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Rola a bola para mais um Sem Falta, como sempre, com o antigo árbitro internacional Pedro Henriques. Vamos analisar o jogo entre Benfica e Juventus na Liga dos Campeões, uma vitória dos encarnados por 4 x 3, que carimbaram assim a passagem para os oitavos de final. Pedro, começamos ao minuto 10 e aqui um possível amarelo para Bonucci.
Sim, é mesmo quase dos poucos erros que o árbitro cometeu. É uma entrada do Bonucci sobre o Gonçalo Ramos por trás, a nível do gémeo, e entrou com os pitões. Portanto, um lance muito no limite, que nós dizemos negligente e, portanto, o cartão amarelo impunha-se aqui. O árbitro não teve essa percepção, apenas assinalou falta e livre direto, mas ficou por mostrar o cartão amarelo.
Depois, ao minuto 21, temos um gol anulado à Juventus. Entretanto, o VAR reverte. Está correto?
Sim, este é um lance muito difícil de análise e, de resto, o próprio videoárbitro demorou bastante tempo, porque tem vários momentos. Em primeiro lugar, relativamente ao Vlahovic, que é ele que recebe o cruzamento e faz o primeiro cabeceamento à baliza que o Vlachodimos defendeu. Aqui, em jogo jogado, ficamos logo com a ideia que ele estaria em fora de jogo, mas depois com as imagens paradas, percebemos que o Grimaldo, que ficou para trás no corredor direito defensivo do próprio Benfica, acabou por pôr em jogo o Vlahovic. Ponto número um, está arrumada esta primeira parte. O Vlahovic, a seguir, quando vai cabecear, tem muito próximo dele o Moise Kean. E aqui, o segundo momento de análise: até que ponto é que o Moise Kean, que estava em fora de jogo, podia ter ou não algum impacto, por exemplo, na ação, na visibilidade do guarda-redes? Também não tem. A seguir, há o remate de cabeça do Vlahovic, o guarda-redes defende e é o próprio Vlahovic que vai fazer a recarga. Ao fazer a recarga, a bola talvez tenha ou não entrado na baliza, porque entretanto bateu no guarda-redes e aparece o Moise Kean outra vez a rematar. É aqui que o videoárbitro tem que ver quem é que marcou o gol, primeiro, se é o Vlahovic ou Moise Kean. E porque a UEFA atribuiu o gol ao Moise Kean, eles têm que ver se o Moise Kean estaria ou não em fora de jogo também quando faz o remate final. E aí não há fora de jogo, porque o Vlahovic quando fez o cabeceamento, o guarda-redes defendeu e ele depois foi lá à recarga, o Moise Kean está atrás da linha da bola e, portanto, estando atrás da linha da bola, nunca há fora de jogo. É um lance bastante complexo sob o ponto de vista da análise, porque tem vários momentos que o videoárbitro teve que partir, daí o jogo teve que ser interrompido quase três minutos por causa de todos estes momentos. Mas o que importa aqui é, vamos chamar entre aspas, a verdade desportiva, que é o VAR, no final disto tudo, deu o gol à Juventus, porque realmente o gol é legal e em nenhuma situação das diversas que foram analisadas havia fora de jogo e por isso a decisão final é correta e ainda bem que há esta tecnologia de linha de gol. Deixa-me só realçar que esteve aqui também em causa quem é que marcou o gol e se a bola já tinha transposto ou não a linha de baliza. E curiosamente, hoje não tínhamos tecnologia de linha de gol, porque como foi dito nas redes sociais e na comunicação social, mais concretamente, o sistema, por causa de umas obras que o Benfica estará a fazer no Estádio da Luz, não foi possível ativar o sistema das linhas de fora de jogo, que são obrigatórias, naturalmente, a nível da Champions, mas que hoje, exatamente porque a tecnologia não estava a funcionar, não foi possível utilizá-las. De qualquer maneira, gol legal, acabou por não ser bem precisa essa tecnologia e, por isso, a verdade desportiva, digamos assim, neste lance repôs-se.
