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Olá, muito bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". O meu nome é Guilherme Fonseca e comigo está a minha querida esposa. Eu peço desculpa, porque a minha voz não está nos seus melhores. Comigo está a minha querida esposa, Rita da Nova, pessoa que disse há uns dias, uma das frases mais memoráveis de 2025 pra mim.

Ok. Memorável só pra ti, porque eu acho que devo ter dito só pra ti.

Acho que disseste só pra mim.

Mas agora vai ser memorável pra toda gente.

Agora eu vou espalhá-la como provavelmente espalharei o bicho que tenho dentro de mim que me deixou doente. Mas a frase foi a seguinte: tivemos uma reunião por Teams, acabou a reunião por Teams e assim que tu carregas no botãozinho pra desligar a reunião, dizes a seguinte frase que eu vou passar a citar: "Eu odeio o Teams, é o Teams e Israel".

Não menti. Eu acho até que o Teams é Israel dos sistemas de videochamada.

Ok, porque ocupa-te.

Obriga-te. Quem é Teams obriga-te a ser Teams.

Pois, já percebi.

E é do gênero: quero é que a Microsoft vá para o... Percebes?

Exatamente.

Porque o Teams não funciona.

Ya.

É um sistema opressor, porque o meu computador fica todo lixado no final.

Ya.

E obrigam-me.

Cria colonatos dentro do teu computador.

Cria. E estão me a obrigar a usar uma coisa que eu não quero.

Percebo perfeitamente.

E a ser uma coisa que eu não quero, que é uma pessoa que usa Teams.

Eu sou absolutamente contra reuniões no computador que durem mais de cinco minutos. E atenção, as pessoas estão a dizer isto: "O Guilherme tem uma vida privilegiada, ele não tem que fazer reuniões por computadores, ele não tem um emprego normal". Mesmo videochamadas. Eu vou ser muito honesto, eu adoro a minha sobrinha Alice. Se eu estou mais de oito minutos numa chamada, a olhar pra um ecrã de telefone numa chamada de vídeo, eu fico aborrecido. Eu admiro como é que aqueles senhores em mercearias e em Ubers estão o dia todo em chamadas. Não consigo.

Vou isolar este pedaço. Daqui a uns anos, quando a Alice tiver mais percepção da vida, vou lhe mostrar: "Vês quem é que aguentava todas as videochamadas contigo com prazer e com gosto. Era a tua tia, não era o teu tio".

Gostar da pessoa que está na chamada não tem nada a ver com o formato em que eu estou a ouvir a pessoa.

Claro que não, mas a partir do momento em que a videochamada é a única forma que tu tens de, no dia a dia, estar presente na vida da Alice.

Sim, percebo.

Tu não queres estar.

Quero, mas oito minutos.

Esta é a conclusão.

Sabes como é que eu sei que a Alice vai ficar do meu lado? A certa altura, a própria Alice, a meio da chamada.

Também diz: "Desliga".

"Desliga. Está bom. Desliga."

Mas são os timings dela.

Pois, eu não tenho muita paciência pra chamadas de vídeo, seja no Zoom. Então reuniões de trabalho, é um aborrecimento.

Reuniões de trabalho é muito chato.

É, é muito chato.

Mas o conceito de reunião de trabalho em geral, não é?

Sem dúvida, sim.

Como é que estás além de doente?

Acontecem-me duas coisas. Acho que a seguir vamos falar de casamentos, porque nós fomos a um casamento e eu tenho uma pergunta pra te fazer que pode ser disruptiva.

Ok.

Mas antes de irmos aí, até porque eu gostava que tu falasses do teu aniversário e do nosso detox digital. Mas eu não sei por quê, em casamentos, a minha voz vai embora antes de mim.

Eu explico por quê.

Por quê?

Porque está um barulhão inacreditável e tu falas alto como a caraças.

Porque eu estou a tentar conversar com as pessoas.

Não, tu já falas alto como a caraças em geral.

Não concordo com essa observação.

Permite-me a mim discordar, sou eu que te ouço.

Tudo bem, mas não concordo.

Já falas naturalmente alto. Aliás, às vezes, tu estás aqui a gravar "Private Joke", tens um microfone bom à frente, não precisas estar aos berros, e eu ouço tudo que tu estás a dizer no meu escritório.

Pois, é de facto uma chatice. Como se eu não ouvisse quando tu gravas lá o teu podcast dos livros.

Não é verdade, não ouves.

Não, não ouço.

Ouvves.

Ouço.

Então o que é que eu te digo?

Dizes: "Li este livro, é muito lindo, leiam também este livro. Pra semana vamos ler não sei o quê, não sei como, mas que é muito lindo e eu gosto muito desse livro e eu recomendo. É um comprar".

