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Olá, sejam muito bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". O meu nome é Guilherme Fonseca e comigo vamos ver se está a minha esposa, Rita da Nova. Esta semana é possível que ouçam muito mais a minha voz do que a de Rita da Nova.

Não, na verdade, eu acho que a minha voz está igual.

Não vão ouvir a tua voz pela dificuldade que tu tens em falar.

Pois, eu também não tenho dificuldade em falar.

Tu achas que não?

Agora, se estou com um camadão de sono, por causa da medicação toda que eu estou a fazer, aí sim, senhor.

Eu vou explicar o que é que aconteceu. Na sexta-feira, a minha mulher foi fazer uma cirurgia de redução de peso.

Exatamente.

Foi o piada que eu fiz numa ideia sobre tirar os sisos. A minha mulher foi arrancar um siso.

Fui tirar um siso.

E agora parece um esquilinho que está a guardar uma bolota na bochecha esquerda.

Sabes que o inverno ainda não acabou, não é? E a pessoa tem de se resguardar e guardar coisinhas para comer. É verdade, fui tirar um dente do siso. Correu bem.

Esse "correu bem" foi o...

Não, correu bem. Correu bem, até porque era uma coisa que eu queria trazer aqui à liça, como se costuma dizer.

Ok.

Que é, eu, como qualquer pessoa dos dias de hoje, o que é que fiz antes de ir tirar o dente do siso?

Não, errado, não se faz. Foste ao Google ver.

Não fui ao Google.

Então não sei.

Fui ao TikTok.

É a mesma coisa. Foste à internet ver o que é que se faz.

Fui ao TikTok ver experiências de pessoas com dentes do siso, por quê? Eu já tinha tirado dois dentes do siso. Há muitos anos. Nós ainda nem sequer estávamos juntos quando eu tirei os dentes do siso.

Já foi mesmo há muito tempo, então. Era a preto e branco.

Exatamente. E a segunda experiência que tinha tido de tirar dentes do siso não tinha sido a melhor experiência.

Ok.

Agora, se têm problemas com dentes, não ouçam esta parte.

Toda a gente vai ficar desconfortável, mas vai querer ouvir. Eu já sei como é que isto funciona.

Ele partiu-me o dente em quatro e depois deixou lá a raiz dentro e depois a raiz voltou a sair. Enfim, olha, um mimo. E então eu tinha andado a adiar tirar este terceiro dente do siso, que já estava todo cá fora. Aliás, vê-se no meu raio-X que ele já está abaixo dos outros.

Eu vou explicar o que é que se passa. É o dente de cima do siso, do lado esquerdo.

Obrigada por fazeres mansplaining.

Não, porque eu sinto que tu não explicaste exatamente o que é que está a acontecer.

Então, mas pediste e eu disse: "Olha, não sei se se está a perceber bem, não queres explicar um bocadinho melhor?" Em vez de partires para: "Eu vou explicar".

Porque eu acredito que tu estejas com dificuldades em falar, senão então explica tu. Explica.

Não, não estou com dificuldades em falar. O meu dente de cima, era o meu siso de cima do lado esquerdo, já estava tão para fora, ou seja, já tinha crescido mais que os outros. No raio-X vê-se que estão todos os dentes direitinhos e depois há um que está mais abaixo. Pronto, é só isso.

Ok.

Pronto.

Está tudo bem. Tudo bem, pronto, ok, era isso.

E então foi muito simples, mas o que eu fiz antes? Fui-me preparar para o TikTok. Ora, eu não sei se tu sabes como é que é tirar dentes do siso nos Estados Unidos, que é a maioria do algoritmo, porque eu procurei em inglês.

Sei porque põem a pessoa a dormir e tiram todos.

Tiram os quatro. E então, todo o feedback que eu tive do TikTok foi horrível. "Eu achei que ia ficar bem, fiquei péssimo. Não consegui falar durante não sei quantos dias", não sei o quê. Eu estava dizendo: "Pronto, estou tramada. Estou lixada". Mas não, correu superbem. O senhor tirou-me o dente em dois minutos. E portanto, eu sinto que não é muito bom ter um algoritmo americano em algumas coisas. Não tens muita representatividade.

Eu acho que é mau ter um algoritmo americano em tudo, mas sim, essa estupidez dessa ideia americana de vamos tirar os quatro, pôr a pessoa a dormir.

É uma estupidez.

E depois filmam a pessoa. Dá vídeos engraçados, mas é sempre a maneira mais estúpida de fazer uma coisa, é a maneira que os americanos vão fazer.

Depois era pessoas a dizer: "Pronto, eu não senti nada porque puseram-me a dormir" e europeus a responder: "Devias vir à Europa tirar um dente", porque de facto estás acordado o tempo todo. O que mais me faz confusão é o barulho.

Ok. Mas que barulhos é que-

Barulho do dente.

Ok. A ranger e assim.

A ranger e assim. Faz-me muita confusão.

Pois.

Mas ele disse-me: "Ó, vai sentir aqui uma pressãozinha". Eu senti a pressão e depois ele disse assim: "Pronto, agora já está, vou coser". E eu: "Desculpe".

Tu estiveste lá nem 30 segundos.

Não, foi super-rápido, foram 25 minutos tudo, com raio-X, com conversa, com pós-operatório, enfim. Foi muito fácil, mas agora estou de facto com a boca inchada. Pronto.

