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Olá, como é que estamos? Bem-vindos a mais um episódio do "Terapia de Casal", o último de 2025.
Verdade.
O meu nome é Rita da Nova, comigo está Guilherme Fonseca.
Também é verdade.
O meu excelso marido.
Não, isso não é verdade, não é excelso.
Não és o excelso, és o Guilherme. Sendo que hoje é dia 29 de dezembro.
Exatamente.
E eu pensei que não tinha uma curiosidade para apresentar neste podcast e pensei: que coisas interessantes aconteceram a 29 de dezembro que possam aqui espoltar.
Ah, fizeste o velho truque das rádios quando não têm o que falar.
Exatamente. E então o que eu descobri que aconteceu? Aconteceram várias coisas nos diferentes 29 de dezembro da história, mas três chamaram a minha atenção.
Ok.
O primeiro foi que em 1987.
Excelente ano, acho que até é dos melhores anos.
Nos Estados Unidos, aprovou-se pela primeira vez o uso do Prozac.
Ok.
E eu acho que nesta época de festas, em que nós temos todos de estar a levar com as nossas famílias.
Eu acho que foi por causa disso. Foi de certeza um senador qualquer na América que disse assim: "Pá, eu não aguento".
"Isto não está a dar".
"Isto aquilo do Prozac, eles disseram-me que uma pessoa se acalmava. Eu não consigo".
"Eu depois destes dias que passei com a minha família, eu vou ter de..." Achei que era um dos que fazia mais sentido aqui, porque nesta época de festas sabemos que é muito amor e muita alegria, mas também é muito antidepressivo.
Tenho coisas para falar sobre isso, sim.
Depois, em 2013, foi o fatídico acidente do Schumacher no esqui.
Ah, foi num dia 29 de dezembro.
29 de dezembro de 2013.
Ok.
Ele deu com a cabecita.
Foi contra uma árvore, não foi?
Está aqui um vídeo a explicar precisamente tudo o que aconteceu. Eu não vou ver.
Pois, ok, também não.
Até porque este é o mais triste. O mais feliz, que vem agora, foi em 2022, quando o Andrew Tate foi preso, arrested, na Roménia.
Ah, por tráfico...
Por tráfico sexual.
Prostituição forçada, uma coisa qualquer assim.
Prostituição, etc.
Ok. Sendo que é um bocadinho irrelevante, porque entretanto o Trump está a conseguir perdoá-lo e dar-lhe uma vida, e acho que ele vai para a Arábia Saudita agora viver.
Pronto, mas olha, foi um início. Nós tentámos. Obrigada.
O importante é acusar as pessoas daquilo que elas fizeram.
Exatamente. E depois a justiça logo fará ou não o seu trabalho. Portanto, foram três coisas interessantes que eu achei que eram giras trazer para aqui que aconteceram em dias 29 de dezembro como hoje. Será que hoje vai acontecer alguma coisa que mereça estar nesta lista?
Vamos ver.
Neste episódio à partida, não.
Eu gostava de falar contigo sobre este ano e sobre o próximo, mas antes eu queria falar sobre as festas e sobre o Natal.
Bora.
Eu vou começar já com uma observação. Algumas pessoas vão achar nojento, mas eu gostava que as pessoas me acompanhassem até ao fim e que não me perdessem logo no início. Ok? Eu não sei como é que vivi 37 anos da minha vida sem fio dentário. Eu não sei como é que isso aconteceu. Eu não sei como é que nunca ninguém me tinha trazido para o mundo do fio dentário ou do fio dental. Pode-se falar das duas maneiras. Mas eu não sei como é que é possível, porque a quantidade de bacalhau que se meteu entre os meus dentes, eu não sei como é que eu fazia nos outros anos. Como é que eu fazia?
Tiravas com o dedinho.
Mas eu tentei tirar com o dedinho este ano e depois era preciso chegar a casa e ir direto ao fio dentário, porque a quantidade de bacalhau. Então, há especificamente, eu não sei se isto acontece com as outras pessoas ou não, mas há especificamente um espaço entre dois dentes. Há ali um gap entre dois dentes onde eu gosto de armazenar comida.
O meu é aqui atrás.
É em cima do lado direito?
Entre o último molar e o penúltimo.
Olha, eu vou te dizer, o meu espaço é baixo à esquerda.
Ah, eu embaixo não sofro muito.
É entre o penúltimo e o antepenúltimo.
Pois. Eu é sempre cima que sofro mais, por acaso.
Não, pá. Não. E eu não sei o que é que se passa. Deve ter sido de eu este ano ter tirado os dentes do siso. Eu acho que os meus dentes estão a rearranjar-se e como estes dois têm mais espaço.
Estavam ali apertadinhos nos outros anos, não é?
Estavam muito. E eu acho que agora eu tenho ali uma pequenina despensa ou um espaço de arrumação.
Um armazenamento.
Exatamente.
Já podes hibernar.
Foi de tal maneira, que era isso que eu não te quis contar no outro dia, porque eu achei que tinha graça contar aqui. Houve um dia desta semana, que eu acho que foi de 25 para 26. Não, porque isso foi anteontem.
Calma, Guilherme, tu tens que explicar uma coisa às pessoas, que é: nós, 22 e 23, fizemos Natal na tua família.
E depois 24 e 25 fizemos na tua família.
