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Olá, sejam muito bem-vindos a mais uma temporada de "Terapia de Casal". O meu nome é Guilherme Fonseca, continua a ser Guilherme Fonseca e infelizmente também continuo a ser casado com Rita da Nova, a pessoa que está aqui à minha frente, com os seus oclinhos, com o seu casaquinho, porque está a chover em agosto.

Com o teu casaquinho.

Por acaso estás com o meu casaquinho.

Não está a chover hoje, ou está?

Está, acho que está. Está a pingar. Nós estamos a gravar isto no domingo, dia em que vamos ter um dia muito atarefado no MOC. Para vocês que estão a ouvir isto, o MOC já foi. E eu também vou ser honesto, o MOC Fest, que é onde nós vamos estar. Vou ser honesto, nós vamos fazer duas coisas hoje. Vamos fazer o streaming da Worten.

Não, nós fizemos duas coisas ontem. É melhor dizeres isso.

Vou dizer assim: nós fizemos duas coisas ontem. Nós fizemos o streaming da Worten, que está no YouTube da Worten, e fizemos um DJ set à meia-noite.

Se tudo correu bem, fizemos um DJ set.

Estou muito mais nervoso com o DJ set. Por dois motivos. Eu vou-te já dizer, vou abrir o meu coração.

Abre.

Primeiro, nunca pus música e aquela coisa de mostrar as músicas umas com as outras, aquilo é muito mais complicado do que eu achei que seria.

Porque estão lá com uma mesa de profissional.

Pois.

O Spotify já faz isso.

Mostrar as músicas. Deixem-me ligar o Spotify e escolher o que eu quero a seguir.

E o Spotify faz essa mistura.

Também te digo uma coisa, se o Spotify consegue, eu também consigo.

Também é verdade.

E segundo, porque o nosso DJ set é o último do último dia.

De um domingo.

Portanto, nós somos a festa de encerramento do MOC. A equipa toda do MOC ontem, as pessoas que nós conhecemos, que trabalham na Kilt e etc, na organização, estavam a dizer: "Nós depois vamos para lá porque é o fim do nosso trabalho".

Não, não vão.

Não, vai toda a gente para lá.

Enfim.

Nós somos a festa de encerramento e eu não sei se as pessoas não mereciam alguém que soubesse o que está a fazer.

Eu acho que as pessoas mereciam alguém. Mas pronto, olha, depois também logo se verá como é que isto foi.

É isso.

Isto aqui são futurologias.

Ya. Isso corre tão bem que nós agora temos uma carreira como DJs.

Não, não vai acontecer.

Rita, eu gostava de começar a entrar a pés juntos já com o tema.

O que é que eu fiz?

Eu tenho coisas para falar sobre ti, mas eu acho que nós temos que abrir já com isto que é importante. Qual foi o ponto alto das nossas férias? Foi que uma celebridade se enganou e respondeu diretamente a uma story a gozar conosco.

É verdade.

Quando achou que estava a mandar a nossa story para outra pessoa. E se isto não é o ponto alto das nossas férias...

Eu vou te dizer, já aconteceu a toda a gente. Já todos fizemos essa coisa de querermos mandar uma story de alguém ou um post de alguém a gozar.

Sem dúvida nenhuma.

E acabamos a responder quando queríamos mandar uma mensagem. Já aconteceu a todos.

Já aconteceu a toda a gente.

Já me aconteceu a mim.

Eu acho que já me aconteceu a mim.

Já me aconteceu com uma celebridade também, de eu gozar com uma celebridade e isto foi carma.

A sério? Tu estavas a gozar com uma celebridade e mandaste para a própria celebridade?

Mandei.

Então foi exatamente o que fizeram conosco.

Só que em dois segundos eu percebi e apaguei a mensagem e a pessoa nunca viu.

Ok.

Acho eu. A não ser que estivesse com o telemóvel na mão e tivesse visto uma notificação.

Aparece lá em cima logo o texto.

Porque não apareceu que a pessoa viu.

Ok.

Em dois segundos eu percebi.

Tu podes dizer o que é que escreveste ou percebe-se quem é a celebridade?

Não, eu mandei a dizer: "Esta agora acha que sabe ler".

É que isso é indiscutível que é gozar.

Claro que é. Não dá para disfarçar.

E na verdade, aconteceu-nos já.

Tu tiveste muita sorte, porque não te aconteceu o que aconteceu comigo, ou seja, no inverso. Tu neste caso és a celebridade.

Sim, porque fui eu que recebi a mensagem da celebridade.

Mas tiveste sorte porque estavas com o telemóvel na mão e não deu tempo à pessoa.

Eu também acho que por causa da idade da pessoa, a pessoa é mais velha. Eu não sei se era internet savvy o suficiente para perceber que tinha rapidez para apagar. Eu acho que não.

Eu vou dizer uma coisa que não é minha. Nós este verão fomos ao Fringe, este agosto, e vimos muitos sets de comédia e um deles é o do Nish Kumar, que a certa altura diz uma coisa que eu acho que devia ser regra, que é: se vamos proibir os telemóveis a pessoas com menos de 16 anos, então bora proibir também a mais de 55.

O que está a acontecer? Estamos a datar cada vez mais esta pessoa que estamos a falar.

Pronto.

É uma pessoa conhecida.

Vamos proibir.

É uma pessoa conhecida.

Não sabem mexer, não mexem.

Exatamente. Mas repara, então e tu, também fizeste a mesma coisa.

Pois fiz, mas eu percebi o que fiz. Essa pessoa não percebeu.