Cinco minutos depois, aos 26, temos mão na bola por Quadrado. Foi depois assinalado penalty a favor do Benfica, marcado por João Mário. Foi bem assinalado?
Sim, bem assinalado, boa decisão. O Ørsnes está a dominar a bola e o Quadrado, embora tenha o braço direito encostado ao corpo, ele com a mão dá um toque na bola o suficiente para tirar a possível posse de bola e continuação da jogada do Ørsnes. Portanto, mesmo tendo o braço encostado ao corpo, o toque que acontece é no sentido de retirar a bola. Eu considero que há ali um ato que é deliberado, não é intencional, são coisas distintas. Intencional vem da atitude mental. Deliberado significa que a ação física foi exatamente essa, que movimentou, fez um gesto com a bola e tirou, neste caso concreto. Por isso, ponto a pé de penalty bem assinalado, que, de resto, o VAR limitou-se a confirmar a decisão que o árbitro tinha tomado em campo.
Ao minuto 35, temos Rafa a fazer o terceiro gol para o Benfica. Um gol legal?
Também, gol legal. Aqui não houve tantas dúvidas, mas era só tentar perceber aquele toque de calcanhar com o Rafa, e o Rafa aparece praticamente isolado na cara do guarda-redes. Se no momento da assistência, se não estou em erro do João Mário, no momento do passe, se havia fora de jogo. É o Gatti, um dos centrais da equipe da Juve, que acaba por pôr em jogo o Rafa e, portanto, o 3 x 1, neste caso, gol legal do Benfica.
Já na segunda parte, aos 62 minutos, Danilo vê amarelo.
Sim, e bem mostrado, muito no limite. Se houvesse cartões cor-de-laranja, a gente mostrava aqui um cor-de-laranja, porque é uma entrada de sola de cima para baixo, acaba por acertar na parte da coxa do Ørsnes, muito no limite entre negligência e força excessiva, mas eu aceito claramente a decisão como boa, de ser apenas e só cartão amarelo.
Já perto do apito final, aos 84 minutos, temos Enzo Fernández, do Benfica, a receber amarelo. Aqui também é um caso alaranjado ou será mesmo amarelo?
Não, aqui é amarelo, embora seja um tackle feito mais de perto, ele acaba por acertar com os pitões, com a sola, mas no pé, e o pé está apoiado no chão. Se fosse o tornozelo, o gémeo, canela, já estaríamos a falar de outra dimensão, mas aqui é ao nível do pé, que inclusivamente está protegido pela própria chuteira. Portanto, é apenas a entrada negligente, que não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato. Esta é a definição e por isso cartão amarelo bem mostrado.
Analisados então os lances deste jogo, falta só atribuir nota ao árbitro do jogo entre Benfica e Juventus, Pedro.
Sim, o Srdan Jovanović esteve bem na minha análise. Também foi bem auxiliado pelo alemão Mark Fritz, que estava no VAR. Ambos estiveram bem quando foram solicitados nas decisões principais do jogo. Aquele cartão amarelo que eu falei no início acaba por ter pouco impacto. Por isso, nota positiva, nota 7. Só não dou mais porque, obviamente, se as decisões fossem todas corretas por parte da equipe de arbitragem, daria um oito, claramente. Foi jogo para isso, mas uma delas foi bem, mas foi com a ajuda do VAR e por isso nota sete. O que importa aqui não é o quantitativo, é mesmo o qualitativo. Uma boa arbitragem, uma arbitragem Champions League e, portanto, num grande jogo e por isso o árbitro também está de parabéns.
Nota sete, então, para o árbitro deste jogo entre Benfica e Juventus e apito final em mais um Sem Falta. Amanhã estamos de volta para analisar os lances nos jogos do Futebol Clube do Porto e o Sporting também para as Champions. Até amanhã.
Até amanhã. Obrigado.