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Sem falta, Pedro Henriques, fica também disponível através de podcast da Rádio Observador. Benfica, Vitória Sport Clube, o árbitro foi Miguel Nogueira, o árbitro natural de Braga, internacional. Oitavo minuto, um golo anulado a Pavlídis. Tudo legal?

Sim, já agora, o Miguel Nogueira é de Lisboa.

De Lisboa, internacional de 2023.

Exatamente. Ok, vamos começar. Minuto oito, é um lance que é muito fácil de ver. O Florentino tem um momento de domínio e depois de passe/remate para a baliza, e quando o faz, o Pavlídis está claramente adiantado. O Pavlídis depois recebe a bola, acaba por desviar e fazer o gol, mas o árbitro já tinha levantou a bandeirola, depois da bola entrar na baliza, o vídeo-árbitro confirmou e as imagens são muito claras. Gol bem anulado, porque realmente o Pavlídis está em fora de jogo.

Minuto 21, a meio da primeira parte, o Tomás Araújo não fez pênalti.

Sim, não faz pênalti, é uma boa decisão. O Tomás Araújo acaba por esticar o seu pé direito, e toca, desviando ligeiramente a bola. E isso é muito importante, porque se ele, na tentativa de tirar a bola ao Caio César, porventura, em vez de tocar na bola, tivesse tocado no pé, poderíamos estar aqui a falar de um lance de pontapé de pênalti. Mas não, o Tomás Araújo ao esticar o pé, o que faz é interceptar e tocar na bola e por isso sem motivo para pontapé de pênalti, boa decisão.

Ainda na primeira parte, com 31 minutos, o amarelo é bem dado a Pavlídis?

Sim, é aquela decisão em que ele entra. Eu, na altura, no direto, fiquei com algumas dúvidas se o amarelo era bem mostrado, porque ele entra em relação ao seu adversário, o Manu, a deslizar com a perna da frente. E eu fiquei com a ideia que o árbitro teria assinalado, eventualmente, essa perna em deslize, em tackle, que não tocou no adversário. O que ele toca é com o joelho, da perna que está dobrada e que vem atrás, que normalmente é o que acontece no tackle. Só que depois percebe-se que o joelho fica por cima do pé e dobra-lhe o pé. E a entrada em si acaba por ser dura e negligente, não sendo com a perna da frente, que seria mais grave, acaba por ser com a perna de trás. E este joelho que acaba por dobrar a perna do adversário, por isso eu dou como boa decisão, tanto que na altura deixei aquela questão, que talvez não mostrasse o cartão amarelo, mas depois de rever os lances, como faço sempre, ou no intervalo ou no final do jogo, cartão amarelo bem mostrado.

E depois, já na parte final da primeira parte, há ou não pênalti de Alberto por braço na bola?

Exatamente. É um remate do Aytokoglu. Se o Alberto Baio, nesse remate com o braço, que depois acabou por tocar com a bola, interceptasse logo diretamente a bola, pontapé de pênalti. Porque não havia dúvida, era um jogador que estava a se mandar para o chão, a tentar ganhar voluntaria, interceptar a bola e depois interceptava com o braço. Mas não foi isso que aconteceu. O Alberto Baio ao tentar interceptar a bola, intercepta e bem com a perna. E o corte é feito com a perna, uma parte do corpo que é legal, obviamente, jogar a bola. O que acontece é que depois dessa intercepção e que o mel está em queda e tem que cair e baixar os braços, e já com os braços perto do chão, a bola tem uma trajetória chamada ressalto, vem de ressalto numa parte do corpo, é completamente inesperada na sua trajetória, porque a bola ia para a baliza e de repente já não vai e volta praticamente para trás. E aí, nesse ressalto inesperado, que acaba por ir ao braço direito, que está na posição normal para o gesto técnico, que se entenda que naquele momento é o momento em que ele já está a cair e vai apoiar os braços no chão. E esta questão do ressalto, de uma bola que vem de uma parte do meu corpo ao meu braço, ou até de uma parte do corpo de um adversário que está ali perto de mim e depois vai ao meu braço, normalmente é uma atenuante para não ser marcado, ainda por cima com uma bola tão de perto. Boa decisão, sem motivo para pontapé de pênalti, após este remate.