Com essa voz de doente ainda fica mais engraçado.

É assim que tu gravas o teu podcast dos livros.

Parece uma criancinha fanhosa. Mas sim, eu acho que é isso, porque como está muito barulho, a música está alta, as pessoas estão todas a querer conversar em cima da música.

Pois.

Tu esforças mais a voz.

Então eu vou começar já com a pergunta que eu queria fazer, e depois nós vamos à semana do teu aniversário, que eu acho que é um tema interessante. Eu acho que nós somos maus convidados de casamento.

Ok. Concordo.

É que eu vou explicar.

Concordo e até digo mais. Não nos convidem.

Não, eu gosto. Não vou dizer quem, porque não temos nada a trazer pra aqui, mas nós ontem fomos a um casamento de uma pessoa que gostamos muito.

Sim.

E estavam lá pessoas que nós gostamos e tivemos na conversa, não sei o quê. Agora, há uma lista de coisas que é suposto fazer-se num casamento, que eu não tenho qualquer interesse em fazer. Ficar bêbado, ir dançar. São atividades que não me apetecem. Portanto, a partir do momento em que estas duas eu descarto, há uma altura nos casamentos, que é ali à 01:00, em que eu não estou lá a fazer nada, porque eu não estou bêbado como as pessoas à minha volta, vai tudo a correr dançar. Ontem estávamos com uma pessoa que, além de ser um dos meus comediantes favoritos É hilariante como pessoa e que estava cá fora a conversar conosco e a dançar. E eu disse assim: "Por que estás a dançar?" E ele: "Eu queria tanto ir dançar. Apetecia-me mesmo muito ir dançar. Eu gosto muito de dançar, eu queria dançar." E eu disse assim: "Vai, estás num casamento, vai lá para dentro dançar." E ele: "Nenhum amigo vem comigo." Essa vontade que as pessoas têm de ir dançar e de ficar muito bêbadas, são duas atividades que eu não tenho vontade absolutamente nenhuma. E eu não sei se nós não somos maus convidados de casamento.

Então em relação a isso, discordo.

Ok.

Digo já.

Porque eu quero ficar cá fora.

Há duas alas sempre nos casamentos.

Ok.

A ala da farra.

Ok.

Bêbados.

Ok.

"Mais um shot. Vamos para a pista."

Ya.

Dedinhos no ar.

Ya.

"Do You Remember? The 21st Night of September."

Ya. Dançar pistolinhas.

Um staple de casamentos heterossexuais, essa música.

Exatamente. E qual é a outra fação?

A fação charuto.

Sou eu.

A fação cá fora.

Cá fora, conversar.

A fação vamos resolver o conflito Israel-Palestina.

Exatamente.

E ontem, calha que estávamos os dois no mood fação cá fora.

Pois é.

Às vezes.

Até te fui buscar uma cadinha para tu te sentares.

É verdade. Às vezes acontece, estás tu no mood fação cá fora, resolver grandes problemas mundiais.

E tu vais para dentro, maluca.

E eu estou lá dentro.

Pois é, tu oscilas mais, eu só tenho um mood.

Outras vezes, como ontem, e fazendo já se calhar um seguê para o nosso tema a seguir, acho que também, tendo em conta a semana que nós tivemos.

Estávamos a precisar, gente.

Não, eu estava a precisar de entrar na sociedade, lentamente.

Pois.

Não estava muito para toda a gente à minha volta, eu no meio de uma pista de dança, me sentindo claustrofóbica.

Percebo perfeitamente. Eu acho que, sem dúvida nenhuma, talvez seja isso. Eu sou um bom convidado de casamento, porque eu ouço discursos, comovo-me, brinco com as crianças quando vão lá para outro casamento, conheço gente, faço sala muito bem, sou excelente a fazer sala. A parte toda até ao jantar de cocktails, de discursos e de conhecer pessoas, eu sou dos melhores em Portugal.

É que o casamento não se faz só da festa.

A seguir, o que é que vem? Começa a haver comida, as pessoas já começam a ficar bêbadas porque já é jantar. Quando abre a pista de dança, eu vou-me pôr lá fora, tenho um copo na mão, quem quiser vir conversar, eu estou lá fora, venha conversar. Eu estou disponível para falar horas e horas de todos os temas.

E é por isso que tens a voz como tens.

Quando a malta começa a ir para a pista de dança, eu começo a desligar. Quando se ouve a primeira música espanhola, está na minha hora de ir embora. Este é o meu roteiro de casamento. Eu peço desculpa, por isso é que a minha pergunta para ti era se nós somos maus convidados de casamentos, porque eu acho que não sou o protótipo, o estereótipo de convidado de casamento.

