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Foi um jogo intenso no Estádio da Luz. O Benfica volta a perder pontos, 2x2 com o Casa Pia, num empate que chega já muito próximo do final. É um jogo com muitas incidências e com muito para analisar neste "Sem Falta" com o Pedro Henriques. Pedro, muito boa noite. Vamos começar pelo amarelo a David Sousa, que sai aos 13 minutos.
Sim, é aquela situação em que ele salta e acerta com o antebraço direito na cara do Richard Rios. Já sabemos que estas entradas, além de antidesportivas, são normalmente consideradas negligentes, porque a cabeça é zona de proteção e tudo que seja cabeça, nuca, cara, são as tais zonas de proteção que levante com o cotovelo, com o braço ou com a mão, normalmente são punidas com livre direto e com cartão amarelo. Foi o caso e, portanto, cartão amarelo bem mostrado.
Ao minuto 31, não há pênalti de António Silva. É sobre Cassiano, creio.
Sim, é uma situação em que, em primeiro lugar, o António Silva está com a mão esquerda a agarrar e a controlar o ombro esquerdo do Cassiano, mas o Cassiano tem o braço esquerdo também esticado para trás e está a agarrar e a puxar a camisola do António Silva. A partir daqui, seja fora, seja dentro da área, com infrações mútuas, com dois jogadores a agarrarem-se e a controlarem-se, os árbitros têm indicações para, obviamente, não poderem penalizar ninguém. A jogada começa fora da área e vem para dentro da área. E aqui, só para dizer esta exceção, que enquanto o saltar, o empurrar, o carregar, o arrastar, todas as outras infrações, com exceção do agarrar, são punidas onde têm o início à ação, o agarrar é a única exceção, que diz a lei 12, que se um jogador for agarrado fora da área, continuar agarrado e entrar dentro da área agarrado e aí cair, não é no início, mas sim no fim. E portanto, numa situação do António Silva, se tivesse só ele a agarrar o Cassiano fora da área, como onde começou, continuasse com o movimento para interior da área, como aconteceu, e depois aí cair, seria pênalti contra o Benfica. Aqui a questão é que ele, sim, está a controlar, a agarrar, mas também está a ser agarrado. Dentro dessa perspectiva, não há infração de nenhum e por isso é para seguir o jogo e foi uma boa decisão, sem pênalti.
Saltamos para o minuto 35, mesmo protagonista, António Silva, mas aqui não sofre pênalti.
Sim, é na área agora dos gansos, do Casa Pia. Ficou-se com a ideia que ele podia ter sido pontapeado até pelo próprio colega ou pelo adversário, mas não. O António Silva arma a perna e pontapeia para tentar chegar à bola, para pontear a bola, mas falha e acaba por ele próprio pontapear a perna direita do Kaique Rocha. E depois ao bater na perna, que está ali dobrada, acaba por fazer aquele movimento de ele próprio cair, porque de repente o pé para todo aquele movimento que era para acertar na bola, falhou, e é por isso que ele cai, porque dá um pontapé no seu adversário. E portanto, a haver falta, seria falta até atacante, mas mais importante, não há pênalti.
Saltamos para a segunda parte, minuto 53. Faltou um amarelo para Dedic?
Sim, é uma entrada muito durinha do Dedic que passa de raspão, ou seja, é sobre o Larrazábal, em que ele sobe de frente na canela do seu adversário. Não é aquelas entradas de cima para baixo que fica lá cravado, é de raspão e isso é atenuante, e também por ser rápida, acaba por tocar e acertar. É aquele lance em que dois jogadores do Casa Pia aparecem caídos, em que a primeira falta é do António Silva, que carrega o adversário, o árbitro não marca e depois a seguir a esta, a falta do Dedic sobre o Larrazábal, que o árbitro também não marca e depois o árbitro, como vê dois jogadores do Casa Pia no chão, interrompe o jogo e depois até recomeça com bola só. Podia ter marcado a primeira do António Silva, podia, eventualmente, não marcando a primeira, marcar a segunda do Dedic, e se marcasse o Dedic, tinha que mostrar cartão amarelo. E faltou aqui um cartão amarelo por mostrar mesmo.
Ao minuto 58 foi assinalado o pênalti para o Benfica.
Exato. A questão aqui são dois momentos. Em primeiro lugar, se olharmos especificamente para a mão do livrante, ele abre os braços, é um facto que está de costas para o cabeceamento do Richard Rios, mas isso não invalida que os jogadores, se tiverem o braço em posição não normal, não natural, abertos, fora do plano do corpo, com volumetria, se a bola lhes acertar, põem-se a jeito, e essa é a expressão que está mesmo na lei, pondo-se a jeito para essas situações, levarem com a bola, são mesmo penalizados. E foi o que aconteceu. Ele tem o braço completamente aberto e acaba por interceptar o cabeceamento do Richard Rios. Aqui a questão que se coloca era a dúvida se o livrante, que foi esse jogador que fez o pênalti, estava ou não a ser carregado. Fica a ideia que ele é que recua e vai, de alguma maneira, encostar-se no Richard Rios. Em nenhuma repetição, e deram várias, eu vejo o Richard Rios ou apoiar sobre o livrante, ou empurrar, ou a carregar. Salta na vertical, no meu ponto de vista, sem cometer nenhuma infração, e por isso dou como boa a decisão do pênalti.