Exatamente. E fizemos tudo normal. Portanto, 22 e 23 fizemos como se fosse o 24 e o 25.
Nós temos dois 24 e dois 25.
E depois a 24 e a 25 voltámos a fazer tudo outra vez.
Exatamente.
Estou muito contente, como vocês podem só perceber.
É ótimo, fartámo-nos de comer.
Pá, pá.
Qual é a questão? Eu só tenho pena que a tua família não tenha uma coisa, que é vinho quente.
Então, mas podes introduzir.
Eu tenho que introduzir. Eu vou levar, vou comprar. Eu vou evangelizar a tua família.
Claro, podes tu levar coisas e ensinar as pessoas a fazer.
Ya. Mas o que eu ia dizer? Eu acho que é a minha coisa favorita do Natal. Não era isso que eu ia dizer. Eu gosto muito de roupa velha, mas vinho quente está equiparado.
Está bem, mas estavas a falar dos teus dentes.
Estava a falar dos meus dentes.
É, foi de tal maneira...
Foi de tal maneira que no dia 24 à noite O 24 das pessoas.
Sim, o 24 de toda a gente.
O 24 de toda a gente. No dia 24, fomos para a cama ler, estive a ler "Daytime". À meia-noite acordei, tive que ir tirar comida deste espaço.
Mas não fizeste isso antes de dormir?
Fiz antes de dormir, lavei os dentes antes de dormir, mas não ficou.
Não ficou.
Há ali um quarto secreto. Sabes o Hogwarts, que tu mexes um quadro e abanas não sei o quê e de repente há uma ala que estava escondida atrás dos quadros? Há aqui um espaço qualquer onde ainda havia bacalhau. O bacalhau estava ali escondido. Eu descobria a Anne Frank do bacalhau entre os meus dentes. E eu tive que acordar à meia-noite, levantar-me e ir tirar comida entre os dentes.
Boa. Posso dizer-te uma coisa?
Podes.
O "Terapia de Casal" não é stand up.
Estava a contar uma história.
Estou a brincar contigo. É que tu começas logo: "Eu era a Anne Frank do não sei o quê, eu era o quarto secreto".
Estou a falar na minha cabeça.
Estou a brincar contigo.
Sim, estou só a-
Estou a meter contigo.
Está tudo bem.
Estou a meter contigo.
Este ano também fiz rabanadas que eu nunca tinha feito.
Vou morrer.
Engasgas-te no teu veneno.
É verdade, sou uma cobrinha. É verdade, mas fizeste com a minha família.
Fiz com a tua família. Com a minha família, eu fiz várias coisas. Ajudei com o recheio do peru, fiz a roupa velha, etc. Mas doces não costumo fazer na minha família.
Tenho uma observação para fazer em relação a recheio do peru.
Ok.
Que é uma coisa que eu estava a pensar.
Que não está dentro do peru. É isso que ias dizer.
Exato. Por que se chama recheio, se ninguém vai enfiar aquilo no cu do peru?
Olha, isto não é stand up. Por que estás à procura de ângulos cômicos? O que estás a fazer?
Não estou.
Não, é que isto é o "Terapia de Casal".
E sou naturalmente engraçada, percebes?
Não, mas porque estás a forçar para slimes?
Mas é sério, porque vocês chamam recheio, porque isto é da parte da família do Gui. Porque é que vocês chamam recheio a uma coisa que não vão enfiar em lado nenhum?
Por que se chama ceia de Natal se é um jantar normal e não é uma ceia que se come às duas da manhã?
Guilherme, eu não digo ceia, digo jantar.
Está bem, mas não se diz ceia de Natal?
Não, diz-se jantar de Natal.
Não, tu é que estás correta.
É a consoada. Estou a perguntar, porque vocês não estão a rechear peru nenhum.
Não está dentro do peru, de facto, mas nós temos uma tacinha com o recheio do peru fora do peru.
Que depois nem sequer metem em cima do peru, malta, metem no arroz.
Não é em cima, é dentro. O recheio é dentro.
Certo, mas depois, já no prato, nem sequer metem em cima.
E o recheio que a minha família faz é tão bom que nós comemos arroz com recheio e cagamos no peru.
Eu vou te dizer uma coisa: eu não sei porque vocês continuam a encomendar peru. O peru ninguém quer saber. Mais valia fazer um arroz branco ou um arroz com sultanas e não sei o quê, e o recheio só.
Eu adoro aquele arroz à Marilyn com sultanas.
Eu acho que era só o recheio. O recheio é muito bom.
O recheio é excelente.
Recheio com uma massinha e um bocadinho de queijo por cima.
Não é massa, é aquele arroz. Sabes o que é? Sabes arroz de miúdos? Imagina aquele recheio com arroz de miúdos.
Não, Guilherme. Não.
Ou aquele arroz à Marilyn.
É que o arroz de miúdos tem mais água.
Eu tenho que me assoar. Eu estou a falar e estou a ficar progressivamente cada vez mais cheio no nariz.
Ok, então vai lá.
Pode ser? Então vá, fala aí com as pessoas que eu tenho mais coisas para dizer.
Estava a pensar nisto do recheio. É que depois, ainda por cima, o que é engraçado é que é uma das coisas mais importantes do Natal da família do Guilherme, que é o recheio, meu Deus, e depois ninguém vai. Não sei se estão a ouvir o Guilherme. Faz lá outra vez. Espero que possam ouvir este elefante que está a assoar-se e espero que tivessem saudades deste pequeno elefante que está na minha cozinha de momento. Mas pronto, era só uma das coisas que eu queria dizer. Mas sim, fizeste doces este ano, nunca tinhas feito doces?
