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Sentir-se cansado ao final do dia é normal, mas e quando o cansaço é constante, incapacitante e não melhora com descanso? E quando a dor se torna persistente sem uma causa aparente? Hoje falamos de fibromialgia e síndrome da fadiga crônica, duas condições muitas vezes desvalorizadas, mas com impacto real na vida de quem as sente. Doutora Vanessa, bom dia.

Bom dia.

Quando é que o cansaço deixa de ser normal?

Como também já aqui falámos-

Tantas vezes sobre cansaço, sim.

Deixa de ser normal quando é persistente, desproporcional e interfere com a qualidade de vida. A fibromialgia é uma condição caracterizada por dor musculoesquelética difusa, associada à fadiga, alterações do sono e até dificuldade cognitiva. A síndrome de fadiga crônica, por sua vez, tem como principal característica uma fadiga intensa, prolongada, que não melhora com o descanso.

Mesmo que a pessoa descanse, não recupera.

Isso mesmo. Ambas são condições complexas, com envolvimento do sistema nervoso e alterações na forma como o nosso corpo processa a dor e a nossa própria energia.

E quais são os sintomas que nos devem preocupar?

Há alguns sinais comuns, nomeadamente a fadiga persistente, mesmo após o descanso, a dor generalizada, o sono que não é reparador, dificuldade de concentração ou memória e também sensação de corpo mais pesado, aquela falta de energia constante. Mas aqui vemos que efetivamente são sintomas que são gerais. São sintomas muitas vezes desvalorizados, mas que podem ter um impacto muito significativo.

E por que continuam as duas a ser tão pouco reconhecidas?

Porque não são visíveis e não existem exames simples que confirmem o diagnóstico. E isso leva muitas vezes a que os sintomas sejam atribuídos a estresse, ansiedade ou até a um cansaço que é normal. Muitos doentes acabam por viver anos sem diagnóstico. Além disso, há ainda algum estigma associado, o que dificulta o reconhecimento e a validação destas condições.

Doutora Vanessa, e tudo isto claro que tem um impacto enorme no dia a dia destas pessoas.

Sim, podem ser altamente incapacitantes. Afetam a capacidade de trabalho, a vida social, o bem-estar emocional destas pessoas e o fato ainda de serem pouco compreendidas pode aumentar o isolamento e a própria frustração. E aqui é importante reconhecer que o impacto é real, mesmo quando não é visível.

Existe tratamento para isto?

Não existe uma cura. Mas há formas eficazes de controle dos sintomas. Aqui diria que uma abordagem multidisciplinar é fundamental e pode incluir exercício físico adaptado, estratégias de gestão de estresse, melhoria do sono e em alguns casos, terapêutica farmacológica. O acompanhamento deve ser naturalmente individualizado e centrado naquela pessoa, pois o objetivo é melhorar a funcionalidade e a qualidade de vida.

Portanto, fica já o aviso que viver sempre cansado não é normal, não faz parte.

Não pode ser, exatamente. O cansaço persistente e incapacitante deve ser sempre valorizado, como já foi dito no programa anterior, logo no nosso início. E deve motivar avaliação clínica, porque mesmo quando não há uma causa visível, o sofrimento é real e merece uma resposta.

Sem dúvida. Foi mais um Tratado de Saúde com a doutora Vanessa Mendes. Até amanhã.

Até amanhã. Obrigada.