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Bem-vindos a mais um episódio da Rota dos Saberes e Sabores, um podcast que conta com o apoio da Região dos Vinhos Verdes. A palavra sustentabilidade está na ordem do dia, mesmo em termos mundiais, e vai servir como ponto de partida para a nossa conversa de hoje, uma vez que o conceito é também reconhecido no setor do vinho. Comigo, para falar sobre enoturismo sustentável, estão o Diogo Coelho, produtor de vinho e proprietário da Quinta da Rasa, em Terras de Basto, a engenheira Diana Meireles, diretora de enologia da Quinta da Lixa, e o doutor Luís Pedro, presidente da Entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal. Obrigado aos três por terem aceitado o convite. Diogo, eu vou começar por ti. No que consistiu a implementação da sustentabilidade na Quinta da Rasa que vos levou a ganharem este selo?
Muito bem. Fizemos várias vertentes. Nós implementamos isto do ponto de vista ambiental, do ponto de vista social e também na parte de gestão da quinta, da gestão da empresa.
Sim.
E tivemos que fazer alguns investimentos na área do ambiente. Tivemos que fazer algumas coisas por causa da economia da gestão da água, economizar água. Na questão da rega, tivemos que automatizar alguns processos. Também investimos numa central fotovoltaica para captar a luz solar.
Sim.
E mais coisas nas vinhas. Onde temos vinhas com taludes, pusemos algumas espécies de arbustos locais, urze, carqueja.
Isso é engraçado.
É. E a parte social também é para aqui chamada. Temos, por exemplo, um projeto na área social, em que doamos algum dinheiro dessas atividades que fazemos cá no enoturismo, com pessoas com algumas deficiências.
Sim. Isso é muito interessante.
E temos uma parceria com um ateliê de arte, para estas coisas de pinturas com vinho, etc.
Mas empresas como a vossa podem ser exemplo, ou seja, se vocês apostaram nesse caminho e estão a ter sucesso, vocês também podem servir como exemplo, não é?
É verdade. Nós somos a primeira empresa nos Verdes a ter o certificado de sustentabilidade.
Muito bem.
E deu um bocado de trabalho, mas também não é nada transcendente. Portanto, eu aconselho todos os agentes económicos nos Verdes de ânimo vivo. Isto não é nenhum bicho de sete cabeças.
Pois. Sim. Há apoios que vos podem dizer como é que se faz. Indicar o caminho.
Sim, a própria CVRVV, a nossa Comissão de Vinho Verdes, tem um departamento hoje em dia dedicado só à sustentabilidade.
Diz-me uma coisa, ainda em relação a isso, na vossa opinião, obviamente, como é que vocês devem transmitir ao consumidor a vantagem de uma produção sustentável? Isso é importante também, que se transmita essa imagem.
É. Temos o tal selozinho.
Claro.
Em termos de consumidor, eles sentem que nós estamos a zelar pelo futuro do planeta.
É isso.
Isto não é muito fácil da gente explicar, mas é isto. É uma filosofia de negócio responsável. Um negócio responsável.
Mas vocês podem dar o exemplo prático. Vocês têm isso montado. Ou seja, eu, como consumidor, quero comprar vinho verde dessa região, da Região de Basto.
Muito bem.
Que vantagem é que eu tenho em comprar vinhos com esse tipo de informação, de uma empresa que tem o selo de sustentabilidade?
As pessoas já têm muito conhecimento do que é isto da sustentabilidade. O consumidor comum já associa o facto de uma empresa ter um certificado de sustentabilidade a uma empresa mais amiga do ambiente. Normalmente ligam mais ao ambiente, esquecem um bocado esta parte da gestão e a parte social. Mas eu acho que as pessoas já têm muito isto também na cabeça.
Sim, realmente, hoje em dia.
Eu estou-me a lembrar um bocadinho dos nossos importadores nórdicos. Isto para eles é uma coisa obrigatória.
É fundamental.
E penso que também cá em Portugal já surge muito esta ideia também.
Sim, também acho que sim. Esse é o caminho. Acho que é esse o caminho também. Diana, apesar de vocês serem Quinta da Lixa, um grande produtor de vinho verde, vocês também dão muita importância à sustentabilidade, sobretudo na condução das vinhas e noutras situações. Qual é o grande objetivo dessa aposta?
A nossa grande aposta, tanto na Quinta da Lixa como no nosso Hotel Monverde, é dar sempre a prioridade à qualidade, pensar sempre a longo prazo, mas sempre com esta realidade que é a sustentabilidade e este tema que hoje em dia é tão importante. Já estamos a fazer algumas apostas tanto na vinha como na própria adega, como no hotel, relacionado com o tema da sustentabilidade.