Vou-te dizer assim, acho que é preferível um convidado de casamento como nós, que estamos cá fora a conversar, ou como eu estava ontem, porque eu às vezes também sou a convidada que vai para o meio da pista, dança.

Não, porque às vezes estás no meio da pista a redupiar.

Fiquei triste de não haver o esquema, não sei se a seguir íamos embora, mas eu ando a aprender line dance para alguma coisa.

Sobre o esquema foi depois da 01:00 a.m., que foi quando nós fomos embora.

Também triste. O esquema tem de iniciar, porque o esquema é unificador. O esquema é multigeracional.

Era o que eu ia dizer.

O esquema é multigeracional. A avó sabe o esquema, a tia sabe o esquema, a prima de 10 anos sabe o esquema. O esquema une as pessoas no casamento.

Ya.

O esquema é o momento unificador, o verdadeiro momento unificador. Não são os discursos, não é a cerimônia, é o esquema. Portanto, triste de ontem não ter podido participar nesse momento de comunidade.

Claro. Mas no momento em que tu estavas e como tu estavas, tu irias a correr para um esquema?

Ia.

Pois o esquema é o teu tão. O esquema é a tua cocaína.

É o esquema e I wanna be the Spice Girls.

Ok.

Não houve nenhum dos dois enquanto eu lá estive. Não me senti particularmente puxada para a pista de dança ontem.

Perfeitamente.

Voltando atrás. Eu acho que é preferível um convidado de casamento como nós estávamos ontem, do que o convidado de casamento que fica extrabêbado e muito chato para toda a gente.

Mas não é esse o ambiente para um casamento?

Sim e não. Porque há as tantas: "Lá vem o Carlos. Aí, vem o Carlos".

Mas é que se for uma sala de Carlos...

Mas é que não há uma sala de Carlos.

Onde estão a dançar é lá dentro.

Não.

Eu fui lá dentro a certa altura buscar bebidas e houve um indivíduo que me agarrou e me disse assim: "Desculpa lá, tu és o Guilherme Fonseca?" E eu: "Sou". "Eu estou a ver lá se é assim: o meu amigo Pedro".

Tem graça.

E é assim, é um Carlos positivo. Era um indivíduo que estava claramente alcoolizado, simpatiquíssimo.

O Carlos para mim é um chato.

Epá.

É o chato, já começa a ficar bêbado.

Mas é chato para ti, se calhar para os outros Carlos ele está porreiro.

Não sei. Eu acho que é preferível um convidado de casamento intelectualóide.

Mas é que se o casamento só tivesse pessoas como nós, aquilo era um clube S7.

Era um comício, eu sei.

Não, era o clube S7 Queiroz. Estávamos todos sentados em cadeirões a fumar charutos e a conversar.

Olha, não vou mentir.

Era um sonho.

Casava outra vez só para ter esse ambiente. Não havia música sequer. A música que havia era um jazz muito baixinho.

Estava lá ao fundo só para não perturbarem as conversas.

Senão ficavas sem voz.

Exatamente.

Não, mas eu ontem estava nesse mood.

Eu já disse várias vezes isso aqui neste podcast, eu adorava criar um clube de conversa. Um sítio onde as pessoas vão fumar charutos e conversar como nós estávamos ontem, naquela grupeta. Depois havia pessoas que vinham, achavam a nossa conversa chata e voltavam para ir dançar. Está perfeito. É a divisão que uma pessoa quer.

Exato.

E não estou a chatear ninguém, estou no meu espaço, não estou a invadir o dos outros como o Tims.

É isso. Ouviste, Israel Tims?

Olha, queres falar da tua semana de aniversário?

Quero. Fomos para a Irlanda. Fomos na segunda-feira, fizemos na terça, portanto fomos na segunda-feira, apanhamos o voo tranquilos. Terça tivemos um dia a passear.

Que foi o teu dia de aniversário.

Dublin, exatamente, foi o meu dia de aniversário.

Temos que dizer que fomos almoçar ao Five Guys e jantar a um restaurante excelente Chamado Mr. S.

Exatamente. Mas antes, no dia anterior, ainda tínhamos ido a um restaurante chamado Kiki's.

Verdade, muito bom também.

Muito melhor do que o Mr. S.

Comeu-se muito bem na Irlanda.

Comemos uma focaccia de batata.

Com manteiga de carbonara.

Com manteiga de carbonara. Malta.

É possível que seja o empratamento da felicidade.

Eu acho que há muito tempo que não era tão feliz a comer, como nesse momento em que parti aquela focaccia gordurosa com as mãos e meti manteiguinha de carbonara.

