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Arranca agora o Três Toques, sempre com o Júlio Magalhães e também directo no YouTube, Facebook e site do Observador. Começaram ontem as meias-finais da nossa tristeza, mas temos mesmo de começar por aí. Júlio, hoje há jogo, toda a gente sabe qual é, mas ontem andei a pesquisar e há no estrangeiro gente muito mais otimista que nós. Podes contar a história que te enviei ontem?

Ora, é isso mesmo. Vamos a isso. Já sabem, ontem houve jogo, a Argentina esmagou a Croácia. Messi é agora o novo Deus. Há títulos nos jornais hoje impressionantes sobre o Messi, a dizer que se está a aproximar de Maradona ou que está a escrever uma história para a imortalidade. Ele que anunciou que este é o último mundial que vai fazer. E, portanto, a Argentina já está na final. Hoje há um Marrocos-França, que tem muito a ver também, não só de futebol, mas das relações entre os dois países. Marrocos foi um protetorado de França. Vivem de forma pacífica, mas com algumas tensões. Há 1 milhão de marroquinos a viver em França. E logo à noite, tudo preparado, não só para o jogo, mas para o que vem a seguir ao jogo, porque nas ruas de Paris e no centro de Paris está montada uma operação policial gigantesca, porque se não se consegue fazer previsões para o jogo, há quem diga que previsões para depois do jogo é possível fazer e que vai ser o fim do mundo. Porque um deles vai perder.

Independentemente do resultado, não é?

Sim, no sábado já houve confrontos, porque no mesmo dia a França ganhou e Marrocos também. Foi o jogo que ganhou Portugal. E à noite saíram todos à rua a festejar e, claro, festejaram daquela maneira. Hoje, vamos ver como é que corre. E encontram-se os finalistas a partir de hoje. França ou Marrocos, com a Argentina já garantida na final. Posto isto, não sei se vamos já-

Deixa-me arrumar a casa, Júlio. É a minha especialidade. Eu quero cumprir. Estás muito longe e não estás a perceber o que se está a passar aqui.

Não estou a ver o filme.

Não estás a ver. E eu estou aqui para cumprir uma promessa que andamos a fazer há oito dias, eu nem sei há quanto tempo, mas decidimos agora aqui.

Esconde-las.

Tem a ver com uma campeã do mundo. Pode não ser o Ronaldo, pode não ser a seleção portuguesa de futebol, mas temos uma verdadeira campeã do mundo. Vamos falar de hip-hop. E Júlio, isto é um exclusivo do Observador.

É mesmo. Deixa-me arrumar a casa.

Arruma lá.

Não vamos ter a Inês Pinto?

Vamos, sim, já aqui está conosco.

Boa.

Quer dizer que a Carla está a arrumar a casa, ótimamente.

Claro, eu estive aqui nas limpezas.

Nas limpezas, muito bem.

Não fui eu, foi a Inês Santos.

Foi a Inês Santos, boa.

Que tratou disto.

Então é assim, o hip-hop, vocês sabem o hip-hop. É mais uma modalidade à qual temos que nos adaptar os quatro. Vai ser uma loucura.

Deve ser. O Paulo já começou.

A Inês Pinto é uma verdadeira vai ser o Paulo de cabeça para baixo e as pernas fora a rodar. Isso não deve ser bem hip-hop, é mais o breakdance. Bem, a Inês Pinto é uma campeã do mundo, foi a Orlando, aos Estados Unidos, ganhar o Campeonato do Mundo. E claro, ninguém falou disto. Vamos falar nós. E encontrei a Inês Pinto, ela é ali de Paços de Brandão, daqui de perto de Santa Maria da Feira. Foi aos Estados Unidos e vai-nos explicar. Está ao telefone conosco. Agora vocês podem conduzir a conversa com a Inês Pinto, que eu estou aqui. Eu estou mais perto dela.

Estás tão perto quanto nós.

É verdade.

Tu já sabes tudo, não é? Bom dia.