Nunca tinha feito, fiz rabanadas com a tua família e continuo entupido. Ya, impressionante. Mas fiz rabanadas com a tua família e foi uma experiência muito gira, porque cada um tinha o seu quadrado, cada um no seu quadrado.
Eu digo hado.
Não, cada um tinha a sua posição na linha de montagem.
Sim.
Foi muito lelista. Foi uma experiência engraçada, nunca tinha feito. Iam beber o pão e depois, a certa altura, começámos a perceber que a tua tia tinha cortado pão suficiente para fazer praticamente 200 rabanadas.
Não, não era isso. Eram 70 e tal, 80.
E a certa altura parou-se de fazer rabanadas.
Ya, estamos sempre: "Não, chega".
Ficou algures pão embebido em leite e açúcar.
Para fazer qualquer coisa.
Para depois alguém bebe aquilo, ou assim, não sei.
Exato. Alguém come aquela papinha com: "Olha, mete-se um bocadinho de vinho tinto em cima, de vinho do Porto".
Sopas de cavala cansada, não é assim?
Sopas de cavala cansada, exatamente.
Pronto, mas eu não sou muito da culinária, eu nunca tinha feito rabanadas. Gostei da experiência de fazer rabanadas. Para o ano eu gostava de ter a tua posição na linha de montagem, porque a minha eu já conheço, agora já sei.
A minha posição era a posição de temperar com açúcar e canela, no fundo.
Exatamente. A minha era de afogar à bruta o pão no leite até as bolhinhas pararem de sair. Eu estava mesmo a afogar.
Sendo que também há aqui uma diferença na tradição, porque já fiz parte desta linha de montagem na tua família das rabanadas. Na tua família, a rabanada depois sai de fritar, perde um bocadinho do seu óleo e é panada, basicamente, ou seja, passas de um lado e do outro e pões à parte. Na minha família vão-se pondo as rabanadas umas em cima das outras e a calda de umas vai descendo para a calda das outras.
Já percebi.
Ou seja, não passo a rabanada de um lado ao outro e reservo. Não, eu ponho-as, faço uma camada de rabanadas, açúcar e canela por cima e depois as rabanadas seguintes vão por cima dessas, açúcar e não sei o quê.
Ok.
Pronto.
É engraçado que o Natal não tem bem refeições. O Natal é misturar refeições umas com as outras. Tu não sabes muito bem quando é que acabou o almoço e começou o jantar, não é?
Sim.
Vão aparecendo coisas novas para comer. E há sempre uma mesa de doces onde tu vais roubando um rabanadinho. E hoje de manhã estivemos a treinar, porque a nossa vida não pode ser isto.
Não, isto não pode ser. Bom, Seque, tens mais coisas para dizer antes de irmos aos e-mails?
Tenho imensas coisas para dizer.
Tu estás.
Eu quero conversar com a minha mulher.
Estavas com saudades minhas?
Sim, mais ou menos. Mas eu tenho mais coisas para conversar contigo. Eu não sei se sou a melhor pessoa para se jogar jogos no dia de Natal. Eu sou demasiado competitivo, eu fico chateado de perder e eu não sei se este hábito que as famílias têm de jogar jogos de tabuleiro, se eu não tenho que me controlar e pensar: "É Natal, porta-te bem".
Não, acho que só depende também das pessoas com quem estás a jogar.
Não, eu sou competitivo sempre.
Não é isso que eu estou a dizer.
Até preciso de estar com o Obama.
Não estou a dizer o teu lado competitivo. Estou a dizer que esse lado competitivo pode ser mais bem aceite se toda a gente à tua volta estiver no mesmo espírito.
Na mesma linha. Ok.
É isso que eu estou a dizer. Que acho que até tivemos este Natal.
Sim, mas há pessoas que aceitam e acham que estão só aqui para fazer uma coisa divertida. E eu não consigo.
Mas estávamos todos ontem, especificamente ontem, dia 25.
Nós estamos a gravar isto no dia 26.
Exato. Ontem, dia 25, estávamos todos tipo: "Quero ganhar!"
Ya, toda a gente estava.
Estávamos a jogar um jogo incrível.
Muito giro, chamado Sequence.
Sequence, que é um tabuleiro que tem uma sequência de cartas, um padrão de cartas, e no fundo é uma espécie de quatro em linha com o jogo de cartas misturado.
Sim.
É muito giro.
Sendo que é cinco.
Está bem.
Nota-se que tu-
Para as pessoas perceberem. Tu ganhaste dois jogos.
Foi muito giro. E eu gosto muito desse lado de ficar a beber.
E jogar. Aliás, demos por nós, era 20h30. Nós estávamos a jogar desde as 16h.
Eu sinto-me sempre um rei do "Game of Thrones", que só quer a sua taça de vinho e vamos jogar jogos de tabuleiro. Para mim está ótimo, com aquelas mesas que eles têm com os mapas, que vão mexendo os cavaleiros de um lado para o outro. Sim, acho que era isso. Queria falar disso, de ser competitivo nos jogos e no Natal não sei se é fixe a pessoa ser muito competitiva.