Parece que estás a gravar com uma pastilha elástica de lado para depois voltares a mascar a seguir.

A única coisa que eu percebi também é que talvez me ficasse bem uma daquelas operações que elas fazem para aumentar um bocadinho os lábios. Estou a gostar de ver o lábio inchadinho.

Mas tu não tens o lábio inchado.

Os lábios são ligeiramente mais inchados.

Eu acho que está igual. Está mais inchado?

Está ligeiramente.

Mas por que os lábios incharam de lhe tirarem um dente?

Não sei. Deve ser o sangue todo que está aqui.

Eu acho que estás só a olhar para os teus lábios de uma maneira nova.

Ah, é? Como estou a ver a minha cara mais bolachuda de um lado. Não sei. Talvez.

Tu agora só podes comer coisas frias.

E líquidas.

E líquidas. O costume, que é só gelado, pudins de fruta, etc. Mas como tu só podes comer as coisas frias e como tens estado o tempo que tens estado, no outro dia tu puseste uma taça de fora da janela para ficar fria.

É verdade.

Queres contar às pessoas esse processo mental? Só porque eu achei fascinante.

Porque eu não posso comer coisas muito quentes. Idealmente mornas ou frias. Frias é que é o ideal. Mas eu apetecia-me uns ovos, então fiz uns ovos mexidos e tu fizeste espargado, eu juntei um bocadinho de espargado, depois bati um bocado de queijo feta e juntei e pensei: "Não, que isto é que está aqui um grande almocinho". Só que não podia comer quente. E então pensei: "Vou pôr um bocadinho lá fora. Está frio." Para não estar a pôr no frio do frigorífico para ficar meio estranho. Não sei explicar, pensei.

Pôr no frigorífico era estranho, uma pessoa com uma taça de fora de uma janela.

Não, pensei: "Se puser lá fora, vai arrefecer mais devagarinho. Se eu puser no frigorífico, vai arrefecer num instante e se calhar vai ficar meio estranho."

Ok.

Não sei bem explicar o meu raciocínio.

Vamos dizer que foi culpa dos comprimidos.

Talvez tenha sido.

Sim, senhora. Mas sentes-te bem?

Sinto-me bem. Um bocadinho grogue da medicação, que na verdade só estou a fazer Benurprofeno, portanto não sei porque é que estou assim, mas estou com muito soninho, muito cansadinha, só me apetece estar deitada. Não sei se não fiz um piquinho de febre, porque estou com friozinho.

É mais desconforto do que dor.

É desconforto. Não tenho dores. Dores não tenho. Portanto, estamos bem.

E ainda quantos dentes do siso te faltam no corpo?

Um.

Um, ok. E estás a pensar tirar esse também?

O médico disse, o senhor doutor, que não convinha tirar, pelo menos para já, porque está muito perto do nervo.

Pois.

E se toca no nervo, podemos ter problemas.

É o que eu sinto durante este podcast sempre. Está muito perto do nervo e se toca no nervo, eu posso ter problemas.

É verdade. Mas tu também já sabes, às vezes esqueces-te de como mexer no dente do siso.

Às vezes falamos demais e uma pessoa pisa um bocadinho fora e rebenta a bolha.

Mas sim, ele disse para não tirarmos para já, ele está fora. Não está a dar problemas para já, portanto é esperar.

Sim, senhora, muito bem. Olha, nós esta semana fomos ao cinema, fomos ver um filme chamado-

Foi esta semana, vê lá.

Sim, eu acho que esta semana foi mais longa do que janeiro. Normalmente as pessoas fazem sempre o humor de: "Janeiro é enorme, nunca mais acaba". Eu acho que esta semana foi mais longa do que janeiro. Mas nós na segunda-feira fomos ao cinema, aproveitámos às 17h e fomos ao Oeiras Parque ao cinema ver o "Sentimental Value". Gostei muito da experiência de ir ao Oeiras Parque, porque éramos só nós e velhotes na sala.

É verdade.

Eu senti-me no público do Preço Certo, mas em vez de Fernando Mendes, deu um filme para chorar. Pronto, foi o que aconteceu ali no Oeiras Parque.

Sim, é um público que não quer ir lá à frente jogar.

Não, está muito bem, está sentadinho. A conversar durante o filme todo os velhos. Normalmente as pessoas dizem: "Os putos não se sabem comportar no cinema, vão com os amigos e só falam." Não, os velhos é igual. Os velhos não se calaram um minuto. Há uma cena que eu não posso contar sobre o filme, mas a certa altura os velhotes quebraram um dos momentos mais emocionais do filme.

Porque perceberam o que é que estava a passar.

Porque perceberam o que é que estava a acontecer.

Olha, um bocadinho de sol.

Ya, isto é um bocado de sol. Vamos aproveitar.

Ok.

Isto é um bocadinho de sol. É um bocadinho de sol que está a entrar.

É que bom!

Mas isto não vai durar muito.

Pois não.

Isto não vai durar muito, mas é um convidado especial do nosso podcast hoje.

Exatamente. Senhor sol.

É este bocado de sol que acabou de entrar na nossa casa.

Ai que bom!

E então fomos ao cinema e eu gostava de dizer uma coisa que é: normalmente és tu que escolhes coisas para chorar e és tu que gostas de coisas para chorar. Fomos ver o "Ainda Estou Aqui" e tu choraste o filme todo de uma ponta à outra. Eu também me comovi, gostei muito do filme, mas tudo o que é tristeza e choro é muito mais o teu universo. Mas eu sinto que chorei mais com este filme do que tu.