Já falei com ela.

Olá, bom dia, tudo bem?

Estamos ótimos. Finalmente conseguimos aqui cumprir esta promessa.

Tivemos que fazer eliminar a seleção portuguesa para conseguirmos chegar a este ponto.

Senão não conseguíamos chegar aqui. Inês, podes-te apresentar? Acho que é assim melhor. Que idade é que tens? Onde é que fazes hip-hop? Como é que começa este interesse pelo hip-hop e como é que se chega a campeã?

Muito bom dia, sou a Inês, tenho 22 anos e como já foi dito, sou de Paços de Brandão. Eu ando na Academia de Dança Ana Monteiro, que é sediada também em Paços de Brandão. E pronto, isto tudo começou quando eu era pequenina, houve o interesse na dança e de começar a querer dançar. Pratiquei inicialmente na escola, na primária, depois quando passei para o quinto, sexto ano, também comecei a dançar, porque lá tinha o desporto escolar, e o desporto escolar também tinha a dança, então eu comecei a ter o interesse. Mas a dança realmente começou mais ou menos há 10 anos.

Então tinhas 12 nessa altura.

Exatamente. Quando eu entrei para um campo de férias. E nesse campo de férias, pronto, o campo de férias era na academia que eu neste momento ainda estou, que é a Academia Dança Ana Monteiro, e algumas meninas costumavam treinar de tarde enquanto eu estava no campo de férias. E eu comecei a ver os treinos, comecei a ter algum interesse e cheguei a casa e pedi aos meus pais: "Olha, eu gostava de experimentar dançar, porque eu vejo as meninas a dançar e eu gostava muito de dançar como elas". E pronto, tudo começou assim.

Inês, e como é que tu vais de Paços de Brandão para o mundial nos Estados Unidos?

Houve aqui o campeonato nacional que nos qualifica então para o mundial, que aconteceu em Orlando, ou para o europeu, que aconteceu também em Roma, em junho. Eu decidi ir ao mundial, porque se for, é para ir em grande.

Não fazes por menos.

Exatamente. E eu participei no nacional, que até foi inclusive em Santa Maria da Feira, consegui o segundo lugar e como os três pódios são qualificados para o mundial, eu tentei fazer de tudo para conseguir ir. Mas infelizmente, como não há muitos apoios, toda a viagem, tudo, teve que ser pago por mim, o meu dinheiro, a pedir ajuda a muita gente, familiares, amigos, conhecidos de Paços de Brandão e arredores. Muita gente me ajudou. Fiquei muito contente, porque tive mesmo muita ajuda e foi graças a essas pessoas que realmente consegui ir e conseguir trazer o prémio, porque senão não conseguia trazer o prémio.

E muitos parabéns por isso, Inês.

Obrigada.

Inês, funciona como o hip-hop? Há um júri que decide, que classifica as atuações?

Sim, há um júri qualificado que tem formação em várias áreas diferentes, porque muitas áreas são avaliadas, desde a técnica, os níveis, a execução de movimentos, tudo conta. Até a própria expressão que nós fazemos a dançar ou que nós mostramos a dançar, tudo isso conta e é avaliado. Sim, há uns júris que avaliam isso e que dão uns determinados pontos nessas diferentes categorias, que no final soma tudo numa pontuação total e quem tiver a pontuação mais alta é realmente o campeão, fica em primeiro lugar.

É como as disciplinas de ginástica, por exemplo, as disciplinas olímpicas.

Ou a de patinagem artística, se calhar, que é aquelas que vemos mais na televisão, não é?

Sim.

Passa em júri. E depois chegas aqui a Portugal e tens uma comitiva à tua espera no aeroporto. Não, pois não?

Mais ou menos. A minha família lá se juntou toda com alguns amigos e lá me receberam no aeroporto. Fiquei muito contente por isso, porque realmente senti o apoio deles e que eles todos estavam contentes, cheios de ramos e tirar fotos e tudo mais. Fiquei muito contente. Por acaso a minha família recebeu-me muito bem e eu fiquei muito feliz por isso.