Eu vou contar a história.

Vai.

Nós fizemos, durante o verão, dois reels com uma marca de comida de animais.

Com a Purina, podemos dizer.

Com a Purina, podem ir ver o nosso Instagram, fizemos com coisas com a Purina.

Muito divertido.

Foi uma coisa bastante divertida para nós fazermos. Pode haver malta que não gosta daquilo, há pessoas que gostam daquilo. Para nós é divertido, é dinheirinho, é publicidade e é uma coisa que está diretamente ligada com a nossa identidade enquanto casal.

Podemos justificar.

Estou só a dizer. Mas fizemos dois reels. Eu escrevi o guião dos dois reels, a Rita deu uns toquezinhos, enviámos e a Purina foi impecável e aprovou-os imediatamente. E depois nós gravámos e pusemos na net. Pronto, o primeiro é muito engraçado, porque sou eu a beber de uma tacinha como os gatos, a ensinar os gatos a beber, não sei o quê. O segundo, nós ambos concordamos que não conseguimos ter uma ideia tão engraçada como o primeiro, mas ficou giro. Eu acho que o segundo está giro. É a gozar com a hidratações da malta e não sei o quê. O que é que acontece? O acordo com a Purina era nós fazíamos o reel e postávamos o reel e depois o primeiro reel tu partilhavas nas tuas stories, o segundo reel eu partilhava nas minhas stories.

Com uma storyzinha antes de contexto.

A dizer contexto e depois nós partilhávamos o próprio do reel. O que é que acontece? Esta celebridade, que eu vou continuar a dizer esta celebridade, respondeu diretamente à minha story Com o reel em que eu estou a dizer que o apito é este, e o teu telefone toca, e depois é hidratação, e não sei o quê. E respondeu a dizer: "Este casal não tem intimidade". Repara, por análise de texto, como se estivéssemos no exame de português do nono ano.

Ou do 12º, que eu sinto que isto já é um bocadinho mais.

Ou do 12º, pode. Claramente a mensagem não é pra mim.

Pois não.

Porque uma mensagem que diz: "Este casal", como se estivesse na jaula dos gorilas no zoo e disseste: "Estes gorilas", tu não estás a falar para os gorilas.

Claro.

Portanto, "este casal não tem intimidade nenhuma", não era pra eu ler.

Mas tu leste.

Mas eu li e respondi. Eu provoquei de volta, eu disse: "Não, não temos, só quando nos cumprimentamos de manhã com o aperto de mão". Foi o que eu mandei de resposta e a partir daí a pessoa tentou disfarçar. Mas eu achei hilariante a pessoa ter se enganado, queria gozar conosco, enganou-se e mandou pra nós.

Eu sinto que eu mereci, porque eu também já fiz, então acho que a retribuição do universo foi de volta pra mim.

Eu não sei se já contei esta história aqui, mas quando eu era muito novo, eu acho que estava no 11º. Eu no verão dei beijinhos numa menina e depois fui pro Algarve e conheci outra lá, e estava a trocar mensagens com essa menina nova no Algarve, e enganei-me e mandei mensagens pra primeira menina. E a primeira menina disse que claramente esta mensagem não era pra mim, espero que te divirtas muito este verão.

Eu já fiz pior ainda. Já fiz pior, que foi querer falar num grupo do WhatsApp a gozar.

Com uma pessoa?

Com pessoas que estavam no contexto onde eu estava. Imagina, há um grupo do WhatsApp com todas as pessoas que estão no contexto. E depois há um grupo do WhatsApp com só algumas pessoas que estão nesse contexto.

Acontece mil vezes, todas as pessoas que nos estão a ouvir, acho que não relate nisto, que é: tu tens o grupo, e depois tens o grupo sem algumas pessoas.

No caso era, não vou dizer.

Não digas, Rita, tu que tens. Isto é uma temporada nova.

Não vou dizer. Pronto, depois eu digo qual era. Tu acho que sabes. E eu comentei uma coisa que estava a acontecer.

No grupo com todos?

No grupo com todos, que estava a acontecer ao vivo, quando queria comentar no grupo com só duas ou três pessoas.

E como é que disfarçaste?

Apaguei.

Pois, é que apagar é mesmo do gênero ya. Depois dizes o quê? "Ah, grupo errado".

Não, as pessoas acho que não viram, ninguém viu.

Tens certeza?

Eu vi, eu fui ver se a mensagem tinha sido vista.

Ok.

Sou muito rápida.

E depois o que é que disseste? As pessoas não disseram: "Por que apagaste?" É que eu tenho um grupo em que as pessoas são tóxicas, quando alguém apaga alguma coisa.

Por que apagaste?

"Que é isso? Apagar, não sei o quê". Aparece sempre aquele sticker irritante que é "Jesus viu que você apagou" e não sei o quê.

Sim.

O mundo de stickers. Olha, se calhar é com a pessoa que nos mandou a mensagem sem querer. É mais o mundo de stickers, essa faixa.

Essa faixa de gozo, não é?

Faixa de gozo, exatamente. Que está a ser invadida por quem? Por boomers. O que eu ia dizer? Mas pronto, eu acho que isto foi o ponto alto do nosso verão.

E aconteceu há pouco tempo, ainda bem que aconteceu pra nós termos aqui alguma coisa.

Exatamente, nessas quatro semanas de pausa, o que é que aconteceu? Uma celebridade, e quando eu digo celebridade, atenção, porque há pessoas que estão aqui: "Meu Deus, mas quem é esta pessoa?" Esta celebridade, se eu disser o nome.

