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Está no ar mais um Sem Falta, da Rádio Observador. Análise do nosso áudio-árbitro Pedro Henriques aos lances do jogo entre Omonia e Benfica. Vitória encarnada por quatro bolas a uma, num jogo com alguns lances, a começar logo ao minuto 14, com o primeiro gol do Benfica. Pedro Henriques, bem avaliado pelo árbitro belga?

Sim, bem avaliado. Estamos a falar da questão do fora de jogo, que não há, obviamente, na construção da jogada, no lado direito do ataque da equipe do Benfica, quando Manu coloca a bola em Ortmans, ele tem mais dois adversários entre a linha de baliza e, portanto, tudo legal nessa construção da jogada.

Temos depois, Pedro, nos lances deste encontro, já ao minuto 40, ainda na primeira parte, Karavani, do Benfica, que não faz, na tua opinião, falta fora da área, num lance que nos vais passar a descrever.

Sim, é um lance em que se houvesse falta, era livre direto e até poderíamos estar a falar de um cartão de outra cor, mas não há falta, porque é uma bola atirada em profundidade. Vou tentar dizer os nomes corretos, Karavani, do Benfica, e Kakoulis, da equipe do Omonia. O Karavani está na frente, a posição ganha, e é o próprio Kakoulis que vai chocar contra o defesa marroquino do Benfica e inclusivamente mete-lhe o braço direito por trás nas costas. Portanto, ele cai, é fora da área, não há qualquer infração, embora ele depois tenha ficado de braços abertos a pedir infração. Tudo certo e, portanto, sem discussão no que diz respeito, para já foi fora e não há falta para livre direto.

E ao minuto 42 tivemos o gol do Omonia. Acredito que tudo legal. Na altura, até parecia que o jogador estava ligeiramente adiantado no início do lance, mas e será que estava? Vamos ver, Pedro.

Vamos lá ver uma coisa. O árbitro assistente validou o gol e o VAR confirma. E eles, videoárbitro, têm as tecnologias de fora de jogo. A única coisa que eu faço de crítica, e aconteceu isso pelo menos em dois lances muito cruciais, esse é um deles, é que até por uma questão de credibilidade, porque esta imagem que dá é uma imagem muito lateral e obviamente com o tal erro de paralaxe, que acontece quando é colocado aos olhos do ser humano, em imagens na diagonal, que não são no enfamento. E, portanto, se existe a ferramenta e sendo um lance à pele, nada como colocar as linhas de fora de jogo. Neste caso, elas não têm centímetros, é aquela linha vermelha para quem ataca e linha azul para quem defende, e ficaria tudo mais esclarecido. Obviamente que eu acredito sempre, já na outra dia tivemos essa discussão por causa do gol do Porto, o centímetro, etc. Eu acredito nas tecnologias todas que são utilizadas e elas vieram exatamente para facilitar o trabalho das equipes de arbitragem tomar a decisão e, portanto, dou como boa a decisão. Fiquei com a ideia que na altura poderia estar adiantado. Estamos a falar de uma bola que é passada do Vivandro para o Montnor, e ele está em jogo, na construção dessa jogada, é a instituição do número sete, depois vai fazer a assistência para o gol. E portanto, tudo legal. De qualquer maneira, não custava nada, em termos de transmissão, ter colocado exatamente essas linhas para dar mais credibilidade ao lance.

Temos depois ao minuto 49, o segundo gol do Benfica, Pedro Henriques, tudo legal também.

Sim, aqui também tranquilo, que é uma bola que é cruzada e há dois jogadores que vão ter impacto direto na jogada, quem cruza a bola, o Echeverri, que faz o passe, e depois temos o Ortmans, que se faz de cabeça à bola e não toca, e o Bah que vai fazer o primeiro remate, depois é o Pavlídis que marca o gol. E tanto o Ortmans como o Bah, que no momento do cruzamento ou no momento do passe, ambos estão em posição legal. E portanto, o Ortmans, mesmo se fazendo à bola, no tocante, se tivesse tocado na bola ou o facto de se fazer, se estivesse em fora de jogo, tinha impacto na ação do adversário, não estava. E depois o próprio Bah, que também partiu e esse ainda partiu mais atrás. Portanto, gol legal do Benfica. A única questão aqui é que se o Ortmans, que se fez à bola, se tivesse mesmo tocado na bola, aí passaria a contar esse momento como passe para o Bah, e o Bah aí já estaria adiantado e seria fora de jogo. A partir do momento que não, o que conta é o passe do Echeverri e tanto o Ortmans, que como disse, movimentou e tentou cabecear, como o Bah, partem em posição legal e portanto dois a um, ou um a dois, como queiram dizer, o segundo gol do Benfica, legal e sem qualquer infração ao nível de fora de jogo.

