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André Teves, presidente do Sindicato de Técnicos de Handling dos Aeroportos. Começo por pedir um balanço daquilo que tem sido o primeiro dia de greve deste primeiro de dois dias de greve dos trabalhadores da Groundforce.
Até esta hora, a adesão foi esmagadora, principalmente no aeroporto de Lisboa. De referir também que na transição do período da manhã para a tarde, no Funchal, passamos do período da manhã de 25% para o período da tarde para 67%. Portanto, é uma coisa positiva. Houve aqui um incremento em termos de adesão à greve. No Porto também aconteceu o mesmo, da manhã para a tarde, embora mais ténue o aumento, mas chegou a ultrapassar os 50%. Esperamos que amanhã se mantenha o mesmo nível, com tendência para aumentar, segundo aquilo que estou a receber, nalguns aeroportos, que não o de Lisboa, mantendo o de Lisboa no mesmo nível, uma vez que a TAP também já anunciou que cancelou os voos todos para amanhã.
Exatamente, até porque também já tinham, salvo erro, terá sido o diretor executivo da ANA, terá dito que amanhã não haverá serviços mínimos. Confirma esta informação, certo?
Confirmo. Atenção que amanhã não há serviços mínimos não é porque o sindicato ou os trabalhadores querem. Amanhã não há serviços mínimos porque o tribunal arbitral não definiu. E aliás, a nosso entender, corretamente. Portanto, amanhã os serviços mínimos serão só e apenas situações de voos de Estado, voos de emergência, voos de ambulância e qualquer coisa que se prenda a qualquer irregularidade momentânea. Portanto, não há nenhum voo que está garantido para o dia de amanhã. Aliás, como decorre da lei.
E André Teves, entretanto, os últimos dados apontam para 300 voos que foram cancelados durante o dia de hoje em todo o país. Não sei se vocês têm dados que consigam também confirmar este número e aproveito também para perguntar se estaria dentro das expectativas do sindicato.
Vamos lá ver. Em primeiro lugar, o nosso objetivo não é cancelar voos e causar os constrangimentos a que nós hoje assistimos. Essa é a consequência daquilo que nos obrigaram a fazer após seis meses de vivermos em instabilidade e de os trabalhadores não receberem pontualmente o seu salário, acrescido o facto de mais de dois terços da empresa já terem gozado as férias e não terem recebido o subsídio. Isso por um lado. Por outro lado, a questão da adesão ter sido como foi, eu acho que era expectável para todos. Se quer que lhe diga muito sinceramente, também acho que os trabalhadores da Groundforce foram subestimados. A tutela, o governo, a TAP e até a própria Groundforce subestimaram a questão da greve. Ela foi anunciada com 15 dias de antecedência, portanto, tivemos muito tempo para poder obviar aquilo que vimos hoje e quem pagou para ver, pois aqui está. É uma consequência que obviamente do ponto de vista da greve é claramente um sucesso, mas os efeitos que a mesma tem a ninguém deixam felizes, porque ninguém tem prazer em causar os constrangimentos que foram causados. O número de voos que referiu, eu tenho o mesmo número que me disse, porque a entidade oficial que confirma isso é de facto a gestora aeroportuária, que é a ANA Aeroportos. Ela é detentora desses dados e eu também tenho conhecimento desses quase 300 voos que foram cancelados hoje e do que acontecerá amanhã.
E André Teves, deixe-me só fazer mais uma questão. Entretanto, a Groundforce já se pronunciou também quanto à greve. Diz que não é indiferente aos transtornos causados. Esta foi uma notícia que também saiu há poucos minutos. E a Groundforce diz então que bastaria que a TAP pagasse o valor em dívida pelos serviços já prestados pela Groundforce para que os salários fossem regularizados. André Teves, como é que o sindicato vê agora esta declaração da Groundforce?
Isso é o que nós também conhecemos, e não somos só nós, julgo que todo o país conhece. E aquilo que a empresa diz, e que nós obviamente sabemos que isso é verdade porque estamos lá todos os dias há mais trabalho, felizmente, é que já faturou cerca de € 8 milhões à TAP e a TAP não quer antecipar esse pagamento. O que a TAP fez foi propor à empresa outro adiantamento. Ora, quem está a dever não adianta nada. Se estão a dever € 8 milhões, não podem adiantar € 5. Quando muito, antecipam € 5 dos € 8 que devem, que é uma coisa diferente.