Vocês vão ficar tipo: "Ah".

95% das pessoas vão reconhecer quem é.

Sim, mas vai ser do gênero: "Ah, ok, faz sentido".

Está bem. Mas é ou não é uma celebridade?

Sim, é uma celebridade.

É uma pessoa facilmente reconhecida por 95% dos portugueses.

Isso. Não, 95% dos portugueses, não.

Que porcentagem dos portugueses é que tu achas que conhece a celebridade?

75.

80.

75. Tu vais lá pra-

Carrazeda de Ansiães, diz assim que não

...Carrazeda de Ansiães. Coitadas das pessoas de Carrazeda de Ansiães. Mas vais lá pra Trás-os-Montes, achas que a dona Arminda sabe quem é?

Ok, 75%. Fechamos 75%?

Fechamos 75%.

Aperto não, porque é a intimidade que nós temos.

Exato, é a única intimidade.

Rita, eu acho que isto é o ponto alto do nosso verão.

Eu também acho que sim.

Queria falar aqui.

Que Chicago Fringe.

Conta às pessoas o que fizemos este verão.

Olha, fizemos muitas coisas. Fomos à praia.

Fomos à praia, fomos ao Portinho da Arrábida.

Fomos na cidade de Lisboa, Oeiras, Cascais ou whatever. Fomos a São Pedro do Estoril, fomos passar um dia ao Portinho da Arrábida, vimos porquinhos, que são javalis, não é verdade?

Ya. Mas esse bronze já foi. Eu sinto que o bronze nós conquistamos naquelas duas primeiras semanas a ir à praia. Sabes quando tu baixas as cuecas e se nota a diferença?

Eu ainda tenho esse. Queres ver?

Quero.

Ah, não, porque senão é muita intimidade.

É muita intimidade. Não quero. Mostra.

Não podes ver. Vai logo. Mas o pior bronze eu acho que é o do Algarve.

O pior a ir embora?

A ir embora.

Ah, ok.

O do Algarve diz que vai em dois dias já está feito.

Mas há diferença no sol? Eu não acredito, vamos no primeiro episódio de uma nova temporada, pedir já ao nosso médico oficial pra nos responder a isto. Mas eu duvido muito que haja bronze que fica mais ou menos.

Não sei. Eu acho que há.

O sol é igual em todo lado.

Não, isto é borda d'água. O borda d'água dir-tia, mas eu não sei explicar. Por acaso devíamos comprar o borda d'água.

Ya. Por acaso devíamos. É mais lixo pra termos aí também pra pôr no lixo.

Exato. Fomos à praia, fomos a Londres, mas isso já fomos antes de pararmos. E fomos ao Fringe, em Edimburgo.

Exatamente.

Queres falar sobre tu, porque fomos mais por ti.

Exatamente.

Quer dizer, eu gostei muito de ir, atenção, não foi um stress, adorei.

Estavas contentíssima de ir. Aliás, foste tu que impulsionaste pra nós irmos a Fringe.

Ora aí está, que eu que eu gosto de cumprir os meus sonhos, mas gosto mais de cumprir os sonhos dos outros.

Exatamente. Em fevereiro, se eu não estou em erro, ou fevereiro ou março, eu não me lembro, mas foi num desses dois meses.

Foi quando fomos ver o Senhor Engenheiro.

Então é em abril, foi dia 1 de abril.

Foi quando fomos ver o Senhor Engenheiro.

Nós vimos que o Senhor Engenheiro, o musical.

O musical. Gianmarco Soresi.

Nós vimos que Gianmarco Soresi ia estar no Fringe e rapidamente Comprámos bilhetes de avião e marcámos dormida para ver Gianmarco Soresi no Fringe.

Estávamos a jantar num restaurante, atenção, entretanto.

Exatamente.

Saquei do computador.

Pois, como se diz no TikTok: "Compras grandes os millennials têm de fazer no computador."

Eu percebo, Gen Z, vocês são evoluídos e nasceram já com o telemóvel na mão, mas eu faço compras grandes no computador.

Exatamente. O que é que acontece? Comprámos bilhetes para ver o Gianmarco Soresi e depois construímos um Fringe à volta do Gianmarco Soresi. E foi muito giro. Eu gostei muito de ir ao Fringe, foi muito divertido. A única chatice do Fringe é o tempo lá, porque em Edimburgo nesta altura do ano, nós aproveitámos para ver imenso standup, nós vimos cinco espetáculos por dia, mas está a chover.

Mas repara uma coisa, também estava a chover em Lisboa na semana em que nós estávamos no Fringe.

Exato. Depois nós chegamos e está a chover aqui e passámos esta semana toda, que acabou agora, que hoje é segunda, acabou ontem domingo.

E foi o bronze, o bronze foi com a chuva.

Foi todo. Edimburgo sugou-nos o bronze, mas eu acho que criativamente é uma viagem super importante, porque gostei muito de ver standup, de ver coisas novas, de ver o standup que se está a fazer, de ver os espetáculos que os comediantes de nós gostamos estão a fazer agora. E eu volto cheio de vontade de fazer coisas. Sendo que, e agora vou fazer aqui uma pausa publicitária a meio do nosso episódio, eu ainda tenho bilhetes à venda para a segunda volta da minha tour. Portanto, vocês que ainda não viram o meu espetáculo, o "Amigável", eu vou ter só mais cinco datas, não há mais. Em Lisboa é para gravar. Vou fazer Aveiro, Lisboa, Porto, Faro e Cartaxo. Eu só vou fazer mais estas cinco cidades. Este espetáculo só vai existir mais cinco vezes e vocês podem comprar bilhetes na Ticketline ou podem ir ao meu Linktree, estão lá os bilhetes. Mas eu já tenho vontade, venho do Fringe com vontade de: "E se eu experimentasse uma coisa assim, e se eu fizesse assim. Eu agora tinha um ângulo que era assim, e eu posso fazer uma piada que é deste género."

