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A Rota dos Vinhos Verdes concentra um conjunto de caminhos que nos levam a descobrir o melhor dos produtores de Vinhos Verdes e onde somos recebidos por quem sabe contar o cotidiano do terroir. Lá vamos conhecer a produção de vinho, degustar referências mais antigas ou mais recentes do portfólio de cada um e ainda comprar vinhos ou produtos relacionados que mantêm a autenticidade e identidade local. Para nos falar sobre isto mesmo, tenho comigo Dora Simões, presidente da direção da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes. Olá, Dora, bem-vinda. Qual é a importância da Rota dos Vinhos Verdes quando se fala cada vez mais em enoturismo?

Olá, muito bom dia. Em primeiro lugar, José Silva, muito obrigada por este convite. A Rota, em primeiro lugar, congrega uma série de produtores da região dos Vinhos Verdes, mas tem uma posição muito importante naquilo que é a amostra dos produtos que são produzidos na região, mas também da diversificação do negócio e de dar a conhecer aquilo que é feito dentro da região e o forte pendor da região dos Vinhos Verdes no vinho. É uma região do Minho que é muito centrada naquilo que é a gastronomia, as visitas, toda a visita à volta da gastronomia e dos vinhos. E, portanto, esta organização de produtores, que ao fim ao cabo é a Rota dos Vinhos Verdes, ajuda um pouco a gerir um grupo de uma forma consistente, podendo assim maximizar o trabalho de cada um. As rotas vivem imenso do trabalho coletivo. Individualmente, um produtor não tem tanto a ganhar com uma visita à sua unidade, especificamente, mas toda a interação entre todos os produtores e a sua congregação de esforços é que tornam uma região verdadeiramente uma região de enoturismo. E a Rota, mais do que um nome, ninguém espera que os turistas andem em rota, a seguir uma linha, mas é, ao fim ao cabo, esta congregação de produtores que trabalham no mesmo sentido, no sentido de mostrar a região de uma forma mais interessante e mais diversificada a quem nos visita.

Quem nos visita, quem visita a região dos Vinhos Verdes, tem também na Rota, aliás, a Rota está muito bem sinalizada, um apoio, ou seja, mesmo que um turista, português ou estrangeiro, venha para os Vinhos Verdes sem organização, tem acesso através das informações que a Rota disponibiliza.

Sim, de facto, a Rota, para além de ter uma existência individual, ela também é parte de uma rota maior. Nós trabalhamos em colaboração com o Turismo Porto e Norte de Portugal, e a Rota, digamos assim, em maior dimensão, agrega também mais três rotas aqui na zona Norte: Douro, Trás-os-Montes e Tavira-Varosa. E portanto, temos toda esta zona Norte integrada e para além da própria comunicação que a Comissão dos Vinhos Verdes faz da Rota, no que diz respeito às redes sociais, à divulgação de produtores individualmente nas suas redes, atividades que vai fazendo ao longo do ano, vamos comunicando através do website, das redes sociais, da nossa newsletter e até mesmo em artigos que vamos coordenando internacionalmente e no mercado nacional com vários meios de comunicação, entre eles o vosso também, vamos dando a conhecer. Mas, de facto, necessitamos que também ela seja divulgada pelo próprio turismo, que tem ações independentes e conhece bem este meio do turismo. Nós somos conhecedores daquilo que é o vinho, digamos assim, a vinha e o vinho, mas o Turismo Porto e Norte é realmente o organismo que sabe e que trabalha consistentemente nessa área de turismo. Portanto, estes dois saberes em conjunto e a promoção conjunta ajuda-nos imenso a divulgar melhor as atividades que fazemos.

E por isso também a Rota tenderá, obviamente, a aumentar o número de participantes. A Comissão dos Vinhos Verdes organiza imensas ações, incluindo no estrangeiro, em feiras de vinhos nacionais e internacionais. A Rota dos Vinhos Verdes está integrada em todas as ações de promoção ou obedece a um calendário estratégico e específico?

Sim, nós no início do ano fazemos um planeamento de atividades de visitas, tanto mais de pessoas ou entidades que vão divulgar, e temos toda uma lista de atividades que planeamos no início do ano para ajudar a promover e a dar a conhecer as unidades de enoturismo da região dos nossos 37 participantes.