Inês Pinto, há muita gente a praticar o hip-hop? E qualquer pessoa pode praticar o hip-hop?

Nós, por exemplo.

Por exemplo, sim, o Paulo Ferreira, por exemplo.

Sim, pessoas jovens como nós. Claro que sim, há muita gente que pratica o hip-hop em Portugal agora nesses anos. Ao longo dos anos, a dança no geral tem tido muito mais conhecimento, inclusive o breaking, que é uma das modalidades hip-hop. Em 2024 vai ser-

Breaking?

Breaking, sim.

É uma modalidade olímpica agora.

Vai ser uma modalidade olímpica, exatamente. E qualquer pessoa pode praticar, claro que sim. Inclusive aqui na nossa academia, nós temos uma aula que se chama Sweet Hip-Hop adultos, que são pessoas que têm 40 anos e que praticam a dança.

João, já sabemos. Carla? Paulo? Júlio?

O Júlio já está inscrito.

O Júlio já está inscrito, claro. Olha, e agora, qual é o próximo desafio, Inês?

Olha, o próximo desafio é trabalhar agora com algo novo, mais inovador. Eu quero manter o título. Quero lutar por ele pra voltar a tê-lo novamente.

Claro, é anualmente que há campeonato do mundo, dois em dois, quatro em quatro anos, como é que isso funciona, Inês?

É anualmente, sim. Todos os anos temos sempre um campeonato nacional que nos apura para o europeu ou para o mundial.

E há países que sejam mais fortes no hip-hop do que outros, como no futebol e noutras modalidades, por exemplo?

Sim, vai depender muito, porque como há imensas academias ou imensas escolas de dança ao todo o mundo. Existem sempre diferentes níveis, isso é relativo. Pode haver grupos muito bons, por exemplo, americanos, como menos bons, como há muito bons em Portugal. É sempre assim.

Claro. Mas esta taça já ninguém nos tira, não é?

É verdade.

Inês Pinto, muito obrigada por ter estado conosco. Campeã do mundo de hip-hop, muitos parabéns. Foi um gosto recebê-la. Muitas felicidades, Inês. Juca, vamos à nossa caderneta?

Pronto, vamos à caderneta agora. Pelo menos já tivemos aqui este exclusivo do hip-hop.

Tão bom. Muito querida a Inês Pinto.

É magnífica a Inês.

22 anos, incrível.

E ainda estudar design gráfico, que também é o sonho dela e tem uma academia, ela é professora também, dá aulas de hip-hop. Bem, temos que nos meter no hip-hop um dia destes. Não sei se temos tempo para a caderneta ou agora depois. Nós temos o nosso ouvinte ou não?

Não, não temos. Falta o telefone.

Não temos? Pronto. A caderneta está fechada. Diego Silveira foi o nosso ouvinte, foi o nosso grande vencedor. 3.200 € que vão direitinhos pra Praça de Andaris Vermelho. Estávamos a contar tê-lo aqui hoje em direto, mas pelos vistos não foi possível.

Não conseguimos o contacto. Temos tentado toda a manhã, sim.

Pronto, então está fechado. Para já está fechado. Amanhã vamos tentar falar com ele, mas acabou esta odisseia da caderneta. Agora em janeiro começamos a do Pokémon. Olha, estou aqui com o resto de caderneta.

Calma, Júlio, tu agora vais ter que fazer uma desintoxicação. Vamos lá.

Temos que fechar isto em notas de autor.

Notas, não. Agora temos que ainda falar da atrelagem, do lacrosse. É verdade, do hip-hop já está fechado.

Temos que começar a arrumar a casa. Isto aqui ao fim do ano temos que fechar estas coisas todas.

Temos que fechar isto tudo. É verdade, só fechar gavetas, gavetas, gavetas e depois começamos o Pokémon.

Foi mais um Três Toques da Rádio Observador. Amanhã há uma nova edição.