Mas eu não sei se tu sentes isto, criativamente. Tudo é material de criatividade, não é? Obviamente que estás num festival tipo o Fringe, em que estão 3000 espetáculos por dia?

Há 3600 espetáculos por dia em Edimburgo.

3600 espetáculos por dia, seja de comédia, seja de artes performativas, seja de cabaré, seja de circo, seja o que for.

Sendo que o grosso do Fringe é standup comedy, é mais ou menos 80% do Fringe.

Sim, mas de qualquer das formas, é muita coisa a acontecer. Tu andas na rua e estão pessoas vestidas a tentar vender-te espetáculos. Há uma agitação muito grande na cidade. E obviamente que isso é tudo material criativo. Mas eu não sei se tu sentes isto, eu pelo menos sinto com a escrita, que é: a cena seguinte que eu vou escrever já é mais interessante do que aquela que eu estou a escrever no momento.

Percebo perfeitamente. Mas no sentido em que o espetáculo que eu estou a fazer agora, o "Amigável", eu já o tenho praticamente fechado. Ou seja, ele está, vou dizer, 95% fechado. Eu vou gravá-lo agora em Lisboa, portanto, ele está fechado.

Mas tu quando estás a preparar, não é logo no início, no início há o entusiasmo do "estou a fazer uma coisa nova, estou a juntar estes bocadinhos".

Ir aos bares recitar o texto.

Mas tu não sentes que há um momento ali qualquer em que, de repente, se calhar já estás mais em piloto automático com aquele projeto, em que começam a aparecer notificaçõezinhas na tua cabeça de: "Olha, também podíamos fazer isto, também podíamos fazer aquilo."

Completamente. Eu deixo sempre para o seguinte.

Também eu, só que é do género: eu posso ter uma relação com este projeto sem estar a querê-lo trair com outro.

Sim, eu acho que uma das maneiras que há de contornar isso é ser mais rápido a fechar um projeto. Porque quanto mais tempo tu arrastas um projeto, mais projetos novos te interrompem.

Sim.

É dar menos tempo às interrupções.

Relações mais curtas.

Exatamente.

Mas mais significativas.

Para serem mais fogosas e ir a mais até ao fim. Não que nós precisamos alguma coisa de intimidade.

Nós não sabemos nada disso.

Nós não precisamos nada de intimidade.

Aliás, nós estamos mais perto agora um do outro do que estivemos no último mês.

Sim, gravar está-me a pôr um bocado perto de ti, estou um bocado desconfortável. Mas é isso. Ou seja, eu acho que eu consigo ter hiperfoco num projeto, mas como o standup se constrói peça a peça, eu posso acrescentar o que eu quiser. Tu quando escreves um livro, tens uma história, tem um princípio, meio e um fim, tu tens de preencher o miolo. Pronto, é completamente diferente. Tu não podes mudar a história a meio. Quer dizer, podes.

Mas é difícil.

Mas é diferente. Mas gostei muito de ir ao Fringe, foi uma experiência muito boa.

Também gostei muito de ir ao Fringe. Aconteceu uma coisa muito interessante, porque ficámos muitas vezes na primeira fila de espetáculos e é superdesconfortável. Eu estou o tempo todo a pensar: "Vou ser chamada, vão-me perguntar coisas, vão-me chatear."

Sendo que é preciso dar-se aqui um pequeno caveat à tua história, que é: em nenhum espetáculo que nós fomos ver, e nós fomos ver um espetáculo em que até uma pessoa do público foi chamada para se despir completamente em palco, que eu acho que é a última coisa que eu faria, preferia cantar ou dançar em palco do que estar todo despido. Mas há sempre consentimento de quem é que quer.

Claro, óbvio.

E mesmo quando se metem com as pessoas, nunca é uma coisa agressiva. Nenhum dos humoristas que nós vimos gozou ou esteve a fazer roast ou esteve a falar da tua roupa e do teu ar. Nada disso.

Mas é desconfortável. É superdesconfortável.

Sem dúvida nenhuma, concordo.

É do género: tu é que tens de me fazer rir a mim.

Tu é que és a comediante profissional.

Não me uses a mim.

Ya. Tens toda a razão.

Não uses as minhas respostas. A não ser que ajudem mesmo, porque na maioria das vezes não ajudam a construir nada. É só o comediante que está a sentir sozinho em palco.

E quer construir.

E quer uma respostinha.

Ou as piadas estão a ir um bocadinho abaixo e ele tem que puxar com um bocadinho de interação.

Não há crowdwork comigo.

Não, mas fala do momento.

Não, eu quero falar no mock, quero deixar para o mock.

Esse específico?

Esse específico.

Então as pessoas neste momento têm que ir ver o streaming da Worten.

Têm de ir ver o streaming para verem o meu momento de interação com o comediante.

Ok.

Eu vou deixar esse para o mock, não vou dizer aqui. Deixei para o mock, está lá.

Está lá, vão ver. Sim, senhor. Ok, está tudo bem. Subtrair essa pequena história aos nossos-

Não é subtrair, é acrescentar.