Muito bem. Que ações é que a CVR tem feito ou vai fazer para divulgar a Rota dos Vinhos Verdes e o enoturismo associado? É muito importante isto, que eu acho que é importante, dizer que o enoturismo está associado à Rota dos Vinhos Verdes, aliás, agora já disse isso, mas que ações é que estarão previstas?

Temos sempre, todos os anos, isto é uma continuidade. Temos sempre publicidade, como tinha referido, nas redes sociais e tudo online. Participamos também em algumas feiras dedicadas especificamente ao enoturismo ou ao turismo, umas através do Turismo Porto e Norte, outras nossas, quer dizer, com entidades que movem feiras nacionais ou internacionais, a Wine Travel Week é uma delas, que acontecerá no início do ano que vem. Temos também outra que decorre em Valeado Li, que é a FINE. Portanto, vamos ter presença em algumas feiras E depois temos também todo um programa de divulgação que é feito de visitas de influencers, de jornalistas, que levam à divulgação da rota. Todos os anos fazemos o Dia das Portas Abertas, que é uma atividade de promoção interessante que tem mais impacto nos mídia, e fazemos uma outra atividade que é um sucesso enorme, que é o Ciclo de Cinema na Vinha. Está também incluída neste Ciclo de Cinema da Vinha a Casa do Vinho Verde, aqui no Porto, na Rua da Restauração, sempre com casa cheia, nos quais temos um ciclo sobre a unidade a um tema. Estamos a preparar o tema do ano que vem, ainda é surpresa, e então são apresentados na vinha filmes pelos produtores, onde se pode também ao longo do filme provar vinhos. Isso acontece tanto em produtores que aderem a esta atividade, como também na Casa do Vinho Verde. Foi este ano, às quartas e quintas-feiras à noite, apresentamos filmes dessa série que foi elaborada pelos nossos curadores do cinema, na Vinha.

Muito bem. E há também uma coisa importante, que acabou faz uns dias, e que eu tenho o privilégio de ser júri, que é o The Best of Wine Tourism. E posso lhe dizer uma coisa, este ano concorreram mais do dobro dos concorrentes do ano passado, quer no Douro, quer nos Vinhos Verdes.

É verdade. O The Best of Wine Tourism é um concurso fabuloso, que dá uma projeção enorme às unidades de enoturismo, aos produtores que têm enoturismo. Penso que este ano se acertou bem a forma de divulgação e de forma a motivar os produtores para participarem nesse concurso. E também nas atividades do Wine Tourism, do qual o Porto faz parte e, por isso, também os Vinhos Verdes fazem parte, o Douro e o Porto fazem parte. E o que nós queremos é que cada vez mais produtores que estão na região participem, para terem a oportunidade não só de poder ganhar um prêmio, mas também de ficar a conhecer melhor quais são os standards internacionais e adquirirem ainda mais conhecimento, diria eu, sobre aquilo que é esperado pelos visitantes. Portanto, todo este networking que é promovido por toda a interação a que o concurso leva, é importante porque são sempre formas de conhecer aquilo que é o mercado que estamos a servir. Portanto, é uma excelente iniciativa e ficamos todos muito satisfeitos com a participação deste ano dos Vinhos Verdes e da participação geral no concurso.

Posso lhe dizer que foi muito interessante, muito apelativo. A região dos Vinhos Verdes tem produtores de várias dimensões, como todos sabemos, desde os de grande produção até pequenas unidades que produzem poucos milhares de garrafas de vinho, mais destinados a nichos do mercado específicos. Mas em ambas as dimensões há projetos de enoturismo com bastante qualidade. Qual a importância desta diversidade para a Rota dos Vinhos Verdes?