Na minha família, estás ok. Não sei na tua. Também está fogo na tua. Já houve Natais em que jogámos Catan com o teu irmão e eu e o teu irmão estávamos passados um com o outro.
Não, picados mesmo. Mas isso é bom, eu gosto disso.
Mesmo passados um com o outro.
Se as pessoas levam os jogos na brincadeira, saiam da mesa, vão fazer outra coisa qualquer, vão jogar à sardinha ou à apanhada.
Aliás, houve momentos em que saiu a palavra: "Chupa!"
Se uma pessoa não gritar. Há um familiar, "chupa" no Natal, grita quando.
Claro, exato.
Também há essa.
Exato.
Rita, eu já escolhi qual é que vai ser o meu desafio para 2026. Em 2025, o meu desafio era fazer malabarismo. Completei.
Tu não queres deixar isso para o primeiro episódio de 2026?
Pode ser. Posso deixar.
Estamos num final de ano. Eu percebo que já estejas muito focado em 2026, mas pode ser mais giro para a semana.
O que é que avaliação fazes de 2025?
Olha, ao nível do cocó, perfeito.
Foi um bom ano para cocós.
Um bom ano de merda, na verdade. Não, não foi. Agora isto vai ficar sério, mas eu sinto que o meu ano foi muito bom no primeiro semestre.
Ok.
Foi um ano muito tranquilo, com muitas coisas interessantes e boas a acontecer. Acho que o que eu destaco, por exemplo, do primeiro semestre, é o facto do meu terceiro livro, que foi um livro que eu gostei tanto de escrever. Acho que foi o primeiro livro em que eu e os leitores ficámos alinhados da mesma forma. Ou seja, a felicidade e o orgulho que eu tive naquilo que escrevi, os leitores tiveram a mesma sensação que eu.
Ok.
Gostaram tanto quanto eu. Acho que foi o livro em que isso-
Ajustaste os teus leitores
...estávamos no mesmo comprimento de onda. Isso foi muito bonito. Fiz uma divulgação muito boa do livro, estou muito contente com a maneira como o livro funcionou, etc. Mas depois a partir daí as coisas foram um bocadinho mais difíceis. Aconteceram várias coisas complexas este ano, desafiantes, sobretudo agora mais para o final do ano, que foi intenso. Eu sinto que este final do ano, sobretudo a partir de setembro até agora, foi sempre: para a semana eu vou poder estar tranquila, porque não tenho coisas complexas com que estou a lidar e na semana seguinte acontecia sempre qualquer coisa para adicionar a isto. Eu sinto que eu neste final de ano não estive no meu melhor.
Ya.
E estou muito desejosa que 2026 me dê um descansinho.
É engraçado que tu ligas mesmo a passagem do ano como um limpar.
Não, eu não ligo. Tu estás cheio de medo que o risoto salte.
Não, é que o risoto vai saltar dali de cima para a mesa. Queres ver o que é que vai acontecer? E vai ser um tadam!
Vai ser o início da Netflix.
Queres ver? Olha, repara bem o que é que vai acontecer. Ouçam todos isto. Aqui está.
Não ligo propriamente.
Mas usas como, não é?
Não, normalmente não uso. Normalmente até faço mais isso em setembro, que para mim é o recomeço, porque faço anos, porque é o regresso às aulas com aspas. Mas este ano estou a usar porque já estou um bocado do género: "Eu só espero que isto pare".
Foi um ano complicado, mas também não foi um ano em que tenha acontecido nada de mal. Estivemos só ali na linha.
Esteve sempre quase a acontecer coisas. Estava sempre tipo: "E agora? Olha outra coisa aqui a acontecer. Olha agora." E isto, parecendo que não Quando tu estás constantemente a olhar para a semana seguinte como o teu bote de salvação, a semana seguinte, quer dizer, os próximos dias, como o teu bote de salvação, em que finalmente vais poder descansar, parar, estar mais focado naquilo que queres fazer. No meu caso é escrever um novo livro. Eu que estava sempre ansiosa por o que vinha aí. Pelo que vinha aí. É o produto de Natal.
Estás mesmo pronta para escrever.
Acontecia sempre qualquer coisa nessa altura.
Pois.
Que às vezes até podia não ser nada de grave, mas eram coisas chatas.
Sim, eu percebo.
Eu não sou assim, não vejo a passagem de ano como um momento de limpeza, mas este ano estou a pôr as minhas fichas todas na passagem de ano.
Ya, bora. Está feito.
Só espero que não venha uma pandemia para o ano.
Nós já falámos várias vezes que eu adorava que viesse uma pandemia.
Eu adorava que viesse, mas eu não sei se tenho estabilidade emocional neste momento para lidar com incerteza e possibilidade de uma desgraça mundial.
Ok.
Mais uma. Não sei se tenho.
Eu estou pronto. Eu não sei se alguém me está a ouvir nos laboratórios na China, eu estou pronto para vir uma pandemia. Portanto, podem soltar aí o que vocês tiverem.
E tu, como é que foi o teu ano?
