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Sem falta, na Rádio Observador, vamos analisar o trabalho da equipa de arbitragem que esteve à frente do encontro entre Benfica e Vizela. O Benfica venceu por 2 x 1, com um gol de pênalti no último minuto. Já vamos analisar esse lance, é o último deste encontro. Pedro Henriques, boa noite. Vamos olhar para o trabalho de Fábio Veríssimo. Teve muito trabalho neste encontro. O jogo acabou por se complicar. Vamos analisar lance a lance. Começamos pela primeira parte. Minuto seis, discute-se pênalti do Wilson.
Não há motivo para apontar para pênalti. João Mário remata, o Wilson tem o braço completamente dobrado e encostado ao corpo e de frente e, portanto, leva com a bola no cotovelo. Mas se a bola não batesse no cotovelo, bateria no corpo. Não há qualquer volumetria, não há o movimento de liberdade fora do plano do corpo para que o cotovelo interceptasse a bola e, portanto, lance legal, sem motivo para apontar pênalti.
Seguimos para o minuto 26. Cartão amarelo, o primeiro do jogo para Gusso.
Sim, é uma entrada fora de tempo, chamada negligente, bastante dura, não tem em conta o perigo, as consequências do seu ato para com o Enzo e, portanto, cartão amarelo bem mostrado.
Ao minuto 42, ainda na primeira parte, cartão amarelo para Otamendi.
Sim, é um cartão amarelo, no meu ponto de vista, mal mostrado. Há realmente um contacto junto à linha lateral com o Tomás Silva. Há um ligeiro toque a nível do pé, é sobretudo choque de corpo e, portanto, é um lance que apenas na imprudência, imprudência significa nas leis que não tem em conta nem atenção, nem concentração para com o adversário, em que não há cartão amarelo e, portanto, este cartão amarelo não entrou na negligência. Para mim, mal mostrado este cartão amarelo.
Ao minuto 46, há um cartão amarelo, mais um, para Tomás Silva.
Este é claro, agarra o João Mário, puxa, corta uma saída em contra-ataque, a chamada falta tática, cartão amarelo bem mostrado.
Vamos então para a segunda parte. Cartão amarelo para Enzo. O que dizer?
Sim, aqui é aquela questão que eu nunca consigo. O Enzo discutia se era pontapé de canto. Cria que pontapé de canto, o árbitro pontapé de baliza. Houve protestos. As imagens não estavam focadas nos movimentos dos protestos, estavam em repetições. Vou sempre aceitar como boa, mas por aquilo que vi, pareceu-me que podia ter feito uma gestão diferente. De qualquer maneira, nunca digo que é mau um cartão amarelo mostrado por protestos, porque o árbitro que está lá dentro é que vê, que sente, e nós, muitas vezes, com as imagens televisivas, não temos acesso a tudo e, portanto, dou sempre como boas essas decisões.
Então, ao minuto 59, o Benfica pede pênalti sobre Rafa. O que dizer deste lance?
Sim, para mim, sem pênalti. É um lance com o Evanildo Fernandes. Ele tem a posição ganha. Realmente estica o braço e há um contacto do braço ao nível do peito. Para mim, não tem a tal intensidade suficiente para, por exemplo, impedir que o Rafa pudesse chegar à posse de bola. Há contacto, sim, não há o tal impedimento, não há intensidade nesta colocação de braço, que é fruto da ação e do movimento que o Evanildo fez e, portanto, para mim, legal, sem motivo para apontar pênalti.
E o jogo segue depois sem grandes casos até ao minuto 80, já com o jogo empatado, um igual. Aqui começam a surgir vários lances. Vamos a eles. Ao minuto 82, um cartão amarelo para João Mário, por protestos, não é?
Sim, o João Mário protesta uma falta cometida sobre o Rafa, que o árbitro não assinalou. Uma vez mais, não posso intervir na perspectiva de dizer que o cartão amarelo é bem ou mal mostrado. Aceitarei sempre como boa, porque foi protesto. Uma vez mais, penso que poderia ter feito, percebendo o calor do jogo e percebendo que realmente havia ali muitos nervos, acho eu que até ser proativo na perspectiva de evitar que ele próprio protestasse, dizendo coisas básicas, como: "Para mim, não é falta, não vi da maneira como tu viste", qualquer coisa assim, do gênero, acalmando um pouco o jogador. De qualquer maneira, tenho que aceitar sempre como boa o cartão amarelo, mas parece-me que era mais um que podia ter sido gerido de outra maneira.