Não.

Eu chorei do meio para a frente.

Eu também estive quase sempre a chorar.

Chorei o filme todo.

Tu tiveste ranho a cair-te pela cara.

Não, porque eu não choro com ranho.

É que eu tive. Eu tive ranho a chegar-me quase ao queixo e eu a pensar: "Eu não tenho lenços." Erro.

Erro.

"Eu não tenho lenços."

Olha, a velhota ao meu lado, estava imediatamente na cadeira ao meu lado, não só tinha lenços, como os usou praticamente todos a chorar também.

Não tinha lenço e pensei: "Eu não posso fungar agora porque esta é uma parte muito silenciosa."

Sim, ias interromper o velhote que estava a falar atrás de nós. Não se faz.

Ya, foi dureza.

Chorei muito no filme e eu queria dizer uma coisa que é: eu acho que os cinemas não estão feitos de maneira a acomodar as pessoas que foram ver filmes para chorar. O que é que se passa? O filme acaba e nós os dois tínhamos estado a chorar imenso durante o filme. E sobem logo a luz. Há um chapadão de luz na sala. Não há um momento de "vou pôr aqui um bocadinho dos créditos", porque ninguém chora com letras. Ou seja, dá ali um bocadinho de: "Olha, vou voltar, acabou, é um filme, estão aqui os nomes das pessoas que trabalharam neste filme". E depois, tiram-nos da sala muito rápido porque querem limpar para a próxima sessão e de repente não há um espaço no cinema.

Onde tu possas ir chorar um bocadinho.

Devia haver uma sala.

Eu fui para a casa de banho.

Pois, tu foste para a casa de banho chorar um bocadinho. Eu fiquei lá sentado à porta da casa de banho à tua espera, a descomprimir do que tinha acabado de acontecer. Mas da mesma maneira que há o pós-operatório Não há o pós choratório.

O pós choratório é muito bom.

Não há um espaço no cinema onde os senhores acabaram de ver um filme para chorar, agora têm aqui esta salinha, se quiserem, estejam à vontade para chorar. Há lenços, a luz está baixa para não se ver a cara de ninguém, pode chorar. Não há esse espaço, porque de repente é logo uma praça de alimentação, gente com H3 num tabuleiro e eu a querer chorar mais um bocadinho porque acabei de ver um filme triste.

Nós fizemos o percurso de cinema, praça de alimentação até ao sítio onde íamos jantar, a chorar.

Pois. E é aquele momento em que nós não podemos bem falar do filme e do que é que gostamos, senão comovemo-nos outra vez a falar do filme. E então é do género: "Bom, queres comer o quê?"

"Queres com molho picante?"

Mas eu acho que falta isso nos cinemas. É uma falta de respeito, porque há bons filmes para chorar e não há condições para chorar.

É verdade. Estive a pensar sobre Oscars, também. E acho que este é o meu favorito.

Eu também acho que este é o meu filme favorito deste ano. Há outros mais divertidos. Há filmes que eu gostei de ver. Não sei se o sentimental value, valor sentimental deve ser como se chama em português, não sei o nome em português.

É.

Não sei se o sentimental value não é, como filme, o meu filme favorito dos que eu vi até agora aos Oscars. E nós fizemos uma atualização na semana passada, podemos voltar a fazer essa atualização. A mim faltam-me quatro filmes dos Oscars, a ti faltam-te dois. Tu estás mesmo quase.

Eu estou lançadíssima.

E os Oscars são daqui a três semanas ainda, tens muito tempo de ver.

É verdade. Queres ir ao cinema na próxima semana comigo?

Bora.

Segunda-feira?

Mas é para ver um para chorar ou vamos ver-

Vamos ver o que houver. É o pão.

Sim, as azeitonas, a manteiga. Não, temos que ir ver o "Bugonia", porque o "Bugonia" não é para chorar.

Não, mas o "Bugonia" já não está nos cinemas.

Já não?

Não.

Então como é que eu vejo o "Bugonia" até aos Oscars? Vou ter que encontrar um DVD no chão, como eu faço no "Private Joke", que às vezes cai em caminhos.

Se alguém souber, eu fui ao Just Watch e não está em linha.

Já não está no cinema. Caraças.

"Bugonia" já esteve para aí no final do ano passado.

Estivemos mal.

Estivemos muito mal. Também não sabíamos que estava nomeado.

Pois. Mas nós vamos tratar disso.

Vamos tratar de ver coisas.

Eu vou encontrar aqui uma plataforma de streaming que tenha o "Bugonia" então.

Pois.

Para nós vermos.

Pois.

Mas ao cinema podemos ir ver o "Agente Secreto", que ainda não vimos.

Ainda não vimos.

E qual é o outro?

Só me falta "Bugonia" e "Agente Secreto". Tu é que te falta "Bugonia", "Agente Secreto", "Hamnet" e "Martin Supreme".

"Hamnet" e "Martin Supreme".

"Hamnet" e "Martin Supreme" estão no meu top três.

Falta-me Shakespeare e pingue-pongue.

Exatamente.

Exatamente. Muito bem.

Muito bem. Tenho mais um tema.

Vai.

Na verdade, é nosso.

Então vamos lá.

Porque ontem fizemos um dia dos namorados irónico.