E diga-me uma coisa: em que é que isso, na vossa opinião, seguindo esse caminho da sustentabilidade, em que é que isso pode beneficiar depois o produto final que são os vossos vinhos?
Sim, em todos os aspectos. Tanto na qualidade dos vinhos também Como fazer coisas diferentes, em vinhos diferentes. E depois preservar o nosso futuro melhor, mais verde e mais sustentável.
Muito bem. Diga uma coisa, Diana, vocês fazem divulgação deste vosso projeto, desta vossa aposta na sustentabilidade?
Sim, nós na adega, na Quinta da Lixa, na parte da adega e vinha, já temos algumas coisas feitas em que temos divulgado. Na parte do enoturismo também, tanto no Hotel Monverde como, por exemplo, ainda há 15 dias ganhamos o prêmio da TripAdvisor como sendo o sexto melhor do mundo com o rótulo ecológico. Acho que temos feito um bom trabalho e estamos num bom caminho para continuar com este tema da sustentabilidade nos dois setores, tanto na vinha como na parte do enoturismo.
Pois, o enoturismo. Vocês têm um hotel que é literalmente no meio das vinhas, não é? Um hotel já bem conhecido.
Sim, é um hotel que desde a construção conta com o rótulo ecológico, em que aproveitamos material, as próprias pedras, a madeira, tudo o que já existia também foi feito. Tivemos cuidado com o tipo de materiais, de tintas, de azulejos, tudo o que nós usamos já era ecológico e conseguimos manter o rótulo do hotel ecológico. E depois fomos melhorando algumas situações. Por exemplo, imagine, lá no hotel temos um abrigo para morcegos, temos casas de abelhas, temos imensas coisas que estamos realmente a aplicar para melhorar a sustentabilidade, tanto ambiental, como económica, como social também. Também temos alguns projetos sociais. Ajudar também algumas universidades, por exemplo, a UTAD tem feito lá algum estudo de espécies, algumas espécies de aves que possam andar tanto nas vinhas do hotel como nas da Quinta da Lixa. E temos feito algumas coisas engraçadas, muito giras, por sinal.
Muito bem. E diga-me uma coisa, qual é a relação, se é que há uma relação, na sua opinião, desse enoturismo de qualidade que vocês têm com a sustentabilidade?
Eu acho que é diferenciador, acaba por ser um enoturismo um pouquinho diferente e que hoje em dia realmente os hóspedes e os turistas gostam de ver. Gostam de perceber que realmente conseguem ter pontos de visão para verificar algumas aves diferentes que estão no nosso ecossistema. Por exemplo, quando veem as casinhas dos morcegos e explicamos o porquê de os morcegos existirem para eliminar os insetos não tão bons. Ou seja, os turistas gostam de ver isto, gostam e é preciso.
Luís Pedro, no caso do turismo do Porto e Norte de Portugal, podemos dizer que vocês são um grande suporte da prática do enoturismo em toda a região a norte do Douro, que abrange obviamente toda a região dos Vinhos Verdes?
Sim, no que diz respeito à promoção e naquilo em que os Vinhos Verdes se articulam com o turismo, nomeadamente no caso do enoturismo, nós somos e fazemos esse suporte numa relação de proximidade, desde logo com a Comissão dos Vinhos Verdes, mas também agora numa outra frente que iniciamos mais recentemente com os nossos colegas da região da Galiza, através de uma candidatura que temos em conjunto, onde nos propomos a promover também internacionalmente, nomeadamente o enoturismo dos dois lados da fronteira, debaixo de um chapéu da Euroregião.
Pois, isso é importante realmente e cada vez mais nós temos que estar próximos dos nossos vizinhos. Em termos de sustentabilidade, uma das coisas que estamos a falar aqui, como é que a sustentabilidade pode influenciar a evolução do enoturismo na região dos Vinhos Verdes?