Tem mais um episódio.

Menos com menos dá mais, toda a gente sabe.

Exatamente.

Olha, fizemos outras coisas cá em casa, estivemos a furar paredes.

Pois, é assim.

E eu quero só dizer que eu sinto que tu que és um homem que gosta de jogar videojogos, que gosta de platinar os videojogos. Para quem não sabe o que é platinar os videojogos, é ir aos cantinhos todos fazer tudo o que é preciso fazer. Não é fazer a história principal.

Eu gosto muito do meme que fizeram comigo. Já viste o meme que fizeram comigo?

Já.

Eu adoro aquele meme.

No Discord do Private Joke.

Sim, é muito engraçado.

Portanto, tu que és um homem que gosta de platinar, que gosta de achievements, no fundo. Tu gostas de estar a jogar PlayStation.

Eu adoro este memezinho.

Agora diz o que diz o meme.

O meme é uma rapariga que está com um ar chateada a pensar. Nós devíamos pôr na foto, só para divulgar este episódio. É uma rapariga que está chateada a pensar e diz assim: "Great, here comes Rita with her autistic husband". E depois aparece, supostamente és tu, mas é uma menina com ar muito feliz a dizer: "Hey, girl" e traz uma pessoa pela mão. E depois no segundo diz assim, és tu a dizer, comigo ao lado, sou eu como autista da PlayStation a dizer: "Did I ever tell you about the time he platinumed Claro Obscuro without any special build?" E está a pessoa do início a dizer: "Sim, já disseste".

Já disseste.

Eu acho muito engraçado. Porque implica uma coisa que não há aqui, que é o orgulho das minhas platinas. Tu não tens.

Não tenho. Nem tenho orgulho, nem tenho desorgulho. É indiferente. Mas queria usar, já que é o teu default. Está-te no sangue esta ideia de ir a todos os cantinhos dos videojogos.

Abrir todas as portas, todas as caixas.

E ganhar achievements.

Exatamente.

Tu adoras quando aparece lá no cantinho: "Ganhaste mais um achievement" na PlayStation. Eu sinto que no outro dia tu ganhaste um achievement da vida real.

Que não queria bem. Eu fui forçado a ganhar esse achievement.

Mas nos videojogos também não ganhas coisas que não estás à espera?

Posso até ganhar coisas que não estou à espera, mas eu quando estou a jogar um videojogo, fui eu que me sentei e peguei no comando com vontade de jogar.

Mas repara uma coisa, a vida nem sempre tens vontade de pegar no comando da vida e jogar.

Eu vou explicar o que aconteceu nesta casa na última semana. Rita da Nova sempre foi e é a menina que quer estar pronta para as aulas e o regresso às aulas. A Rita da Nova, a grande definição da sua personalidade é o regresso às aulas. Como Rita da Nova já não tem caderninhos para comprar e lápis para afiar e micas para preparar para pôr folhas de teste, o que ela faz? Aproveita agosto para refazer a nossa casa.

Já aqui dissemos.

Como se nós fôssemos o showroom do IKEA, que está em constante mudança. Há sempre um sítio qualquer que está em mudança. É a nossa casa, a nossa casa é o showroom do IKEA. Meteu os tapumes e estamos a mudar este espaço para si. E então a nossa casa, a Rita entra em modo regresso às aulas. E o que é o modo regresso às aulas? É a Rita não consegue fazer mais nada, sem ser passar os dias no IKEA ou online em lojas de decoração.

Só fui uma vez ao IKEA.

Por quê?

Porque o quê?

Tu querias ir duas. Tu querias ir segunda-feira outra vez.

Não.

Segunda-feira vais fazer o quê? Diz às pessoas o que é que vais fazer.

Segunda-feira vou comprar. Hoje, este dia que vocês estão a ouvir, fui comprar uma tinta para pintar um móvel. Mas isso não é ir ao IKEA.

Pronto, mas é merdinhas e movezinhos, e a quantidade de caixas que entrou nesta casa no último mês com móveis novos, porque a síndrome de regresso às aulas que a Rita padece, faz com que agosto seja mês de mudar esta casa toda.

Mas estás a ser muito injusto, parece que foi o mês todo isto.

Como não podes comprar uma mochila nova.

Eu posso comprar uma mochila nova, eu tenho dinheiro de adulta, eu posso fazer o que eu quiser.

Pronto, mas como já não faz sentido comprares uma mochila nova, compras um hall de entrada novo.

E não está bonito? E não é melhor chegar a casa agora?

Certo.

Não é mais prático?

Mas Rita da Nova, isso é um processo que tu queres ultrapassar. Isso é um processo que tu tens que passar e tu gostas de passar. De repente, esta semana eu tive que ir ao IKEA, que adorei.

Tu não tiveste de ir.

Tive.

Tu foste porque quiseste, porque eu ia com a minha irmã e com o meu sobrinho.

Se eu não fosse, eu sei bem o que é que eu ia ouvir.

Não ias ouvir nada.

Segundo, eu tive que furar paredes. Eu andei a furar paredes.

E não foi divertido. Genuinamente, Guilherme, não foi divertido nós fazermos coisas. Não é mais giro tu olhares agora para estas prateleiras que nós temos aqui na sala novas.

Está muito giro.

Lindas.

Estão excelentes as prateleiras.

Uma cor-de-rosa e uma amarela.

Estão lindas. E vou te dizer uma coisa: estão bem postas, porque nós fizemos a marquinha.