Ao minuto 62, amarelo para Tomás Araújo, dos encarnados. Bem visto, árbitro.

Sim, é uma entrada por trás que ele acaba por o seu pé esquerdo pisar a ponta do pé esquerdo do Dioni e, portanto, uma entrada negligente, dura, cartão amarelo bem mostrado.

Temos no seguimento os lances deste encontro ao minuto 73, um lance com Palhinha na área do Benfica, envolvendo jogadores do Omonia, e reclamavam aqui uma grande penalidade. Eventual penalidade para os cipriotas, mas acredito que sem motivo. Para frente.

Sem motivo, mas repara, sem repetição também. É um lance que sendo de área, sendo importante, que o próprio VAR esteve a verificar. Para já, porque verifica sempre e por que o VAR verificou? Porque depois vê-se, e na transmissão os nossos colegas até falaram nisso, quando a jogada segue, de repente, porque há ali alguns protestos e o árbitro faz aquele gesto, "está tudo visto, segue". Ou seja, o VAR reviu de forma rápida e deu a indicação que estava tudo legal. Ora, se foi um lance de área, que por si só já devia ter repetição, e ainda por cima com o VAR a passar essa mensagem, porque havia dúvidas e o árbitro a fazer aquele gesto, só tinham que passar isso na repetição. De qualquer maneira, o que eu fiz? Passei o filme atrás, pus em slow motion, a única imagem que nós temos em direto e o que nos mostra que não há penalidade? É que o Palhinha, que ia perdendo a bola, e foi um lance ali com alguma atrapalhação, acaba por esticar a perna direita e tocar claramente a bola com o pé direito. E o Brouwers, que é o jogador que está mais próximo e depois fica a se queixar da perna, está de pé e a um metro de distância. Quer dizer que está claramente fora da jogada e, portanto, o toque na bola é fundamental. Claro que o Brouwers não para o movimento e continua pra frente e o Palhinha, que se esticou, tipo a varrer para bater a bola, também não consegue parar o movimento. E é aí que depois se dá o contato e o choque. Mas é um choque fruto do movimento de ambos. Não é o Brouwers que tem a bola ou que leva a bola controlada e o Palhinha não para o movimento e tocando ou não tocando na bola, varre o adversário. Nada disso. É o Palhinha que tem o controle de bola, toca na bola, e é o Brouwers que também não para o seu movimento e também vai ao contato. E por isso, correto, sem penalidade.

Temos depois, Pedro, no seguimento dos lances deste encontro, ao minuto 83, um amarelo para Palhinha, um amarelo que é bem mostrado, mas em que o jogador acredito que vá levar nas orelhas do Pedro Henriques do ponto disciplinar.

Este aqui arrisca, porque é uma abordagem que faz desnecessária, obviamente. O que safa o Palhinha, até porque esteve em análise, até apareceu lá no cantinho de lance em análise, eventualmente para possível cartão vermelho, é porque ele não entra de sola, não pontapé, não pisa. Ele varre com a perna direita toda ao nível do chão e é com a perna no seu todo que acaba por varrer as pernas do mesmo jogador, que estávamos a falar um bocadinho, do Braurs. E isto é o de melhor que pode ter acontecido ao lance, porque se é daquelas situações que ele vai de perna à frente esticada e com o pé ou com a sola acertar a soçobra para cartão vermelho. Ainda por cima a bola não está lá, porque o Braurs já tinha pontapé à bola. Portanto, é uma entrada claramente fora de tempo. Só amarelo, estamos a falar de negligência, não tem em conta o perigo e as consequências do ato, não estamos a falar do exercício de força que ponha em causa a segurança integrada física, até porque o jogador ficou a se aleixar e recuperou também relativamente rápido. De qualquer maneira, arriscou sem necessidade, mas é só cartão amarelo.

Temos agora, Pedro, ao minuto 88, mais um amarelo para um homem do Benfica, desta vez para Kauê, ao minuto 88.

Exatamente. Por entrar de sola, portanto negligente, embora de raspão do pé direito no pé e tornozelo também direito do Cristó. E portanto, falha claramente a entrada. Mais um lance que se fosse de pé cheio e em cheio um bocadinho mais acima de pitons, podíamos estar a falar de outra cor. Ali foi de raspão, que é o mate nuante, acaba por ser muito mais no peito do pé do próprio meio de tornozelo e, portanto, não tem a tal intensidade que muitas vezes é preciso também existir para ser outra cor. Portanto, só cartão amarelo, também bem mostrado.

E ao minuto 90, amarelo para Prestianni, do Benfica, que ele tem sido o menino de ouro, aqui também a ser o rapaz do amarelo.

