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Allons enfants de la patrie.

La baguette, le croissant.

É hoje.

Paella.

Paella. Agora italiano. Paella. Não faz mal. Temos um problema, é que o hino de Espanha não tem letra, portanto não podemos fazer aqui a brincadeira. Até parece que estamos a torcer pela França.

Não, nada. Para mim é me igual.

Me dá igual.

Me dá igual.

Me dá igual. Bom, hoje é dia de França e Espanha.

Para nós ganha a Espanha ao menos perdemos com os que venceram França. Os que podem vir a ser campeões.

Há sempre essa coisa. Há 16 anos, em 2010, foi isso que aconteceu. Fomos eliminados pelos futuros campeões do mundo, que foi a Espanha. Não sei se isso serve de grande consolo.

Acho que não.

Enfim.

Nós estamos para convencer de algumas coisas.

Franceses contra espanhóis. Tem sido atribuído um ligeiro favoritismo à França, mas a história recente não aconselha a aposta em França. A história recente dos confrontos entre as duas seleções. É verdade, parece que neste mundial a França está um bocadinho melhor, mas Espanha, muita atenção, tem vindo a subir. Não é a Espanha do Europeu de 2024, em que apresentava um futebol espetacular, muito superior a todas as outras seleções, incluindo a francesa, que derrotou na meia final. Este ano as coisas estão um pouco diferentes para a Espanha. França tem apresentado um nível melhor. Os quatro de frente, os quatro mosqueteiros, têm estado a um nível muito alto. A verdade é que a Espanha é uma equipa difícil de bater. Ainda só tem um golo sofrido neste campeonato do mundo. É verdade também que França só tem dois golos sofridos. Vamos olhar um bocadinho para a história destas duas seleções. Os franceses ganharam por duas vezes o Campeonato do Mundo e por duas vezes o Campeonato da Europa. Estes campeonatos da Europa com boas e más memórias para os portugueses. Nestes dois títulos de França, Portugal esteve no caminho dos franceses nas meias-finais e das duas vezes perdeu. Espanha, uma vez campeã do mundo, também ultrapassando Portugal numa das eliminatórias, quatro vezes campeã da Europa, três delas desde 2008. Um dos títulos europeus dos franceses, o primeiro em 1984, foi conquistado numa final precisamente contra a Espanha, com um célebre frango do guarda-redes espanhol Arconada. É verdade, deu um frango daqueles que ficam para a história. Um le coq. Le coq sportif. É verdade. A Espanha, de certa forma, vingou-se com a vitória há dois anos na meia final. Nos mundiais, os franceses têm um registo melhor do que os espanhóis. Aliás, este é um dado interessante. Desde 2000, França não ganha nenhum campeonato europeu, já conquistou um mundial e chegou a outras duas finais. No mesmo período, Espanha ganhou três títulos europeus, ganhou também o seu único mundial, também na única final a que chegou. Esta é só a segunda vez, eu já tinha dito isso no outro programa, que Espanha está nas meias-finais. Agora vamos ver quem passa à final e amanhã falamos quer do jogo de hoje, quer fazendo a antevisão de Inglaterra e Argentina.

Amanhã vais dizer se concordas com o resultado de hoje.

Amanhã vou dizer se estou feliz com o resultado de hoje. As meias-finais têm outros interesses, para além de saber, claro, o principal, que é quem se apura para a final. Por exemplo, saber quem será o melhor marcador deste mundial e há vários jogadores que estão na lista dos melhores marcadores que continuam ainda no mundial. Messi e Mbappé à frente, claro, com oito gols cada um. Também Harry Kane e Jude Bellingham, que têm seis gols cada um.

Os dois de Inglaterra.

Os dois de Inglaterra também podem estar aqui na disputa, estão a dois gols dos outros e todos eles têm ainda dois jogos para fazer, mesmo que seja o do terceiro e quarto lugar, ainda podem estar aqui na luta. E depois há aqui outros motivos de interesse. Messi e Mbappé podem chegar aos nove gols, basta marcarem mais um, e com isso atingir uma marca que já não é atingida desde 1970, quando Gerd Müller foi o melhor marcador do mundial com 10 gols. Desde então, nenhum jogador marcou nove gols no mundial. Quando eu era miúdo, havia esta coisa de os melhores marcadores do mundial só marcarem seis gols, no máximo. Aconteceu entre 1978 e 1998. Todos os melhores marcadores do mundial marcaram seis gols, todos com seis. Em 78, Mário Kempes, o argentino, em 82, Paolo Rossi, o avançado italiano, em 86, Gary Lineker, em 1990, Salvatore Schillaci, Toto Schillaci, também seis gols. Em 94, Hristo Stoichkov, da Bulgária, também seis gols e Davor Šuker, croata, em 1998, também seis gols. Parecia uma maldição, a maldição dos seis gols, que foi finalmente quebrada quando o Ronaldo, o fenômeno, marcou oito gols em 2002 e de então para cá, de 2002, também ninguém voltou a passar os seis gols.