Tu estás a iluminar neste momento.

Eu comia isso agora.

Claro que comias.

Pode ir lá buscar.

Está bem, eu vou só ali à Irlanda e volto já.

Andámos no dia do meu aniversário por Dublin. O Guilherme ofereceu-me uma prenda de aniversário muito gira, gostava que explicasses.

Eu? Queres que eu explique?

Sim, claro.

Ok. Então, há uma trend no TikTok de soltar a mulher aniversariante numa livraria e dizer: "Tens 10 minutos para escolher os livros que queres levar."

Até 100 €.

Até X, 100 €. E eu pensei: "Ok, a Rita pediu-me isto para o seu aniversário, mas eu não vou fazer isto, sendo que eu ia oferecer uma coisa que entretanto te ofereceram, a marca mandou para ti, mas tudo bem."

Era um copo.

Era um copo, claro. E o que é que aconteceu? Eu pensei: "Eu vou fazer isto, mas eu vou fazer isto com um twist". E então, para quem já nos ouviu falar do Dropout, há um programa que se chama "Game Changer", que nós adoramos e que é o nosso vício deste ano, e que é a coisa mais wholesome e divertida do mundo, é a plataforma do Dropout, especificamente o programa "Game Changer". E eu fiz um game changer para a Rita. Eu inventei um jogo em que ela não sabe as regras a menos que comece a jogar, em que fiz cinco perguntas que têm a ver todas com literatura, com coisas que estão relacionadas ou com Dublin, ou com a Rita, ou com autores que a Rita gosta. E cada pergunta que ela falhasse tinha uma penalização nos 10, 15 minutos, 100 € que ela tinha para comprar os livros todos que ela quisesse dentro da Hodges Figgis. E então ela fez o jogo, só teve uma penalização em cinco, porque acertou as outras respostas.

Errei a única pergunta que era sobre o livro do meu marido.

Exato. Eu deixei para a última, que é quantos capítulos tem o livro "Que Pouca Vergonha" de Guilherme Fonseca. E a minha mulher falhou.

Falhou.

Todas as outras perguntas acertou.

Tu também não sabes quantos capítulos têm os meus livros, nem eu sei.

Os teus livros? Não, não faço ideia.

Eu não sei.

Pronto.

Pronto. Também foi uma pergunta específica para me lixar.

Olha, também-

Para me tramar

...tu achas que o teu aniversário tem que ser só comer e satisfação.

Claro, como é óbvio.

E depois soltaste-te dentro da livraria com um timer a contar e escolheste os teus livros.

Vou dizer uma coisa, achei que ia ser melhor do que fui.

Oscilaste. Tu ao início foste direto a dois livros, pegaste nos dois livros e disseste assim: "Isto é fácil, quanto tempo é que eu tenho?" Só passaram três minutos e tu: "Isto vai ser canja". Fast forward para-

Dois minutos a seguir, estava a panicar

...dois minutos a seguir estás a panicar, 10 minutos a seguir estás a panicar e a dois do fim, tu estás numa correria que eles acharam que tu estavas a roubar a livraria.

Não, porque eu pensei: "Eu preciso fazer escolhas conscientes", porque eu perdi 15 € por ter errado a última pergunta e ainda bem que perdi 15 €, porque eu não sei se conseguia comprar 100 € em livros.

100 livros, vou te dizer uma coisa, nem dava.

Não dava. Não, 100 € em livros, de forma consciente pensar: "Eu vou ler este livro, eu quero este livro físico".

Pois.

Não estava na loucura do agarrar tudo que está à frente.

Mas tu não suspeitaste que seria isso a minha prenda?

Suspeitei.

Devias estar mais preparada.

Qual é o problema? Eu não conhecia a livraria de antemão.

Pois.

Eu tinha que estar familiarizada com as secções e eu não sabia.

Pois.

Não sabia o que ela tinha, o que ela não tinha.

É uma chatice.

Pronto, mas acho que fiz boas escolhas. Não cheguei aos 85 €.

Porque a penalização foi perderes 10, 15 €.

Exato, já dissemos três vezes isso.

Não, a penalização da pergunta do Pouca Vergonha.

Sim, já dissemos isso três vezes.

Peço imensa desculpa, estou a chatear este podcast. É só seguir.

Não, estás a ser o Carlos do casamento.

Pois, só chateio aos outros.

Exato.

Eu estou bem a ser o Carlos.

Ainda bem que tive essa penalização, porque eu não teria conseguido comprar 100 € em livros. Era o que quis dizer, exatamente o que eu estava a dizer.

Sim, senhora.

Ótimo.

E depois, o que é que nós fomos fazer?

