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É como na estrada, são muitas as artérias rumo a Belém 2026. A Judite França e o Ricardo Conceição são os polícias sinaleiros. Cada condutor no espectro político à direita parece ir na sua via. A direita política não está a querer dar boleias rumo às presidenciais, Miguel.
Esta imagem do trânsito pode assentar à direita. É o primeiro tema que sinalizamos no semáforo político. Senhora agente Judite França, Luís Marques Mendes, André Ventura, Mariana Leitão e pode vir aí ainda um candidato do CDS.
É, e eu não tendo experiência de polícia sinaleiro.
Nunca me tinhas chamado de polícia sinaleiro. Já me chamaram muita coisa.
É a primeira vez.
Da próxima podem me tratar por cabeça de giz, que era assim que se chamava polícia sinaleiro. É muito difícil, é um trabalho difícil e, portanto, eu não vou entrar por aí. Mas já que se tem falado muito na divisão à esquerda, eu acho que a direita está mais fragmentada do que nunca. E nós temos Mariana Leitão, Marques Mendes, André Ventura e além de todos os candidatos, ainda temos Gouveia e Melo, que entra claramente no centro-direita com muita facilidade, vide as pessoas do PSD que o apoiam. Depois há aquela teoria de que André Ventura não tira votos ao PSD, que é uma teoria que não lembra ao careca, porque é o mesmo que pensar que não tirou votos ao PSD nas legislativas ou nas anteriores. Não faz sentido. Tirou votos à esquerda, portanto também tira à direita e não vale a pena estar a distinguir direita com extrema-direita, porque a primeira pode votar Ventura, a segunda é diminuta, essa vota de certeza, a de extrema-direita, mas ela é muito diminuta em Portugal. Portanto, essa conversa da extrema-direita é uma conversa que não colhe depois quando é preciso fazer esse tipo de contas. E claro, temos a Iniciativa Liberal com Mariana Leitão, que se tiver um resultado superior ao de Cotrim Figueiredo nas europeias, tem uma vitória retumbante. Se for melhor do que Rui Rocha ou igual a Rui Rocha nas legislativas, é também uma boa vitória. Vai ter mais, estou em crer, do que teve o candidato das últimas eleições presidenciais.
Tiago Maia Gonçalves.
Tiago Maia Gonçalves. Sendo que eu acho que Mariana Leitão tem o potencial de ter um belo resultado e isso será prejudicial, sobretudo ao PSD, evidente. Mas como se não bastasse isso tudo, ontem ouvimos Nuno Melo, pelo CDS, a dizer que também se calhar vai avançar com o seu próprio candidato. Talvez a direita já tenha descartado de vez que vai ganhar por causa do Gouveia e Melo, mas eu duvido que André Ventura desista para Marques Mendes para uma segunda volta. Mariana Leitão é talvez mais possível se for uma questão de vai ou racha. Entretanto, sobre Mariana Leitão, que eu acho que é uma das melhores deputadas da sua geração, acho que está a sofrer de síndrome de Estocolmo, porque não me parece que uma candidatura a Belém fosse a sua situação preferida. Estamos a falar de uma fazedora, o que se pode ver pela sua carreira privada, mas também pelo seu passado político.
Também não está contra ganhar.
Não. Mas só o facto de ter que estar naquela campanha deve ser uma grande maçada. Para quem gosta de fazer coisas, deve ser maçador. E a sua ascensão rápida é prova do seu trabalho e do seu mérito. E, portanto, eu vou dizer, Mariana Leitão, se me estiver a ouvir, pisque duas vezes por acaso de estar.
Queres ir resgatar Mariana Leitão.
Quero ir resgatar Mariana Leitão. Porque o fato de ter sido Rui Rocha a anunciar o nome de Mariana Leitão deixou a ideia de que a líder parlamentar foi empurrada para este desafio. O que não será fácil, será sobretudo cansativo, mas enfim, pelos partidos há sacrifícios e portanto decidiu dar o corpo às balas. É mesmo assim que acontece. Já agora, Santos Silva, se estiver a ouvir isto, dê-me só uma piscadela se já tiver decidido que é melhor do que António Vitorino nas urnas. Eu não tenho dúvidas de que é. Vitorino é muito conhecido na bolha, mas fizemos aqui uma sondagem na nossa rua, ninguém sabe quem é. Já ninguém se lembra de António Vitorino e o fato de ter estado com as migrações não diz nada às pessoas. Augusto Santos Silva, pelo contrário, ganhou muito junto à esquerda pela forma como tratou o Chega e André Ventura. E, portanto, eu acho que Augusto Santos Silva tem sempre pouca conta, porque ele é melhor do que António Vitorino. E, portanto, não devia esperar que António Vitorino avançasse ou deixasse de avançar. Acho que do ponto de vista eleitoral, Santos Silva é melhor do que António Vitorino. Não estou a discutir méritos pessoais ou académicos, ou filosóficos, ou ideológicos. Estou a falar de votos e de contas. André Ventura está com a cabeça em todo lado, menos nas presidenciais. Veremos se os casos o afetam ou não. Veremos se os seus fiéis são mesmo indefectíveis. Atenção que um milhão de votos não são de fiéis. Não há tantos fiéis assim. E, portanto, há um eleitorado móvel que sempre foi uma fatia muito importante em qualquer eleição e esse pode oscilar de um lado para o outro.
