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Análise de Pedro Henriques. Pedro, desde já muito bem-vindo a este "Sem Falta".
Boa noite.
Vamos então para o cardápio. António Nobre, de Leiria, foi o árbitro que apitou o jogo entre Futebol Clube do Porto e também o Rio Ave. Muito para analisar e logo ao terceiro minuto, um penalti revertido ao Futebol Clube do Porto.
Sim, boa decisão da equipa de arbitragem, neste caso do vídeo-árbitro, que chamou a atenção que o árbitro tinha assinado inicialmente um penalti de Miguel Nóbrega sobre Evanilson. Foi ver as imagens e percebe-se claramente que quando o Miguel Nóbrega estica o seu pé esquerdo, não tocou naquilo que era a eventual falta sobre o calcanhar do Evanilson, ou seja, não houve contacto. Além disso, o Evanilson, percebe-se claramente, ao não ser tocado, arrasta o seu pé direito com a biqueira do chão pela relva, projetando-se claramente para o solo. Por isso, o árbitro reverte o pontapé de penalti, não assinala o pontapé de penalti e mais do que isso, mostra cartão amarelo por simulação. E eu concordo com as duas decisões.
Entretanto, isto tudo aconteceu numa fase inicial. Há aqui também um gol que é revertido ao Porto por fora de jogo, ao 16º minuto.
Exatamente. Mais uma vez bem o VAR a intervir, porque o árbitro assistente numa fase inicial tinha dado gol à equipa do Futebol Clube do Porto, mas percebe-se que, primeiro, na construção da jogada, Francisco Conceição do lado direito, não está fora de jogo, mas depois ele cruza, o Nico cabeceia a bola, o Jhonata defende e na recarga o Galeno faz gol. No momento em que o Nico cabeceia a bola, o Galeno está adiantado em relação ao penúltimo adversário, quatro centímetros, que depois foi a cidade do futebol que confirmou a distância, mas está adiantado e portanto tira vantagem da posição em que se encontrava no momento do cabeceamento do Nico e por isso bem o VAR a fazer a segunda intervenção e a reparar mais aquilo que seria, ou seja, em 10 minutos tínhamos aqui dois erros graves cometidos e aqui percebe-se a importância que tem o vídeo-árbitro na tal reposição, eu não gosto muito da palavra, mas que as pessoas entendem melhor, da verdade desportiva, porque em 10 minutos o árbitro tinha o jogo completamente estragado com dois erros graves e assim manteve a folha limpa à custa do VAR.
Minuto 12, ainda antes do primeiro quarto de hora, não há penalti sobre Evanilson.
Não há penalti, mas o Talongo, que era aí que estava a questão, carregou pelas costas do Evanilson, só que é fora da área. Depois o Evanilson vai chocar com o Josué que está dentro da área. Portanto, não há penalti, porque realmente não há infração dentro da área, fica por assinalar um livre direto a favor do Futebol Clube do Porto e com cartão amarelo, porque era uma jogada de perigo. Digamos que na decisão mais relevante e importante, que era o possível penalti, esse não existe. Relembrar que o VAR só pode intervir em situações de penalti, sendo fora da área, não pode intervir.
Foi uma das raras situações em que todo o jogo em que o Rio Ave realmente tentou sair numa transição rápida e há aqui um fora de jogo a Boateng, que anula depois, na sequência da jogada, um penalti que seria do Fábio Cardoso.
Sim, Fábio Cardoso vai na perseguição, acaba por tocar o Boateng por trás, até iríamos mais longe, iríamos ao cartão vermelho, porque ele está na cara do guarda-redes, mas o que importa é a decisão. O árbitro assistente deixou o lance ir até o fim, de acordo com o protocolo, mesmo estando em fora de jogo e como foi dito até no direto, percebia-se aparentemente que estava no fora de jogo, mas é uma situação de finalização e portanto o árbitro assistente tem que deixar a jogada ir até o fim. Levantou a bandeirola e automaticamente o fora de jogo é a primeira infração, tudo o que vem depois, digamos, entre aspas, se torna irrelevante, mas por isso mais uma boa decisão da equipa de arbitragem.
Minuto 20, mais um amarelo para João Mário, lateral direito do Porto.
Sim, pisou o Fábio Ronaldo, do Rio Ave, um pisão no peito do pé, sola com os pitões, cartão amarelo bem mostrado.
Mais um lance também que podia ter gerado, mas não, grande polêmica aos 45 mais três, não há penalti sobre Pepê.