Depois fomos fazer aquilo que no fundo nos levou à Irlanda originalmente.

Exatamente. Foi o teu aniversário e isso que nós fomos fazer.

Porque eu tinha visto há uns tempos no Instagram umas cabanas no meio do mato chamadas Samsø Cabins.

Não é bem cabana, porque cabana dá um ar de efeito pau.

É uma casinha, uma cabaninha.

Aquilo era uma super cabin.

Guilherme, para de dizer cabin.

Olha.

Peço imensa desculpa.

Se calhar vamos pedir desculpa às pessoas que têm o audífone.

Para de dizer cabin.

Cabin. Pronto, é só porque vem do inglês.

Cabana.

Mas não é uma cabana.

É uma cabana.

Tu consegues objetivamente dizer quando nós estivemos a dormir-

Olha a cabana do Pai Tomás. Conheces?

Não. O que é isso?

Ép, és inculto.

O que é a cabana do Pai Tomás? Se calhar é só um restaurante no Algarve.

É uma história, ó parvalhão.

Temos que ir ao Algarve à cabana do Pai Tomás.

A cabana do Pai Tomás.

E onde é que está a cabana?

Olha aqui a cabaninha do Pai Tomás. Não vês que é uma casa?

Eu não faço ideia do que está a acontecer neste momento neste podcast.

Cabana. Imagens. Não foi aqui que tu estiveste, não foi numa coisa destas.

Pois, mas são essas cabanas de luxo.

Não estiveste numa coisa destas?

É que há aí cabanas que...

Não estiveste numa coisa destas assim.

A imagem que eu tenho de uma cabana na cabeça-

Não estiveste numa coisa destas?

A imagem que eu tenho de uma cabana na cabeça é-

Uma cabana na cabeça?

Uma cabana na cabeça.

Que momento sexy.

Não consigo. Então continua.

Desculpa. Vai.

Não, continua.

Vai.

Eu já disse que tem um ar de parecer de pau, como na música do José Cid. Segue, o que tu queres dizer?

Cabana. Casa sem pavimento alto Espera aí.

Pronto.

Casa sem pavimento alto, geralmente de madeira e coberta de colmo. Está à definição.

Pronto, era uma cabana. Podes seguir.

Fomos para uma cabana de quarta à tarde a sexta de manhã, em que a ideia era eles terem umas caixinhas e nós desligávamos os telemóveis e púnhamos os telemóveis dentro da caixa e fazíamos um retiro, um detox digital. Eu odeio estas palavras de retiro, detox digital, mas a verdade é que foi mais ou menos isso.

Eu também sou completamente contra isso. Nós fomos estar 41 horas, entretanto fiz as contas, sem acesso ao telefone.

Sim.

Foi desde as 17h30 de quarta-feira, que nós desligámos os nossos telefones, até às 10h30 da manhã de sexta-feira.

E antes que mandem mensagens, eu sei que há sítios em Portugal onde isso se faz.

Pois é, é o instinto a dizer: "Mas se há cá, porque é que foram para Dublin?" Por 72 motivos.

Porque quis, essa é a primeira. Porque eu quis. Porque eu viajo sempre no meu aniversário e portanto, eu quis. Acabou.

E porque as cabanas que há em Portugal não dá para passear em Dublin nos dias antes.

Exatamente.

Também há essa.

Dá, mas depois tens de apanhar um voo para vir para a cabana.

É muito complicado.

Eu sei que há em Portugal e eu sei que não é preciso ir para uma cabana onde tenha este conceito para fazer um detox digital. Também sei.

Certíssimo. Nós sabemos isso tudo. Obrigado.

Estamos alinhados. Muito obrigada.

Mas foi muito gira a experiência e a cabana era espetacular. Tinha uma cama com duas janelas gigantescas para olhar cá para fora e nós ficámos no meio da natureza, sem telefones. Havia lá um radiozinho que nós fizemos questão de pôr a dar música sem voz, para não estarmos a ouvir o trânsito da Irlanda, para ouvirmos só mesmo música.

Tinha cassetes.

Tinha cassetes, tinha Scrabble, que nós jogámos Scrabble, tinha puzzles para fazer. Nós levámos coisas para escrever e para ler. Eu papei dois livros nos quatro dias que estivemos na Irlanda e foi absolutamente espetacular e eu não sei se não tenho vontade de instituir um dia, cá em casa, de telefones zero.

Não há telemóvel. Tipo os sábados.

Aos sábados eu trabalho bastante.

Pois é.

Mas desligar completamente os telefones.

Sim.

Desligar.

Eu acho que eu gostaria de fazer isto mais vezes.

