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Tudo pronto para um Três Toques, sempre com o Júlio Magalhães, que também pode acompanhar em direto no YouTube, Facebook ou no site do Observador. Hoje começo eu, o Paulo não está no estúdio e eu agarro aqui a bola.

Ótimo motivo. Força.

É uma boa razão.

Reparam nisso quando eu não estiver presente, está bem?

Tenho uma ótima razão também. O mundial de futebol está quase a começar, para o caso de não terem reparado. E chegaram-me estas coisas porque sabem que eu sou muito interessada nestas matérias. Júlio, estou a falar do célebre mundial do México, da célebre mão na bola de Maradona. Coisas célebres são comigo, como sabem. Já falámos aqui de tantos leilões de Maradona e agora há mais um. Queres explicar melhor aqui aos nossos colegas e aos nossos ouvintes aquelas dicas que eu te dei ontem? Que nos estiveram a chegar mensagens.

Vamos a isso. Já falámos aqui de vários leilões a propósito deste jogo do Maradona, lembram-se? Foi a camisola que ele usou, depois era um que foi na primeira parte e a outra foi na segunda, depois era o filho a dizer que não era aquela camisola. Enfim, com isto já foram muitos milhões que alguém deu pelas camisolas. E agora, eu lembro-me desse jogo, foi em 86, a Argentina ganhou 2-1, estávamos em plena Guerra das Maldivas, por isso este jogo também teve este impacto, porque estava em causa não só o jogo de futebol. Maradona marcou um dos gols com a mão e o outro, que é considerado ainda hoje o melhor gol de sempre da história do mundial. Agora, leiloaram a bola do jogo por 2 milhões de euros. Esta leiloeira, a Christie's, tinha como venda record até agora quase 180 mil euros. Também não fazia ideia que era possível leiloar isto, que foi a chama olímpica dos Jogos de Inverno de Helsínquia de 1952. Por acaso nós um dia havemos comprar uma para pôr aqui no estúdio.

Uma chama olímpica. Só nos falta isso, de facto. Não estás descansado com esta coisa da caderneta, já queres arranjar uma chama olímpica.

Dar aqui calor ao estúdio. Ligávamos quando começava.

O Paulo põe o boca para nós.

Titularidade.

Ligávamos às sete.

E não me lembro de nada mais útil, de facto, para ter no estúdio do que uma chama olímpica.

É seguro, é muito seguro.

Pronto, agora, esse gol foi que eu vos disse, foi marcado com a mão de Deus. O árbitro era um tunisino, o Ali Bennaceur. Ele disse que na altura teve dúvidas, mas não conseguiu ter a certeza. Não havia VAR na altura, era tudo muito diferente. E esta bola era dele. Ele ficou com a bola. Normalmente os árbitros no fim de jogo ficam com a bola.

Ficam com a bola.

A não ser que um jogador marque três gols. Neste caso, o Maradona podia ter lhe pedido a bola.

Sim, se Deus marcou um gol.

Marcou ele um e Deus marcou o outro. Agora um dia destes há de aparecer alguém a dizer: "Não, a bola do jogo ficou com o Maradona, não era nada do árbitro". Mas o árbitro agora deu a bola, foi leiloada. O árbitro diz que é o momento certo para partilhar a bola desse jogo histórico com o mundo. Lembre-se que a camisola de Maradona, na altura, rendeu em leilão 9 milhões de euros. E agora a bola, 2 milhões. Continuo eu lá com a minha camisolinha guardada, também vai valer.

Tu vai guardando. Mas não te aproximes da chama olímpica.

E a nossa caderneta quanto é que não vai valer? Ao pé da camisola do Maradona.

Vão ser dadas várias chamas olímpicas só para registar esse momento.

Temos que ver isso. Então se for completa, melhor ainda.

Exato. Isso é que está mais difícil, a caderneta temos cópias.

É isso. Mas eu estou atento, lamento, a assuntos que interessam verdadeiramente às pessoas. Ou seja, aquilo que por vezes chamamos temas fraturantes. Trata-se aqui de uma tentativa minha de elevar um bocadinho o nível deste Três Toques, ter aqui uma componente didática, que às vezes nos foge assim entre os dedos. Eu ponho este plural para fingir que somos todos, mas tudo bem. Júlio, eu falei com o Carlos Queiroz, o selecionador do Irão, e ele disse-me que aquilo, como se costuma dizer, é só problemas. Avança tu, porque ele me pediu algum recado, algum segredo nisto. Eu partilho isso contigo e basicamente agora podes partilhar com todos.