Sim, mas entretanto faltam aí dois lances.
Desculpa. Falta.
Já estamos no minuto 35.
Exatamente, ao minuto 35 amarelo ao Nóbrega.
Exatamente. Reestranhou o Francisco Conceição, quando o Francisco Conceição ia entrar pelo corredor direito lateralmente da área. A falta em si já é dura, é negligente e corta um ataque promissor, que era uma jogada perigosa. Amarelo bem mostrado ao Nóbrega.
E depois é o outro lance, que é o gol anulado, mais um, a Evanilson, aos 40.
Exatamente. Mas aí vem o árbitro assistente, que levantou a bandeirola e assinalou fora de jogo. O VAR aqui limitou-se a confirmar e a dar os centímetros. Portanto, no momento, o gol é do Evanilson, o fora de jogo é do Wendel, que é quem faz a assistência. No momento em que o Galeno passa a bola para o Wendel, o Wendel do lado esquerdo, conforme o Porto estava a atacar, estava adiantado 19 centímetros e depois faz a assistência, o Evanilson faz o gol, mas bem o árbitro assistente que verificou isso, deixou a jogada ir até o fim, levantou a bandeirola e, como dissemos já, o VAR confirmou 19 centímetros em fora de jogo.
E agora sim, o tal lance que eu falava há pouco, não há penalti sobre Pepê.
Não, ele cai na área, é numa disputa de bola com o Santos, agora esqueço-me o primeiro nome do jogador.
O Éderlan.
O Éderlan Santos, estava a faltar aqui o primeiro nome. É uma situação em que o Pepê está na rotação e ao fazer a rotação acaba por promover também o próprio contacto do próprio Éderlan Santos, que está nas costas e há ali um toque ao nível do glúteo, da zona da anca e o glúteo. Portanto, há contacto, mas não há infração, não há motivo para pontapé de penalti, boa decisão.
Segunda parte, minuto 47, Fábio Cardoso, um remate no braço do Josué, mas também sem penalti.
Sem penalti. A bola vai à parte de trás do braço, da parte superior, o tríceps, por assim dizer. Portanto, o Josué tem o braço dobrado, encostado ao corpo, não ganha voluntariedade, se a bola não batesse no braço, iria bater no corpo e por isso boa decisão, sem motivo para pontapé de penalti.
Minuto 49. Conceição cai na área, luta com Nóbrega, que já tinha até um cartão, mas também não há aqui penalti.
Não, há um momento em que realmente Miguel Nóbrega, até por ser mais alto, coloca a mão sobre o ombro do Francisco Conceição, que até já estava em desequilíbrio e se projetou claramente para o chão. E quando digo se projetou, não quer dizer que estava a tentar ganhar o penalti. É normal nestes contactos, os jogadores que sentem esses contactos muitas vezes deixarem-se cair, que é diferente de fazer simulação. Realmente, há até um contacto Miguel Nóbrega com a mão sobre o ombro, mas eu relembro que é preciso haver sempre uma causa, um efeito, uma consequência. Portanto, aquilo que normalmente as pessoas em termos vulgares falam na intensidade. Não há essa consequência, a mão existe, mas não puxou, não agarrou, não empurrou e portanto boa decisão, sem motivo para pontapé de penalti.
Também é um lance que mete mão, mete o Aziz na área e também não há penalti.
Sim, é no corredor direito do ataque do Porto.
É na face da área, não é?
Exatamente, é à entrada da área. Depois até se colocou aquela questão se é dentro ou fora, depois com as imagens bradas percebe-se que é dentro. O Aziz tem os braços agarrados e dobrados e as mãos agarradas atrás das costas. O gesto típico que os jogadores fazem para mostrar que não querem jogar a bola com o braço, mesmo que a bola vá bater. E depois, vê-se até o Pepe a fazer um gesto curioso, que é dizer ao árbitro que ele realmente tem os braços atrás das costas, mas que abriu o cotovelo. E aí, poderíamos estar perante uma infração, porque o jogador pode ter as mãos atrás das costas e a bola vai passar e abre o cotovelo e lá está, ganha voluntária. Não foi o caso. A bola veio bater na parte de baixo, ou seja, não bateu no cotovelo. Para já, ele não fez esse gesto. Além disso, a bola foi bater na zona quase da mão, ali na zona do pulso, que está mesmo encostada ao corpo. E, portanto, não há volumetria, não há gesto deliberado. Boa decisão, sem motivo para pontapé de pênalti.
