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Filinto Lima, a Direção-Geral da Saúde publicou hoje uma norma que indica que vão ser feitos testes à Covid-19 a cada 14 dias, tanto em escolas, prisões, também fábricas e construção civil, e isto nos conselhos com uma elevada incidência de casos de Covid-19. Eu começava por lhe perguntar como é que olha para esta medida. Sabemos que as escolas, para já, estão de portas encerradas. Ainda assim, como é que acolhe esta norma da DGS?
É claro que tudo o que for testar, penso que é consensual, que é positivo. E portanto, se essa testagem vai surgir de 14 em 14 dias nas escolas do nosso país, nós damos o nosso aval, porque isso vai trazer confiança. Agora, essa testagem vai ser para um grupo muito restrito. Neste momento, nas escolas, estão alguns professores, poucos, estão alguns funcionários, também em número reduzido, e estão poucos alunos. Sobretudo, estão alunos com 12 ou menos anos de idade. Ou seja, o leque de abrangência desta medida, que me parece positiva, é um leque muito pequeno. Eu gostaria que fosse dado um passo maior, que fosse o passo da prioridade em relação à vacinação dos nossos professores, nossos funcionários, que neste momento estão em contexto de trabalho nas escolas, que não estão encerradas, estão abertas, portanto, que acolhem os nossos alunos. Era preciso ser mais afoito, na minha opinião, ter uma atitude ainda mais proativa, que não passasse só por esta testagem de X em X dias, que me parece positivo, mas sim pela priorização na vacinação dos professores que neste momento estão na guerra, estão à frente desta batalha, estão nas escolas, portanto, a prestar auxílio aos nossos alunos. Eu aqui falo dos professores, mas também falo dos nossos funcionários.
E em relação a essa medida da testagem a cada 14 dias, ainda assim, eu gostava de lhe perguntar se entende, pede mais, pede que seja dado um passo mais à frente, como dizia, Filinto Lima, mas perguntava-lhe ainda assim se esta medida peca por tardia, esta norma da DGS. No fundo, a testagem dos alunos, professores e toda a comunidade escolar.
Sim, mais vale tarde do que nunca. A medida podia ter sido realizada há mais tempo, com certeza, mas mais vale tarde do que nunca. Eu, neste caso concreto, estou muito para além desta medida, estou muito para além da testagem. Portanto, aquilo que eu estou a dizer é que a vacinação nesta altura era muito bem aceita pelos nossos professores e pelos nossos funcionários, que estão à frente do campo de batalha, estão na guerra, e que neste momento estão a dar um apoio inexcedível aos nossos alunos no contexto tradicional que é a escola.
E portanto, entende que fazia mais sentido a Direção-Geral da Saúde ter publicado aqui regras, digamos assim, em relação à vacinação dos professores e funcionários, é isso?
Neste momento, sobretudo aqueles professores e funcionários que estão na escola, que têm que diariamente se deslocarem para o seu habitual local de trabalho, esses professores e esses funcionários, pelo menos esses, deviam ser priorizados em relação à toma da vacina.
E Filinto Lima, as autoridades de saúde já contactaram, de alguma forma, os diretores escolares sobre esta norma da DGS, sobre esta testagem a cada 14 dias? No fundo, perceber se já tem algum tipo de pormenores. Bem sei que a Direção-Geral da Saúde publicou hoje essa norma, mas os diretores escolares já receberam algum tipo de indicação, se sabem quem é que vai ser testado em concreto, como é que vai funcionar todo o processo, sabe algum pormenor?
Sim, já nos pediram realmente dados dos funcionários e dos professores que queiram ir, de facto, realizar estes testes. Sabemos já onde é que esses testes serão realizados, se é numa escola dos conselhos, mas estamos à espera, de facto, que nos chamem. Eu penso que no mais curto espaço de tempo possível. Nós, no meu caso concreto, aqui em Vila Nova de Gaia, iremos ser chamados para realizar estes testes nos próximos dias.
E tem números, se é que já os pode avançar, números de professores e funcionários dos quais já fez esse levantamento?
Sim, anda à roda dos 10, entre 10 e 20 professores funcionários. Este número pode ser mais elevado em algumas escolas, mas anda muito à roda dos 10.
10, 20 por cada escola, é isso?
10, 20 por cada escola. Isto é uma média, é uma estimativa que eu estou aqui a fazer, tendo em conta o quê? Tendo em conta, de facto, os professores que nós temos que destacar para este serviço e os funcionários que estão também ao serviço das escolas e, atenção, que se disponibilizem a realizar estes testes. Estes testes não são obrigatórios, aliás, tal como a toma da vacina não é obrigatória, portanto, têm que ser pessoas que, de facto, estejam dispostas a realizar estes testes.
E em relação aos alunos, já existe alguma indicação? Os alunos estão, para já, no ensino à distância, como sabemos, mas nesse eventual regresso às escolas, já há alguma indicação sobre esta testagem em específico aos alunos?
Bom, primeiro, nós temos que saber quando é que esse regresso se vai dar. Depois, que alunos é que irão entrar primeiramente nas escolas. Serão os do pré-escolar, serão os do 1° ciclo, serão os do secundário. E penso que vai haver uma entrada faseada. Só que o timing ninguém conhece. Ontem, o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa disse, e bem na minha opinião, apelou à proatividade do governo. Ou seja, o governo terá que elaborar um plano de regresso à escola, que me parece que é um plano faseado. Agora, não sabemos quais são os ciclos de ensino que irão entrar primeiro neste plano, nem sabemos quando é que este plano tem início. Isso tem de estando bem, depende muito seguramente do evoluir da pandemia no nosso país e em cada concelho.
Filinto Lima, eu gostava também de lhe perguntar aqui sobre outro assunto, neste caso, o calendário escolar que foi conhecido há poucas horas. Houve alterações, exames também adiados. Gostava de lhe perguntar se lhe parece um bom calendário e o calendário nesta altura adequado. Qual é a sua opinião sobre estas datas apresentadas hoje?
É um calendário expectável. Nós já tínhamos ouvido o senhor ministro da Educação, a tutela, a falar um bocadinho dessas alterações. Sabíamos já que os três dias de pausa do Carnaval se iam transformar em três dias de aulas. Sabíamos já que as duas semanas de pausa para os nossos alunos, ao pinhal cargo, será só uma semana. E para os professores, nem sequer é uma semana, porque nessa semana de pausa para os alunos, os professores têm reuniões de avaliação. O que havia dúvida era em relação ao final do ano letivo. Percebeu-se que iremos ter mais uma semana de aulas, portanto, no final do terceiro período e, nesta medida, o calendário de exames do ensino secundário foi arrastado para a primeira fase junho/julho e a segunda fase em setembro. Aliás, a exemplo daquilo que aconteceu no ano letivo anterior.
Mas este novo calendário escolar não tem aqui, de certa forma, consequências ou repercussões para os alunos e professores, é isso? Ou seja, no fundo, não estará a desfavorecer os alunos e também os professores?
É evidente que implica uma reorganização das atividades letivas, quer aquelas que são programadas pela escola em si, quer as aulas que são programadas pelos professores. Mas esta informação chegada com este tempo de distância, eu acho que é suficiente para nós procedermos às alterações que julgarmos adequadas e necessárias.