E esta é uma eleição muito especial.
É uma eleição especial, é uma eleição que tem um nome como Gouveia e Melo.
Ainda não sabemos.
Tem. Quem gosta da autoridade.
Continua em silêncio.
É assim, está bem.
Resta saber por quanto tempo.
É lá para o verão. Lá para a primavera.
Pode ser que seja antes.
É a altura em que tudo desponta.
Terá de ser antes.
Por quê?
O que tu sabes, Ricardo Conceição?
Conta-nos coisas, Ricardo Conceição.
Não sei nada. Quer dizer, isto é insustentável.
Não, não é nada. Seguro também só vai avançar na primavera. É uma ótima altura para avançar. Se passa de quem, então.
O senhor almirante está em silêncio, está calado.
Mas vai agora a uns jantares e tal.
Tem que dizer alguma coisa.
E vai a uns jantares.
Acho que esta tática, para já vencedora, também não dura para sempre. Acho eu.
Mas também por Marques Mendes já estar agora no terreno, em campanha oficialmente.
Acho que sim, uns vão forçando os outros. Marques Mendes vem com a cartada da política, que é um político que quer política e quer fazer política, falando de outros que se escondem. Eu acho que poderá obrigar o almirante a dizer qualquer coisa.
Acho que seria útil nesta altura começarmos a perceber realmente quem é que vai a jogo.
Deixa-me só terminar isto.
O tempo urge, apesar de faltar um ano.
Eu acho que Marcos Mendes, que como analista político sabe bem que Mariana Leitão e André Ventura, e ainda por cima o CDS, possivelmente o metem num molho de brócolos. E atenção, Gouveia e Melo não tem melhor sorte, porque a divisão que pode pender para o eleitorado vale também que pode pender para o outro lado. A divisão do eleitorado é muito democrática, porque rouba votos a todos e pode roubar votos ao almirante. Por hipótese, entre o almirante e Marcos Mendes, entre o almirante e André Ventura e entre almirante e um nome do CDS.
Mas é possível que isso aconteça. Do CDS acho muito pouco provável.
O Nuno Melo ontem disse que está a pensar num nome, não é?
Sim, vamos ver que nome será. Mas a segunda volta parece-nos já quase que garantida a esta distância. Podemos ter que comer o nosso chapéu, mas é possível que isso aconteça. Resta saber quem é que passa à segunda volta e como é que as forças se vão posicionar. O que é facto é que Gouveia e Melo parece-me ser o único protocandidato que consegue tirar votos à esquerda e à direita, votos ao centro. Nenhuma das outras propostas me parece conseguir voto nas outras famílias.
Mariana Leitão consegue.
Não vai conseguir votos à esquerda. Acho que não.
Acho que consegue o voto feminino.
Acho que sim.
Eu imagino-me a votar, em tempos, por exemplo, numa Maria de Lurdes Pintasilgo, pela única razão de ela ser mulher e ser uma mulher pela primeira vez a candidatar-se a alguma coisa. E acho que estás a menosprezar o fator mulheres.
Nunca menosprezei as mulheres.
Não, o fator mulher nisto.
Sim, que é muito importante.
O peso do gênero na decisão dos eleitores.
Vai ser importante.
Não é despiciendo aqui.
E ela foi escolhida também por isso.
Também.
Não vamos ser inocentes. E bem, claro.
E eu acho que o facto de ser mulher.
Não é a unicidade Joana Amaral Dias.
Joana Amaral Dias que já confirmou entretanto que se quer candidatar.
O facto de ser mulher, de ter o passado que tem profissional, de ser uma self-made woman, tudo isso, que é muito Iniciativa Liberal, tem muito aquele ar clean startup unicórnio.
Vamos ver se agrega o suficiente para fazer mexer a agulha.
A questão é: mesmo para uma determinada juventude que está farta de homens de meia-idade, não do nosso podcast.
Também eu?
Não, há uma juventude, eu incluo-te na juventude.
Eu já sou um homem de meia-idade.
Está bem.
A própria já está farta de mim, a Judite.
Eu estou a falar de homens da idade dos 70, que neste momento dominam a política. São os homens de 70 anos que dominam a política. E há homens de 70 anos a dominar a política há 30. Não saímos daquela geração. E eu acho, por exemplo, que António José Seguro tem essa vantagem por ser mais novo em relação a Santos Silva. E acho que se houver um centro-esquerda que está na dúvida entre um almirante e um nome mais fresco, pode optar por Seguro, porque esta coisa de estarmos a votar sempre em homens de 70, 80 anos, é um bocado o que acontece nos Estados Unidos.