Agora, daqui em diante é só cartões amarelos e um vermelho, um duplo amarelo. Minuto 64, amarelo para Tanlongo, médio do Rio Ave.
Exatamente. Falta sobre o Ivanilson, a entrada da área, corta um ataque promissor. A entrada em si também é muito dura e cartão amarelo bem mostrado.
Amarelo. Galeno, minuto 68.
O Wendel deu com a mão na cara de um jogador do Rio Ave, o árbitro assinou a falta, apenas e bem, e o Galeno foi ter com o árbitro em protesto de gestos e palavras, e o árbitro cartão amarelo.
Pepe também se habilitou e viu o amarelo ao minuto 64.
Porque o João Mário pontapeou mesmo o pé do Boateng, o árbitro assinou bem a falta e agora é o Pepe que foi protestar com a equipa, com o árbitro, mais concretamente, também com gestos e palavras. Portanto, duas situações em que às vezes os jogadores até podem ter razão. Sabemos é que mesmo com razão, não podem protestar. Agora, neste caso, tanto o Galeno como o Pepe protestaram, mas protestaram por infrações que existiram mesmo e, portanto, quem teve razão foi mesmo o árbitro.
Também o amarelo aqui para Jonathan aos 77.
É aquela questão da perda de tempo, é sempre critério do árbitro. Vou dar sempre como boa e positiva a decisão do árbitro, achar que o guarda-redes do Rio Ave estava a perder tempo na reposição num pontapé de baliza.
Minuto 85, é o penúltimo lance, é quase um em dois. É o primeiro amarelo para o Boateng.
O árbitro já tinha mais nada ali em conflito, já estava a tentar separar os jogadores. O Porto queria marcar o livre e quando o Pepe, aparentemente estava resolvido, vai bater o livre, o Boateng coloca-se à frente e quase em cima da bola. E este comportamento incorreto, antidesportivo e de retardar o recomeço do jogo, o árbitro muito bem ali, ainda por cima já tinha separado as pessoas, já tinha tirado os jogadores dali e ele ainda foi por lá. Portanto, cartão amarelo bem mostrado.
E o segundo amarelo ao Boateng, já para além dos 90.
Exato. Bem mostrado também o segundo cartão amarelo e a consequente expulsão. O Boateng tem uma entrada fora de tempo, não para o seu movimento e vai de joelho em cheio na perna do Gonçalo Borges. Uma entrada negligente, não tem em conta o perigo e as consequências do abate, neste caso, para com o Gonçalo Borges. Cartão amarelo bem mostrado, o segundo e consequente vermelho.
Nota então para o António Nobre.
Olha, eu vou dar à equipa de arbitragem, porque se repararmos, conforme disse, ao minuto 10, o árbitro tinha o jogo estragado, se não fosse o VAR. E eu sei que o VAR neste momento faz parte da equipa de arbitragem, mas eu valorizo sempre mais se tivéssemos um árbitro com as mesmas boas decisões que houve, sozinho, entre aspas, com a equipa, com os seus assistentes a tomarem as decisões e a acertarem. Neste caso, houve a ajuda do VAR e, portanto, penalizo ligeiramente, ou melhor dizendo, não é penalizo, não valorizo tanto. Vou dar nota seis, que é uma nota positiva. Ele teve muitos lances de área, teve muitas e boas decisões, mas realmente em 10 minutos podia ter estragado o jogo todo se não fosse a ajuda do VAR. E é por isso que eu vou dar nota seis. O VAR esteve em bom plano, quer no pênalti revertido, quer no golo anulado. O árbitro depois acaba por estar bem nas decisões da área em que não assinou pênaltis, nos dois amarelos ao Boateng, o assistente esteve bem naquele fora de jogo dos 19 centímetros. Portanto, há aqui um conjunto de situações positivas, mas por isso uma nota positiva que não é mais valorizada porque houve muita e preciosa ajuda do VAR. De qualquer maneira, nota seis, nota positiva.
Uma nota seis dada pelo Pedro Henriques no "Sem Falta", que fica também disponível através do podcast da Rádio Observador. Pedro, amanhã, se houver polícia, voltamos a falar.
Exatamente. Vamos ver. Um abraço e até amanhã então.
Mas agora uma pergunta final para ti.
Sim, diz.
Tens noção de ter alguma vez acontecido em Portugal, ou creio que foi a primeira vez?