Olha, eu gostei do meu ano. Foi um ano positivo all around, acho eu. Se eu tiver de falar das coisas positivas, eu gostei muito da tour de "Terapia de Casal" e queria agradecer às pessoas terem ido e continuarem a comprar os nossos episódios no Patreon, porque acho que foi mesmo uma tour divertida, correu tudo bem. Inventámos ali o tribunal da relação, que foi das coisas que me deu mais prazer fazer em palco. Em relação ao meu stand up e ao meu espetáculo, eu sinto que foi um ano de build up e que ainda não rebentou a bolha. Ou seja, vai rebentar a partir de março do ano que vem, mas este ano foi um ano de amealhar texto, piadas e de preparação. Foi um ano de esquilinho a pôr as bolotas todas dentro da árvore. Foi o que eu senti em relação ao stand up. Mas profissionalmente foi um ano muito estável, foi um ano bom. Pessoalmente, foi um ano de crescimento fixe e de preparação de coisas e de projetos que vêm aí.
Gir como tu falas. Pessoalmente, foi um ano fixe de preparação de projetos. Ou seja, tu misturas o teu pessoal com o teu profissional.
Sim, mas mesmo a nível pessoal, nós fizemos boas viagens. Não viajámos tanto este ano como viajámos noutros, mas foi um ano onde fizemos coisas e estivemos com pessoas.
Sim.
Acho que foi um ano bom. Senti-me muito tio este ano. Foi um ano muito de família, que foi bom, gostei muito disso. Sinto-me muito confortável em ser tio. Gosto muito de ser tio.
E no outro dia, nem contávamos aqui, mas foste sozinho buscar o Duarte à escola.
Ya, eu fui raptar uma criança de uma escola. Eu entrei numa escola, disse: "Eu quero aquela", deram-me para o colo e eu levei para o carro e fui-me embora. E depois vim ter contigo e mostrei-te a criança. Olha esta criança que eu trouxe desta escola.
Não querias esta.
Sim, mas fui ser tio e gostei. Acho que fizemos coisas boas este ano.
Eu também acho que fizemos coisas boas, atenção.
Foi um ano emocionalmente desgastante, mas não foi um ano com coisas más. Podia ter sido. Se eu tivesse que dar uma nota a este ano, eu diria que este ano foi um 7,5.
Eu dava 6,5, 7. Sou um bocadinho mais pessimista do que tu.
Mas porque também foram coisas mais negativas ou podiam ser essencialmente negativas.
Do meu lado, sim.
Do teu lado. Mas eu acho que para mim eu dou 7,5 a este ano.
Eu dou um 7.
É a minha avaliação.
Olha, a minha avaliação 2025 é 7.
É 7,5. Porque vimos Billie Eilish, vimos Post Malone, vimos Turnstile, vimos Olivia Rodrigo.
Claro, o ano pode ter sido uma merda, mas eu vi a Olivia Rodrigo no alive.
Foi bom.
Olha, foi bom. Só por causa disso dou 7,5, porque vi a Olivia Rodrigo no alive.
Fomos à Escócia.
Eu estou a brincar.
Estou a pensar. Estava a fazer a avaliação. Fomos à Escócia, fomos à Madeira.
Sim, mas choveu o tempo todo na Madeira, estás a ver? É dessas.
Mas estávamos na Madeira, está tudo certo.
Estou a brincar.
Ya, 7,5. Tu 6,5, não é?
6,5, 7. 6,75.
6,75, 7,55 para mim.
Pronto, é isto.
Muito bem. Queres ir a e-mails agora?
Quero. Temos aqui tantos e-mails para ler. Já não lemos e-mails há tanto tempo.
Então vamos embora.
Eu quero limites com mães. Do Dadário, que chamamos Dadário por causa da Alexandra Dadario, por causa do "White Lotus", da primeira season, da sogra que vai de férias com a Alexandra Dadario e o marido, que acabam de casar e vai de lua de mel com eles.
Vai para a lua de mel com o filho e a nora.
"Boa tarde, caros terapeutas. Tenho aqui uma questão. Recentemente mudei-me com a minha namorada e já reparei num problema. E apesar de estarmos no início, sinto que se não resolver esta questão já que se alastre." Então é o seguinte: a minha namorada tem uma relação muito boa com os pais, mas com a mãe considero muito mimada e sempre precisou muito da sua presença. Até aqui não acho problema, mas agora que vivemos juntos, ela pede tudo à mãe como se fosse a primeira opção. Para montar um móvel, resolver alguma coisa com o senhor da luz, como se eu fosse incapaz e o que me deixa a sentir precisamente dessa forma.
Ok.
Ela também quer dar muita coisa, mas dá-lhe, em vez de perguntar se queremos. Ou seja, coisas que podíamos nem precisar ou comprar, consoante os gostos dos dois, acaba por ficar definido pelo que ela oferece. Não metendo em causa a simpatia da mãe dela. No meu caso, eu disse aos meus pais que se me quisessem oferecer alguma coisa, nós comprávamos e eles davam-nos o dinheiro ou íamos comprar com eles, pois o objetivo é os dois sentirem-se em casa.
Ok.
O terceiro ponto, e peço desculpa por estar a ser longo, ela já entrou uma vez em casa, apesar de ser um apartamento dela. Nós estamos a alugar, porque disse logo que não me sentia bem e em casa se fosse de graça, com a chave que nós lhe demos como se fosse dela, o que me deixou pouco confortável e a não me sentir de todo em casa. Ainda não lhe disse isto, pois aconteceu apenas uma vez. Uma situação única que também aconteceu: de repente, ela apareceu nas mudanças com comida para nós e para almoçar conosco, algo que eu desconhecia e a minha namorada não me avisou "Estou aqui para me ajudarem nesta situação, pois não me estou a sentir em casa, nem que esta casa esteja a ser um reflexo da nossa relação e do nosso espaço. Ficarei a aguardar resposta. Obrigado, Team Gui."