Minuto 84, mais um amarelo, nesta altura para Fredrik Aursnes.
Sim, aqui o cartão amarelo é bem mostrado. É um lance em que ele, fora de tempo e com as mãos, coloca o braço e a mão à cara do seu adversário, o 24, do Kiki, portanto, sem qualquer intenção de chegar à bola. É um comportamento incorreto, antidesportivo, cartão amarelo bem mostrado.
Aos 85, outro cartão, desta altura, para a equipa do Vizela, para Mendes.
Sim, Alex Mendes. Exatamente. O Alex Mendes faz falta, leva cartão amarelo, porque corta uma saída em contra-ataque, é a chamada falta tática sobre o Rafa, quando ele já ia passar o meio-campo. E esta também clarinha, cartão amarelo bem mostrado.
Aos 88, um cartão amarelo para Gonçalo Ramos.
Sim, mal mostrado. É um choque com o jogador adversário, do Vizela, em que ambos vão a deslizar no solo e ambos até vão com as pernas inclinadas e ambos acabam por tocar com o pé um no outro ao nível dos joelhos e das coxas. Portanto, não há ali aquela situação de uma entrada em tackle deslizante sobre o adversário ou que leva os pitões mais à frente, um em relação ao outro. E por isso, para mim, e este lance para este torneo é assim importante, cartão amarelo mal mostrado.
Vamos então aos dois lances capitais. Aos 91 minutos, Gonçalo Ramos cai na área do Vizela, recebe o segundo cartão amarelo. A equipa do Benfica pedia pênalti. Gonçalo Ramos acaba por receber o segundo cartão amarelo por simulação. O que dizer deste lance, Pedro?
Duas certezas e uma não tão certa, mas da qual dou a opinião, porque eu não gosto de dizer "nem". A certeza é que, efetivamente, há contacto por parte do jogador do Anderson no Gonçalo Ramos. E por isso, ao haver esse contacto, para mim, não é motivo para simulação. E, portanto, a simulação e o segundo cartão amarelo, que é a segunda certeza que eu tenho, acaba por ser incorreto, ainda por cima vindo a tal situação de que o primeiro também já tinha existido de forma incorreta. Quanto ao pontapé de pênalti Eu vou dar e dei na altura como pontapé de penalty, não sendo pontapé de penalty, mais concretamente. Até porque o futebol espera que os pontapés de penalty sejam de forma clara e evidente. O que acontece é que o Andersen está de frente e tenta jogar a bola e cai de costas e para trás. E é isso que depois promove o contacto do Gonçalo Ramos. Não é inocente a queda e o jogador, muito provavelmente, ao cair, sabe que está ali um adversário e portanto, de alguma maneira, tenta promover esse contacto, é verdade. O Gonçalo Ramos ao perceber que vai tentar passar por sobre o adversário, também não é completamente inocente na maneira como acaba por tropeçar, também é verdade. Eu acho é que o futebol não espera um pontapé de penalty numa situação deste género, onde efetivamente há uma queda que nem sequer é uma projeção de frente, nem sequer é uma perna que é esticada, é uma queda e de costas, e por isso eu aceito claramente, e quando digo aceito, não gosto de dizer "eu aceito". Aceito como boa decisão, porque se fosse uma decisão contrária, eu diria que não aceitava. Não é eu aceitar, dizer que tanto faz ser ou não ser, nada disso. Eu aceito como boa decisão o não ser penalty, sobretudo depois de ver as imagens, porque não tenho a tal evidência de que realmente esta queda faça e leve à tropição do jogador Gonçalo Ramos, que também tira partido disso. Agora, tirar partido não significa simulação. E por isso, termino com isto: não é motivo para segundo cartão amarelo, até porque há exatamente o contacto. Não sendo claro e óbvio, também não parece que tenha motivo para pontapé de penalty e por isso eu considero uma meia boa decisão. Isto é, a boa decisão é não ser penalty, a má decisão é a expulsão, que ainda por cima com o primeiro amarelo mal mostrado, foi errado para mim nesse sentido.
Vamos então ao lance capital. No último minuto do tempo de desconto, foram dados oito minutos de tempo de desconto, aos 98, há um lance na área do Vizela que leva a penalty para o Benfica. Pedro, vamos explicar este lance e o veredicto sobre esta decisão.