Tu és bom a guardar segredos.

Eu precisava que escrevam para partilhar. É que corrijo isto. Olha, o que eu te queria dizer sobre isto.

Primeiro, não contem segredos ao Paulo Ferreira. Já percebeste.

Exatamente. O Queiroz contou-me um segredo e ele agora está aqui a contar com todos.

É traidores públicos.

A definição de segredo é aquilo que só se partilha com uma pessoa de cada vez.

É verdade. E há quem diga para um segredo ser segredo entre duas pessoas, uma delas tem que morrer.

Paulo, regressa seguro, está bem?

Regressa seguro. Mas olha, pronto, de qualquer maneira, isto é um segredo entre o Paulo e o Carlos Queiroz, mas já saiu nos jornais todos. Portanto, já toda a gente leu isto ou se não leu, fica a saber agora. O Carlos Queiroz está com vários problemas em mãos. Já chegou ao Catar com a seleção do Irão e vai com a seleção do Irão. No Irão ainda foram recebidos lá no palácio presidencial pelo presidente. Foi logo uma chatice. Já há milhares de pessoas a protestar, que estão a caucionar o governo do Irão, que estão em protesto. Aquilo tem sido uma chatice. Há jogadores que também estão a manifestar-se contra o regime iraniano na seleção do Irão, de tal maneira que alguns não foram ao Irão à receção, foram já ter ao Dubai, e então ao Catar, porque jogam no estrangeiro e, portanto, foram diretos, mas é para o Catar, que era perigoso irem, uma vez que têm-se manifestado publicamente contra estes protestos que há no Irão. E agora, na primeira conferência de imprensa, o Carlos Queiroz deu no Catar. Um jornalista da Sky, a determinada altura, perguntou-lhe se ele não tinha vergonha de orientar uma seleção de um país que discrimina as mulheres.

O Carlos Queiroz não deve. Como é que ele respondeu?

Passou-se. Primeiro perguntou-lhe logo quanto é que ele pagava para ele responder àquela pergunta. Disse: "A Sky é uma televisão privada, quanto é que você me paga para eu responder essa pergunta? No fim do mundial, venha cá, paga-me, falo com o seu patrão". E levantou-se para ir embora, mas depois voltou atrás e disse mais: "Olhe para os jornalistas de inglês. Já agora, pense bem no que é que aconteceu agora com os migrantes em Inglaterra e depois venha falar comigo."

Ui! Gelou e assim fechou.

A coisa está assim: não vai ser fácil esta seleção do Irão, porque há muitos problemas e há este problema político grande que vai acompanhar a seleção do Irão e, sobretudo, Carlos Queiroz ao longo deste campeonato. Portanto, vamos acompanhar.

Não vai ser um mundial fácil.

Nada. Esperemos que o Paulo continue a ligar ao Carlos Queiroz.

Para saber as últimas.

Para saber as últimas.

Sempre.

A Carla fala em coisas, diz que é especialista em celebridades, não é? A Cristina disse: "É mais prestígio. Prestígio é comigo, é a palavra que me define." Maria João, prestígio.

Nós vamo-nos tombar. Grande espírito de equipa.

Esta semana estou com os cromos, porque tenho de ir lá pelo prestígio e a palavra deste Três Toques, Júlio. Três dias para o mundial e um, apenas um, para a gala dos cromos. Nós vamos mesmo fechar a caderneta até amanhã. Tem de ser. Não podemos passar essa vergonha de não ter completa. Comprometemos. Se não conseguirmos, o melhor é dizermos já que não há gala amanhã.

Pois, está mais para isso.

Está em causa?

Está mais para isso para chover.

Está comprometida a gala?

Está a ficar comprometida a gala. Hoje nem há tops musicais, vejam lá.

Está uma tristeza.

Isto está a ficar negro.

Então?

Ainda nos falta aqui alguma coisa, mas vamos ver se hoje conseguimos. Pois não é isso.

Não conseguem desquantificar isso?

Não é isso. Temos muitos pedidos para virem à gala. Nós ainda não temos a gala fechada e não cabe aqui toda a gente.

Temos que alugar o Coliseu.

Temos que alugar o Coliseu. Vamos tentar. O que é que se passa agora? A caderneta não está pronta ainda.

Isto tem de ir a prolongamento.

Tem de ir ao prolongamento.

Está toda a gente espantada.

Estamos a preparar a gala. Eu estou a preparar isto também minuciosamente e não tenho tido tempo.

Estiveste andas cansado.