Team Gui. Muito bem, não estava à espera desta notícia aqui.
Isto é intenso.
Eu acho que há mesmo um problema de limites e, neste caso, até geográficos e espaciais com esta mãe.
Com as mães em geral, eu acho. Se tiver de extrapolar e se tiver de ser um bocadinho preconceituosa ou de estereotipar, acho que estes limites são mais evidentes com as mães e menos evidentes com os pais.
Ok.
Até porque os pais foram comprar tabaco e nunca mais voltaram.
Sim, os pais não querem saber. Os pais querem é descanso. Os pais passaram a vida toda a ter aquelas crianças e agora querem estar sossegados.
Ya, e agora estão: "Eu não quero saber se aquela criança tem de comer". Isto é intenso.
Mas esta mãe é demasiado hands-on. E é simpatia, mas também é controle.
Eu acho que não é controle. Eu acho que esta mãe sempre viveu claramente para a filha.
Ok.
A filha sempre permitiu estes comportamentos da mãe, porque claramente é muito mimada por esta mãe. Portanto, a filha sempre foi enabler destes comportamentos da mãe.
Ya.
Porque também gosta de ser mimada pela mãe.
Isto normalmente é mãe com o filho. Aqui é mãe com a filha.
Se calhar não tem mais filhos.
Pois, deve ser filha única, será.
Ou só tem irmãs, não sei. E então agora a mãe, a forma que tem de se sentir útil é continuar a ajudar a filha.
Pois, mas eu acho que a única maneira de isto se resolver é a filha impor limites à mãe.
Ya, tem de ser a filha.
Tem de ser a filha. Tu não podes ser tu, Dádário, que nos escreveste o e-mail. Eu acho que qualquer coisa que tu digas, tu tens que dizer com muitas pinças, porque vai parecer que te estás a pôr entre a tua namorada e a mãe dela.
Olha, eu vou dar um truque, porque assim parece que é manipulação, mas não é. É uma forma de expressar melhor o que sentes e de pôr as coisas da forma certa, que é: vamos imaginar que eu tinha de dizer ao Guilherme que houve qualquer coisa que a mãe dele fez que eu não gostei.
Sim, senhora.
Eu acho que a maneira mais certa de dizeres não é dizeres: "A tua mãe fez isto".
Imagina, vamos extrapolar do e-mail. A minha mãe entrava cá em casa com uma chave que nós lhe demos sem dizer nada.
Ok, pronto. Eu acho que no dia seguinte iria ter contigo e dizer: "Olha, eu senti-me um bocadinho desconfortável com o que aconteceu ontem".
Um bocadinho ou muito?
Sim, mas o ônus é eu senti-me assim por consequência de uma ação.
Este espaço é nosso, este espaço devíamos estar os dois à vontade, a tua mãe entrar e sair desta maneira é desconfortável.
Eu percebo que a tua mãe queira fazer parte das nossas vidas e eu também quero muito que a tua mãe faça parte das nossas vidas, mas há certos limites que eu acho que têm de ser bem delineados para nós depois, daqui a uns tempos, não estarmos numa situação em que a tua mãe já passou alguns limites que para nós não são...
Ya. Até porque assim até parece uma relação a três.
Exato.
Isto é estranhíssimo, porque se calhar esta pessoa devia pôr a outra, a namorada, neste caso, a filha da mãe, a ouvir a nossa conversa para perceber de fora que é esquisita esta ingerência tão grande da mãe.
Vai ter de ser ela a falar com a mãe.
Ya, tem que ser ela. Mas não pode ser desagradável, porque a mãe também não está a ser desagradável.
Não, claro que não.
Tem de dizer à mãe: "Olha, eu agora estou a construir vida com este namorado, eu sei que estamos a alugar a tua casa, mas é o nosso espaço. Eu pedia que tu avisasses."
Sim, e a própria filha também, se calhar há coisas que para ela são naturais, tipo a minha mãe vai aparecer e vai trazer almoço para nós, mas ela também tem de perceber que agora a vida dela familiar não depende só dela e da mãe.
Sim.
Não é? Agora até depende muito mais dela e do namorado do que dela e da mãe.
Ya.
Portanto, o que ela tem de fazer é, pelo menos, se não perguntar se é ok, pelo menos informar. Sabes? Olha, só para estares a par, a minha mãe vem aí agora.
Sim, mas mesmo aí, só comunicar já é desagradável, não é?
Mas já é melhor comunicar do que aparecer a senhora com o tupperware na mão, não é?
Claro. Ou uma pessoa ir à casa de banho, voltar e de repente está a mãe no chão com o tupperware para toda a gente comer. Pois, eu percebo.
Eu acho também que outro argumento que tu podes dar à tua namorada, que eu acho que é perfeitamente válido e que também é uma coisa que este rapaz provavelmente estará a sentir, é que esta fase de mudança de casa é bué fixe. Quando tu vais viver pela primeira vez com uma pessoa e mudas de casa e estão a construir o cantinho e tem as coisas dele e as coisas dela e começam a juntar os livros nas prateleiras e há esse lado.
A construir um ninho, devia ser uma coisa dos dois.