Final da primeira parte, o último lance é mesmo amarelo para o João Mendes.

Sim, é o minuto 43, é aquela situação em que ele puxa o Di María por trás e o agarrar por si só normalmente é um comprometido desportivo. O Di María já ia com velocidade para fazer uma transição e temos sempre este misto do comprometido desportivo, daquilo que é a própria falta tática, que o objetivo é parar a jogada e destruir a jogada.

Segunda parte, minuto 59, cartão amarelo para Carreras.

Sim, o Carreras em tackle deslizante de sola, acaba por acertar no Alberto Paio, uma entrada muito dura, enquadrada naquilo que é negligência e portanto, cartão amarelo bem mostrado.

Entretanto, o lance de maior dificuldade, parece-me, de julgamento, tem a ver com o corte quase em cima da linha, o corte junto ao poste, feito pelo Otamendi. Não há pênalti.

Não há pênalti, é boa decisão, mas é um lance de grande risco. Enquadrando o Nuno Santos, o Vitória está a atacar, está dentro da área e pelo lado esquerdo, corredor esquerdo, mas já dentro da área, e faz um cruzamento. E a bola ia ficar paralela à linha de baliza, não ia para a baliza, poderia depois sofrer um desvio de alguém. E o Otamendi cruza-se todo pela frente da bola, faz um carrinho, vai todo a rodar pelo chão e acaba por tocar na bola. E a dúvida era se teria interceptado com o braço ou não. O que acontece? Se fosse com o braço direito, porque ele vai a deslizar com o braço esquerdo por baixo e o braço direito por cima. Se é com o braço direito, claramente que era pênalti, porque a bola também tinha que ir levantada e não rasteira, e portanto estaríamos a falar da tal voluntaria intercepção da bola e um braço numa posição que ali não podia ser normal, natural. Mas é com o braço esquerdo. E quando nós paramos a imagem, vê-se a bola ali a bater, ainda por cima ele tem a cabeça junto ao ombro, porque ele está todo incluído, está todo incluído sobre ele próprio. Quase que a ideia é que até teria batido na cabeça, mas não, é no ombro esquerdo e é numa parte ainda do braço esquerdo. O braço está dobrado, junto, incluído e completamente encostado ao corpo. Isto é uma atenuante clara para não ser sancionado com o pontapé de pênalti. Para mim, boa decisão, pelos vistos para o árbitro, depois o VAR também acabou por ter essa decisão em relação a este lance.

E finalmente, o amarelo para o Di María, Jorge, 94.

Sim, é aquela situação, o Di María tem estatuto, achou por bem que devia ter com o seu colega para o cumprimentar. Eu percebo isso tudo, mas a regra é simples e os árbitros aqui nessas situações não há gestão possível, porque é continuar a camisola na comissão de um gol, quer dizer, por muito custo, os árbitros têm que mostrar. E aqui, o que a regra diz é que o jogador tem que sair pelo sítio mais próximo donde se encontra. Ainda por cima num jogo que está um a zero, por muito que o árbitro possa depois adicionar tempo e descontar, etc, tem que fazer cumprir a regra. E aqui, o árbitro avisou o Di María, Di María mesmo assim não quis saber e o árbitro aqui não tem alternativa que não mostrar o respectivo cartão amarelo.

Então que nota para Miguel Nogueira?

Fez uma arbitragem personalizada, muito segura. Vinte e duas faltas, quatro cartões amarelos, um jogo que até teve 58% de tempo útil, para o futebol nacional até não é mau de todo, 54 minutos na prática. Foi uma arbitragem personalizada, segura, esteve bem, sobretudo nos lances de área e tivemos aqui alguns, que estivemos aqui a ver. E vou também dar uma nota 7, toda para o árbitro, porque realmente a videoarbitragem aqui limitou-se a confirmar as boas decisões que o árbitro tinha tomado em campo.

Nota sete atribuída pelo Pedro Henriques, arbitragem de Miguel Nogueira na vitória do Benfica sobre o Vitória Sport Clube, uma vitória com um gol na primeira parte. Pedro Henriques, um grande abraço e até para a semana.

Sim, para a semana temos Champions League, terça, quarta e depois Liga Europa na quinta.

Combinado, sem falta, fica também disponível através de podcast da Rádio Observador.