Eu vou começar pelo veredicto, que é assim que eu gosto. Para mim, motivo para pontapé de penalty. O Diego Rosa, quando o Rafa remata, faz de forma clara e evidente uma rotação sobre ele próprio. E os jogadores fazem isso para ganhar volumetria e de alguma maneira, com o corpo, de preferência, tentar interceptar a bola. Chama-se a isto o "make the body bigger", tornar o corpo maior para de alguma maneira conseguir interceptar a bola. Só quando o fazem e de alguma maneira tiram os braços para fora do plano do corpo, mesmo que até às vezes estejam próximos do corpo, correm o sério risco de ao ganharem essa volumetria, de realmente a bola acabar mesmo por tocar no braço. E há aqui um gesto que é todo ele deliberado de rotação, mesmo apresentando as costas, para que o braço, de alguma maneira, possa também fazer parte da extensão do corpo para interceptar a bola. A bola vai às costas e há contacto ao cotovelo. Mesmo esta questão do ressalto, que muitas vezes serve de atenuante para não ser pontapé de penalty, a bola ressaltar de uma parte do corpo, é atenuante quando a bola realmente ressalta da parte do corpo e vai a um braço que esteja em posição normal, posição natural e que não tenha feito qualquer movimento. E a questão é que, e isto é que é importante, quando a bola sai dos pés, o jogador está de frente, dos pés do Rafa, e ele faz um movimento de rotação, fazendo com que o braço, neste caso direito, embora depois a bola tenha batido no cotovelo, vá aparecer na linha de trajetória da bola. Não é uma bola que é rematada de frente, por exemplo, que bate na perna e que ressalta para o braço quando o jogador já lá estava. Não, ele fez todo o movimento de rotação e entre o momento que a bola partiu e que chega ao contacto, já tem o cotovelo fora do plano do corpo e coloca-se de jeito neste ato que é deliberado para interceptar a bola. A bola realmente vai às costas numa primeira instância, e quando digo costas, isto é em milésimos de segundo, costas e cotovelo. E é por isso, por causa desta volumetria, deste braço fora do plano do corpo e do movimento que ele faz, deliberado para fazer exatamente essa rotação, apresentar as costas, mas depois tornar o corpo maior, o chamado "make body bigger", é por isso que eu considero que é motivo para pontapé de penalty e, para mim, boa decisão e pelos vistos para o VAR também.
Portanto, boa decisão esse penalty que acabou por dar o gol ao Benfica no último segundo. João Mário fez o gol, o Benfica venceu por 2-1. Pedro, um jogo complicado. Vamos à nota para Fábio Veríssimo neste encontro.
Eu vou dar nota cinco, por uma razão muito simples. Partindo deste pressuposto meu, que considero que é bom o lance mais importante e capital do jogo, que é no fundo o penalty, que muda, neste caso, a diferença entre um empate e uma vitória, ou um empate e uma derrota, visto, neste caso, pelo ponto de vista de quem perde, obviamente que tinha que valorizar este lance tão capital e importante. Agora, a arbitragem não foi globalmente positiva. Há erros, no meu ponto de vista, da gestão disciplinar, como foi o caso do Gonçalo Ramos, e até mesmo, se quiséssemos estender à questão da gestão do próprio João Mário, que acaba depois por ver um segundo cartão amarelo por ter tirado a camisola. Faltava dizer isto, ao executar o pontapé de penalty, tira a camisola e é de lei e vê o segundo cartão amarelo. Se calhar, até a própria gestão do jogo em relação ao primeiro cartão amarelo podia ter sido boa ou melhor. É um árbitro que tem dificuldade em relacionar-se com o jogo e com os jogadores. E isso nota-se claramente. E quando as coisas complicam, ele tem sempre grande dificuldade. Mesmo que as pessoas agora se possam dividir entre ser penalty do Gonçalo Ramos ou não ser, ou neste caso do último, do Diego Rosa, o fato é que o árbitro acaba sempre, normalmente, por complicar um bocadinho toda a relação com o jogo e com os jogadores e na maneira como faz leitura do jogo. E por isso, de qualquer maneira, eu tenho que valorizar este último lance, que para mim é o capital do jogo e que eu considero como sendo bom. Por isso, dou esta nota cinco.
Muito bem, está feita a análise ao trabalho da equipa de arbitragem, liderada por Fábio Veríssimo, no encontro entre Benfica e Vizela, um jogo marcado também pela equipa de arbitragem. O Benfica venceu com um penalty no último minuto. Termina aqui este "Sem Falta", com a análise do Pedro Henriques.