Exato. E devia ser uma fase, obviamente, em que os pais ajudam. Quando nós mudámos para esta casa, o meu pai veio cá bué vezes no início pendurar coisas e montar candeeiros.
Porque eu não sou homem suficiente para pendurar merdas.
Nem eu sou mulher suficiente para pendurar merdas. Mas eu sinto que foi uma coisa muito equilibrada.
Ya.
Nós não tínhamos sempre gente cá em casa.
Sim.
Era uma coisa, nós aproveitámos fazer aquela coisa de comer no chão, de dormir uma primeira noite no sofá porque não tínhamos cama ainda. Ou seja, essas coisas que têm de ser vividas pelo casal e acho que isso pode ser um argumento que este rapaz pode dar à namorada.
Sem dúvida.
Tem de viver este momento contigo, e não contigo e com a tua mãe.
Exatamente. E eu acho que há outro que também era importante dar, que é: eu sei que a casa está a ser alugada à mãe dela.
Mas eles estão a pagar.
Sem dúvida, mas eu acho que ele devia dizer: imagina que mesmo com boas intenções e tupperwares e para ajudar, a minha mãe aparecia tanto como a tua Não era desagradável, não era uma coisa tipo: deixa-nos também ter o nosso espaço. Talvez se ela tentasse ver a coisa exatamente ao contrário, mesmo que goste da mãe dele.
Porque eu acho que o que está a acontecer é que ela não está a ter noção de que isto está a acontecer.
Porque para ela é normal, é a mãe dela.
E também é o papel dele dizer: "Olha, isto que está acontecendo não é normal. Eu sei que é o teu habitual, mas não é normal e muito menos agora que nós estamos a fazer vida a dois". Ou então pode sempre fazer uma edição de TikTok com aquele áudio "it's you and me, and me and you and your friend, Steve", e põe a mãe.
E filmar a mãe.
Filma a mãe. Filma ele e ela em momentos com "and your friend, Steve".
"Somos nós a comer na nossa casa nova", com a tua mãe.
Ya. Faz esse edit TikTok a dizer: "Olha, que giro". E pode ser que ela perceba a dica. Vamos a mais um?
Vamos a mais um.
Eu quero ir ao ajuda na falta de relação.
Ok, que é da Alyssa.
Stedard.
Stedard. Queres explicar quem é enquanto eu abro o e-mail?
Não, tu é que queres explicar. Então, basicamente, no início deste ano, aconteceu o concerto dos Coldplay, em que um CEO e uma responsável de Recursos Humanos foram filmados e percebeu-se que estavam a ter um caso.
O senhor Andy Barron e a senhora Kirsten Cabot.
Exatamente. E nós demos o nome de Alyssa Stedard à pessoa deste e-mail, que era a terceira pessoa que estava com eles na câmara dos Coldplay.
É aquela que mete assim a mão.
Mete a mãozinha.
Também trabalhava lá na empresa. Então, ajuda na falta de relação numa relação.
Ok.
Atenção que isto é complicado, mas eu li bem. Ajuda na falta de relação numa relação. "Olá, Rita e Guilherme. Tudo bem? Venho expor um pequeno problema que não me afeta diretamente, mas sim a uma grande amiga. Esta situação começou no verão de 2024, quando ela engraçou com um rapaz e as coisas foram se desenvolvendo naturalmente, entre jantares, passeios e noitadas. Até aqui, tudo normal. Ele já é convidado para planos com o nosso grupo de amigos e nós gostamos muito dele e damo-nos superbem." Até agora está tudo fixe.
Até agora não há problema, não vejo.
"Ou seja, toda a gente dos dois lados sabe o que eles são. O problema é este: já estamos no final de 2025, quase um ano e meio depois, e eles ainda não namoram. Já tentei ter esta conversa com a minha amiga várias vezes, pois inevitavelmente a questão tem de ser falada entre eles. No entanto, nenhum dos dois toma a iniciativa. Já desisti de a tentar convencer, porque são ambos muito teimosos. Gostaria da vossa ajuda, porque já estou cansado de lhe dizer sempre o mesmo e não sei mais o que fazer. Nós já a picamos dizendo: "Então e o teu namorado?" E ela responde sempre: "Não tenho namorado". O mais irónico é que poderiam pensar que isto é um drama do secundário, mas as pessoas em questão estão mais perto dos 30 do que dos 20. Obrigado desde já pela ajuda e obrigado pela companhia que me fazem na ida para o trabalho nas segundas-feiras. Beijinho, obrigado." E ela é a Alyssa.
É ele.
Ele é.
O Alyssa.
O Alyssa Stedard. Estas duas pessoas estão à espera que a outra faça alguma coisa.
Eu tenho uma pergunta ainda antes disso.
Isto é dos maiores stalemates de sempre.
Eu tenho uma pergunta ainda antes disso. E que? O que este amigo, a não ser que é amiga, que não me parece, porque ele não diz isso no e-mail. Portanto, se sim, responde-nos e dá-nos mais informação. A informação que para mim está a faltar é se ela está ou não importada com o fato de não serem namorados oficiais, porque não me parece muito que ela esteja.
É que eu acho que isto não é uma questão de oficialidade ou de oficioso. É uma questão de eles os dois estão há mais de um ano em clima de dates, de gostarem um do outro, mas nenhum deles dá o primeiro passo para começarem uma relação.
Ok, e que?
Mas se calhar a amiga quer ou não.