Era o tema que eu tinha aqui também. Vou só contar o historial para quem não ouve os episódios todos. Eu e a Rita, há dois anos, exatamente há dois anos, demos por nós com dois amigos no dia dos namorados em Paris. O objetivo não foi esse, mas coincidiu com um concerto que a Rita foi ver com a Márcia. E então fomos em double date, vou dizer assim, para Paris, e no dia 14 de fevereiro, dia dos namorados, aproveitámos e fomos passear junto ao rio Sena, ao pé da Torre Eiffel, e vimos sessões fotográficas, pedidos de casamento, flores, pétalas espalhadas pelo chão. Nós vimos as coisas mais pirosas, toda a gente a vender coraçõezinhos e chocolates e rosas no meio da rua. E foi inacreditável ter um dia dos namorados irónico. E nós pensámos: "Vamos criar uma tradição de todos os anos ter um dia dos namorados irónico". Ano seguinte, que foi o ano passado, o que nós fizemos? Fomos ao Casino do Estoril ver a peça do Capinha e da Mulher.

É verdade.

No dia dos namorados, fizemos questão de ir no dia dos namorados.

Fomos no dia 14 e foi muito bom.

Fomos em double date novamente com os nossos amigos Márcia e António. O que é que aconteceu? Este ano, a nossa amiga Márcia esbardalhou-se nuns patins e levou com 15 parafusos no pé.

É verdade.

E então está def.

Inutilizável.

Está deficientinha, está sentada, está com o pé para cima, está com gesso. E então o que nós fizemos? Tivemos que readaptar, porque a nossa ideia era ir ao restaurante Lingerie.

Que tem pão em forma de pila, vou só deixar aqui.

Tem pão em forma de pila, o nosso objetivo era ir ver um striptease bem azeiteiro e comer pão em forma de pila no restaurante Lingerie no Dia dos Namorados. Era o nosso objetivo.

A ideia era até molhar o pãozinho na menina.

Exatamente. Eu não vou entrar em mais pormenores.

No azeite.

Como é que isso funcionaria.

No azeite.

Ok. E então este ano nós tivemos que readaptar. E então o que nós fizemos?

Fizemos, juntamente com a nossa amiga Inês, com a nossa amiga Margarida e com a nossa amiga Joana, que estava solteira nessa noite, porque o seu querido-

Estava a trabalhar

...estava a trabalhar. Fizemos pizzas em forma de coração.

Verdade.

Em casa. Decorámos, a Márcia esteve a fazer coisinhas para decorar.

Eu fiz pizza com piça, porque eu fiz com pepperoni e com bacon, fui fazendo umas pilas em cima da minha pizza.

Mas o que é que acontece? Depois o queijo derreteu e não se via nada.

Não se via nada, as pilas ficaram um bocado deficientes. E indo ao forno, a pila fica um bocado deficiente.

É verdade. Mas estivemos a fazer pizzas em forma de coração. Foi um jantar romântico.

A Márcia fez Valentine postcards para toda a gente.

É verdade.

Espalhámos corações na mesa. Fizemos uma coisa bem irónica e divertida. Estivemos a fazer pizzas e depois estivemos a comer essas pizzas.

Claro, não foi só fazer.

Enquanto esperávamos que as pizzas se fizessem, alguns de nós, que eu não vou dizer nomes, estiveram a brincar com a cadeira de rodas da Márcia, e eu vou dizer uma coisa: eu adorei andar de cadeira de rodas.

É muito divertido.

É muito divertido andar de cadeira de rodas.

É muito divertido para quem não tem de, não é?

Exato, se eu não tiver de. Sabes como é que eu me senti? Exatamente como aquelas pessoas que dizem: "Tu usas óculos, deixa-me pôr os teus óculos para ver como é que tu vês". Foi um bocado a sensação de "ei, és mesmo cego". A pôr os óculos na cara. Andar a brincar com a cadeira de rodas de outra pessoa é um bocado brincalhão. "Tu não consegues andar? Deixa-me ver como é que tu andas."

Exato.

É tão giro andar de cadeira de rodas.

Não, mas a certa altura estavam eu no colo da Márcia.

E há um vídeo espetacular que é a Inês a puxar-te a ti ao colo da Márcia. E também há cavalinhos.

Cavalinhos. Curti bué fazer cavalinho.

Andámos a fazer cavalinhos com a cadeira de roda. Eu diverti-me muito com uma cadeira de rodas no Dia dos Namorados. Vou só dizer esta frase assim.

Foi muito divertido. É porque às tantas estávamos todos na sala e de repente havia sempre alguém que aparecia com a cadeira de rodas.

Sim, a certa altura, a Margarida que estava mais ou menos a responsável pelas pizzas, vou dizer assim. Eu olhei e ela andava dentro da cozinha a fazer as coisas sentada na cadeira de rodas. Ela provavelmente estava a pensar: "Se a minha vida fosse assim, como é que eu conseguia cozinhar?"

Exato.

Eu tirei uma selfie na cadeira de rodas e mandei aos meus amigos e disse: "Malta, tenho notícias." E ninguém acreditou que eu agora estivesse numa cadeira de rodas. Mas eu tenho vídeos teus muito divertida a andar de cadeira de rodas. Eu não sei se podemos exatamente pôr estas imagens para divulgar o nosso episódio, porque isto não é ableism?

É.

Olha tu a sacar um cavalinho.

Eu só pensei: "Se me esbardalho daqui, vou com o dente ao chão, com o não dente". Mas tudo correu bem.