Certo. O árbitro lei da vantagem ou pelo menos deixou seguir. Inicialmente ele nem ia mostrar cartão amarelo, mas depois com a repetição percebe-se que o Prestianni tem uma entrada fora de tempo, acaba por rasteirar, uma entrada bastante dura sobre o Cristó. O árbitro aparentemente deixa seguir, não percebi bem se ele fez o gesto ou não da lei da vantagem, e depois a bola sai para fora do terreno de jogo. E é aqui que o árbitro assistente ou o quarto árbitro, que ele depois faz o gesto do fish para a linha, portanto, para um deles, pela ajuda que lhe deram, que disse: "Atenção, tens de mostrar cartão amarelo para essa entrada fora do tempo". E ele mostrou, e foi bem mostrado. Se não mostrasse, era um erro da parte do árbitro.

Temos ainda, Pedro, antes de conhecermos a nota final da equipa de arbitragem hoje desta vitória do Benfica em casa do Omonia do Chipre, temos 93 amarelo para Dioni num lance que também envolveu João Palhinha, que por acaso não viu amarelo, mas teve alguma benevolência, talvez o árbitro a perdoar o jogador, porque Dioni fez uma falta para tal.

Fez a entrada sobre o Prestianni. É daqueles lances em que ele não para o movimento e é mesmo de forma intencional, como sente que é muito maior que o Prestianni, vai com tudo, vai com o corpo, vai com o braço direito, varre completamente o avançado argentino do Benfica e faz com que ele dê ali um place dos grandes, sem qualquer necessidade. Estamos aqui entre uma atitude que é antidesportiva e a negligência na forma como entra. Portanto, cartão amarelo bem mostrado. O que estás a descrever a seguir é que o Palhinha foi lá um bocadinho tirar de força e no momento em que está ali a falar com ele e fazer uma série de gestos, acaba por empurrar. Enfim, não é um grande empurrão, mas empurra. E estas situações completamente incorretas, antidesportivas, são passíveis de cartão amarelo. Às vezes não é preciso ter muita intensidade, não estamos a falar de agressões. Estamos a falar que alguém não o pode fazer. E o Palhinha com cartão amarelo não devia ter feito. E alguém do Benfica, jogadores, devia ter, ainda por cima com o resultado já feito, discernimento e cabeça para tirar dali rapidamente o Palhinha. Por isso é que às vezes quando se fala em capitães e a importância dos capitães, é muito nisto. Mas de qualquer maneira, e não era para o jogo, porque o Benfica se ficasse com menos um neste momento, já não contava nada, faltava muito para acabar já, inclusive os descontos. É depois para o futuro, porque pelo menos levaria um jogo de castigo. Mas de qualquer maneira, a decisão correta é o cartão amarelo ao Dioni e eu compreendo, também faria a gestão assim, de que o árbitro tentava lá em cima a jogada, não ter havido mais cartões amarelos neste lance.

Resta saber que nota merece, Pedro Henriques, na tua opinião, a equipa de arbitragem hoje liderada pelo belga Jasper Verghut na vitória do Benfica em casa do Omonia.

Vou dar nota positiva, claramente, nota 7. Repara que não há erros. É um jogo com 26 faltas, com cinco cartões amarelos. É um jogo em que acima de tudo, dos cinco gols, três tiveram análise importante ao nível de fora de jogo. Significa que os árbitros assistentes estiveram em bom plano, portanto o VAR limitou-se a confirmar e a minha nota mais positiva vai até para a intervenção dos assistentes. O árbitro esteve bem nos lances, que não foram muitos, na área, esteve bem no aspecto disciplinar e portanto foi uma partida em que praticamente não há aspectos negativos. Eu diria que o aspecto mais negativo é a transmissão televisiva, que sem dar a tal repetição do lance do Palhinha ao minuto 63, que não é pênalti, mas que era um lance importante e, por exemplo, o gol do Omonia, em que não há linhas de fora de jogo, eu acho que a nota é mais para a organização e para a transmissão do que propriamente para a equipa de arbitragem, que toda ela merece uma nota positiva. Por ter sido 4 x 1, ter sido um jogo que se tornou relativamente fácil, só dou sete, porque hoje era claramente aqueles jogos que o oito podia assentar muito bem, mas também o grau de dificuldade do jogo baixou em função também do resultado. Nota sete, nota positiva, em bom plano esta equipa liderada por um árbitro belga.

Está feito mais um Sem Falta. Acabamos por aqui esta jornada europeia. Acompanhámos a derrota do Porto em casa frente ao PSV, também a derrota do Sporting em casa frente ao LASK. Hoje com melhor sorte para uma equipa portuguesa, vitória do Benfica por três bolas a uma. E estamos de regresso este fim de semana, já no sábado, a contar para a nona jornada do campeonato. Deslocação ao Foco do Porto, à casa do Gil Vicente, com áudio arbitragem, claro está, do nosso muito caro Pedro Henriques. Um abraço, Pedro, bom descanso.