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Hoje temos também um Três Toques especial dedicado à situação no Médio Oriente e temos como convidado o treinador português João Mota, orienta o Al Ittihad da segunda divisão dos Emirados Árabes Unidos, um país que também tem sido alvo das retaliações do Irão. João Mota, muito bom dia, bem-vindo, muito obrigado pela disponibilidade para estar conosco. Como é que tem vivido estes últimos dias de muita tensão e também de ataques do Irão aos Emirados Árabes Unidos?

Muito bom dia. Em primeiro lugar, um abraço a todos que estão presentes no estúdio.

Bom dia.

Sim, temos ficado um pouco apreensivos. Não é hábito andarmos debaixo destas coisas e sobre estas coisas. Quando foi o primeiro ataque, há dois ou três dias, há dois dias atrás, acho eu, foi assustador, porque aqui no Dubai não estamos habituados a esse tipo de situações, mas logo depois do susto, temos sido acalmados e temos tido informações de que realmente a segurança do país é muito forte, tem três camadas de proteção a nível aéreo também, é um país que está muito bem protegido acerca dessas coisas e temos tido a prova, porque já caíram mais de 400 ou 500 drones e não sei quantos mísseis, e tudo tem sido eliminado através da força externa que este país tem. Agora estamos um pouco mais descansados, mas há sempre notícias. O telefone de vez em quando começa a tocar o alarme. Isso é sempre assustador, é sempre um ambiente um pouco estranho, mas graças a Deus estamos bem. A minha mulher assustou-se um pouco. Há dois dias atrás queria ir embora.

Fez um ultimato.

E isso foi antes de um jogo que acabou por se realizar no sábado.

Exatamente.

Nessa altura contactou com os jogadores?

Estava em dúvida.

Exatamente, não havia certeza de que o jogo se iria realizar. Foi a primeira vez que contactou com os jogadores para esse jogo?

Foi. Houve jogadores e principalmente o meu preparador físico, um pouco mais assustados, mas aqui na cidade onde nós estamos, em Al Ain, fica a uma hora e 15 de Abu Dhabi. Estamos aqui no meio de Abu Dhabi e Dubai. Mas aqui é muito tranquilo, nós estamos aqui num lugar em que a vida passa-se normalmente. Ainda agora de manhã fomos ao mercado, não se passa nada, está tudo normal. E no Dubai, apesar de haver um pouquinho mais de apreensão, tenho duas amigas lá também que ainda ontem estiveram na praia.

João Mota, portanto, tudo normal. O que nos está a dizer é que o comércio, o mercado, está tudo a funcionar normalmente, as escolas, como um dia normal.

Aqui em Al Ain. No Dubai e Abu Dhabi, um pouco mais de alarme e mais cuidado. Eu acho que até nas escolas em Abu Dhabi passaram para a situação online, por uma questão de segurança.

Sim, por uma questão de segurança. Contacto com a representação diplomática portuguesa existe? Sente que tem as instruções todas necessárias para o caso da situação se poder agravar? Ou nem está a considerar isso?

Pois, é uma falha do meu lado, não contactei ainda a embaixada.

É sinal de que não sente necessidade para isso.

Se calhar a sua mulher já contactou.

A minha está aflita, mas agora já descansou um pouquinho mais.

Sim, mas no primeiro dia pôs essa possibilidade de abandonar o país, mas também havia as restrições do espaço aéreo.

Exatamente. Assim como está neste momento, parece-me que está calmo, mas se houver realmente de agravar-se a situação e houver alguma chance de sair do país, eu logicamente vou e moro. Agora, o aeroporto está encerrado, o espaço aéreo está encerrado, tanto em Abu Dhabi como no Dubai. Portanto, neste momento, mesmo que queiramos sair, não vale a pena, porque está encerrado. Se abrir, poderá ser uma hipótese, mas eu também acredito que se abrir, é sinal que as coisas estão melhor.

Já melhoraram.

Agora, o contrato acaba em maio, vamos ver se estamos aqui.

Já falta pouco. E tem tido contacto, João Mota, com outros portugueses que estão nos Emirados Árabes Unidos?

Sim, algumas pessoas, principalmente brasileiros, mais brasileiros do que portugueses. Eu não tenho conversado com o Paulo Sousa, apesar de termos amizade, mas não tenho conversado muito com ele. Mas acredito que ele esteja um pouquinho mais preocupado do que eu, porque ele vive lá no centro do Dubai, e eu vivo aqui em Al Ain. Parece que não, mas é uma hora, uma hora e 15 de distância, e aqui a gente não sente os drones passar por cima. Só de manhã ouve-se os aviões caças a passar de um lado para o outro, mas aqui não tem sido muito assustador. Agora, acredito que há portugueses lá no Dubai. No Dubai é possível que as pessoas estejam um pouquinho mais apreensíveis.

Estão mais no centro dos acontecimentos. João Mota. Sim, pode concluir, João.

Não, eu estava a dizer que no Dubai pode ser um pouquinho mais apreensivo, porque a todo momento estão a ser bloqueados mísseis e drones. Isso é sinal que eles estão a mandar para cá.

Ainda está sob ataque e há esse risco. João Mota é treinador português a orientar um clube nos Emirados Árabes Unidos.

Até maio.

Até maio.

Contagem decrescente.

Muito obrigado pela sua disponibilidade. Esperamos que continue em segurança. Muito obrigado. Adeus, bom dia.

Um bom dia, obrigada.

Felicidades com o vosso programa.

Obrigada, igualmente.