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Está no ar mais um Sem Falta da Rádio Observador. Hoje dedicado a olhar para os casos do jogo da final, uma final inédita do nosso futebol, entre Benfica e Futebol Clube do Porto, do futebol feminino, claro está. Um clássico que nunca tinha acontecido, que se manifestou pela primeira vez na final da Taça de Portugal e que terminou com a vitória das encarnadas por duas bolas a zero. Mas aquilo que aqui nos traz, Pedro Henriques, é a análise ao trabalho da equipa de arbitragem que hoje, como já disse, foi liderada por Teresa Oliveira. Acredito que tenha sido globalmente positivo, mas vamos começar pelo minuto cinco, com esse gol validado pelo VAR, talvez o momento capital do jogo, na validade ao Benfica.
Sim, capital, porque é um lance que também não é fácil. A árbitra assistente deu fora de jogo no gol do Benfica e das duas, uma: ou deu, porque para mim, a primeira percepção que eu tenho é que a jogadora que tinha marcado o gol era a número 21 do Benfica, a Pauleta. E essa jogadora estava em fora de jogo. Não sei se a árbitra assistente, onde está a distância, achou que foi ela que tinha saído de posição fora de jogo e tinha finalizado, porque está ao nível do relvado, está com várias jogadoras, a guarda-redes sai, duas jogadoras do Benfica envolvidas, a Pauleta e quem marcou o gol, que é Caroline Möller. Há também jogadora do Porto, pode ter sido essa a percepção. E aí, obviamente, que no entender dela, assistente, aquilo que ela tinha visto era que alguém que saía de fora de jogo tinha tocado na bola e tinha feito o gol, ou se eventualmente, e essa é que é a minha dúvida, se ela percebendo que a jogadora estava fora de jogo, achou que pela movimentação, e repito, a assistente está ao nível da relva, não tem a percepção que depois nós temos nas imagens em repetição, vê a jogadora número 21, a Pauleta, movimentar-se e no entender dela, sai de fora de jogo e movimenta-se para a zona da guarda-redes e daí ter achado que teria impacto na ação, neste caso, da guarda-redes, evitando ou impedindo, ou tendo impacto naquilo que seria a defesa. Quando se vê depois as repetições, primeiro, quem finaliza não é Pauleta, mas é Caroline Möller, e a Carolina claramente sai de posição regular. Aliás, é isso que a árbitra Teresa Oliveira depois diz, publicamente, que a número 10 estava em posição legal ou não estava em fora de jogo. Depois, olhando para aquilo que é a maneira como a UEFA cada vez mais, e contigo a UEFA, International Board, tem mandado sistematicamente vídeos relativamente às jogadoras e jogadores que estando em fora de jogo de posição, para que sejam punidos por esse fora de jogo de posição, é preciso que vão disputar a bola com os adversários, se movimentem pra zona onde está a bola e que tenham um claro impacto. É preciso que nós olhemos pra ali, e neste caso, teria sido com a guarda-redes, a Cora Brändle. Nós vemos assim, a Cora Brändle ficou impedida de defender, não conseguiu defender, porque há uma jogadora que em fora de jogo, tem um impacto claro nela. E na realidade, esse impacto não é visível. A ação da guarda-redes é na tentativa de chegar à bola e há a antecipação de quem finaliza e, por isso, de acordo com aquilo que são as indicações da UEFA, bem o VAR intervir, bem a decisão de validar o gol.
Temos ao minuto 13 uma reclamação de pênalti de Lily Bryant, a melhor marcadora desta época do Futebol Clube do Porto, que caiu na área no lance a envolver também Lena Pauwels.
Exatamente. Não há motivo para pontapé de pênalti. A Lily Bryant realmente, é uma bola metida em profundidade e até ficou-se com a ideia que ela podia ter saído em fora de jogo, mas as repetições, caso fosse gol, o gol teria que ser sempre validado, porque efetivamente ela saiu de posição regular. Também a assistente não deu fora de jogo, em primeiro lugar, e portanto, iria validar caso a bola entrasse na baliza. A Lily Bryant chega primeira à bola e com o pé tenta desviá-la da guarda-redes pra fazer o gol. A bola vai contra o corpo da Lena Pauwels e depois a Lena Pauwels que faz essa defesa, faz a mancha, não vai de rojo e depois derruba a sua adversária. Não, o contato é normal, natural e provocado muito por aquele esticar também de pé da Lily Bryant, que toca na bola e depois há um contato absolutamente normal e não há motivo para pontapé de pênalti, bem decidido por parte da equipa de arbitragem.