Mas este campeonato é aquele que tem mais jogos, não é?

Também tem mais jogos. A verdade é que eles atingiram esta marca ou pelo menos estavam lançados, porque até ao momento, quando ainda faltam dois jogos, realizaram seis jogos Havendo aqui jogadores que não jogaram os seis jogos, como o Messi, por exemplo, que jogou em cinco, mas nesta altura já tem oito gols. A verdade é que também enfrentaram seleções de nível diferente daquele que era habitual nos Campeonatos do Mundo. Também pode explicar porque é que há tantos jogadores com marcas que habitualmente não eram atingidas. Erling Haaland, que acabou com sete gols, já foi pra casa. Ainda aqui também Ousmane Dembélé, que pode ter uma palavra a dizer, tem cinco gols até ao momento. Será difícil atingir ou ultrapassar ainda aqueles que estão à sua frente, mas tem cinco gols também. E este é um outro dos motivos de interesse para esta reta final do mundial, saber quem é que leva o troféu de melhor marcador. Dificilmente o recorde de Just Fontaine, francês, que em 1958 marcou 13 gols, será batido. Treze gols no mundial é difícil. Agora, por exemplo, quer Messi, quer Mbappé teriam de marcar pelo menos mais cinco para igualar o recorde de Just Fontaine. Tudo pode acontecer, mas não é muito provável que isso aconteça. É um dos motivos de interesse agora para os últimos jogos do mundial, ver quem será o melhor marcador. E também sabemos que a atribuição da Bola de Ouro no final do ano vai depender, e muito, de quem se sagrar campeão do mundo. Normalmente tem sido assim, com algumas exceções, mas o melhor jogador do mundial normalmente parte com vantagem para a votação da Bola de Ouro. É quase certo, se Messi ganhar este campeonato do mundo, vai voltar a ter uma Bola de Ouro e muito provavelmente, a não ser que Espanha ganhe, porque nenhum dos jogadores individualmente de Espanha se tem destacado muito. Yamal está a crescer, está a jogar melhor, mas não tem sido a figura decisiva.

Sim, não se tem falado de nenhum jogador espanhol neste mundial que destaque.

Vale pela equipe. Individualmente, nenhum tem se sobressaído. Tem aparecido Mikel Merino a marcar os gols, mas tem jogado pouco tempo. Dificilmente, se Espanha ganhar, a não ser que agora as exibições nos últimos jogos mudem muito este panorama, dificilmente algum espanhol receberá a Bola de Ouro, mesmo que ganhe o Campeonato do Mundo, mas Messi, Mbappé, mesmo Jude Bellingham ou Harry Kane podem ter aqui boas hipóteses de ganhar a Bola de Ouro se ganharem o Campeonato do Mundo. Por último, aqui uma referência a um mistério das redes sociais de um jogador francês, Michael Olise, que tem surpreendido os seus milhões de seguidores no Instagram com umas fotografias um pouco estranhas, porque não são desfocadas, são fotografias tiradas a televisores onde ele aparece. Ou seja, aparece a imagem dele. São fotografias que alguém tira a uma televisão e, portanto, aparece esse meio.

Mas é sempre a mesma televisão? Ou melhor, tens o ambiente à volta da televisão e percebes se é uma casa, se é uma sala, um estabelecimento?

Não percebes. Vês só o mesmo do ecrã.

É um fã.

Poderia ser um fã, ou talvez seja, ou quase certeza será, mas é um fã especial, porque é fotógrafo. E é o fotógrafo do jogador francês. É alemão, chama-se Lucas Korchan, e ele é conhecido precisamente por tirar esse tipo de fotografias. Não aos jogadores diretamente, ao vivo, mas tirando às imagens que aparecem na televisão. E falou-se que seriam fotografias tiradas por Florence Pernet, uma fotógrafa francesa, que não teria conseguido visto para entrar nos Estados Unidos. Então, como protesto, o Olise teria publicado estas fotografias, que seriam dela em França a tirar fotografias ao televisor, visto que não poderia ter entrado nos Estados Unidos. A fotógrafa já veio esclarecer que, por um lado, não é ela a fotógrafa oficial de Michael Olise e que tinha visto, o que não teve foi acreditação para assistir aos jogos. Portanto, aqui uma ligeira correção. Ela diz: "Estas fotografias também não são minhas, são do Lucas Korchan, que é mesmo o fotógrafo oficial do Olise". Só como curiosidade, Florence Pernet já colaborou com a Federação Portuguesa de Futebol, já tirou fotografias oficiais à Seleção Nacional de Futebol e agora veio esclarecer que não é ela a responsável por estas fotografias peculiares que têm aparecido no Instagram de Michael Olise.