Eu tenho uma pergunta para ti. Porque ir para uma cabana de férias e ver o sol a nascer e estarmos a comer, a ver o sol a passar entre as árvores, completamente isolados no meio da floresta.

Primeiro, só a cena de não tens horas. Não tens horas, acordas quando acordas.

Comes quando tens fome.

Come quando tens fome.

Porque nem havia bem relógio.

Não.

Nós estamos completamente desligados mesmo das horas.

Na própria cabana tem um telefone daqueles de avó, com um número de telefone, caso aconteça alguma coisa para tu ligares.

Sim, é um telefone de emergências. Exato.

Ou te ligarem para esse número, caso aconteça alguma coisa em tua casa, etc. Nós estivemos a ver as mensagens que estavam nesse telemóvel e havia alguém a dizer: "Já fui dar comida aos gatos, eles estão ótimos, podem descansar". Mas não há relógio, só há esse telefone. Se tu quiseres saber mesmo as horas, tens de ir pôr esse telefone. Nós, como tínhamos de fazer o check-out no último dia, pusemos um despertador nesse telefone, mas pusemos para muito cedo para conseguirmos ainda à escuta.

Tomar o pequeno-almoço a ver o sol.

Lá fora. É absolutamente espetacular.

Foi mesmo espetacular. Fiquei com pena de não termos feito mais tempo.

Também eu.

Sabem nos filmes, quando uma pessoa tem que desaparecer off the grid e vai para uma cabine no meio do nada, para uma cabana no meio do nada que é para não ter trace e parte o telefone, que é para ninguém o descobrir.

Sim.

E depois há uma personagem que sabe onde é que ele está e aproxima-se e a pessoa está de camisa de flanela a cortar lenha.

Lenha.

"Como é que tu me descobriste?" "Porque eu sei que tu, não sei o quê." Nós estávamos nesse gênero de cabine.

Sim.

O que vocês imaginam dos filmes é esse tipo de cabana. E foi espetacular.

Foi muito bom.

Levámos comida connosco, comprámos antes num Super Tesco, Extra, não sei o quê, e levámos comida para os dias todos. Fizemos grill dinner ao jantar, ao almoço fizemos uma salada com massa, levámos iogurte com mirtilos para o pequeno-almoço e fizemos a nossa vida durante 41 horas seguidas ali nesses cadinhos.

Eu não tive nenhum instinto de pegar no telemóvel.

Ia te perguntar, em relação a não estares com o telemóvel, que é uma coisa que parece, sem dúvida nenhuma, um first world problem, mas nós ambos sabemos que o telefone faz parte da nossa vida e que é uma coisa que está muito ligada à maneira como nós funcionamos hoje em dia. É inegável dizer que: "Não, mas eu não ligo muito ao telefone." Não, ligas sempre mais do que achas que ligas.

Claro.

Em 41 horas sem ligar o telefone, como é que foi a evolução da tua sensação em relação a não estar com o telefone?

Eu comecei tipo: "Olha, vai, agora é já para pôr para desligar". Tu ainda estavas tipo: "Mas nós temos de avisar a senhora que vai lá a casa". E eu estava tipo: "Eu já desliguei".

Pois, eu já fui.

"Tu se quiseres liga de novo o teu telefone e manda mensagem, mas eu já desliguei. Eu vim para estar desligada, portanto eu já desliguei". E só tive saudades do telemóvel num contexto: na casa de banho.

Pois, estranhíssimo ir fazer cocó sem telefone. Vou já dizer esta. Concordo 100%. Estranhíssimo.

Foi o único contexto em que eu senti: "Não tenho tudo o que eu preciso para".

Ya, falta-me aqui alguma coisa.

Mas depois pensei: "Não, eu tenho um livro, ou eu posso ler os rótulos como fazia antigamente, posso ler os rótulos das coisas".

Old school, a ler rótulos de xampus.

Xampus. Só foi o único momento em que o meu mindset foi: "Está esquisito". De resto, não tive nenhum momento em que eu pensasse: "Preciso imenso de ir ao meu telefone".

Pois, eu acho que há momentos em que o instinto é: "Olha, deixa-me ir aqui ao telefone". O teu cérebro está mais ou menos programado para a mão vai à procura. E isso aconteceu-me, acho eu, na primeira noite e talvez um bocadinho na primeira manhã. Mas a certa altura, é muito engraçado como eu desliguei mesmo Desliguei mesmo. A única coisa que de vez em quando me passava pela cabeça, por ansiedades ou preocupações, não sei bem explicar, era: será que está tudo bem? Deve estar, porque senão tinham ligado para o telefone de segurança. E era assim um pico de: será que está tudo bem? E eu dizia: "Não, senão tinham falado conosco, senão ligasse". E depois desligava e voltava outra vez. Mas eu acredito que seja o withdrawal, ou seja, é aquela coisa de quando tu deixas uma droga, o início, tu tens assim uns picos, mas depois passa.