Ela influencia na região dos Vinhos Verdes e influencia em toda a região de turismo. Nós estamos a fazer um trabalho grande, resistindo aqui a qualquer tentação de greenwashing, numa altura onde a sustentabilidade apresenta-se quase como um cartão de visita, quase obrigatório para se apresentar, mas onde nem sempre se preparou o destino, ou as empresas, ou as instituições, onde não se prepararam de fato e estão mais preocupadas em apresentar a certificação do que fazer o trabalho de fundo. O trabalho mais fácil era fazer o que se faz por aí, por esse mundo afora, que é quase a aquisição de selos de certificação. Eu acho que aí o perigo é grande, porque quem conhece a fundo o marketing também dos destinos, e não se diferencia aqui do marketing em geral, o pior que pode haver é uma falsa promessa, portanto prometer-nos algo, neste caso aos turistas, que são os nossos clientes, e depois aquilo que é prometido não corresponder à realidade. E por isso estamos a fazer um trabalho mais longo e esse trabalho é um trabalho que está a ser feito no âmbito da região, de primeiro lugar, chamar todos os nossos parceiros a participarem no movimento que se chama I Mean Sustainability e a ideia é um compromisso onde querem trabalhar para a sustentabilidade das suas operações, dos seus equipamentos, da sua atividade. Depois disso, poderem fazer parte de um trabalho de certificação, cada um per si. Depois de termos um conjunto já razoável de empresas com esta certificação, aí sim queremos candidatar a região também a um selo de sustentabilidade. Isto tudo debaixo de uma instituição que é a GSTC, Global Sustainability Tourism Que é uma instituição de grande credibilidade a nível internacional. É um caminho mais longo, vai nos fazer demorar mais tempo, mas também é um caminho mais sério e é um caminho mais seguro. No âmbito de tudo isto, enquadram-se também todos aqueles que são aderentes da Rota dos Vinhos do Enoturismo do Porto e Norte de Portugal, onde está os Vinhos Verdes. Mas posso vos dizer que antes deste trabalho que estamos a fazer com a Global Sustainable Tourism Council, organização das Nações Unidas, antes de tudo isto, nós, naquele que era o regulamento de aderentes à nossa rota, já tínhamos estas questões como critérios de admissibilidade. A questão da sustentabilidade, assim como tínhamos a questão da inclusão. Portanto, isto era condição sine qua non para os projetos poderem fazer parte ou não de uma rota, porque, na nossa opinião, são questões que hoje não faz sentido não estarem tratadas. Se não estão, obviamente que damos um tempo para que elas estejam e nas vistorias que vamos fazendo, as pessoas têm sempre a oportunidade para dizer: "Já melhorei este aspecto que estava em falta e agora sim, já tenho condições de me recandidatar a fazer parte da rota". O tema da sustentabilidade é um tema que hoje é critério de seleção, para além das razões todas pelas quais nós devemos ter o tema na primeira linha e acima de tudo, são razões de sobrevivência, são razões de humanidade, não são razões sequer econômicas. E os alarmes tocaram todos e nós já temos que ser quase, eu próprio, falo por mim, quase ser radical também na minha atividade, porque acho que já dificilmente vamos lá de outra forma. Mas para além dessas razões, se quisermos ir também por uma razão de sucesso das nossas operações, se quisermos ir também por uma razão econômica, obviamente que os novos clientes, os novos turistas, as novas gerações, não perdoam a quem não tiver esta questão devidamente tratada, que não faça parte das suas principais prioridades, que não sintam que está na linha da frente. E é isto também, neste momento, um fator de competição entre os destinos. Aqueles que estão a tratar a sustentabilidade ambiental, obviamente, mas também não esquecer aqui a sustentabilidade econômica e a sustentabilidade social. Mas estamos a falar, nomeadamente, de sustentabilidade ambiental, hoje já é fator de distinção e de competição entre destinos. E já começamos a perceber que uma geração mais jovem já tem isto nos seus critérios de escolha de um destino. Eu acho que aquilo que nos deve motivar, em primeiro lugar, é a preservação do planeta, a preservação do ambiente, a nossa preservação também, já agora enquanto espécie, a preservação também dos nossos produtos. E vocês sabem melhor do que eu o que começa a acontecer hoje à produção devido às alterações climáticas, que começam também já a afetar, inclusivamente os nossos vinhos, mas também ir ao encontro daquelas que são as expectativas daqueles a quem nós queremos deixar o planeta e que hoje já nos exigem, de facto, que façamos um trabalho melhor do que o que fizemos até aqui. Eu próprio senti que passei a ter mais cuidado, até no meu dia a dia, a partir do momento em que a nova geração dentro da minha casa já nem sequer permitia que fosse de outra maneira. E hoje ainda há algum conflito entre essa geração e aqueles mais velhos do que nós, porque ainda estão menos habituados a isso, mas os mais jovens não perdoam e são muito ativos nessa educação também ambiental. Portanto, eu acho que o caminho está a ser feito. Portugal está a fazer um trabalho, comparando até com outros países, nossos concorrentes, bastante interessante. Temos também responsabilidades, vivemos muito do turismo de natureza, apresentamos muito isto no nosso cartão de visita. Temos, no caso da nossa região, o único parque nacional do país, Peneda-Gerês, temos cinco parques naturais, temos uma costa atlântica fantástica, uma área muito grande de reserva de biosfera. Portanto, isto faz com que também depois nas nossas empresas, nas nossas atividades, como o caso este em que estamos aqui a falar, acompanhemos essa que é a tendência e que tem que ser mesmo a tendência. Acho que não há outra forma de falar, não há volta a dar. Nós todos temos que ter grande consciência de que para bem do futuro da nossa atividade, é assim que tem que ser feito.