Mas pronto, é isto. A nossa vida tem sido assim. Passámos o Dia dos Namorados a andar de cadeira de rodas.

No fundo, é os 30, não é?

Ya.

Também passámos o Dia dos Namorados a medir a tensão uns aos outros. Uma amiga nossa estava com a tensão um bocadinho alta.

Pois foi, nós estivemos a medir a tensão todos.

Pronto.

Tensão, cadeira de rodas. Nós, no fundo, os 30 são os novos 70.

Eu a comer papinhas. Estivemos assim.

Papinhas de fruta.

Papinha de fruta, a Márcia sentadinha com o seu pé para cima. Assim estivemos.

Alguém a medir a tensão. No fundo, nós passámos o Dia dos Namorados num lar.

Num lar. Olha, eu adorei.

Curtiste?

Adorei.

É uma vida que tu queres para ti?

Quero. Quero esta vida para mim.

Sim, senhora. E nós estamos aqui a dizer: "Ah, que giro andar de cadeira de rodas". Se acontecer alguma coisa a um de nós e tivermos mesmo que andar de cadeira de rodas, vai ser uma seca do caraças, não vai ter graça nenhuma.

Pois vai.

Isto só tem graça porque nós não temos que andar.

Como é óbvio. Olha, vamos aos e-mails?

Vamos aos e-mails. Tu queres começar por que e-mail?

Pelo que deixámos na semana passada de desautorizar pais.

Sim, senhora. Então deixa-me vir aqui ler o e-mail da Aunt Gladys, que é, para quem não viu, a tia, com imensas aspas, vou dizer assim, do filme "Weapons", que esteve no cinema o verão passado e que é de terror. Bom, então vamos embora. A tia Gladys escreveu-nos o seguinte: sobre desautorizar os pais quando se é tio ou tia. "Bom dia, Rita, Guilherme e gatinhos fofos. A minha irmã mais velha é a tia mais estraga sobrinhos que pode existir." E tu dizes isto, não conheces a Rita. "O meu filho tem 19 meses." Isto é um ano mais sete, portanto tem um ano e sete meses. "E ela está quase todas as semanas a ameaçar que o vai encher de Kinders. Ele vai para casa dela e ela deixa-o fazer tudo, deixa-o ver televisão, entre outras coisas com que os pais ele não faz. Posto isto, ontem eu mandei-lhe um vídeo do meu filho a subir a uma cadeira para ir buscar um pacote de bolachas de chocolate, que eu consegui tirar a tempo. E ela aproveita logo para dizer: já posso dar Kinders ao meu sobrinho? Respondi imediatamente que não e ela diz-me: vou mandar um e-mail à Rita da "Nova Iorque Monoterapia" que eles são tios e vão-me dar razão." Não sei como é que vocês vão ler esta parte sem a dizer no podcast, mas decidi adiantar-me a ela e deixar já aqui a resposta que lhe devem dar caso recebam um e-mail a questionar se é válido ou não desautorizar os pais. Resposta: pode ser a Rita a ler, mas com máxima assertividade, por favor, Rita. E agora tu vais ler o que ela quer que tu digas à tia do filho dela.

"Não, Joana, tu não deves, de forma alguma, desautorizar a tua irmã. Atenção, ela tem toda a razão, já lhe basta ter tido um filho com a mesma cor dos teus olhos e ter toda a gente a dizer: ai, que olhos azuis bonitos, são de quem? E ela ter de responder para o resto da vida: são da minha irmã, tem os olhos da tia."

Obrigado pela ajuda. Nota: a minha irmã chama-se não interessa, se receberem algum e-mail com esse nome, já sabem.

Não recebemos.

Não recebemos. Chegaste primeiro e ela não mandou.

Não recebemos, mas eu estou do teu lado.

Entretanto, e isto não é para ler aqui, é só para tu reagires.

Não, eu já vi as fotos.

Ela mandou, de facto, uma foto com a cor dos olhos.

Não, o sobrinho e a irmã são iguais.

São iguais. Ela tem a certeza que foi ela que teve a criança, não foi a irmã? Certeza que ela é mãe? É que às vezes não é melhor fazer um teste de maternidade.

Exato.

Como é que ela tem a certeza que é ela a mãe desta criança? Ela não tem a certeza. Havia provas físicas que é ela a mãe? Ela viu-se grávida?

Exato. Ela tem fotos dela.

Eu estou só a dizer. Tu estás a estranhar imenso o que eu estou a dizer. O que eu tenho a dizer? Eu, por um lado, estou pelo lado da tia, porque eu acho que o papel dos tios é desautorizar os pais, é ensinar o que os pais não podem, vou dizer assim.

Mas isso é diferente de...

Encher de Kinders. Por que Kinders? Por que ela acha que ser tia é dar açúcar?

Exato.

Caga no açúcar, há coisas tão mais giros que tu podes fazer. Queres contar a história do puta? Não, do cabra. Como é que era?

Era puta.

Era puta. Conta a história.

Eu ensinei a filha de uma colega minha de trabalho a dizer puta. Foi uma das primeiras palavras dela.

E tu conseguiste mesmo que a criança dissesse.

Consegui. Porque eu estava sempre ao pé dela e dizia: "Puta, puta, puta", assim meio a cantar. Ela adorava e depois ela aprendeu. Isto é muito mais giro do que dar chocolate.