Sim, houve outra coisa, mas tínhamos solução para isso, já digo, mas houve outra coisa que é: eu gosto muito de tirar fotografias. E às vezes pensava: "Que foto gira que isto dava".

Percebo.

Mas não posso tirar esta foto. Vou guardar isto na minha memória.

Claro. E depois tiramos fotografias.

Sim, tínhamos Polaroids.

Tínhamos Polaroids, tínhamos uma máquina nossa daquelas de para pôr a revelar.

Tínhamos duas máquinas, portanto a coisa fez.

Não, está tranquilo. Mas eu vou dizer outra coisa que é: surpreendentemente, estive sem acesso ao telefone 41 horas. 41 horas depois, volto a ligar o meu telefone, tinha 300 WhatsApps para ler. Ninguém tinha dado pela falta. Não aconteceu nada de extraordinário. Não fui necessário. E a vida continuou exatamente igual. Porque para as pessoas foi indiferente que eu tivesse estado 41 horas sem telefone.

Sem dizer nada.

Portanto, eu não sei se não devia estar mais vezes 41 horas sem ir ao telefone, porque o mundo continuou a girar sem notar que eu não estive no telefone. E ainda bem.

Sendo que há uma diferença entre fazermos o que fizemos na cabana e fazermos aqui em casa, só porque a cabana era o mais analógica possível. Ou seja, a rádio era uma rádio que tu tinhas de sintonizar. Não havia ecrãs, não havia nada.

Ya.

Aqui em casa, se tu quiseres fazer isso, tu vais continuar a ter a televisão.

Tens a televisão, tens a PlayStation, tens o computador, eu percebo.

Das duas uma, ou instituis, que é-

Não, mas podíamos ter um dia de analógico.

Um dia analógico.

Eu concordo com isso. Não vamos ao computador, não se liga a televisão, podemos jogar Scrabble outra vez, podemos ler, vamos para o sofá.

Exato.

Eu concordo com um dia. Até podemos ir passear aqui ao pé da nossa casa, um jardim. É um dia de analógico, é só um dia em que nós não estamos agarrados ao telefone ou a fazer refresh ou ir ao computador, ou "tenho que mandar este e-mail porque é muito interessante, importante". Não, é só isso.

Ya. Acho que podemos instituir, se calhar uma vez por mês, para começar. E depois o meu objetivo seria ir para o meio da cabana para sempre.

Para sempre.

Levar os nossos gatos.

E de vez em quando voltavas ao computador para pôr em anexo um novo livro, mandavas e desaparecias outra vez.

Ya. Isso era o meu sonho.

Isso era excelente. Era só tu, os gatos, livros e livros.

O computador tinha só para escrever.

Para escrever. Mas não tinhas Wi-Fi, não conseguias ler.

Não, só para escrever.

Depois tinhas que ir ao centro da aldeia mais próxima.

De computadorzinho na mão.

Para poder mandar o novo manuscrito. Eu acho que isso era o ideal.

Mas olha, não custa nada. Ou custa menos do que parece.

Custa bastante menos do que parece, sem dúvida nenhuma.

E, portanto, não queremos ser essas pessoas que endoutrinam.

Este podcast parece de repente aqueles do reiki.

Sim, não é nada disso.

Tu estás agarrado ao telefone, tens que desligar, a tua energia, os teus péptidos, tens que regularizar as tuas energias.

Agora ganhaste essa também, dos péptidos.

Aprendi o que são péptidos.

Pois.

Não é excelente? Só houve um ponto negativo no meio disto tudo, que é preciso dizer-se, que foi por causa de Taylor Swift. As 41 horas em que tu estiveste afastada perturbaram o teu acompanhamento de novidades de Taylor Swift, em que tu quase que não conseguiste bilhetes para ir ver a Taylor Swift ao cinema por causa do teu detox digital.

É verdade, mas consegui. E consegui uma variante de vinil, que eu ainda não tinha comprado nenhum vinil do álbum novo, graças à minha amiga Sofia Swiftie.

Um grande beijinho para ela.

Um beijinho grande para a Sofia, que pôs logo no carrinho, porque ela sabia. Ela sabia que eu ia curtir.

Era ela quem te punha a dizer assim: "Não, não quero essa merda. Para que é que..."

Não, ela sabe. Ela conhece. Portanto, muito obrigada.

Só para terminar o episódio, porque estamos mesmo no final, como é que resumirias a tua-

Resumirias?

Não é?

Resumirias.