Luís Pedro, que tipo de ações é que a TPNP, aqui no Porto e Norte de Portugal, apoia em prol do enoturismo de qualidade nesta região dos Vinhos Verdes?
Muito bem. Nós, desde logo, esta criação das rotas dos vinhos foi um trabalho que não existia. Portanto, nós iniciamos mesmo no ano antes da pandemia, esta aventura que foi de criar uma única rota alicerçada nestas quatro que existem e que ela pudesse ter escala para ser vendida. Porque quando estamos a falar naqueles que são os nossos mercados, eles são mercados tão grandes e vêm de tanta distância, nomeadamente aqueles que são os nossos mercados estratégicos, como o brasileiro, o americano, o canadiano, agora viramos também para a Ásia, que nós precisamos de apresentar escala. Portanto, nós temos que apresentar, de facto, produtos que sejam transversais ao território e que tenham escala. E nesse sentido, era preciso organizar. Posso vos dizer que não foi fácil, porque nós somos conhecidos no Norte por tudo, mas também pelo facto, às vezes, de olharmos muito para as capelinhas e não foi fácil, mas conseguimos concretizar. Hoje temos um regulamento que foi assinado por todos, que é do acordo de todos, temos uma imagem que é de todos, temos uma certificação que é de todos. O que é que falta agora fazer? Agora o que falta é dar promoção internacional a estas rotas. Houve aqui um atraso significativo da entrada em vigor de alguns fundos europeus que nos iriam permitir este trabalho, mas felizmente, num trabalho agora muito articulado com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte, a quem eu tenho aqui publicamente, quer ao professor António Cunha, quer ao doutor Júlio Pereira ou agora ao doutor Jorge Sobrado, que acompanha mais estes temas do turismo, quero aqui publicamente agradecer o trabalho que estamos a fazer e agora sim, que estamos a iniciar a execução destas verbas, dar este salto que faltava fazer, que é promoção internacional deste produto. De qualquer forma, nós já o vamos fazendo, porque sempre que nós, na nossa promoção externa, e são muitos road shows, são muitas feiras, muitas participações internacionais, a questão do enoturismo é sempre um cartão de visita que nós levamos para ajudar a cativar o trade internacional para vir. Mas para ser muito concreto, para responder muito concretamente, sem rodeios, à sua pergunta, o que temos que fazer? Promoção. A estruturação está feita. Temos agora que chamar, obviamente, mais aderentes, mas chamá-los na lógica daqueles que são os critérios, daquele que é o regulamento desta rota, onde está a tal sustentabilidade, onde está a questão do turismo acessível. Chamar mais, depois promover mais e temos a encontrar verbas para isso. E depois, este salto também que estamos agora a querer dar com a região da Galiza, apoiados pela CCDR do nosso lado, apoiados pela Junta da Galiza do lado galego, e que é uma novidade, que é dois territórios de países diferentes poderem se apresentar unidos. E aqui, de fato, os Vinhos Verdes vão ter um peso muito importante, porque nós estamos a alicerçarmos muito naquilo que são os Alvarinhos dos dois lados da fronteira, por exemplo. Isto é uma novidade a nível nacional e até acho que a nível da União Europeia, que é dois territórios de países diferentes passarem a ter ações de internacionalização e de promoção juntos. Eu acho que este caminho poderá vir a dar bons frutos.
Isso é uma coisa que já se falava há uns anos e que realmente agora eu tenho seguido isso. Acho que faz todo sentido. E aliás, há diretivas da União Europeia nesse sentido.
