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Este é o "Tratar da Saúde" com a Dra. Mariana Sobral, médica de família dos Centros de Saúde. CUF. Olá, doutora. Bom dia.
Bom dia.
Uma taça de vinho ao jantar, uma cerveja com amigos, uma bebida ao fim do dia. Afinal, existe ou não uma quantidade de álcool que seja segura pra saúde?
Ao contrário de muitas outras conversas que temos tido, a resposta aqui é simples: quanto menos álcool, menor o risco. O que é importante? Não existe um nível seguro de consumo de álcool e é importante pensarmos nisso.
Então podemos falar em consumo leve ou moderado?
Podemos usar essas expressões porque simplificam. No fundo, pra descrever hábitos e, por exemplo, em consulta médica, o próprio médico pode perguntar isso, mas não é um certificado de segurança, porque o que é um consumo leve, no fundo. Porque consumo leve pensamos em quantidade, mas se eu só funciono se tiver que tomar um copo de vinho todas as manhãs, então aí já não estamos a falar de um consumo leve. Ou se só me divirto se consumir álcool aos fins de semana, mesmo sendo um consumo curto no tempo, não deixa de ser também um problema.
E quando é que deixamos de falar apenas de beber demais e começamos a pensar em alcoolismo?
O alcoolismo ainda tem muito peso social. É uma palavra que ainda hoje traz muita vergonha e muito estigma. Eu acho que se pensarmos em nós, se precisamos de álcool pra funcionarmos, já seja socialmente, profissionalmente, temos um problema. Se virmos isso num familiar, também é importante tentar ajudar, naturalmente.
Portanto, doutora, alguém que pode não beber todos os dias, ainda assim pode ter um problema.
Exatamente. Se pensarmos, por exemplo, em consumos pontuais, mas muito excessivos ao fim de semana, é muito frequente, ou faltarmos ao trabalho sistematicamente porque estivemos a beber no dia anterior. O que é importante? Este consumo não deve ser normalizado e pode afetar todos os aspectos da vida da pessoa, família, amigos. Não é uma falha moral, é um problema de saúde.
E o que deve fazer uma pessoa que começa a sentir que perdeu o controle? E um familiar que está preocupado, como é que deve ajudar?
Quando pensamos em nós, eu acho que devemos logo procurar ajuda médica, porque realmente percebermos o problema é fundamental. E é um grande primeiro passo. Em relação a familiares, eu acho que temos que escolher a forma como falamos. Não é ter medo, mas, por exemplo, evitar se a pessoa está intoxicada, se a pessoa está alcoolizada, não vai ser nesse momento. Portanto, esperar uma altura em que a pessoa esteja sóbria, tranquila, e começar a conversa com: "Tenho notado que tens bebido demais", por exemplo.
Se a pessoa bebe muito todos os dias e decide deixar de beber de um dia pra outro, isto faz bem?
Não. Há os sintomas de abstinência e que podem ser bastante graves. Podemos ter as convulsões, podemos ter episódios de confusão, de delírio. Eu acho que é sempre importante procurarmos a ajuda médica e este desmame ser progressivo e muitas vezes apoiado até por medicação, que ajuda naquele momento e que depois é retirada também de uma forma rápida.
Dra. Mariana Sobral, estamos a chegar ao fim. Que conselho gostaria de deixar pra quem nos ouve?
Não existe uma dose de álcool segura. Reduzir é sempre uma escolha positiva e se o álcool começa a decidir o seu dia, as suas relações, a sua saúde, acho que é importante pedirmos ajuda. É muito importante pra nós, que estamos doentes, mas também pra nossa família.
Dra. Mariana Sobral, é sempre um gosto recebê-la. Obrigada.
Obrigada.