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Filipe Garcia, pergunto-lhe qual é que está a ser a reação dos mercados financeiros a esta tomada de posse de Donald Trump, que é agora oficialmente o presidente dos Estados Unidos, ele que prometeu tarifas na ordem dos 25%, pelo menos ao Canadá e também ao México.

Sim, o mercado está a digerir as palavras, está a tentar perceber aquilo que vai acontecer já e aquilo que pode ter impacto ou não. Mas a primeira grande conclusão relativamente ao tema das tarifas é que não foram impostas desde o primeiro dia tarifas de forma abrangente a todos os países ou mesmo a qualquer país. Há uma ameaça relativamente ao México e Canadá, mas que ainda é uma ameaça e creio que poderá estar relacionada com aquilo que seja a atitude destes países perante os temas da imigração ilegal. Mas o mercado ficou bastante satisfeito com o facto de não haver tarifas. O dólar foi um pouco castigado. Ontem esteve a cair 1% à medida que Trump falava. Hoje está um pouco mais estabilizado. As bolsas não estão a reagir de forma muito significativa, creio que estão à espera da direção ou da orientação do Wall Street mais logo. E diria que dos mercados internacionais, talvez o efeito mais visível seja no recuo dos preços do petróleo, que já estão no segundo dia de quedas, a reagir às perspetivas de um aumento considerável da produção por parte dos Estados Unidos, algo que foi dito de forma muito enfática ontem por Trump. Mas não podemos falar, de forma nenhuma, de um grande tumulto nos mercados ou de grandes alterações. A maior volatilidade aconteceu mesmo em termos de preço de petróleo e em termos do dólar, que ontem esteve a cair, hoje está a recuperar um pouco, mas os mercados em geral pode-se dizer que estão calmos.

E como é que o euro está a reagir?

O euro ontem teve um dia bastante positivo, porque o dólar caiu de forma generalizada no mercado cambial, porque um dos motivos que tem levado à subida do dólar, e portanto, à descida do euro, tem sido precisamente a perspetiva de implementação de tarifas transversais e fortes e que atingissem também os países da zona económica europeia, da União Económica e Monetária. Mas isso não aconteceu, ou pelo menos ainda não aconteceu. E como tal, o euro reagiu em alta, ontem chegou a valores acima do 04, 0430, para ser mais concreto. Hoje está a reagir um pouco em baixa com esta questão do anúncio de que poderá haver tarifas para o México e para o Canadá, e portanto, o receio que depois isso possa, de alguma maneira, alastrar para outros países. Mas no deve e no haver, se virmos como estava o euro tolerante da tomada de posse e como está depois, está mais alto e portanto, já estamos neste momento cerca de 2% acima dos mínimos que foram vistos este ano.