A segunda volta é outro jogo, é outra eleição.
Não, eu estou a falar da primeira volta. O eleitorado móvel, que é de centro-esquerda, vai votar em quem? Não é? Temos que pensar neste eleitorado.
Temos um ano para discutir ainda.
Judite, e o teu sinal vai para esta fragmentação dos candidatos à direita? É esse o teu habitual sinal?
Sim, que eu acho que beneficia Mariana Leitão.
Muito bem.
Fica a dica.
Fica a dica e esta perspectiva em torno daquilo que são os protocandidatos e os candidatos à direita.
Ficaste surpreendido agora com a minha conclusão.
Fiquei surpreendido. Diz-me só uma coisa, que sinal é que queres atribuir?
Vou dar verde, porque acho que Mariana Leitão, sem nada fazer, pode ter sorte.
Não sei se é por seres ou não um homem de meia-idade, Ricardo Conceição, mas queres sinalizar aqui?
Sou bem aqui. Chamam-me.
Despindo o seu terno para isto.
Começam isto a dizer que é para lhe assinalar e agora dizem: "És um homem de meia-idade."
Mas foste tu que disseste.
Eu nem quero imaginar como é que isto vai acabar.
O certo é que escolheste o tema dos seguros de saúde em Portugal.
Exatamente, estou preocupado com a minha saúde.
A subscrição destes seguros aumentou mais de 17% no ano passado. Isto é sinal de falta de confiança no SNS?
É, eu penso que sim. Os dados foram avançados hoje pela presidente da Autoridade da Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões do Parlamento. Portanto, novos contratos de seguros de saúde que subiram 17% de 2023 para 2024. Isto não são necessariamente novos beneficiários de seguros de saúde. Estamos a falar em novos contratos. Por exemplo, se uma pessoa mudar de emprego e o seguro de saúde for pago pela empresa, haverá um novo contrato no novo emprego, que entra para estas contas. Mas de qualquer forma, isto é significativo numa altura em que o número de pessoas que tem seguro de saúde em Portugal já andará perto, seguramente acima dos 3,5 milhões, já muito perto dos 4 milhões. E claramente, quem pode e quem consegue, está a refugiar-se em seguros de saúde porque tem receio, muitas vezes receios fundados, de que o Serviço Nacional de Saúde não funciona, ou pelo menos não consegue passar aquela primeira barreira. Passada a primeira barreira, talvez as coisas melhorem um pouco e não consegue passar a primeira barreira. Portanto, aqui o sinal vermelho vai para a cegueira ideológica que, no fundo, tem o efeito pernicioso de De prejudicar o próprio Serviço Nacional de Saúde quando diz que o quer defender. Eu já disse aqui e vou repetir isto até me finar. O SNS, Serviço Nacional de Saúde, é uma das nossas maiores conquistas. A possibilidade de nós adocermos e sermos tratados de forma gratuita a qualquer problema é algo de inacreditável e de bom, inacreditável no sentido de bom, que devemos preservar. Agora, o dinheiro não estica, os recursos não esticam e é preciso olhar pra tudo isto com racionalidade e capacidade. Quem pode pagar, deve pagar mais, quem não pode pagar, não paga. Todos temos de ter acesso à saúde. E depois ouvimos aquela conversa do ataque do setor privado ao Serviço Nacional de Saúde e os seguros de saúde e as grandes empresas e o capital, e toda essa conversa que no fundo é perniciosa e acaba por prejudicar um bem que é de todos, que é o Serviço Nacional de Saúde. E eu recomendo também que os nossos ouvintes leiam o artigo de Patrícia Pacheco, que é diretora de serviço de infectiologia do Hospital Amadora-Sintra. É um artigo de opinião que hoje está no Observador, vale a pena ler, em que, no fundo, Patrícia Pacheco entra num diálogo com a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e que vale a pena ler, sendo o Hospital Amadora-Sintra, como ela própria diz, um hospital que está nas bocas do mundo há muito tempo e pelas piores razões.
O "ULS Amadora-Sintra: a resposta que evitei dar" é o título desse artigo aqui citado pelo Ricardo Conceição, da médica Patrícia Pacheco. Quanto ao semáforo político, deste um sinal vermelho e ficamos mesmo por aqui. Estamos de volta amanhã.
Este homem de meia-idade vai se retirar.
É, amanhã vamos ter-
Um homem de meia-idade que falou em finar também.
Em finar.
Pois, é. Portanto, Ricardo, a responsabilidade aqui é tua das tuas afirmações.
Ânimo pra quem está no trânsito.
Amanhã temos duas polícias sinaleiras, a Julie de França e a Raquel Abecasis.