Não é mais prazeroso tu olhares e dizer: "Fui eu que pus aquilo."?

Rita, sim.

Então cala-te.

Mas não na mesma medida para ti, que eras tu que querias fazer isso. Tu é que estás em modo regresso às aulas. Eu estava em modo última semana de férias. Queria aproveitar que não tinha que ir à Cic, que não tinha que fazer isso de casa.

Mas acho que então estamos em modos completamente opostos na nossa vida, que é tu estás de férias e então nada existe, nada de obrigações, nada de coisas que têm de ser feitas.

Há obrigações.

Eu gostava de perguntar ao meu amor, já que aqui estamos, e já que estamos a gravar ao domingo e a semana tecnicamente já acabou, se o meu amor mandou a mensagem ao senhor que faz a remodelação.

Olha, queres que eu vá buscar a minha agenda? Porque eu apontei para ligar no dia 31, segunda-feira, porque esta semana as pessoas ainda estão de férias. Está na minha agenda segunda-feira, hoje.

Tu disseste-me: "Até o final da semana eu mando".

Mas pois, pensa aí. As pessoas estão de férias nesta semana, não vai dar para fazer nada.

Achas que o senhor que remodela móveis, que remodela armários, tapeiras.

Para ti eu remodelar tudo.

Olha, eu quero remodelar o meu marido.

A minha casa é a Sagrada Família, não está acabada. Nunca.

Nunca vai estar, Guilherme. Se isso é um problema para ti, a porta da rua é a serventia da casa.

Qual porta? Eu não reconheço. Mudaste o hall de entrada, é onde a porta?

É ali, ao pé daquele móvel lindo que eu pus ali, para tu pôres os sapatos para os sapatos não estarem no chão. Ali que parecia uma feira Sempre que chegávamos à casa era a feira, estava ali os sapatos, qualquer pessoa podia levar.

Eu não tenho problema nenhum, porque eu gosto do aspeto que tu dás à casa. A decoração que tu fazes da casa é lindíssima.

Pois, meu lindo, mas às vezes eu preciso de ajuda.

Posso terminar? A questão é essa. É que eu sou apanhado pelo furacão regresso às aulas e tenho que ir.

Olha, então vamos fazer assim. Vamos fazer assim. Vou encarnar a minha Inês AP e falar de relações abertas. Eu quero uma relação aberta com um homem ou uma mulher.

Quem é a Inês AP? O Faro e a outra que tinham os-

Não estás a acompanhar. Ela foi ao Kiko's Hot falar disso.

Então, a Inês AP está numa relação aberta?

Eu não ouvi tudo. Não, eu vi que ela foi ao Kiko's Hot, mas depois deu-me preguiça de ver tudo, não me estava a apetecer ouvir.

Ok.

Mas depois estavam vídeos de pessoas a dizer: "Que horror, a Inês AP com filhos, com marido, a falar de ter relações abertas".

Eu não acho nada um horror.

Também não acho nada um horror.

Se está tudo falado entre os adultos, qual é o problema da pessoa?

Exatamente. Por isso eu vou encarnar a minha Inês AP.

Ok.

E pedir se há aí algum homem, alguma mulher, que gosta de bricolage.

Eu acho que os homens que há, não estão interessados em estar numa relação aberta contigo, só de amizade.

Que gosta de bricolage. Venha, vamos estar numa relação aberta com essas pessoas só especificamente para me ajudarem a pôr.

Eu não tenho problema nenhum com bricolage.

Porque uma coisa eu também te vou dizer, está muito caro tu contratares uma pessoa para vir cá.

Pois está. Não, sem dúvida nenhuma. E agora que eu já furo paredes, eu vou te dizer, o meu valor era alto para ir à casa das pessoas. Eu agora que já sei, que sou um profissional de furar paredes, para ir, têm que pagar.

E não foi prazeroso.

Não, furar, eu tive mais intimidade com aquela parede do que contigo.

Do que comigo, claro.

Toda gente sabe.

Comigo não furas.

Eu furei aquela parede várias vezes. Não, é sem dúvida nenhuma muito giro furar e partir coisas, merdas. Isso é excelente. Mas o engraçado disto é que tu estiveste a pensar um hall de entrada novo. Estiveste a ver online. Tu pesquisas, depois chamas-me 70 vezes para eu ver. "E esta achas mais gira do que esta? E esta cor, esta?"

Mas eu posso passar a comprar eu sozinha.

Ouve-me até ao fim. Tens que me ouvir até ao fim.

Mas só para que é esse tonzinho do chamas-me 70 vezes.

Ouve-me até ao fim. Chamas-me 70 vezes. Porque é verdade, chamas-me tantas vezes.

Então, mas podes só dizer chamas-me para ver.

Pronto, chamas-me para ver.

É pejorativo, estás a dar um toquezinho.

Chamas-me para ver e eu vou ver e depois escolhes, compras, chega. É preciso montar, é preciso furar, é preciso pôr. Mas não acaba aqui, porque agora, de vez em quando, tu tratas o nosso novo hall de entrada como se fosse um museu e passas nas coisas e ficas a admirar e diz assim: "Está tão bonito, não está?" E eu tenho que me levantar, ir para o pé de ti.

Não tens de levantar, estás a ser injusto. Estás a ser injusto e a ser seca.

Estou a exagerar por motivos de comédia. Acabou a comédia, não há espaço para comédia neste podcast.

Este é o limite do humor. Este é quando falas assim do hall de entrada, este é o limite do humor. Andam aí a perguntar qual é, é este.