Sim, já tivemos alterações, adiamentos, por diversas situações, de questões de iluminação, de mau tempo, intempéries, às vezes jogos que começarem nevoeiros. Portanto, já tivemos assim situações como estas. Agora, de força de polícia não aparecer a nível de futebol profissional, não me recordo. Lembro-me, sim, ter vivido situações nos distritais, nos regionais, que é normal, que às vezes falta um guarda, GNR ou dois, ou às vezes atrasarem-se porque foram destacados para outros serviços, acidentes que aconteciam, e aí é diferente. Agora, a nível de futebol profissional, nunca tinha tido uma situação como estas, independentemente, obviamente, dos valores que estão em cima da mesa no sentido da justiça ou não das reivindicações. Olhando para a parte desportiva do futebol, aqui a liga também está um bocadinho de mãos e pés atados, porque foram todos apanhados de surpresa. Até a própria força policial foi apanhada de surpresa. E era este mesmo o efeito que os policiais quiseram, foi criar aqui o efeito de surpresa, porque se houvesse uma resolução, não se estava a falar e se calhar hoje falou-se mais da problemática dos polícia, dos direitos que eles estão a reivindicar. E no meu ponto de vista, como cidadão da justiça, dos direitos que eles estão a reivindicar, eu estou sempre ao lado das forças policiais, talvez por ter sido militar durante 27 anos, mas estou sempre. Reconheço que neste momento é um direito que eles estão a reivindicar, que eu compreendo. Sob o ponto de vista desportivo, foi toda a gente apanhada aqui de mãos e pés atados e vamos ver o que vai acontecer, porque isto ainda não acabou. Amanhã há mais jogos e vamos ver se há consequência nisto e sequência nestas ações reivindicativas. Agora era bom que também que o poder político chegasse à frente, porque o que está em causa não é só a questão do futebol em si, que também mexe com os cidadãos, é a segurança do nosso país. E se há coisa que é muito importante-
E amanhã vamos ter eleições.
Exatamente. Amanhã vamos ter eleições nos Açores. Se há coisa que nós nos vangloriamos é da segurança que ainda vamos tendo no nosso país e, portanto, é bom. Precisamos muito da polícia e das forças da ordem, das forças de segurança.
Olha, já agora, pergunta final. Qual é o contingente que é necessário para começar um jogo com segurança na Primeira Liga?
Não somos nós, árbitros de liga, que temos-
É avaliação da própria polícia?
Exatamente. Quando nós estamos na reunião técnica, depois depende do nível de jogo, que há usualmente a reunião é de manhã, mas nas reuniões técnicas, uma hora antes dos jogos ou na própria manhã do jogo, conforme o grau que é atribuído ao jogo, a equipa de arbitragem, quando se reúne com os delegados das equipas, com o diretor de campo, diretor de segurança, com os chefes dos bombeiros, uma série de pessoas, publicidade e também o comandante da força policial. E nós perguntamos nessa reunião: "Senhor comandante, estão reunidas as condições?" E é o comandante que nos diz sim ou não, e até explica como é que colocou o dispositivo ou aquelas partes que nos pode dizer. Inclusivamente, acertamos aí, se houver uma situação de emergência, para onde é que a equipa de arbitragem tem que se dirigir. Normalmente é para o centro do terreno de jogo. Às vezes há outros que dizem para ir ter logo com o polícia que está junto ao banco dos guarda-redes, o que quer que seja. Isto para dizer que a segurança é da polícia e é a polícia que determina. Claro que isso está tudo estudado e pensado em função do grau do jogo e das pessoas que são expectáveis, quantos polícia é que são necessários. Mas de qualquer maneira, é bom relembrar que isso não é da nossa incumbência, é a força policial que tem que determinar. E se acham que não há condições, como disseram que não haveria condições garantidas para amanhã, daí o jogo não ter sido adiado no tal prazo das 30 horas, conforme o artigo 46 determinaria como primeira instância para resolver. E agora cria-se aqui um problema, porque se olharem para o calendário do Sporting, se o Sporting ganhar ao Leiria e se passar sobre o Young Boys, só em abril é que o Sporting tem uma semana livre, sem jogos de três em três dias ou de quatro em quatro dias, porque pelo meio, inclusivamente, vai haver seleções e, portanto, não é expectável que se jogue até abril. Vamos ver como é que a liga vai resolver este problema.
Entregue. "Sem Falta", com o Pedro Henriques. Pedro, então até amanhã.
Até amanhã, um abraço.
"Sem Falta", que fica, volto a sublinhar, disponível através do podcast da Rádio Observador.