E o outro pênalti contra o Benfica ao minuto 62.
Aí já não concordo com o pênalti porque há um remate do livrante, curiosamente o mesmo protagonista, a bola vai à barriga, claramente, do António Silva, isso não deixa dúvidas, e depois ressalta para o braço esquerdo do central encarnado. O braço está em posição normal, natural, está ao lado do corpo, está sem grande volumetria, portanto, está em posição normal, e a bola, normalmente, quando vem do ressalto do nosso próprio corpo, do corpo do adversário ou do corpo de um colega nosso e que venha ao nosso braço, normalmente isso é um ato innuente para nós não sermos penalizados, a não ser que o braço estivesse paralelo ao solo, aberto, fora do plano do corpo, etc. Se há um remate que é direto e a bola fosse interceptada pelo braço esquerdo do António Silva, diretamente, aí estaríamos claramente a dizer que estaríamos perante uma situação de pênalti. Esta questão do ressalto atenua completamente a infração. Para mim, não há motivo para pontapé de pênalti, este pênalti foi mal assinalado.
Ao minuto 67, falta um amarelo para Larrazábal?
Ao minuto 67, falta um amarelo para o Larrazábal, que é uma entrada interiorizante sobre o Lukebakio, que o varre completamente e, portanto, é uma entrada negligente passível de cartão amarelo.
Ao minuto 82, há um gol em fora de jogo do Benfica.
Sim, é aquela situação em que o Richard Rios acaba por desviar a bola, é um pontapé de canto, vai lá de cabeça e é o momento que o Richard Rios desvia a bola de cabeça. Temos que ver se o Leandro Barreiro, que finaliza e faz o gol, está ou não adentrado em relação ao penúltimo adversário. E está, está em posição fora de jogo e por isso o árbitro assistente validou o gol. É um lance difícil, claro que sim, mas o VAR, depois, muito bem, reverte a decisão, anula o gol e marca fora de jogo, e bem.
Aos 87 minutos, saiu um amarelo para Richard Rios. Este é aquele que é quase a pedido, não é?
É pedido porque ele quer completar a série de cinco amarelos. Se calhar, não o devia ter feito, se calhar o jogo tinha outra história. O fato é que ele demorou a marcar o pontapé livre e o árbitro cumpriu a lei e mostrou-lhe o cartão amarelo. Percebe-se claramente que é para ficar de fora do próximo jogo. Isto não tem nada a ver com os jogos nem da Taça, nem da Champions League, são jogos à parte. A série de cinco amarelos é sempre cumprida dentro da mesma competição, só os vermelhos é que é sempre no jogo a seguir ao nível nacional. Nesse caso concreto, é para ficar de fora do próximo jogo, para depois na jornada a seguir poder estar disponível para o dérbi. Jogam com a lei, obviamente. Nada a dizer, o árbitro aqui só tem que cumprir. O jogador não marcava o pontapé e mostrou-lhe o cartão amarelo.
Claro. Ao minuto 92 surge então o gol que dá o empate para o Casa Pia.
Sim, aqui a única dúvida é que o Richard Rios ficou caído no chão a pedir falta, eventualmente Renato Nyaga, mas depois percebe-se que o Renato Nyaga esticou o pé direito e tocou apenas na bola, sem sequer tocar no médio colombiano encarnado. É curioso que o Richard Rios, com o pé direito, pontapeia o seu próprio calcanhar esquerdo. Não há infração naquilo que é a recuperação de bola e por isso tudo legal no gol do Casa Pia, que deu o empate contra o Benfica.
E ainda sai um amarelo para Patrick Sequeira ao minuto 96, também por perder tempo.
Claro. Perdeu tempo, levou o cartão amarelo porque perde tempo. Está a jogar também com aquilo que é possível. Quanto mais tempo passasse, melhor para segurarem o resultado e o árbitro cumpriu, mostrou-lhe o respectivo cartão amarelo por perda de tempo.
Gustavo Correa foi o homem do apito no Estádio da Luz. Teve uma noite complicada. Qual é a nota que atribuís?
Eu vou dar a nota negativa quatro, porque no fundo, como temos aqui um resultado de 2 x 2, é claro, depois podemos falar das outras incidências, porque o guarda-redes do Benfica até defendeu o penálti e se tem defendido, se calhar tinha tido menos impacto, mas depois o Tomás Araúz acaba por fazer autogolo. Mas na prática e na realidade, eu considero bem o penálti ao minuto 58, o VAR ajudou na anulação do gol, há dois lances de área que vimos na primeira parte em que não houve motivo para penálti. O árbitro até teve aqui algum desempenho, depois falhou em parte disciplinar, mas teve algum desempenho positivo em lances capitais. A vida de árbitro é mesmo isto. Podem ter 200 decisões, que é normalmente o número de decisões que têm-se por jogo, se falhas numa, num jogo de 2 x 2, que é um penálti, obviamente que isso acaba por ter impacto no resultado e obviamente no jogo, e acabas por ser penalizado. E há um penálti que na minha opinião foi mal assinalado, que é o do minuto 62. Para mim, não devia ter sido assinalado penálti contra o Benfica e é por isso que dou nota negativa, nota quatro.
Está feito mais este Sem Falta do empate de duas bolas entre o Benfica e o Casa Pia, sempre com a ajuda do nosso audioárbitro Pedro Henriques. Pedro, obrigado. Boa noite.
Até já, obrigado.