Penso que tal como os negócios não são todos iguais, também os turistas são diferentes e procuram tipos de produtores diferentes. Ainda no outro dia estava a falar com um pequeníssimo produtor biodinâmico que temos aqui na região, pequeníssimo, e que dentro das possibilidades dele, porque recebe os turistas enquanto está a trabalhar, portanto, a porta está sempre aberta porque lá está a trabalhar, ele e os poucos membros da família dele. É um tipo de turismo muito personalizado, muito alavancado naquilo que é a atividade da pessoa, quase one-man-show, que gere o negócio. E há, de facto, pessoas que preferem este tipo de visitas, mais individualizada. Há outras que preferem ter um conhecimento mais alargado daquilo que é o processo produtivo nas suas várias fases. Outras que entendem que gostariam de conhecer marcas que também possam comprar nos mercados ou nos países onde vivem. A diversidade no turismo é absolutamente necessária para que não se crie uma rotina, mas também para que as pessoas fiquem mais tempo, porque como todos nós, a pessoa que gosta de visitar uma empresa de maior dimensão, também gostará de visitar outra mais pequena. Depende do produto, depende do interesse que ele pode suscitar. Portanto, esta diversidade é importantíssima, não só nos portfólios de vinho dos produtores, mas também na apresentação dos seus próprios negócios. E é das áreas que é absolutamente importante, é da maior importância, que os produtores identifiquem aspectos únicos nos seus enoturismos, naquilo que têm a apresentar, seja no processo produtivo, seja em questões da vinha, da condução da vinha, até de highlights culturais ou gastronômicos, enfim, o que possa existir nas redondezas do sítio onde têm instaladas as suas vinhas e as suas adegas, para que possam diferenciar-se dos outros, porque há sempre aspectos que podem interessar, de sobremaneira, a quem visita a região. E de os comunicar também. Não é só ter, é de os comunicar naquilo que são os sites ou as redes sociais das empresas.

A Dora já abordou este assunto que lhe vou falar, mas de qualquer maneira é importante que os nossos ouvintes possam ouvir mais em pormenor que tipo de comunicação que a CVR faz da Rota dos Vinhos Verdes e que canais são mais utilizados.

Nós fazemos sempre alguma publicidade offline, mas temos vindo a especializar-nos com a maior parte de todos aqueles que querem comunicar os seus negócios e o setor no online, pela possibilidade que nos dá de segmentar públicos, de agir com rapidez em algumas ações que estamos a fazer e de conseguir medir um pouco melhor as atividades que fazemos. Portanto, a comunicação está focada, em grande medida, no online, nas redes sociais da Comissão do Turismo Porto e Norte, que também faz uma extensão dessa comunicação E temos também um programa de alguns outdoors em zonas estratégicas. E esperamos que a melhor parte das pessoas, pelo menos no mercado nacional, esteja também a ouvir podcasts como este, que nos ajudam imenso a divulgar o negócio do enoturismo da região.

Muito bem. Finalmente, não querendo ser redundante, o que se pode fazer ainda mais em prol da divulgação da Rota dos Vinhos Verdes? E já agora, perguntava-lhe, Dora, há novidades programadas que possa partilhar conosco?

Eu acho que nós podemos sempre fazer mais e podemos sempre fazer melhor. Estamos agora a trabalhar na renovação do nosso website, que esperamos que esteja bem coordenado com todas as outras áreas de marketing digital que estamos a desenvolver também. O ano de 2025 eu penso que haverá alguma renovação também da nossa comunicação, vai ter uma importância grande. Vamos continuar a investir este ano, apesar das dificuldades no mundo do vinho. Entendemos que a promoção genérica continua a ser muito importante e é uma alavanca importante para os agentes económicos, através da presença em feiras também. E prevemos lançar no próximo ano, em conjunto com o Turismo do Porto e Norte e outras entidades também, três roteiros que pensamos ser de grande interesse das vinhas históricas da região dos Vinhos Verdes. Outra também ligando os Vinhos Verdes e percursos dos Vinhos Verdes à gastronomia e vinhos da rota aos Caminhos de Santiago, que estão em franca expansão e são um turismo de natureza e pessoal, já mais longe para muitos do aspecto religioso, mas também de encontro consigo próprio e de usufruir da natureza. E também um roteiro das ecopistas nas vinhas dos Vinhos Verdes, uma vez que a EVAR, que é a nossa estação vitivinícola que faz investigação e desenvolvimento e experimentação prática na viticultura, que é em Arco de Valdevez, está agora a ser instalada uma ecopista lá. Isso também eleva o nosso entusiasmo naquilo que é a utilização de ecopistas e da ligação aos vinhos. Vamos também desenvolver um roteiro específico em zonas onde há ecopistas para que lá também se possa promover o conhecimento sobre as vinhas e sobre os Vinhos Verdes.

Muito bem. E assim chegamos ao fim desta série de podcasts da Rota dos Saberes e Sabores, com o apoio da região dos Vinhos Verdes. Agradeço à Dora Simões por ter aceitado estar conosco. E quanto a si, caro ouvinte, renovamos o convite para visitar e conhecer esta bela região que tem tanto para descobrir. Por aqui, vamos continuar atentos e a partilhar consigo todas as novidades. E continuaremos, certamente, a fazer excelentes passeios pela Rota dos Vinhos Verdes.