Eu acho essa demasiado On the nose. Eu acho que a mais gira foi a que tu fizeste com o cavalo. Essa pra mim é de longe a minha favorita. Antes de contares, porque eu acho que essa é a melhor história. Eu acho que isso é que encapsula o que é ser tio e o trabalho de um tio na educação/deseducação, depende a quem perguntares, do crescimento de uma criança.

É verdade. A filha de uns amigos nossos estava naquela fase do "como é que faz o cão?", "como é que faz o gato?". E há uma altura em que eu lhe digo: "Como é que faz o cavalo?" E ela: "Não sei". E eu ponho a mão na veia do braço e bato duas vezes, como se fosse um viciado na cavalo. Digo: "Não, o cavalo é assim, é assim o cavalo".

E ela começou a fazer. E nós depois perguntávamos: "Como é o cavalo?" E ela batia assim com a mãozinha na veia.

Pronto, mas depois foi pra casa dos avós dizer que o cavalo fazia assim.

Imagina perguntares a uma criança: "Como é o cavalo?" E ela: "É aqui no braço". Sabes o que eu sinto em relação à Alice, que nós somos os dois tios da Alice?

Ou mais que outros.

Sim, de facto, eu sou mais tio da Alice do que tu.

Sim, mas ela queria vir pra minha casa, não era pra tua.

Pois, exatamente. Mas o que é que se passa? Eu acho que um pai tem que educar no sentido de: esta é a hora de ir dormir. Limites, responsabilidade, autoridade, porque os pais têm que ter autoridade sobre os filhos. Não podes comer isso, não podes fazer isto. É preciso mostrar que há outro lado do universo com os tios, tipo há palavrões. Há coisas que os pais não deixam ver. Podes ver este filme com o tio. Há uma espécie de uma permissividade, é o coito do grande jogo da apanhada que é a vida.

Mas pra mim, tem de ser um coito que é previamente acordado com os pais.

Eu acho que há coisas que não têm de ser acordadas com os pais. Também há bom senso no tio. O tio tem bom senso.

Tem? Já estás a dizer palavrões, mas é do gênero.

Mas por isso é que eu acho que palavrão é demasiado.

Por exemplo, quando a Alice cá esteve em casa no Natal e eu estava doente. E eu pedi: "Por favor, posso ver um bocadinho de Bluey com a vossa filha, porque ela quer brincar e eu não estou a conseguir?" E eles disseram: "Pode sim, senhora".

Mas aí não foste tia, aí foste a irmã mais velha. Tipo, eu e a minha sobrinha podemos ver Bluey. E os pais disseram: "Pode, vai lá ver um bocadinho de Bluey".

Mas é porque pra mim, faz sentido. Ou seja, eu não quero ir contra nada do que os pais estão há semanas ou meses a tentar que seja de certa forma, percebes?

Sim, eu percebo perfeitamente.

Por exemplo, quando eu no outro dia fui buscar o Duarte à escola. Aproveitei pra ir à FNAC, tinha de levantar uma encomenda e pensei: "Vou aproveitar a prioridade". Pois bem.

Pois claro. Então tenho aqui uma criança no colo e não uso?

Exato. E ele estava no marsúpio e estávamos os dois. Fui à FNAC, depois fui pra caixa pagar uma coisa. E ele agarrou-se a uma caneta, que tem um leãozinho na parte de cima, tipo aquelas canetas bonitas.

Sim, senhora.

E eu não fui capaz de lhe dizer que a caneta ficava e comprei-lhe a caneta, que custava 1 €. Comprei-lhe a caneta. Quando minha irmã chegou à casa, eu disse: "Olha, comprei-lhe a caneta, ele agarrou-se à caneta". E minha irmã começou: "Amorzinho, não pode ser".

Tu compraste a caneta à tua irmã.

"Não podes comprar tudo o que ele pede. Ele tem que perceber que não pode ser".

Pois, a tua irmã tem toda a razão.

"Tá bem, mas era só uma caneta".

Outra vez, foste a irmã mais velha.

Era só uma caneta que ele queria, coitadinho. E depois, o que aconteceu? Recebi vídeos dele louco com a caneta, a brincar com a caneta.

Eu acho que há um lado, não é de desautorizar os pais, mas é de nós podermos dar coisas que os pais não podem. O teu pai não te deixa ir à festa, tá bem, mas eu levo-te e trago-te, mas só podes ir não sei o quê.

Sim, mas quando fazes isso.

Sim, mas a criança não pode saber.

Não pode saber, claro.

A criança não pode saber que os tios, que são um agente estranho e de fora, está feito com o governo, são os pais.

Claro, é isso.

Sabes o que eu quero dizer? Esse é o grande plot twist da vida, é eventualmente as crianças descobrirem que o tio fisco que desautorizava os pais, no fundo, estava feito com os pais. Isto é o grande sistema, o grande poder está feito uns com os outros.

Claro.

As crianças não podem saber que o Gustavo Santos tem razão e que a nova ordem mundial está feita uma com a outra.

Não, isso faz-me lembrar aqueles TikToks de miúdos que ligam pros tios a dizer, com os pais na sala: "Tio, olha, tive uma má nota num teste e precisava que um adulto assinasse. Achas que podes ser tu?"

Podes ser tu pros meus pais, não.

Pra ver a reação dos tios. E os tios tipo: "Claro, óbvio".