Temos depois, ainda na primeira parte, o segundo gol do Benfica. Chegou ao minuto 39, também apontado por Caroline Möller. Resta saber se foi tudo legal. Lembro-me, acho que recordo da emissão.
As duas Carolinas.
É, uma das Carolinas a por outra Carolina em jogo, exatamente.
Exatamente. Portanto, aqui a questão era se havia fora de jogo. Esta é mais fácil, porque a Caroline Möller, que é quem finaliza, está a ser claramente colocada em jogo pela número 4 do Futebol Clube do Porto, a Caroline Lemeyre. Não deixa de ser curioso que se ela, em vez ter ido com a Carolina Möller, se tem subido, muito provavelmente o gol seria invalidado, porque fico com a ideia que se ela consegue fazer a subida no momento do passe, aliás, antes do momento do passe, teria posto a jogadora do Benfica em fora de jogo. Só que ela seguiu, obviamente, está lá dentro. Para ela, o entendimento era seguir a marcação e ao fazê-lo, acaba por colocar a jogadora do Benfica em jogo e neste segundo gol, também bem validado, neste caso pela equipa de arbitragem, confirmado pelo VAR.
Pedro, vamos continuar nos lances deste encontro final da Taça de Portugal de futebol feminino entre o Benfica e Futebol Clube do Porto. Temos ao minuto 65, uma lance a envolver a avançada encarnada Nicole Hailea.
Até peço desculpa, esqueci-me de colocar o minuto 49.
Não, colocaste. Eu é que saltei, Pedro. Minuto 49, sem pênalti por mão de Mariana Queiroz. Queixavam-se de um alegado pênalti na área do Futebol Clube do Porto, as jogadoras encarnadas, Pedro.
Exatamente. Agora, curioso, há um bocadinho duas Carolinas e agora duas Marianas. Quem faz o desvio de bola, ali com um toque subtil, é a 17 do Benfica, que é Mariana Azevedo, e a bola vai à barriga da Mariana Queiroz, nunca tocando na mão. É um lance que depois a árbitra, a bola enquanto sai, a árbitra faz ali um compasso de espera e depois faz o sinal de VAR e diz que siga tudo limpo. E realmente, a Teresa Oliveira viu bem à primeira, no sentido em loco, que não havia mão, mas podia eventualmente ter havido, obviamente, e a bola realmente tocou na barriga e mais uma boa decisão da equipa de arbitragem, que o VAR se limitou a confirmar a boa decisão, portanto, sem pênalti.
E agora sim, Pedro, já na segunda parte, ao minuto 65, Nicole Hailea, avançada dos encarnados, queixava-se de um alegado pênalti na área do Futebol Clube do Porto.
Sim, mas não há. E se houvesse aqui algo, até podia ser eventualmente o cartão amarelo pra Nicole Hailea por simular. Também não vou, e eu não gosto de nins, vou dizer que com a arbitragem que a Teresa Oliveira fez, deixar jogar, privilegiar o contato físico, um cartão amarelo por simulação tinha que ser uma coisa mais evidente. O que acontece é que a Angelina da Costa estica a perna, a número 14 do Futebol Clube do PortoInterceptar a bola, não toca efetivamente na bola, mas também não toca na Nicole Reisla, que curiosamente até salta por cima das pernas e, portanto, nem sequer há contato, logo não podia haver infração para pênalti. E depois a Nicole Reisla, não sei se por se ter desequilibrado ou por ter passado por cima, ainda tentou, é esta o limite, tentou depois cair para, de alguma maneira, dar a entender que teria sido tocada. Portanto, eu vou dar aqui o benefício da dúvida, quer à ação da jogadora, quer também à forma como a Teresa Oliveira viu o lance, porque poderia eventualmente punir com o tal cartão amarelo e assinalar livre indireto. Mas aceito muito bem, e quando digo aceito não é porque sim ou porque não, compreendo perfeitamente que no enquadramento esta talvez tenha sido a melhor decisão de, para já, não há pênalti, é a melhor decisão, mas também não haver cartão amarelo por simulação.
