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Apito de saída para mais um Sem Falta. Jornada 28, frente a frente tivemos Chaves e Benfica, com vitória flaviense por 1 a 0, numa equipa de arbitragem que contou com o árbitro João Pinheiro. Para nos auxiliar também na análise desta partida, temos o áudioárbitro da Rádio Observador, o Pedro Henriques. Pedro, bem-vindo.
Boa tarde.
Ora viva. Vamos começar ao minuto 21 com o primeiro amarelo mostrado a jogadores do Chaves, a Guima, no caso. Aqui a primeira decisão foi correta, Pedro?
Sim, foi uma falta do Guima sobre o Neres. Cortou uma saída em contra-ataque e ao mesmo tempo entrou de forma muito dura, de forma negligente, utilizando o seu pé esquerdo, derrubando e arrastando o pé esquerdo também de Neres. Portanto, pela negligência da falta, pelo que cortou, que foi uma saída em contra-ataque, chamada falta tática, cartão amarelo bem mostrado.
Entretanto, ao minuto 37, houve pedidos de pênalti do Chaves, um eventual pênalti de Grimaldo sobre João Correia. Havia aqui motivo ou não para esse pontapé de pênalti?
Não, sem motivo para pontapé de pênalti. Na ocasião, Grimaldo, com o pé esquerdo, toca claramente na bola, tirando a bola a João Correia. O contato depois lateral do corpo de ambos os jogadores é na disputa do lance. Mais importante é que Grimaldo tocou com o pé esquerdo na bola, não fez falta sobre João Correia, logo não houve qualquer motivo para pontapé de pênalti.
Entretanto, chegamos ao minuto 70, saltamos agora já para a segunda parte, uma primeira parte que não teve praticamente muitos casos. No minuto 70, há um amarelo a Nelson Monte, da equipe do Chaves. É um amarelo bem mostrado, Pedro?
Sim, o árbitro tinha acabado de interromper o jogo para marcar uma falta a favor do Benfica e o Nelson Monte, mesmo com o jogo interrompido, acabou por ponteapear a bola e o árbitro entendeu que este comportamento incorreto de ponteapear a bola depois de ele ter interrompido, era passível de cartão amarelo. Ainda por cima, teve mais aparato o lance, porque o Nelson Monte ao cortar a bola, acabou por acertar no Grimaldo que já estava no chão. Portanto, digamos que reforçou este comportamento antidesportivo. Cartão amarelo bem mostrado.
Entretanto, entramos aqui nos últimos 10 minutos, numa fase de jogo mais mexida, em que o resultado ainda estava 0 a 0. Ao minuto 83, há um lance entre Steven Vitória e João Neves, com o Benfica a pedir pênalti. No entanto, nada foi assinalado. A decisão foi toda correta ou havia qualquer coisa a marcar?
Não, aqui a decisão é correta, é um lance sem pênalti. É um pontapé de canto em que o João Neves vai discutir a bola com o guarda-redes do Chaves, o Paulo Vítor, mas antes de o fazer, o Steven Vitória, o defesa, para impedir aquilo que normalmente são aqueles contactos, aquelas cargas, e para conquistar o espaço, acaba por colocar as mãos nas costas do João Neves, mas colocar as mãos não significa que o tenha empurrado, e não o empurrou. Portanto, é aquele momento em que se coloca as mãos para marcar a distância. Depois o João Neves saltou claramente à bola, não foi empurrado e por isso sem motivo para pontapé de pênalti.
Entretanto, 86 minutos, há cartão amarelo para Euler, do lado do Chaves. Decisão acertada?
Sim, é sobre Gonçalo Guedes, quando ele está a fazer uma transição e está a sair com algum perigo, portanto naquilo que seria um contra-ataque, e o objetivo do Euler, como tinha sido uma bola parada e o Chaves estava mais posicionado sobre a área do Benfica, foi para matar a jogada, para repor os jogadores do Chaves na parte de trás. Portanto, isto é a chamada falta tática, cartão amarelo bem mostrado.
Ainda para a equipe do Chaves, há novo amarelo, já ao minuto 91. Agora foi João Pedro quem viu o cartão. Aqui também tudo certo?
Sobre o Rafa Silva. É uma situação sem bola, em que ele utiliza o braço esquerdo e já sem que o Rafa tivesse a bola, acaba por puxar e derrubar o jogador do Benfica. E o árbitro, bem, para segurar o jogo neste momento, que estávamos nos ditos descontos, a reparação de tempo perdido, mostra o cartão amarelo.
Ora agora chegamos ao lance capital, até do jogo e também aqui para o nosso Sem Falta, Pedro. Minuto 93, 94, o Chaves acaba por fazer o gol que dá a vitória à equipe flaviense por Issa Hábas. Ainda assim, antes deste lance, Pedro, temos aqui uma indicação tua de que fica um pênalti por assinalar sobre Otamendi.