Tudo o que a Alice precisar desse gênero, eu vou fazer, vou dizer que não diga aos pais e depois vou dizer aos pais.

Claro.

Sempre que ela me ligar e dizer: "Olha, eu preciso que tu assines aqui uma coisa sem os meus pais saberem", está feito. Problema absolutamente nenhum.

É o quê? É a saída de um corpo da morgue? Eu assino.

É para esconder um cadáver, cortar em pedacinhos e comprar um ácido pra fazer desaparecer. Estou contigo. Bora.

Bora.

A que horas?

Só apanhar o avião e vou ter contigo.

É isso mesmo. Tu queres ir a mais um e-mail?

Vamos a mais um e-mail.

Ou queres descansar a tua boca?

Não, vamos a mais um e-mail.

Pergunta que eu nunca esperei fazer gravada. Ora, swing às escondidas. Queres que eu leia também?

Não, eu posso ler.

É?

Sim. É do Clive Owen. É isso, não é?

Do Clive Owen e da Julia Roberts. No fundo, isto é sobre o "Closer". Não sei se se lembram desse filme, que é do início dos anos 2000, se eu não estou em erro.

Com a Natalie Portman com uma peruca cor-de-rosa.

Exatamente. As pessoas vão se lembrar do filme.

"Olá, Rita e Guilherme. Espero que este e-mail os encontre bem. Antes de mais, para contextualizar, sou homem, tenho 45 anos e a minha mulher tem 32."

Muito bem.

"A minha dúvida, para que possam dar os vossos conselhos, não é simples, mas tentarei resumir o mais possível."

Ok.

"Eu e a minha mulher estamos casados há seis anos e temos um relacionamento liberal, ou seja, gostamos de algumas aventuras com outras pessoas de vez em quando. Uma das nossas regras é que não fazemos nada sozinhos.

Muito bem.

Fazemos sempre juntos ou, no mínimo, temos de estar os dois no mesmo lugar.

Define lugar. Lisboa é um lugar.

Não, na mesma sala.

No mesmo sítio, na mesma casa. Sim, senhora.

E isto tem funcionado muito bem.

Ok.

Recentemente, aconteceu uma destas brincadeiras, com aspas, com uma amiga da minha mulher, com o consentimento de ambas.

Ok.

Esta amiga é casada com um homem que no passado já se tinha interessado pela minha mulher e eles tiveram algumas brincadeiras, mas nada sério.

Ok, portanto, eles os dois envolveram-se com uma senhora que é amiga da mulher e que no passado o marido dessa senhora já tinha tido brincadeiras-

Com a mulher

...com a mulher de quem escreve o e-mail com o Clive Owen. Sim, senhora.

O que acontece é o seguinte: a amiga gosta de brincadeiras comigo.

Ok.

Mesmo com a minha mulher por perto.

Ok.

Já o marido dela insinuou, chegando a tomar a iniciativa, que gostaria de ter brincadeiras com a minha mulher.

Então fica tudo em casa. É dois pra dois. Isso dá pra jogar, dá pra ir a campo, a jogo.

Ele deixou isso bem claro apenas para ela.

Para ela, para quem? Para a própria mulher ou para a mulher do Clive Owen?

Para a mulher do Clive Owen.

Ok.

O problema é que os dois escondem um do outro o que fazem ou pretendem fazer. Ou seja, no outro casal, eles escondem.

Ou seja, não há a comunicação e o acordo, que me parece profundamente saudável, do Clive Owen e da Julia Roberts.

Exatamente.

Entre eles, eles vão tendo coisas com o casal, mas não dizem um ao outro.

Exatamente.

Ok, já entendi. Estou a acompanhar este e-mail, desculpa.

Segundo a amiga, o marido não pode saber de maneira nenhuma. O marido, por sua vez, quer ter algo com a minha mulher, mas às escondidas.

Ok.

Chegamos à situação cômica de ocorrerem brincadeiras numa festa em que os quatro estávamos presentes, sendo que o marido e a amiga eram os únicos a achar que só eles é que brincavam às escondidas.

Atenção, isso é uma peça do Shakespeare. O que está a acontecer aí é uma peça do Shakespeare.

A amiga comigo e o marido com a minha mulher.

Pois claro. E eles acham que o outro está só a conversar.

Exato.

Muito bem.

Enfim, é confuso, mas a pergunta é: eu e a minha mulher estamos errados? Ou o problema é deles por quererem enganar-se um ao outro em vez de juntar os quatro de uma vez?

Exatamente.

PS: isto é tudo muito recente. Usei o termo brincadeira porque não houve os finalmentes.

É só beijinhos e mão aqui, mão naquilo.

Exatamente.

Exatamente.

PS2.

Vamos chegar à PS5, que é a minha favorita.

Sim, a panela de arroz é um excelente investimento. Refoguem alho e cebola com um fio de azeite na própria panela, sal a gosto, coloquem uma chávena de arroz. O vaporizado é o melhor. Duas chávenas d'água, misturem bem, liguem e sejam felizes com um belo arroz. Abraços e parabéns pelo podcast.

Excelente. O que tu tens a dizer a estas pessoas? Porque eu tenho uma teoria. Eu tenho uma teoria, eu tenho uma proposta, mas diz.