Assim, pelo e-mail, ele não nos disse: "Olha, a amiga quer imenso".
Mas é que ela diz: "Já desisti de a tentar convencer a começar qualquer coisa, porque são ambos muito teimosos".
Então, mas isto não está a funcionar para eles. Eles não estão há um ano e meio juntos, com aspas.
Não estão. Tecnicamente, ele é só um amigo que ela trouxe para o grupo. Mas se há clima, se eles gostam os dois um do outro, por que também não fazem nada?
Não, mas eles comem-se.
Não, é que eu acho que não.
Eu acho que eles comem-se.
Aqui não é a questão de chamar namorado ou não chamar namorado. Eu acho que isto é clima de dates e nenhum deles toma a iniciativa.
Eu acho que eles se comem.
Não. Onde é que isso está a dizer no e-mail? Vou fazer uma passagem rápida. "Venho expor um pequeno problema que não me afeta diretamente. Esta situação começou no verão de 2024, quando ela engraçou com um rapaz e as coisas foram se desenvolvendo naturalmente entre jantares, passeios e noitadas. Até aqui tudo normal."
Foram se desenvolvendo naturalmente.
Entre jantares, passeios e noitadas, são dates. E depois é: "Ele já é convidado para o nosso grupo de amigos, ou seja, toda a gente não sei o quê. O problema é, já estamos no final de 2025, quase um ano e meio depois, e eles ainda não namoram. Já tentei ter esta conversa com a minha amiga várias vezes, pois inevitavelmente a questão tem de ser falada entre eles. No entanto, nenhum dos dois toma a iniciativa." De dizer para namorar ou de terem qualquer coisa entre eles?
Eu acho que é de dizer para namorar. Eu acho que é de oficializar uma relação.
Não é de terem qualquer coisa os dois.
No meu entender, olha, é muito giro isto que está aqui a acontecer, porque nós vamos precisar da ajuda do público, porque na minha cabeça, como eu leio esse e-mail, é: eles mamam-se, ele vai ao grupo de amigos dela, ela vai ao grupo de amigos dele, mas porque não se chamam namorado e namorada, não houve um pedido oficial, está toda a gente ócio-ócio.
Então este e-mail é muito menos interessante.
Eu acho que é isso.
Porque se é isso, se é só eles não namoram.
Como é que tu interpretaste?
Eu interpretei que eles estão naquele ramo-ramo de quase a comerem-se e ainda não aconteceu
Não foi assim que eu interpretei.
Mas foi assim. Repara, este e-mail é o vestido azul e o vestido-
É a Laurel e o...
Laurel e o Yanny. Porque eu acho que isto pode ser interpretado das duas maneiras.
Vamos fazer assim. Alyssa, precisamos de mais informações. Precisamos que nos esclareças.
Pois é.
É um dos primeiros momentos em que isto acontece.
O Alyssa responda a isto, porque se a questão é: eles só não se pediram em namoro, mas estão juntos, são um casal.
Não, se calhar não são um casal.
Não, repara. Se calhar têm uma relação aberta.
Fazem o que eles querem.
Exato. Mas se eles estão bem um com o outro na posição em que eles estão, eu não percebo qual é a pressão dos amigos.
Exato.
Se a questão é: eles estão em dates e vai que não vai.
Sabes os gatos quando começam a tentar saltar para cima de alguma coisa e dão aquele impulso, mas depois desistem?
E depois desistem.
É isso.
Se é esse ramram de gostam um do outro, têm atração, mas ainda não fizeram nada, ainda não se beijaram, ainda não foram para a cama, se eles ainda não coisam, isto não é uma sitcom. Desemperrem isto. Esta coisa desta tensão amorosa de nunca mais chegar a lado nenhum.
Eu também não acho que se deva desemperrar.
Não, tem. Beije-se logo. Contam-se pá, sejam felizes.
Eles os dois, não os amigos.
Não, eu estou a cagar para os amigos. Os amigos têm é que aceitar.
Precisamos de mais informações.
Ya, faltam aqui dados.
Podes enviar como fizeste o teu primeiro e-mail. E as pessoas também para terapiapodcast@casal.com.
Não digas, as pessoas vão achar que é esse o e-mail. Diz lá o e-mail como deve ser.
terapiadecasalpodcast@gmail.com.
terapiadecasalpodcast@gmail.com. Está certo. Estava a dizer em voz alta para confirmar.
Onde podem fazer como tanto a Dadário como a Alyssa enviaram. Alyssa, por favor, precisamos de mais informações. Por favor, do vosso lado também digam como é que vocês interpretaram este e-mail, porque há aqui a teoria diverge. A teoria dos terapeutas.
Há duas escolas.
Os terapeutas estão a divergir neste tema, precisamos da vossa ajuda. Tenham uma excelente e uma santa e cheia de bebedeira passagem de ano.
Sim.
Comam bem, divirtam-se, saltem, mas tudo em segurança, já sabem. Porque o melhor presente nesta época-
A mãe Rita agarra o roupão quando diz isso. Agarra no roupão.
Olha filhos, mas vocês é assim, divirtam-se. Divirtam-se muito, festejem, batam panelas, o que vocês quiserem, mas com segurança e não conduzam bêbados, porque o melhor presente é estar presente.
Tu és mesmo tia, que giro. Muito giro. Olha, e até para o ano, amiguinhos.
Até para o ano.