Eu não tenho problema nenhum com os bricolages cá de casa.

Aparentemente tens, não é?

Eu já sei. Eu fui apanhado de surpresa por minha própria causa, fui eu que não me preveni. Eu já devia saber.

E a quantidade de tardes que eu te deixei estar sossegadinho?

Quantas?

Quantas? Tiago, quantos jogos platinaste este verão?

Um.

Por quê? Porque era grande como a caraças.

Por acaso era, e era difícil, mas platinei um.

Achas que o uso do teu tempo está mais bem empregado?

Sabes por quê? Porque agora és uma trolha, não és uma escritora. Tu quando escrevias, tu sabias dessas coisas. Tu agora és uma trolha que anda a furar paredes e já não sabes escrever.

A platinar um jogo ou a furar umas paredes para pôr ali uma estante e ficar ali uma estante bonita na casa.

Tu queres ouvir o que eu acho que é mais interessante para mim?

Não, o que é mais bem empregado.

Empregado sou eu, o teu. Porque eu faço o que tu mandas. Eu já devia saber que na última semana de agosto é a semana de bricolage. É a semana de regresso às aulas. Eu já devia saber. O regresso às aulas está imbuído de uma maneira, está cravado, está agarrado, é uma lapa muito forte, uma grande boléia.

Eu sou uma mulher de setembro, tu queres que eu faça o quê?

Exato. E tu queres preparar.

Eu até nasci em setembro, eu até nasci no regresso às aulas.

Pronto, eu nasci aqui, é assim.

Eu nasci aqui.

Está excelente. Eu já devia saber, eu conheço-te, eu amo-te, eu quero estar casado contigo, apesar da falta de intimidade que nós temos os dois. E eu acho que eu tenho que pôr na agenda que a última semana de agosto é para bricolage cá em casa e é para estar de apoio, servente de pedreiro da minha esposa. Eu já sei como é que é. A última semana de agosto eu já sei como é que é.

Mas diz-me uma coisa, não te sentiste um bocadinho melhor? Não sentes que ganhaste uma skill na vida por furar paredes?

De furar paredes? Sim.

Era isto que eu queria trazer aqui. Eu nem queria estar aqui a dizer o quão linda está a minha casa.

Querias que eu ia.

Não queria, não.

Tu me tiras logo 70 fotos e mandas para os teus amigos. Olha aqui.

Claro, porque são os meus amigos, não é aqui para estas pessoas que não me dizem nada. Estou a brincar, gosto muito de vocês.

Também não tens intimidade com eles.

Tenho mais intimidade com os nossos ouvintes do que tenho contigo. Tu não sentes que ganhaste uma skill? Porque agora, quando pensares nalguma coisa que precisa de ser posta na parede, etc, já não há aquele coiso do "ah, pois tenho que chamar alguém para fazer".

Quer dizer, temos que pedir ao mesmo emprestado ao nosso Zinho Gonçalo, o coiso para furar.

Até eu comprar um berbequim. Meu amigo, até eu comprar um berbequim, que eu no outro dia percebi que a nossa aparafusadora elétrica se calhar também é berbequim.

Vou te dizer uma coisa, e não há ninguém que perceba de bricolage e de obras neste podcast que me vai mandar uma mensagem ou um e-mail para terapiedecasalpodcasterou Gmail.com a negar. A aparafusadora, se puseres lá uma broca, não vai furar paredes. Aquilo não funciona como berbequim, porque aquilo não roda a uma velocidade suficiente para furar uma parede, a não ser que a parede seja uma merda.

Vamos ver Vamos ver. Quando acabarmos de gravar este episódio, vamos ver. E é o teu braço que eu vou furar.

Ok, acho que aí fura.

Aí fura.

Eu fiz mais uma coisa, uma prova de amor este verão, e eu gostava de terminar o episódio a falar disso, que é: eu decorei o número de telefone da Rita. Queres falar sobre isso?

Parabéns.

Não, não.

Parabéns, Guilherme.

Não.

Uma prova de amor?

Tu não podes.

Tu queres usar essa expressão? Tu queres dizer que decorar o meu número, a pessoa com quem tu moras, com quem tu vives, é uma prova de amor?

Com a minha memória. É como um gato sem pernas dizer: "Eu por ti fui a Fátima a pé".

Não é, não.

É, porque a minha memória é um gato sem pernas.

Olha, Guilherme, também te vou dizer já uma coisa. Nós tivemos um mês a construir aqui uma energia, não foi? Tu não podes usar a tua memória, ou a falta dela, conforme te dá jeito, porque há dias em que a tua memória é incrível, maravilhosa.

Às vezes eu lembro-me de coisas que não estás à espera. É ou não é verdade?

Há.

Diz que é, diz que é o microfone.

Há dias em que usas a tua memória contra mim. "Olha, eu sei, eu decorei". E há dias em que é: "Com a minha memória de merda, claro que isto é uma prova de amor". Tu tens de decidir. Isto, como diz o outro, isto não é uma faca de dois legumes.

Eu vou te dizer exatamente como é que está decidido. A minha memória é uma merda, é má. Quando eu decoro uma coisa como o teu número de telefone, que consegui, foi uma coisa que eu fiz este verão, tens que valorizar, porque a minha memória é uma merda. Portanto, o meu orgulho em ter decorado.

Tu estás a fazer uma coisa que os ingleses chamam de usar a tua incompetência. Weaponizing incompetency?

Incompetence.

Incompetence.

Não, isso não é verdade.

Estás.