Pois olha, eu não sou a pessoa mais experiente com-

Com swings. Não sou bem swing

...com swing. Nem mais nem menos, não sou de todo a pessoa experiente em swings, nem em relações abertas, mas parece-me que, do que vou acompanhando e do que sei, que a postura deste casal é a melhor, que é da comunicação. Há regras e as regras são para serem seguidas. As regras do jogo são: é para teres coisas com outras pessoas, ok, mas eu tenho de estar na sala ou eu tenho que saber.

É muito engraçado porque nós fazemos noites com outros casais, mas com jogos de tabuleiro. E as regras também são muito importantes.

São importantíssimas. Noutra dia até aconteceu de estarmos a jogar um jogo de tabuleiro com um casal e eu no final da noite dizer: "Ah pá, queria ter estado contigo".

Pois foi. Preferia ter estado contigo, em vez de estar com... as equipes deviam ter sido ao contrário.

Queria ter jogado na tua equipe.

É muito engraçado.

Já estamos habituados.

Atenção, não sei se isto não dará stand up, que swing tem as mesmas regras de uma noite de tabuleiro.

Jogos de tabuleiro. É.

De uma noite de jogos de tabuleiro.

Sim.

Há sempre alguém que fica chateado porque perdeu.

Saiu mal. Pronto. Ou seja, parece-me que este casal é o que está correto. Agora, eles também não podem sentar o outro casal e ser tipo...

Não podem.

Vão estar a arranjar um problema para o outro casal.

Imagina isto, acontecia isto. Ela marcava com o marido do outro casal e dizia: "Olha, sábado cá em casa eu gostava muito de ter brincadeiras". Ele dizia à mulher do outro casal: "Olha, sábado cá em casa eu gostava muito de ter brincadeiras". E combinavam horas diferentes, tipo 19h30 a 20h. Entre eles, eles vão mentir, não é? O outro casal vai mentir um ao outro, porque não assume que vai ter brincadeiras. E, na verdade, quando chegava o primeiro, aquilo começava a rolar, depois chegava o outro e eles percebiam que estava mesmo na mesma surubada. E era uma intervenção com penetração. Sabes o que eu quero dizer? É uma intervention, do gênero: olha, isto está a acontecer, vocês têm que falar um com o outro.

Mas já agora.

Mas entretanto falem no fim, vamos nos divertir primeiro. Porque eles os dois, do outro casal, estão a fazer a mesma coisa. Ou será que é da dinâmica dos outros? Eles preferem.

Pois.

Há ali um acordo de não dizemos é pelas costas, porque isso dá mais pique e é assim que funciona para nós.

Pois, é isso. É que nós não sabemos quais é que são as regras do jogo do outro casal.

Mas é que eu sentir-me-ia, se nós estivéssemos nesta dinâmica, se nós fôssemos o Clive Owen e a Julia Roberts deste e-mail, eu sentia mais à vontade se não tivesse a participar numa traição, no sentido nas costas da outra pessoa.

Mas aquilo claramente funciona para eles.

Será que funciona? Mas eles estão nas costas um do outro.

Mas não sabes.

Epá.

É estares a assumir.

Sabes, porque no e-mail eles estão a dizer que o outro casal não revela que estão a fazer isto. Eles acham que estão a fazer nas costas um do outro. Portanto...

Mas pode ser uma lógica de como era no Modern Family.

Eles estão a fingir que são estranhos no hotel. Pois, não sei. Eu acho que tudo tem que ser falado O que é saudável, a meu ver, é como está a acontecer entre o Clive Owen e a Julia Roberts, que é: nós estamos num casamento, tu gostas de ter as tuas aventuras, eu gosto de ter as minhas e nós sabemos as nossas aventuras.

Sim, agora acho é que eles não podem impor a forma de brincar deles aos outros meninos.

As brincadeiras. É muito esquisito dizer brincadeiras.

Eles não podem, porque quem é que te diz que a tua maneira de brincar é melhor que a maneira de brincar com os outros meninos?

Pois, claro. É só mais honesta. Há maneiras mais honestas de brincar. Nas costas não é brincar, é enganar.

Não sabes.

É o que eu acho. Nas costas é enganar. A menos que seja combinado que a brincadeira é nas costas.

Pois, mas não sabemos. Isso é que eu acho que era a primeira coisa a perguntar.

O que é que aconteceu a um Party&Co.?

Também é verdade.

O que é que aconteceu a um Party&Co.? Toda a gente com um copo de vinho a jogar um Party&Co., agora é mímica.

Ou um Trivial.

Agora é perguntas, agora é cantar.

Desenhos.

Que festas são estas que eu não sou convidado? Em que as pessoas se estão a divertir assim.

Mas tu queres ir para as brincadeiras?

Não sei. Se tem regras como os jogos de tabuleiro, eu também quero ser competitivo e quero ganhar. terapiadecasalpodcast@gmail.com é onde vocês podem mandar as vossas perguntas, como fez o Clive Owen e como fez a Aunt Gladys. Qualquer dúvida, problema ou questão que vocês tenham dos vossos relacionamentos, podem mandar para nós.

Agora, se nós sabemos responder ou não, é outra questão.

Exatamente.

Arrisca-se.

Mas eu respondo sempre olhos nos olhos com a minha mulher, aqui à frente. Não vou responder em emails nas costas. Porque o nosso acordo é qual?

É responder aqui.

É responder os dois.

É ser honestos.

É recebermos aqui a pessoa, a pessoa expõe o seu problema e nós os dois ajudamos a pessoa com o seu problema ao mesmo tempo. Até parece.

Mas nós não fazemos disso, ok?