Ando cansado, não tenho tido tempo. Ontem fui ao Rossio.

Foste?

Fui.

E também se trocam cromos?

Não é no Rossio que se trocam cromos.

Sim, mas a uma quarta-feira? Todos os dias?

Está lá há 20 anos. Todos os dias. Há 20 anos que está lá.

Já compraste a caderneta fechada.

Não é só de mundial que ele vende cromos, é todas as coleções.

Em que zona do Rossio?

Anteontem vi em frente à estação do Rossio, na parte lateral do teatro. Ontem um senhor foi lá perguntar se ele tinha um cromo do Europeu ou do Mundial de 2016, que lhe faltava ainda. Fiquei triste lá com uma coisa. Estava lá um senhor que foi lá por causa do neto. O que é que tinha acontecido? Ele tinha ido lá trocar cromos e o neto deu-lhe os cromos para trocar e ele trocou, e trocou também os Legend Sticker. Dois Legend Sticker que tinha. O neto não tinha separado aquilo bem, trocou. Chegou a casa, claro, o neto viu que tinha ficado sem os Legend Sticker, disse: "Fez um barreiro desgraçado".

Então nós não temos aí uns a mais?

Não, ele ontem voltou lá. E estava a comprar dois Legend Stickers.

A comprar?

Pois, ou seja, cada um por € 20.

Ui!

Disse: "Eu tinha que comprar porque o meu neto ficou a chorar."

Triste.

Precisava dos Legend Stickers e deu € 20.

Isto é muito drama familiar.

"Você tinha-me dito que eu ia arranjar, eu arranjava-lhe dois." "Não, mas deve ter. Está a ver? Foi aqui que veio."

Ó Júlio, tens de andar com uma gabardine, depois abres e tens os seus vários cromos.

E portanto, houve um senhor que me recordou lá uma história engraçada que os nossos ouvintes vão gostar de ouvir.

Para terminar.

Para terminar. E vocês também se calhar. Não, vocês também não se lembram. Vocês são mais modernas.

Nada simpático.

É verdade.

Agora ficaste parte, Paulo.

Vocês lembram-se que dantes, quando andávamos nos namoricos e tal, o que é que a gente dizia às namoradas? Elas não iam à nossa casa e sei dizendo: "Não queres ir lá à minha casa ver a coleção de cromos que eu lá tenho?"

Eu conhecia da coleção de borboletas.

Era coleção de cromos. Era, era.

E coleção de borboletas. Essa é a maneira como chamam borboletas que ninguém me falou.

E depois iam à casa e não havia.

Isso funcionava.

Funcionava, pois não havia nem cromos, nem borboletas. Isso era noutros tempos, era quando o amor era romântico.

Pois é, agora ninguém levava borboletas.

Há ouvintes que vão no carro que esta hora estão se a lembrar. Olha quantas vezes isso me aconteceu.

Tinha de haver um pretexto forte. Borboletas chamam qualquer um para ir ver a coleção.

Não só ao fim de semana é que podiam sair das namoradas. Tinham que estar à meia-noite em casa e os pais ainda mandavam a irmã a acompanhar.

Claro.

A Carla está a ter muitas recordações, não sabe porquê. Eu não estou, estou a imaginar é a tua adolescência, Júlio. Deve ter sido difícil.

Eu passei muito.

Paulo Ferreira, queres partilhar alguma coisa?

Não.

Estás só a ouvir.

Hoje em dia a questão é móveis. Já não é cromos, já não é nada. Amanhã é a gala de cromos. É o ponto e vamos tratar da gala.

Mas será que tem gala amanhã?

Não, vamos tentar não adiar.

O Júlio está a dar tudo.

Se adiar também inventa aqui um motivo para adiar.

Vamos convidar pessoas para irem aí ver a vossa coleção de cromos.

É verdade. Por acaso, podíamos dizer aos ouvintes.

Venham cá ver a nossa coleção de cromos.

Amanhã era engraçado ter aqui os ouvintes no estúdio.

E tragam um pequeno-almoço.

É verdade. Se houver ouvintes que amanhã queiram estar aqui no Observador, aqui no estúdio a olharem para nós.

A estar em casa às 20h00.

E a estarem aqui às 20h00.

A ouvir um bocadinho a atuação.

A ver a nossa atuação, que nós somos muito bons. Elas vão ficar.

Com efekto chama olímpica amanhã.

Deve ser o sonho deles.

Eles bem. Agora está tudo louco a esta hora no trânsito. Foi mais um Três Toques da Rádio Observador. Amanhã há mais.