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Dia cinco do Mundial. Todos os dias analisamos os lances que marcam o dia, aqui no "Sem Falta", com o nosso áudio-árbitro Pedro Henriques. Pedro, bem-vindo. Vamos começar por analisar o jogo entre Irão e País de Gales. E começamos por um lance numa expulsão, com o guarda-redes do País de Gales que foi expulso num lance com Taremi. Aqui um choque. Foi bem mostrado o vermelho?
Sim, foi bem mostrado, porque foi o VAR que reverteu a decisão inicial de cartão amarelo, inicialmente mal mostrado pelo árbitro. É uma bola metida em profundidade, o guarda-redes, o Hennessey, sai e acaba por chocar com o Taremi. O árbitro focou-se naquilo que podia ser uma clara oportunidade de golo, isto é, não olhou para a entrada, olhou para aquilo que podia ser um jogador isolado e estar em condições de marcar golo. E nesse aspecto, ele decidiu bem, porque realmente não era uma clara oportunidade de golo. A bola ainda ia no ar, embora ele tivesse já probabilidades de controlar, havia defesas a dobrar e não é aquela situação típica do isolamento da entrada da baliza. Só que o problema não estava, e ele mostrou o cartão amarelo, na clara oportunidade de golo, mas sim na entrada que o guarda-redes fez. E esta entrada é claramente com o chamado uso excessivo de força, que põe em risco a segurança e integridade física do adversário. Ele saiu-se com a perna toda à frente, acabou por dar-lhe com o joelho na cara do Taremi e não tem nada a ver com negligência, tem a ver exatamente com o uso excessivo de força e por isso o cartão vermelho era o que se impunha. O VAR faz parte do protocolo, cartões vermelhos diretos, aquilo que o VAR fez foi exatamente ir verificar o lance, perceber se era uma entrada para cartão vermelho, chamou o árbitro ao monitor. Quando o árbitro já vai a percorrer o caminho para o monitor, só relembrar isto, os VARs já estão a dar indicações. "Olha, atenção que o guarda-redes, neste caso, saiu-se assim, bateu com esta parte." Já estão a dar indicações para canalizar a observação do árbitro e o árbitro depois confirmou e por isso cartão vermelho bem mostrado. Só acrescentar que este foi o primeiro cartão vermelho, a primeira expulsão deste mundial e daí também ter um bocadinho mais de impacto.
Aqui um cartão vermelho mostrado ao guarda-redes do País de Gales. De relembrar que o jogo entre o País de Gales e o Irão ficou 2x0, dois gols já marcados nos descontos, aos 90 mais oito e aos 90 mais 11. Passamos então para o segundo lance de destaque deste quinto dia de mundial, no jogo entre o Equador e os Países Baixos, um gol de Estupiñán num fora de jogo.
Exatamente. E aqui a questão que se coloca é que há um remate de um colega, a bola é desviada pelo Estupiñán e vai para a baliza e o árbitro, numa primeira análise, parecia um gol perfeitamente legal. A questão está no Jackson Porozo, que estava na frente. No momento do primeiro remate, está nitidamente a tirar a visibilidade ao guarda-redes. Mas mais do que isso, porque depois a bola no seu trajeto ainda sofre um desvio, ele está-se a movimentar na frente do guarda-redes. Para além da questão da visibilidade inicialmente, há aquilo que se chama o distrair, estando em fora de jogo posição e ao fazer aquele tipo de movimentação, acaba por distrair e inibir de alguma maneira aquilo que possa ser a possibilidade de defesa do guarda-redes. É um facto que o guarda-redes já se tinha feito para o seu lado direito para ir à bola e quando há o desvio, muito provavelmente não podemos falar em visibilidade. Mas há este impacto que acaba por ter diretamente com o tal movimento, com o tal desviar de atenção, com a tal interferência ou tal impacto que tem na posição do guarda-redes. E mais importante do que isso, é que este tipo de lance, e já sei isto de fonte segura, a FIFA quer o fora de jogo. Eles colocam muitas vezes vídeos com lances muito semelhantes a este, não há lances iguais, em que querem claramente que um jogador que esteja muito próximo do guarda-redes, se movimente na frente do guarda-redes, mesmo que não esteja em causa a visibilidade em relação ao momento do remate e da trajetória da bola, muitas vezes está aquilo que é a distração e aquilo que tem, que é o impacto no guarda-redes. E por isso, na minha opinião, e também pelos vistos da FIFA, este gol é muito bem anulado por fora de jogo posição.
Aqui um gol anulado ao Equador, a Estupiñán. Um jogo que acabou a uma bola. Pedro, voltamos amanhã com mais quatro jogos para este Mundial do Catar.
Até amanhã.
Até amanhã.