Resumirias a tua semana de aniversário?

Olha, eu amei a minha semana de aniversário.

Ok.

Teve tudo o que eu gosto. Teve passear em livrarias, comprar livros, teve ler muito, teve comer bem, teve estar contigo e teve natureza, que é uma coisa que eu sinto que anda a precisar mais, cada vez mais. E gosto cada vez mais de estar no meio da natureza e de ir passear e fazer caminhadas. Nós fizemos caminhadas tanto lá como depois no último dia fomos fazer uma caminhada num penhasco nos arredores de Dublin. Eu sinto que estou a precisar cada vez mais disso. Portanto, teve tudo o que eu queria, só não tivemos os nossos gatos, porque ainda não dá para levar conosco em viagem, mas teve tudo o que eu queria e honestamente sinto que não precisei de estar ligada ao resto do mundo.

Exatamente. Nós não fazemos tanta falta como achamos que fazemos.

Zero.

Eu acho que é a maior lição que eu tenho na vida e que às vezes me é confirmada, que é: nós não somos tão importantes.

Somos zero importantes.

Como às vezes achamos que somos.

Eu nunca achei que era importante.

Uma pessoa nasce irrelevante, morre irrelevante e pelo meio, às vezes têm perguntas para nos fazer, mas a maior parte do tempo não têm.

E muitas vezes essas perguntas também não são muito relevantes.

De todo.

E, portanto, vão para o meio da natureza, mas depois voltem só para ouvir o podcast.

Sim, e depois voltam para o meio da natureza.

Exato, e depois voltam para ouvir o podcast.

Ou para ver o nosso espetáculo ao vivo. Por quê?

É verdade, sim, senhor.

Porque em Coimbra, neste momento, há um bilhete. Em Lisboa, das duas datas que ainda havia, das duas salas que estavam abertas, que só havia a sessão das 19h, uma já só tem oito bilhetes e a outra, a sala está composta. Vai ser a última data em Lisboa, no último dia da tour e não há mais.

Não há mais, que eu a partir de 1 de dezembro vou entrar em Modo trabalho.

Pois, e também há aqui outra coisa que é preciso dizer, que é: hoje, este episódio está a sair na segunda-feira, dia 29 de setembro. Falta exatamente um mês pra começar a nossa tour.

Já temos uma proposta para-

Era o que eu ia dizer.

Já temos uma proposta para Tribunal da Relação no Porto. Ainda não respondemos, vamos responder brevemente.

Vamos responder.

Estamos muito entusiasmados.

Mandem mais sugestões para o Tribunal da Relação. Se estão curiosos do que é, no último episódio nós explicamos exatamente o que é o Tribunal da Relação. As pessoas que nos mandaram a sua proposta a dizer que gostávamos muito de ser as pessoas no Porto, perceberam que isto não é invasivo, não é gozar, não é desconfortável, vai ser uma brincadeira em palco conosco, ao tom de terapia de casal e da nossa comédia.

Se o Porto consegue, o resto do país também.

Também. terapiadecasalpodcast é onde vocês podem enviar as vossas-

@gmail.com

@gmail.com. É onde vocês podem enviar as vossas-

Candidaturas a Tribunal da Relação, as vossas dúvidas, as vossas questões, os vossos e-mails só parvos com perguntas. Uma daquelas perguntas irrelevantes que às vezes nos fazem ao longo da vida, mas que dão sempre bom conteúdo. Estamos aqui pra vos ouvir e pra responder às vossas perguntas. Esta semana não fomos a e-mails, tínhamos muitas coisas pra dizer.

Pois é, tua semana de aniversário foi muito rica.

Também não contámos que eu fiz um bom cocó numa livraria.

Fizeste um excelente cocó.

Mas também já foi.

Como é que eu sei? Porque tu me o descreveste.

Já foi tema no ano passado.

Sim, cocós em livraria já é um tema 2024.

Setembro 2024.

Estamos noutro nível.

Exatamente.

Mas fizeste um bom cocó em livraria.

Fiz um excelente cocó numa livraria, perfeito no meu dia de anos.

Foi a melhor prenda.

Sabes aquela trend do TikTok do: "Ah, pareces mais feliz". Obrigada, fiz um bom cocó de manhã. É exatamente.

Obrigado, fiz um bom cocó numa livraria.

Exatamente. Gosto muito de vocês. Do Guilherme nem tanto.

Estiveste fechada comigo numa cabine três dias.

Cabana.

É normal que estejas-

A quantidade de vezes que este cara disse cabine. Eu juro, irrita-me tanto esta merda da cabine. É porque ele já só faz de propósito. Eu estou a alimentar o trollzinho. Até para a semana.