Temos para fechar este "Sem Falta", Pedro Henriques, e antes de conhecermos a nota que vai merecer Teresa Oliveira, tempo extra. O minuto 90 para ti ficou curto.
Sim, é claro. É lógico que quem está lá dentro e sente que a equipa de arbitragem, sente que o jogo está a correr bem, cada vez mais também no plano internacional. Aliás, no plano internacional não se está tanto tempo, como muitas vezes se vê nas próprias ligas. É um problema que só ficará um dia resolvido se houver tempo útil de jogo, como se faz na maior parte dos desportos, caso do hóquei patins, do futsal, etc, com cronometragem. Porque o que está dito é que 45 segundos por cada paragem para substituição, isto é a norma, e houve seis paragens para substituições, onde entraram oito jogadoras, e só aqui tínhamos 4 minutos e 30. Portanto, no limite, tínhamos que subir um pouquinho mais 30 segundos para cima. E depois com uma ou outra interrupção, não tenha havido assistências, uma outra paragem, poderíamos claramente dar aqui os cinco minutos ainda por cima, embora houvesse essa perceção técnica que o Benfica tinha o jogo controlado. O fato é que estava 2 x 0 e, portanto, não é propriamente um 3 x 0, não estaria completamente decidido. De qualquer maneira, isto nem sequer é um erro, é só uma apreciação daquilo que eu acho que é algo que também está a acontecer com as equipas de arbitragens masculinas, e nós temos vindo a debater muito sobre isso, que normalmente estão muito escassos em relação aos tempos extras que estão a dar nos jogos. De qualquer maneira, é um pormenor que não tem grande relevância nem grande importância para o jogo.
E acredito que Teresa Oliveira vá merecer nota positiva. Resta saber se alta, muito positiva. Vamos a isso, Pedro.
Sim, muito positiva e por uma razão muito simples. A Teresa Oliveira privilegiou o contato físico e deixou claramente jogar. E numa final, numa envolvência destas, neste tipo de jogos maiores, vamos dizer assim, eu gosto de ver esse tipo de arbitragem quando as jogadoras, pois, também não complicam, não fazem entradas duras, não andam sempre em simulações ou a tentar enganar, ludibriar, o que quer que seja. E as jogadoras entraram muito nesse espírito, portanto, um futebol muito aberto no sentido de tentarem jogar a bola. E nesse aspecto, caiu muito bem este tipo de arbitragem, em que não houve nenhum cartão amarelo e, portanto, foi uma arbitragem, como disse, sem amarelos, privilegiou o contato físico, deixou jogar. No lance onde houve erro da equipa de arbitragem e foi logo muito cedo e foi muito boa a intervenção do vídeo-árbitro para validar o tal gol que tinha sido anulado pela árbitra assistente. E por isso eu vou aqui hoje fazer uma coisa que é dar esta como decisão final da equipa de arbitragem, onde vou incluir, e que também faz parte, o vídeo-árbitro. E, portanto, por essa também muito boa decisão, eu neste conjunto deste jogo como muito fair play, como uma excelente arbitragem, com 22.258 pessoas a fazerem um ambiente fantástico.
Recorde absoluto na final da Taça de Portugal.
Recorde absoluto da final da Taça de Portugal feminino. Eu vou dar, portanto, nota oito à equipa liderada por Teresa Oliveira.
Nota oito para Teresa Oliveira numa final inédita que terminou com a dobradinha do Benfica. Vitória por dois gols a zero frente ao Futebol Clube do Porto, numa arbitragem que mereceu nota oito do Pedro Henriques. Um abraço, Pedro. Temos novo encontro marcado para a semana em sede de "Jamor".
Exatamente. Um abraço. Obrigado.