Weaponizing incompetence era uma alegação minimamente justa, por exemplo, com a máquina de lavar.

Não, e é uma alegação muito justa com a tua memória.

Eu nunca sei como aquela merda se põe, então não ponho.

É uma alegação muito justa com a tua memória, porque tu estás: "Eu decorei, eu não sei, olha a minha memória, desculpa, esqueci".

É ou não é verdade? Mas é uma evidência.

Não é.

A minha memória não é.

Tu fazes 1001 exercícios para melhorar a memória.

Não faço 1001.

Das duas, três.

Faço dois.

Das duas, três. Ou os exercícios que estás a fazer não são os exercícios certos.

Ou estou a ficar melhor.

Ou estás a ficar melhor, mas dá-te jeito às vezes ser mau, que é para isto ser uma coisa maior do que é.

Nenhuma pessoa não passa.

É só decorar uma porcaria de um número de telemóvel, caso aconteça alguma coisa, sabes o meu número de telemóvel. Isto não é uma prova de amor.

Todas as pessoas que sabem o número de telefone da pessoa com quem estão, decoram.

Se não sabem, estão a preparar-se para a desgraça. Digo-te já.

Mas por que este catastrofismo todo?

Porque pode te acontecer alguma coisa. Ficas sem telemóvel. Como é que avisas a pessoa com quem partilhas vida?

Pois.

Como é que avisas? Não é prova de amor, não é: "Eu amo-te tanto que até decorei o teu número". Olha que merdinha.

Que merdinha?

Amo-te tanto que até decorei teu número de telefone. E tu devias sentir-te feliz. Isto é o quanto eu te amo.

É uma prova de amor eu ter decorado o teu telefone com a memória que eu tenho.

Não é uma prova de amor.

É. A minha memória é boa ou é má?

Tu fazes a tua memória parecer pior do que é.

Pronto, mas evidentemente, é boa ou é má?

É média.

Rita Nova.

É média.

Rita Nova.

Não me chames Rita Nova.

Rita Nova. Nós não temos intimidade, vou tratá-la pelo seu nome.

Rita da Nova.

Vou tratar por você.

Rita da Nova.

Vou tratar por você, porque nós não temos intimidade.

Não tiro o da.

Rita Nova, o que a senhora acha da minha memória? Diga a verdade.

É média.

É médio/mau.

Não. Se fosse um bife, tinha um bocadinho de sangue, mas não estava ali a...

Mas eu decorei o teu número de telefone, eu estou contente comigo.

É sinal que é bom que estás contente. Agora, não me digas que é uma prova de amor.

É uma prova de amor.

Não é uma prova de amor.

Porque eu não decoro o número de telefone de mais ninguém, eu só decoro das pessoas que são importantes para mim. Quem é importante para mim, eu tenho um bocadinho de amor.

Ou seja, o teu e o meu.

Eu sei o meu.

Eu também sei o teu. Eu sei, Guilherme.

Mas agora estamos a comparar memórias. Parabéns, sou a melhor, sabes mais números.

Eu sei o teu número de telemóvel e sei o teu NIF.

O próximo passo é eu decorar o teu NIF. Não sei muito bem para quê, mas pronto.

Eu sei o teu NIF, às vezes não preciso que tu me digas o teu NIF para inserir em coisas.

Pois.

Quantidade de coisas que tu já estás implicado nas finanças. Meu amigo, também tenho a tua assinatura no meu computador.

Pois. Olha, eu decorei o teu número.

Eu não acho que seja uma prova de amor, mas vamos deixar para os nossos ouvintes decidirem.

As pessoas que digam. E as pessoas sabem o número de telefone da pessoa com quem estão? Não sabem. As pessoas não sabem.

Algumas sabem.

Algumas sabem.

Porque alguns ouvintes deste podcast são da idade da celebridade que te mandou.

Pois, também é verdade. Nós estamos nessa faixa etária.

E era uma altura em que era preciso decorar os números de telefone.

Exatamente. Olha, tu queres terminar este episódio?

Vamos terminar. Tínhamos aqui e-mails.

Tínhamos e-mails, podemos deixar para a semana. Já sabem, podem continuar a enviar as vossas questões, dúvidas e problemas das vossas relações para terapiadecasalpodcast@gmail.com. Este episódio vai ficar por aqui. É o nosso regresso, mas não é um regresso só de 38 minutos. Não, a verdade é que vocês podem ir ao YouTube da Worten e ver o que nós fizemos ontem no Worten Streaming, no Mockfest.

São dois regressos, é um 2 em 1.

Têm dois episódios esta semana para ouvir. E nós regressamos para a semana. Muito obrigado por nos ouvirem.

Gostamos muito de vocês.

Tinha saudades de fazer isto.

Também tinha. Sinto-me mais próxima de ti, um bocadinho mais íntima.

Um bocadinho mais?

Um bocadinho mais.

Gostou de gravar comigo?

Gostei, obrigada.

Como é que se sentiu?

Senti-me superbem.

Sentiu-se superbem?

Superbem.

Sentiu que há uma leve aproximação entre mim e si?

Sim, porque tocou com o seu pé.

Então, porque eu...

Não, foi sem querer.

Acabou a intimidade.

Tocou com o seu pé no meu.

Claramente a senhora é de uma faixa etária que não é minha. Um aperto de mão.

Muito obrigada.

Ou um beijinho, só assim, à distância.

Não, só assim um.

Está bom. Até para a semana.

Até para a semana.

Como sempre, muito obrigado. Com licença.

Tchau.

Com licença.

Continuação.