Isto já não é uma manifestação apenas de interesse, isto já foi público, foi assinado em Vigo 1 de agosto, mais concretamente. Foi assinado na presença do presidente da CCDR, na presença dos membros do governo da Junta da Galiza. Temos aqui dois anos para executar, houve um financiamento para isto. Isto que eu estou a dizer já não são sonhos, são coisas a serem concretizadas. Nós agora, neste âmbito, temos um conjunto de ações para pôr em prática, desde logo estas que lhe falei, da promoção internacional, mas também da realização de um conjunto de press trips que apanhe também os dois lados do território, Minho, nomeadamente, e Galiza. Temos também, por obrigação, a organização de um congresso internacional que possa também trazer este tema para a linha da frente e depois um outro, que poderá ser muito interessante também para todos aqueles que nos ouvem, nomeadamente pessoas que façam parte deste setor e relacionados aqui com os Vinhos Verdes, que são ações de capacitação para ajudar também à promoção e à internacionalização.
Finalmente, vou lhe fazer uma última questão, que é esta: em termos ainda de enoturismo, quais os desafios do enoturismo na região dos Vinhos Verdes que poderão eventualmente ser apoiados pela TPNP nos próximos anos?
Os desafios. O nosso desafio principal, e é um desafio que é transversal, quer seja aos Vinhos Verdes, quer seja a outros operadores que estão aí no subdestino Minho, o nosso desafio é um desafio comum, que é, em primeiro lugar, crescer em valor, ou seja, nós não estarmos aqui a lutar necessariamente por mais turistas, mas lutarmos por melhores turistas. Isto é um trabalho que obriga a um compromisso entre as duas partes, que é, se do nosso lado, nós temos como missão atrair estes turistas e tentar trazer turistas cada vez de maior capacidade para crescer em termos económicos aqui, depois na região, com maior poder de compra, que nos custa caro, porque são mercados de longa distância, ou seja, fazer promoção em Espanha custa X, fazer promoção nos Estados Unidos custa Y. Mas se nós estamos com esta missão de trazer estes mercados, porque sabemos que são mercados de alto rendimento, depois também é verdade que eles ao chegar, têm que ter uma oferta que corresponda àquilo que nós prometemos. Ou seja, eles ao chegarem têm que ser bem recebidos, têm que ter qualidade de serviço. São mercados que deixam mais? É verdade, mas também são mercados que são mais exigentes. Isso já não nos compete tanto a nós, compete mais a quem os recebe. Tem a garantia de estar a receber turistas com maior poder de compra, mas também tem a obrigação de estar a oferecer o melhor serviço. Com isso, crescemos em valor, aumentamos a notoriedade da marca, ajudamos na diversificação de mercados para não estar presos apenas a um ou dois mercados, nomeadamente para não estarmos apenas presos a mercados europeus. E desafio também a que trabalhem na digitalização da operação turística. Junto da ATP podem também encontrar ajuda para essa digitalização. Hoje a Agência de Promoção Externa do Porto e Norte tem um marketplace que nos ajuda também a vender de forma digital a nossa operação. Hoje quem não está no digital também começa a não estar, porque a jornada do turista ou deste cliente, como dizem no marketing, a customer journey, é praticamente toda feita no digital, à exceção da experiência, graças a Deus, felizmente. Mas a verdade é que desde a pesquisa até quase à compra também já pode ser feita de forma digital. A região do Porto e Norte é a única região de turismo que tem um marketplace, portanto, não é desculpa para ninguém. Se por acaso não tem, porque é uma pequena ou média empresa, pode junto de nós passar a ter lá a sua oferta. Se não tem site, nós também resolvemos a questão e temos um leque de propostas de pequenos sites que podem ser acoplados ao nosso para que estejam presentes também na web. Resolvemos aqui também uma outra questão, além do crescimento de valor, que é a sazonalidade. Nós não queremos turistas apenas no verão, nós queremos turistas 365 dias do ano. E quero deixar esta nota, nomeadamente porque sei que estou a falar essencialmente para uma região dos Vinhos Verdes que anda entre o Minho e entre o Douro Verde. Nós queremos turismo em todo o território. Portanto, eu acho que nós já provámos muitas vezes que não estamos aqui para puxar apenas por uma cidade ou pelas portas de entrada da região. Nós estamos aqui para puxar por todo um território que vai de Trás-os-Montes ao Douro, ao Minho, ao Porto, com uma vantagem, porque felizmente sabemos e porque conhecemos que nós temos muito para mostrar. E o que temos de mostrar permite-nos fidelizar clientes e permite que aqueles que aqui venham recomendem.
Muito bem. O nosso episódio chega assim ao fim, mas tenho a certeza de que os nossos ouvintes ficaram mais esclarecidos e interessados por visitar a região dos Vinhos Verdes. Caro ouvinte, quanto a si, até ao próximo episódio da Rota dos Saberes e Sabores.