Sim, vamos dividir uma coisa. O gol do Chaves, ou seja, depois do árbitro ter assinalado uma falta a favor do Chaves, que é uma falta sobre o guarda-redes, e é sobre esse lance que a gente vai falar, a partir daí, todo o lance do Chaves é legal. E, portanto, o gol do Chaves não tem nenhuma irregularidade. A questão que acontece é que a falta atacante que o árbitro marcou, e que também, diga-se de passagem, no direto, ficou claro que realmente o Otamendi tinha pisado o Paulo Vítor, a questão está no momento antes, por que o Otamendi pisou o Paulo Vítor? E nessa discussão, que é um lance de uma bola carambola que fica ali caída no chão, em que Paulo Vítor, Otamendi e o defesa João Pedro estão a disputar a bola, com imagens, com televisão, e só com isso é que se consegue ver, e sobretudo com as câmaras por trás da baliza, percebe-se que o João Pedro, na ânsia de ir pescar a bola, com o Paulo Vítor já no chão a tentar agarrar a bola, acaba por acertar em cheio de pitons e de sola no tornozelo do Otamendi. É uma entrada duríssima sobre o pé do Otamendi. Ao mesmo tempo, o Paulo Vítor, com o braço direito, está a abraçar esse mesmo pé. E o Otamendi, a seguir, quer pela entrada, por aquele abraço do guarda-redes em torno do pé, acaba por se desequilibrar e é por isso que depois vai pisar o Paulo Vítor. Resumindo e concluindo, isto é um lance dificílimo para o árbitro ver e, portanto, ilibo aqui a responsabilidade do árbitro, que é muito difícil ver este lance naquela molhada. Agora, isto é um lance de televisão. E como eu costumo dizer, se eu consigo ver isto em televisão, o vídeo-árbitro também tem que conseguir, que tem muito melhores imagens, muito mais câmaras, muito mais ângulos. E por isso ficou aqui claramente, e que é um erro grave, porque é um pênalti que eventualmente poderia dar um gol ao Benfica, como logo no lance a seguir, embora o lance a seguir depois seja todo legal, dá o gol do Chave. António Nobre aqui tinha que ajudar no momento mais importante e decisivo deste jogo e que vai fazer correr muita tinta na próxima semana, por causa exatamente, acredito, do Benfica, dos jogadores do Benfica e a própria direção do Benfica. De qualquer maneira, resumindo e concluindo, fica aqui um pênalti que era o VAR que tinha que ajudar, que tinha que auxiliar. João Pedro, com o pé direito, pisa claramente o tornozelo do Otamendi. A entrada é tão dura que João Pedro, que já tinha visto o cartão amarelo no minuto 91, iria ver aqui o segundo e era também expulso. Portanto, é um erro grave. E daí que vou afetar, obviamente, aquilo que seria uma excelente nota do João Pinheiro, que tinha feito uma arbitragem exemplar até aqui, mas automaticamente, se me permites, cá passar pra nota.
Sim, claro
Nota 4. Vou dar nota negativa, porque é um erro que claramente tem influência naquilo que é o desfecho do jogo.
Ou seja, Pedro, não só falamos de um penalti que fica por assinalar a favor do Benfica e que depois resulta no gol do Chaves, como também uma expulsão.
Pois, embora aqui a expulsão teria pouca importância, embora faltassem dois ou três minutos para jogar. Mas é, sobretudo, o penalti que é mais relevante e importante. E depois, logo por azar e a lei de Murphy, nestas coisas, como eu costumo dizer, é tramada, é que logo, ainda por cima, dá-se o lance, que depois é todo legal e que dá o gol, naturalmente, do Chaves. Portanto, juntando as duas coisas, ainda torna isto mais complicado. É o que é. Estamos aqui para fazer esta análise.
Claro. Nota 4 para João Pinheiro, ainda que aqui muito influenciado pela negativa do trabalho de António Nobre, o vídeo-árbitro deste jogo.
Exatamente. Aqui, vamos dizer que a nota 4 é para a equipa de arbitragem, onde incluo também o vídeo-árbitro, que o vídeo-árbitro tinha dado aqui uma ajuda preciosa. Estou convicto que se o João Pinheiro fosse chamado para ir ao televisor, não teria dúvidas e teria salvo aquilo que foi a arbitragem e o próprio jogo. Assim, temos aqui um lance e um dos casos, porventura, mais polêmicos da época, dado o contexto, dado o momento em que estamos do campeonato, obviamente.
Ora bem, aqui o "Sem Falta" também serve para isso. Um lance polêmico, que pode marcar também o Campeonato Português analisado aqui pelo nosso áudio-árbitro, o Pedro Henriques. Pedro, obrigado uma vez mais e até breve.
Até já. Obrigado.
Até já.