preços superiores. Agora, o que é importante aqui é que é conhecido que não estamos a aumentar as margens de lucro, pelo contrário. Eu devo lembrar que no setor da distribuição alimentar, as margens são muito reduzidas, são na ordem dos 2%, 3%. E este aumento dos preços não se deve ao aumento das margens. Pelo contrário, as margens até têm sido mais esmagadas e reduzidas ou mantidas. O aumento dos preços deve-se ao aumento dos custos dos fatores de produção em toda a cadeia. Isto é transversal. Nós ficamos a aguardar serenamente que fórmula é que o senhor primeiro-ministro vai arranjar, mas lembramos que os lucros já são tributados num valor que não tem paralelo na Europa. Desconhecemos se há outros países a ter a mesma atitude, julgamos que não, mas lembramos que nós em Portugal já temos um nível de carga fiscal que tributa de uma forma muito superior, comparativamente aos outros Estados-membros, os lucros das empresas, pelo que aguardamos serenamente. Agora, lucros extraordinários, não houve nada de extraordinário. Estamos é a ter, felizmente, empresas sólidas e com resultados operacionais, estamos a aumentar os salários e estamos a cumprir as nossas obrigações do ponto de vista da responsabilidade social, apoiando e estando ao lado do país.